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17 janeiro 2026

Ari Aster Não É Para Mim

E quem diz Ari Aster, diz Greta Gerwig ou a recém-descoberta (por mim) Emerald Fennel.

Em relação ao Aster, já tinha visto o Hereditary no MOTELx há pouco tempo e tinha chegado à conclusão que não é para mim. Da Gerwig vi o Barbie e da Fennel vi recentemente o Saltburn.

Acho os três cineastas extremamente pretensiosos e que se escondem por trás de uma estética exótica muito estilizada que chama a atenção sobre si. Mas os filmes, espremidinhos, não deitam grande sumo.

Como disse, cheguei a Ari Aster pela porta do Hereditary e acabei de ver o Midsommar. Já tinha achado o Hereditary muito vazio, salpicado de uns quantos jump scares e algum gore. Já Midsommar é mais limpinho, o gore minimizado ou à distância e o conteúdo: zero. Sim, joga com uma estética solar e poético-pastoril para chocar com o ambiente soturno habitual dos filmes de terror, mas não me cativou o interesse, nem assustou, nem encandeou. Serviu como veículo para a ribalta de Florence Pugh, que é uma excelente actriz, mas de quem já vi performances bem melhores.

Greta Gerwig e o seu feminismo delicodoce irritam-me. Little Women é anacrónico e pouco interessante. Hão-de viver sempre na minha cabeça as adaptações de George Cuckor (com Katherine Hepburn) ou Gillian Armstrong (com Winona Ryder). Ou até mesmo o anime da NHK. Barbie não me aqueceu nem arrefeceu. Nunca fui fã da boneca e quando começou aquele Oscar clip (sic. Wayne's World) feminista final só me apetecia arrancar os olhos... credo, que coisa mais cliché! Para além disso detesto cor-de-rosa!

Cheguei a Emerald Fennel através da adaptação, ainda por estrear, do meu livro preferido, Wuthering Heights. Nesse trailer vejo coisas visualmente interessantes, mas que não remetem, nem remotamente, para o livro, para o Yorkshire lúgubre e muito menos para a época em que se passa a história (séc. XVIII) ou em que viveram as Brontës (séc. XIX - a grande maioria das adaptações oscila por essas épocas). O filme parece uma fantasia estilo fanfiction/Cinquenta Sombras, vagamente inspirada no livro... Nem as idades dos actores batem certo. Recentemente vi Saltburn para ver o que a casa gasta e tirou-me TODA a vontade de ver Wuthering Heights no cinema. Primeiro pensava, enganada, que o título era uma metáfora a como "queimaduras de sal" ardem para caraças. Não, é o nome da propriedade onde se passa a história. E depois a história deixou-me a mesma sensação de vazio que os filmes dos cineastas anteriores, talvez com uma pequena excepção para Gerwig, que gosta de puxar uma lagriminha de vez em quando.

O que me irrita é que todos estes realizadores "vendem" emoções profundas, intensidade de cortar à faca, desejos proibidos, que depois resultam numa linha do coração plana ________

Não vou pagar para ver este novo Wuthering Heights, só vejo num sábado à tarde de ressaca, na TV. Os outros realizadores, vou evitá-los.

20 dezembro 2025

O que Ando a Ver...

Talvez desde o início do Verão que a maioria das séries que vejo regularmente na TV estão num hiato, o que me deixou sem nada para ver ao serão... É nessas alturas que procura novas séries para ver ou revejo algumas das minhas preferidas.

Foi assim que finalmente vi CSI Miami de fio a pavio (nunca gostei muito da série, por isso não a vi toda quando estreou), revi CSI NY e tentei rever a C.S.I. original, deu para ver cerca de seis temporadas (Grissom... aaah...), mas infelizmente saltaram a minha preferida, a sétima, da "Miniature Killer", passaram a oitava e depois pararam. Não foi chato, fora saltarem a sétima, pois o meu objectivo era rever as temporadas do Grissom. Agora retomaram a sétima temporada, weee~

Entretanto voltei a ficar sem nada para ver, mas percebi que estava a dar o Poirot na Star Crime... Foi sol de pouca dura, só vi uns dois episódios.

