TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
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31 agosto 2005

Rosa de Versailles



Já resolvi, pelo menos parte, do meu dilema das revistas. Experimentei comprar a tal revista que vi publicitada (Zapping) e a primeira impressão é bastante boa: a começar pela capa que anuncia a 5ª série de CSI (que, se gundo o que li na Premiere, vai ter 2 episódios realizados por Quentin Tarantino), tem a programação da TV Cabo em pormenor (até tem a do Fashion TV), algumas, não demasiadas mas pertinentes, notícias e reportagens, e uma entrevistazita. Só tem um problemazito: não tem a programação dos 4 canais generalistas, mas tb são só 4 e posso sempre acompanhar a programação online.

Mas a verdadeira boa notícia, excelente notícia, foi ver anunciada a estreia de Versailles no Bara (Rosa de Versailles) ou Lady Oscar, como vai ser o título português, uma das mais clássicas séries de anime de sempre.

Não vale a pena ter ilusões, provocadas pelo ar antiquado (e é antiga, a série) e feminino, que a história é muitíssimo interessante, muito forte e pouco infantil.

A história acompanha o percurso da Rainha Maria Antonieta (a dita rosa de Versailles), desde a sua Áustria natal até à sua morte, pela guilhotina, na revolução francesa. Mas a protagonista não é ela, a protagonista é uma rapariga/mulher com nome de homem: Oscar François de Jarjayes, uma das 4 filhas de um general do Rei Luís XV que, farto de ter só raparigas resolveu dar-lhe um nome de homem e educá-la para o seguir na profissão e herdar os seus bens (naquela altura as mulheres não herdavam nada). Oscar é destinada à guarda pessoal de Maria Antonieta, quando ela vai para a corte francesa, e, ao longo do tempo, acaba por se tornar uma das poucas pessoas de confiança e honestas que a rodeiam. A vida de Oscar começa num idílio infantil de maria-rapaz, passa por dilemas de sexualidade provocados pelo modo de vida muito pouco convencional para a época, amores e desilusões, um grande amor, amadurecimento, política e morte.

Práticamente quase todas as personagens existiram na realidade exceptuando Oscar e algumas das pessoas que a rodeiam (André e Rosalie, por exemplo) até o pai dela, o general Jarjayes, acho que existiu. Para quem não sabe esta parte da história francesa, cheia de intrigas e romance, é uma boa maneira de aprender com uma ficção bem construída e sem grandes falhas históricas, que eu, que não sou especialista, tenha dado por isso.

Este anime é baseado numa extremamente popular manga dos anos 70 no Japão, criada por Ryoko Ikeda. A própria série também é dos anos 70 e também foi muito popular. Passou já há largos anos em França e em Itália, sendo muitíssimo popular em ambos estes países e teve, inclusive, uma adaptação para cinema, realizada por Jacques Demy e rodada em França. E, claro está, é um dos meus anime e manga preferidos.

O character design pode parecer algo familiar ao espectador de anime mais atento, é de Shingo Araki, o mesmo character designer dos Cavaleiros do Zodíaco.

Não consegui encontrar nenhum site oficial, nem mesmo em japonês, talvez porque a série ainda não foi editada em DVD e a produtora (Tokyo Movie Shinsha) faliu nos anos 80. Aqui ficam alguns sites de fans:
http://www.destinyofroses.org/oscar/
(site com notas sobre as falhas históricas na narrativa e não só)
http://www.interlog.com/~dgsimmns/RoV/RoV.html
(site bastante simples, mas com informação muito completa sobre a Rosa de Versailles)

Canal Panda
2ª a dom. 22h30

27 agosto 2005

Revistas de TV

Há muitos anos que sou (era) compradora fiel da TV Guia, mas decidi que finalmente ia largar o vício.

Durante bastante tempo (principalmente antes de haver concorrência) a TV Guia correspondia mais ou menos ao que deveria ser a revista guia de televisão para Portugal, mas nos últimos anos, principalmente depois da venda da TV Guia, a revista piorou tanto que deixou de ser uma revista de televisão para passar a ser uma revista de fofocas e cusquices.

Confesso que cusquices em doses moderadas, como não vou ao cabeleireiro, até que me dão algum gozo, mas dominarem uma revista, que tem uma ultilidade específica que por causa disso não é cumprida, é que não!

A meu ver, uma revista de televisão, principalmente com o nome "TV Guia" deve se concentrar, principalmente, em informar, com a maior precisão possível e com alguma antecedência a programação dos canais públicos (a TV Guia, agora sai às 2ªs com a programação a começar também às 2ªs, o que não dá jeito nenhum), cabo e satélite do país onde é editada. Já pude consultar algumas "TV Guides" de outros países e, em geral, são até mais gordas, mas as suas páginas, para além da programação, são preenchidas com artigos, críticas e reportagens sobre os programas a dar, filmes, séries, actores, profissionais de televisão e, em doses BEM mais pequenas, alguma cusquice ou até mesmo nenhuma cusquice. Um pouco mais parecidas com revistas como a Premiere.

O problema é que (basta olhar para uma banca de revistas, parecem feiras) em Portugal, ultimamente, para vender qualquer publicação com sequências agrupadas de palavras é preciso vir um brinde qualquer inútil e com volume ou então ter um escândalo menor na capa. A TV Guia que tinha escapado em parte a esse estigma começou, nesta nova vida privada, a viver de pequenos escândalos de protagonistas de reality shows e de intrigas arrancadas à força por fotógrafos plantados nas esquinas das ruas mais frequentadas pelas celebridades (?) do burgo. As notícias às vezes eram tão desinteressantes que se limitavam a ser fotos pouco nítidas ou de má qualidade de gente conhecida às compras no Chiado ou nas Amoreiras simplesmente porque passaram à frente do fotógrafo na dita esquina. Outra coisa sempre me irritou: um dos repórteres mais antigos da casa, um "suposto" especialista em coluna social, insiste, até hoje, em escrever Chanel (a famosa marca de roupa e alta-costura criada por Gabrielle "Coco" Chanel) com dois "N" -> Channel. Alguém lhe devia dizer (digo eu agora) que a senhora Coco Chanel (com um "N") era francesa e que channel em inglês quer dizer canal (talvez seja por escrever numa revista de TV), isto entre muitos outros erros similares.

Por mais que comprasse a TV Guia por vício ou por falta de coisa melhor com a programação de TV, finalmente fartei-me quando dei por mim a nem folhear como deve ser a revista e nem ler um único artigo, a única coisa que escapava eram mesmo as palavras cruzadas.

Mas agora preciso de uma alternativa. Os jornais estão fora de questão (papel a mais), já não existe um Se7e para nos alegrar a semana às 5ªs feiras, ver a programação na net é confuso e moroso (há sites de canais de TV que nem lembram ao menino Jesus) e as outras revistas de TV são iguais ou piores que a TV Guia. Resta-me tentar as revistas de TV Cabo e afins a ver se servem, vi publicitada uma no outro dia (mensal), mas aceito sugestões.

22 agosto 2005

Travessia no deserto

Afinal a travessia no deserto não tem sido tão seca como o país está. Principalmente os canais generalistas têm nos brindado com filmes importantes e de qualidade, que normalmente passam no Natal ou no outono. Ontem deu Hero, de Zhang Yimou, e Catch Me If You Can, de Steven Spielberg, na SIC, que já tinha passado Lord of the Rings - Two Towers e um filme excelente, com Gary Sinise, The Impostor.

Para além da SIC a RTP1 e a 2: continuam a passar bons filmes e a TVI, mais modestamente também tem passado algumas coisas de jeito. Nos canais de cabo tem havido o ciclo de filmes velhinhos de ficção-científica no Hollywood (The Incredible Shrinking Man, Tarantula), que infelizmente perdi, ontem, se não me engano no AXN, estava a dar o excelente e mítico The Blues Brothers e até mesmo a SIC-Mulher tem passado mais que lamechadas dramáticas francesas, há pouco passou Anna and the King, versão original e musical com Deborah Kerr e Yul Brynner.

Pelo menos os filmes são bem tratados, ao contrário das fabulosas séries de culto que felizmente têm passado nas nossas TVs, não fossem os intervalos gigantes da SIC e cortarem os genéricos finais (Hero, talvez por ser chinês, nem sobreviveram os nomes dos protagonistas) tudo seria perfeito.