Entretanto comecei a ver Only Murders in the Building, fiquei super entusiasmada, mas só passaram a primeira temporada. Vi a segunda temporada de Elsbeth, mas também entrou num hiato.

Já tinha visto que ia começar Cobra Kai e como tive alguma curiosidade em ver quando estreou, resolvi por a gravar. Cobra Kai tem sido uma agradável surpresa, já vou na quinta temporada, mas também começa a cansar, pois a intriga é sempre a mesma, mas mudando os vilões a cada temporada. É um repescar giro dos filmes do Karate Kid, com os actores originais a retomarem as suas personagens e mudando o ponto de vista para Johnny Lawrence e para a sua rivalidade com Daniel LaRusso, o protagonista original. É uma série divertida, os miúdos são giros e bons actores e gostei de algumas reviravoltas. Mas como disse acima, a história anda às voltas e começo a perder o interesse. O que lhe vale é que tanto os episódios como as temporadas são curtos, os cliffhangers são muito bons e penso que já só falta uma temporada. Entretanto parou e não percebi se ainda falta alguma temporada, pois não teve um final propriamente dito...

Nas buscas por algo a ver, descobri que o Biggs, vá-se lá saber porquê, estava a passar Gilmore Girls. Já não apanhei desde o início, creio que na segunda temporada, mas como é uma série que sabe sempre bem rever, passou a integrar os meus serões. Mas entretanto pararam a transmissão pouco tempo depois, quando as coisas começam a aquecer, com o regresso de Jess.

Também no Biggs anunciaram a reposição de Gossip Girl, série que simplesmente adoro, ao ponto de servir de inspiração para o layout deste blog, e portanto estou a rever. Gossip Girl não é nada mais que brilhante, é uma série arrojada, politicamente incorrecta, sobre um punhado de pessoas privilegiadas de Manhattan e outras não muito menos privilegiadas de Brooklyn. Sabendo o que sei agora sobre a actriz Blake Lively, a Serena Van Der Woodsen, e algumas tricas que decorreram nos bastidores, é ainda mais interessante ver o crescimento da personagem Blair Waldorf, interpretada por Leighton Meester, que rapidamente tirou o protagonismo a Serena e a Blake. O problema de Serena é que é uma personagem demasiado ambígua e desonesta para assegurar o protagonismo. Blair, no seu jogo de manipulação permanente, é muito mais honesta e genuína, tendo cativado rapidamente o protagonismo da série. Era óbvio que Serena e a sua história de Cinderela invertida é que era suposto ser a protagonista, mas a relação de gato e rato entre os super poderosos Chuck e Blair é muitíssimo mais interessante e os criadores da série perceberam isso. Há uns anos valentes, quando vi Gossip Girl a primeira vez, li o primeiro volume do livro. Apesar de algumas diferenças, acho que só abrange a primeira temporada da série e não me lembro se a evolução das personagens é parecida ou não. Talvez tente arranjar os livros novamente e os leia. O que me lembro é que preferi mil vezes a série, apesar de não ter desgostado do livro.

Com este pára-arranca, comecei mais uma série, o remake de Sandokan... Quando a série original passou era miúda e achava aquilo uma lamechice pegada, preferia coisas mais sérias, como o Space: 1999. Mas em termos de entretenimento esta nova série cumpre o seu propósito e não me parece tão lamechas quanto me lembro de ser a outra série, focando-se em temas mais actuais da geopolítica Malaia e daquela região, apesar do disclaimer que nem os factos nem as tribos representadas são reais. Deve ser porque os Millenials não percebem o conceito de romance de aventuras. Mental note: rever a série antiga e ler os livros?

Sandoka-an, Sandoka-an,

Tirás cuecas e põe o soutiã-ã...

E o Eanes, na retrete,

faz a barba, com a Gile-e-tte!

Sim, canto sempre a letra alternativa quando soam os acordes da música da série original, em geral numa cena de acção em que o Sandokan é o herói ou no final de cada episódio.

Espero que agora com a rentrée voltem os NCISs, que voltem a dar Criminal Minds e que voltem algumas das séries que comecei recentemente, como Elsbeth (é um whodunnit giro), ou Only Murders in the Building

21 setembro 2025

The Archonia

vista aérea do The Archonia (The Belnord). Google Maps.

Comecei a ver a série Only Murders in the Building em grande parte porque não está praticamente nenhuma das minhas séries habituais no ar, a saison ainda não começou. A série começou a passar no STAR Crime (assim como bastante material da Disney+... será que isto significa algo? -- Jimmy Kimmel?) e houve algo que me chamou a atenção para esta série, o curioso elenco, formado pelo trio Steve Martin (que adoro), Martin Short (tem dias) e Selena Gomez (que também adoro).

A série é uma espécie de whodunnit inusitado (e eu adoro whodunnits), que dá origem a um podcast de true crime, criado pelos três protagonistas, que vivem no mesmo edifício, o the Archonia, em Nova Iorque. O edifício, na realidade o the Belnord, é uma quarta personagem passiva, mas cuja configuração, é um edifício enorme, que ocupa um quarteirão inteiro, tem um pátio interno ajardinado com fontes, e centenas de apartamentos, potencia igual número de histórias.

Os protagonistas são super interessantes, Charles (Steve Martin) é um actor solitário, a viver do sucesso passado, Oliver (Martin Short) é um encenador de teatro musical falido e Mabel (Selena Gomez) é uma rapariga de 20 e muitos, que vive no apartamento da tia rica para remodelá-lo. Os três, fãs do mesmo podcast de true crime, conhecem-se na sequência de uma morte no edifício e começam a investigá-la, suspeitando que tenha sido assassínio, por se terem cruzado com a vítima no elevador horas antes e não acharem que fosse alguém com vontade de suicidar-se. A história é um bocado mais complicada, mas como só cheguei a meio da 1ª temporada e há mais quatro, não posso nem vou fazer qualquer tipo de spoiler.

Gosto imenso quando as narrativas das séries são confinadas a um microcosmos, mais ainda quando todos os protagonistas são de alguma forma antissociais. O fascínio pela arquitectura de Manhattan e por um edifício tão interessante e de luxo, que ainda mantém grande parte das características de quando foi construído, foram muito bem aproveitados na narrativa. O edifício em questão tem várias entradas, o pátio que já mencionei, várias escadas principais, com elevador, e de serviço, entradas exclusivas a alguns apartamentos, tipologias diferentes, decorações diferentes, aliado ao o facto de quase ninguém se conhecer, dada a dimensão, são um potencial maravilhoso para as mais diversas narrativas. Isso aliado ao tom de comédia negra, às idiossincrasias dos protagonistas e à sua ligação quase forçada, e aparentemente participações especiais de celebridades de primeira, como o Sting, fizeram com que eu ficasse agarrada.

Agora estou lixada, só estão a dar 2 episódios por semana, já devorei os desta, e o meu propósito de ter algo para ver à hora do jantar, foi por água abaixo... 

Only Murders in the Building (HULU)

08 março 2025

97 Oscars... Musicais!

 

vestido Ruby Slippers, Schiaparelli,
para a performance de Ariana Grande

Aqui está o post costumeiro dos Oscars. Este ano, dos filmes nomeados, só vi o Dune 2 e o Flow. O Flow é maravilhoso e o Oscar para Melhor Longa de Animação foi MAIS QUE MERECIDO! É refrescante ver uma longa de animação independente, que não é nem Disney nem Ghibli, da Letónia, feita praticamente por uma só pessoa, num software de 3D gratuito (o Blender), com alguns defeitos, que o próprio realizador admite, ganhar um Oscar. PARABÉNS! Acho que o Oscar para Melhores Efeitos Sonoros é merecido pelo Dune 2, do qual gostei mais dos efeitos sonoros que da parte 1, onde os achei empastelados, embora a concorrência este ano fosse quase inexistente.

Quanto à emissão portuguesa, na RTP1, este ano nem se deram ao trabalho de pagar pelo Red Carpet, do qual nunca víamos quase nada, pois o Mário Augusto falava por cima o tempo todo com os seus "selectos" convidados. Falando em Mário Augusto, lá voltou a apresentar a cena, com um convidado de quem nunca ouvi falar (mas também ando muito afastada dessas lides) e sim, houve calinadas, mas nada memorável. Este ano ele esteve estranhamente contido e quase não falou sobre a cerimónia, mas mesmo assim nunca é demais: #CalaTeMárioAugusto!

Sobre a cerimónia, Conan O'Brien, não esteve em si e a apresentação foi extremamente comedida e nem fez muitas piadas inocentes, menos ainda picantes e apenas uma política. O que é de lamentar, pois ele costuma ser genial. Houve o sketch de Adam Sandler, mas a ligação à Ucrânia não foi muito óbvia e Daryl Hannah foi a única a realmente falar da Ucrânia (aliás está com suuuper bom aspecto!). Adrien Brody e Zoë Saldaña falaram de guerras e migração e da situação actual do mundo, o Oscar para a Longa Documentário, foi para o filme israelo-palestiniano, obviamente sobre a situação em Gaza, mas nada de provocador foi dito, depois de o Mário Augusto se calar... Os elementos da equipa de Anora também agradeceram às trabalhadoras do sexo, pelo apoio ao filme.

Adorei, adorei, adorei terem voltado a incluir números musicais à séria. Uma das coisas que me chateou imenso nos anos 90, quando já era emitida a cerimónia dos Oscars completa nas TVs portuguesas e ainda no tempo do Billy Crystal, foi quando houve cortes, digamos orçamentais, e a cerimónia passou de 4 a 5 horas a 3, e os números musicais foram reduzidos ao número de abertura e às canções nomeadas, sem o aparato de então. Tenho reparado que tem havido algum reinvestimento nos números musicais nos Oscars, principalmente depois da pandemia, mas este ano foram verdadeiramente interessantes. Infelizmente isso foi, provavelmente para não aumentar a duração da cerimónia, em demérito das canções nomeadas, que este ano não foram apresentadas em palco. Dos números musicais, adorei o do James Bond e o do Quincy Jones. Também houve o obrigatório número do Wicked, caía o Carmo e a Trindade de Hollywood se não houvesse um número do Wicked, gostei do vestido Ruby Slippers, por Schiaparelli, de Ariana Grande (imagem acima - sem Ariana), mas o Wicked não me diz nada, não fui nem quero ver, pois não gosto de musicais modernos e estou farta de origin stories.

Também gostei de, nos bastidores, Adrien Brody e Halle Berry repetirem o beijo de quando ele ganhou o seu Oscar anterior. Fofinho.

Agora ao que realmente interessa, os trapos. Começando com os homens, foi bom ver muito mais cor neles, mas a maioria usou um tom de diarreia (ou xixi - Chalamet, estou a apontar para ti!), que os favorece muito pouco. Voltem a usar veludo em tons de pedras preciosas, que é sempre um regalo para os olhos. Nem sequer houve um Billy Porter ou assim, com uma fatiota OTTP, para podermos comentar.

Isabella Rosselini

As meninas foram muito old Hollywood, mas pelo meio houve algumas peças interessantes. Halle Berry foi vestida de bola de espelhos, mas eu gosto de bolas de espelhos. Felicity Jones e Whoopy Goldberg levaram ambas vestidos "água líquida", o de Goldberg, fabuloso, desenhado por Christian Siriano. Depois uma série de meninas levaram uns vestidos diferentes, de destacar os method dressing de Ariana Grande e Cynthia Erivo, o de Ariana Grande, quentinho, acabado de sair das passarelas de Schiaparelli. Mas o meu maior destaque foi para Isabella Rossellini em Veludo Azul (e estava sentada ao lado de Laura Dern). Pena destacar-se a morte de Gene Hackman, mas nada sobre o Lynch, fora o slide, e esqueceram-se da coitadinha da Michelle Trachtenberg, que morreu um dia antes do Hackman (Lex Luthor para sempre!), no in memoriam.

Cynthia Erivo, Ariana Grande, Whoopy Goldberg, Raffey Cassidy e Storm Reid

Os exemplos acima são alguns dos quais gostei, mas havia mais uns quantos, não queria uma imagem demasiado grande para por aqui.

Gostava de partilhar aqui os dois números musicais, mas são só para olhos norte americanos e não estou com paciência para ir procurá-los na candonga.

Oscar.com

18 janeiro 2025


Se não me falha a memória, o primeiro filme que vi de David Lynch foi o maravilhoso The Elephant Man, na televisão. Já conhecia a história de John Merrick, tendo sido criada por uma anglófila, mas na altura todo o conjunto do filme impressionou-me do mesmo modo que a história original já impressionava. Entretanto já o vi num cinema, o único sítio onde determinados filmes devem ser vistos, e só posso dizer que é um filme sublime.

Em 1984 eu vivia fora de Portugal, num local com difícil acesso a determinados filmes, andava sedenta de ficção científica, e a primeira coisa que fiz, quando regressei a Portugal, no Verão de 1985, foi enfiar-me numa sala de cinema e ver o Dune, o meu primeiro Lynch num cinema. Adoro o Dune até hoje, adoro tudo o que introduziu na ficção científica, a ficar estagnada num universo quase ascético, criado pela minha amada série Space: 1999, e perpetuada pelo universo de Star Wars. Já o revi várias vezes, seja no cinema ou na TV, e continuo a encontrar-lhe coisas novas.

Avançando uns anos, no final dos anos 80, andava desejosa de ver o Eraserhead, do qual apenas conhecia a famosa foto do cartaz e que tinha sido o primeiro filme de David Lynch, aquele tipo do Dune. Só o vi, bastantes anos depois, acho que numa sessão no Cinema King.

No meu primeiro ano da Escola de Cinema, começaram a surgir notícias acerca do episódio piloto de Twin Peaks, uma série criada por Lynch, em desenvolvimento. Um colega tinha esse episódio numa VHS oficial, que tentámos ver na Escola (tínhamos leitores de VHS em quase todas as salas), mas não conseguimos um leitor disponível durante o tempo de duração do episódio e basicamente só vi a primeira cena, da Laura Palmer a ser encontrada na praia, embrulhada em plástico translúcido, ao som de Badalamenti. Felizmente não demorou até que a série estreasse em Portugal, que vi o mais assiduamente que me foi possível, numa época de gravadores VHS que não eram programáveis e nada de boxes de TV ou serviços de streaming. Nunca vi o final da série, fui perdendo vários episódios seguidos e, com a intriga a ficar cada vez mais embrulhada, perdi o fio à meada e o interesse. Cansei-me. Mas vi o Fire Walk With Me, que nos deu um bocadinho mais de Laura Palmer que a série, mas não cheguei a ver a nova série.

Blue Velvet teve mais ou menos o impacto inicial em mim que teve Twin Peaks, aquela middle America suburbana, que esconde um lado muito sombrio e sórdido. Ah, o Dennis Hopper...

Vi Wild at Heart no Cinema Londres e saí da sala furiosa. Detestei. Passado algum tempo, umas semanas, pensei para mim própria que para ter tido uma reacção tão violenta, é porque o filme não pode ser mau e merece ser revisto. Revi-o depois do último dia de aulas da Escola de Cinema, numas sessões de cinema drive-in das Festas de Lisboa, na Bica do Sapato, e obviamente adorei revê-lo. Acho que o Wild at Heart é, a par com o Dune, sorry Mr. Lynch, o meu preferido de David Lynch.

Fui continuando a ver os filmes dele, Lost Highway uma trip, Mulholland Drive uma alegoria muito Lynchiana de Hollywood (que vi mais ou menos na mesma altura em que li Coldheart Canyon, de Clive Barker, que à sua maneira, trata da mesma zona de LA e da mesma temática), mas, continuando a adorar os filmes, nunca mais tiveram o mesmo impacto.

Por circunstâncias da vida, nunca cheguei a ver a maioria dos últimos filmes dele, A Simple Story e Inland Empire entre eles, mas é uma falha a ser colmatada. Uma das razões porque não vi Inland Empire, foi porque andava com muito pouca disponibilidade quando o filme estreou e, quando dei por ela, tinha saído de cartaz.

Sigo o Lynch pelas redes sociais desde que comecei a usá-las, tive um momento WTF quando o que ele publicava eram basicamente os vídeos da meditação transcendental (absolutamente nada contra e aprendi umas coisas com isso), ou as suas pinturas, e Lynch continuava ali, a viver naquele cantinho das coisas que gosto, mas sem lhe prestar muita atenção. Foi agora, com a morte de David Lynch, a ver a gigantesca quantidade de fotos dele online, de posts de apreciação e homenagem, que percebi que Lynch teve um impacto muitíssimo maior na minha vida do que eu pensava.

A última coisa que vi dele/com ele, foi a sua interpretação de John Ford em The Fabelmans, de Spielberg, que vi há menos de um ano, na TV. Participação da qual não fazia ideia e me surpreendeu imenso, principalmente porque ali, ao ver essa cena, parecia que o real Lynch terá sido um desdobramento do Ford, no modo como falava com as pessoas, de modo provocatório e directo. Foi muito bem apanhado, Sr. Spielberg!

11 março 2024

96 Oscars... "Cala-te Mário Augusto!"

Este ano não tenho foto. Apesar de haver vestidos exóticos ou chamativos na Passadeira Vermelha, nenhum me cativou por aí além. Menção honrosa para Carey Mulligan e Anya Taylor-Joy, pelos vestidos clássicos "diorescos" (o da Anya era mesmo Dior, o da Carey não sei.

Este ano, para variar, vi 4 dos filmes nomeados, o que é uma grande diferença para anos anteriores em que, em média, não tinha visto nenhum. Esses filmes foram, por ordem de visionamento, Barbie, Napoleon, The Boy and the Heron e Poor Things. Pelo que estava com boas expectativas para a cerimónia. 

O problema está nas TVs portuguesas, que é rara a vez em que não tem uns idiotas a fazer comentários desajustados em cima da cerimónia. A excepção vai para a SIC, que colocou os idiotas no canal generalista, enquanto transmitia em simultâneo a cerimónia na SIC Caras, limpa de idiotices. Foram as únicas vezes em que fomos poupados! Nessa época pudemos inclusive ver os Golden Globes, que infelizmente não regressaram aos canais nacionais. 

Mário Augusto prometeu não falar em cima da cerimónia e não cumpriu! Para variar, continua a falar um inglês deplorável, continua a não saber a nomenclatura correcta das diversas funções no cinema em português e demonstrou mais uma vez a sua ignorância em relação a todo o cinema que foge um bocadinho ao mainstream e uma aberrante falta de respeito pelos nomeados/premiados: 

  • menosprezou Godzilla Minus One e o seu prémio pelos melhores efeitos especiais, falando por cima dos discursos de aceitação e ainda por cima reduzindo o filme a não merecedor (todos sabemos que a ficção científica não é cinema a sério, né?);
  • falou por cima da canção Whazhazhe, de Killers of the Flower Moon (racista!)
  • chamou "edição" à montagem e "editora" à montadora Jennifer Lame, de Oppenheimer, para além de falar por cima do discurso dela;
  • mandou uma série de bitaites desinteressantes por cima da canção vencedora inteirinha, What was I Made For?, de Billy Eilish e Finneas O'Connell;
  • não se calou nos discursos de Melhor Filme, principalmente o de Emma Thomas, a produtora (misógino!);
  • não deixou ouvir muitos outros discursos vencedores, principalmente nos filmes ou categorias que não entram no seu gosto pessoal, básico e extremamente limitado. Ah! E claramente não viu quase nenhum dos filmes. 
Tenho a certeza que a lista de ofensas continua, mas preferi não apontar. No 'drinking game' virtual que fiz no feicebuque, bebi 14 martinis 🍸, acho que isto é dizer muito! Mais valia, RTP,  não porem lá ninguém! 

Isto tornou uma das melhores cerimónias dos Oscars dos ultimos anos no programa mais irritante possível! Se eu o apanhasse à minha frente, dava-lhe um chapadão na cara!  CALA-TE!

Pequena nota positiva para o discurso atrapalhado mas emocional de Emma Stone, o prémio para o qual eu estava a torcer mais, incluindo o fecho do vestido a rebentar na cintura. Outra para o número da canção I'm Just Ken, directamente inspirado no segmento Diamonds Are a Girl's Best Friends, de Some Like it Hot (com Marilyn Monroe), que incluiu os Kens, incluindo o Doctor Ncuti Gatwa, John Cena a apresentar o Oscar para melhor Guarda Roupa apenas com o envelope e depois um lençol e, por fim, o único discurso que mencionou a guerra na Palestina, apesar dos pins de cessar-fogo, de Jonathan Glazer, realizador de The Zone of Interest (Melhor Filme Internacional) ao comparar o seu filme à situação na Faixa de Gaza.

E este ano um dos filmes vencedores, The Boy and the Heron, Melhor Longa de Animação, foi traduzido por mim, para português! Já posso pôr no currículo! 

18 fevereiro 2024

Inglesa Falsificada

Nunca liguei muito aos filmes da Bridget Jones, tanto que na altura não os vi no cinema, só os vi depois, num "sábado à tarde de ressaca", 1na TV. São engraçadinhos, mas, fora o Colin Firth a fazer um spoof do seu mítico Mr. Darcy, são filmes para ver uma vez e pronto.

Mas não é disso que quero falar aqui. Este mês, por causa do dia de São Valentim, o agora STAR Life anda a passar uma série de filmes de cordel, que se tornaram numa boa maneira de eu adormecer... durante o dia às vezes tenho deixado a TV ligada no canal como ruído de fundo, enquanto faço outras coisas, pois não exigem a minha atenção.  Os filmes de Bridget Jones (os dois) fazem parte da ementa deste ano, pelo que os tenho "ouvido". Não vou mencionar como os filmes envelheceram mal, envelheceram!, mas de uma coisa que me irrita bastante: a inglesa falsificada de Renée Zellweger.

À semelhança dos filmes, Renée Zellweger nunca me impressionou grande coisa como actriz, mas também a maioria dos filmes que fez não são propriamente a minha praia. Em Bridget Jones, pode ter a carinha laroca, é engraçada e um desempenho razoável, mas o sotaque britânico mais que forçado estraga tudo. Lembra os brasileiros quando querem fazer sotaque de Portugal, que incluem uma série de maneirismos, como "pois, pois" e basicamente estragam tudo. Zellweger faz uma espécie de sotaque Britânico médio que não existe, que a faz soar super forçada. 

Renée Zellweger não consegue fazer um sotaque britânico convincente, não para mim. Para além disso, está sempre a sussurrar e articula imenso cada palavra, o que acrescenta à irritação do seu sotaque falsificado. Acho tão estranho numa produção com dinheiro, com um bom elenco de actores britânicos, não tenha havido alguém para lhe ensinar um sotaque britânico como deve ser, fosse um Cockney londrino cerrado ou um Queen's English, qualquer um seria melhor que aquele pastiche. Será que os britânicos foram convencidos? Só me lembro de se falar de ser uma actriz americana a fazer a muito British Bridget, mas não me lembro de comentários acerca do sotaque. Lendo a Wikipedia, percebo que os americanos até ficaram convencidos, foi nomeada para Melhor Actriz nos Oscars, mas devo ter um ouvido demasiado apurado, que a mim não me convence.

Fora ser uma comédia romântica, um género sempre popular, continuo sem perceber o hype à volta de Bridget Jones. Pretty Woman, que também passa regularmente no STAR Life, sobreviveu muito melhor à passagem do tempo. Talvez porque se foque em arquétipos em vez de piadas secas e uma narrativa básica, como Bridget Jones. Não sendo fã nem de uma, nem da outra, Julia Roberts também é muito melhor actriz e arrasa em Pretty Woman.

Bridget Jones Diary

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