Mesmo assim não deixam de passar as secas de TODOS os verões como Fim de semana com o morto, American Pie (que é bom, mas já cansa de tanto passar) e outros filmes baratuchos que vêm no pacote com os filmes de primeira qualidade.

Boas previsões são:
RTP1
Amadeus (sábado, 27/08)
Chicago (domingo, 28/08)

Hollywood
Rollerball, o original com James Caan (3ª, 23/08)
Misery e Eyes Wide Shut (4ª, 24/08)
Futureworld, com Blythe Danner, mãe de Gwyneth Paltrow, e o clássico Raging Bull (5ª, 25/08)
Merry Christmas Mr. Lawrence (6ª, 26/08)
Drácula, com Donald Pleasance e Laurence Olivier (sábado, 27/08)
O último Imperador e American Grafitti (domingo, 28/08)

Há mais, mas não dá para andar a esmifrar programação de filmes nos sites portugueses, ou são lentos ou não estão actualizados...

http://www.imdb.com

15 agosto 2005

Nova Gallactica

Depois de ter revisto parte dos episódios da primeira série da Battlestar Gallactica, fartei-me e cheguei à confirmação de que só via a série nos anos 80 porque não havia mais nada e tudo o que vinha à rede era peixe. A série antiga, dos anos 80, é a maior seca não tem personagens interessantes e a intriga é demasiado moralista, demasiado 'preto no branco' e cheíssima de incoerências tanto dentro do próprio universo, como na suposta relação com a nossa realidade actual.

Mas... mais uma vez um dos melhores produtos televisivos da actualidade foi maltratado e "empurrado" para uma tarde de feriado, na falta de conteúdo para uma tarde de semana habitualmente preenchida com horas seguidas de novelas. Falo do filme/episódio piloto da nova série Battlestar Gallactica, da qual já tinha ouvido imenso falar e visto os primeiros minutinhos em casa de um amigo que o tirou da net.

Eu estava bastante céptica, principalmente depois do baque, maior do que o esperado, ao rever a série antiga, não tinha a mínima vontade de ver. Mas, como estava em casa a fugir do calorão, aproveitei o "preenchimento" da tarde deste feriado na SIC para ver o filme de que tanto já ouvira falar.

A história, intriga, personagens e universo com que me deparei não têm comparação com a pirosada da série original fora as pequenas homenagens (a música da série original num evento oficial, as cartas de jogar e as placas metálicas ao pescoço de Starbuck hexagonais, entre outros) que de vez em quando pontuavam o filme.

Os Cylons já não são, como diz Baltar "torradeiras cromadas ambulantes" e sim androides quase humanos à semelhança dos replicants em Blade Runner. Ainda existem robôs mas a sua estética é mais interessante que a anterior, mantêm o olho ciclópico vermelho de um lado para o outro (convenhamos que era engraçado) mas nas mãos têm garras e parecem menos um tipo qualquer dentro de uma armadura cromada e mais uma máquina de guerra.

Starbuck e Boomer, desta vez, são mulheres. Starbuck mantém o temperamento rufia simpática mas com bastante mais densidade emocional e Boomer, aparentemente é uma espiã Cylon sem o saber (ainda). A relação entre o Comandante Adama e Apolo (Apolo, Starbuck e Boomer não são os nomes próprios deles mas sim cognomes de uso militar) não é aquela coisa melosa e simpática, sem conflitos que víamos na outra série, mas sim uma relação conflituosa principalmente devido à morte prematura do irmão de Apolo, que culpa o pai. Não há cãezinhos cibernéticos, para nosso enorme alívio!!!

Grande parte da intriga vive de conflitos tanto de poder militar como político e não há misticismo exacerbado na procura da Terra Santa (ufa!). Aliás a suposta Terra Santa não existe, ninguém acredita verdadeiramente nela, é simplesmente uma manobra emocional que o Comandante usa para que os populares não entrem em pânico e colaborem na fuga.

O vilão, Baltar, não é verdadeiramente um vilão, mas sim um homem inteligente cheio de dúvidas éticas e os Cylons são extremamente sedutores e têm uma grande curiosidade sobre nós humanos, apesar de não hesitarem quando chega a hora do massacre.

Ninguém é invencível e ninguém é estanque, demasiado bonzinho ou demasiado mau. São boas personagens com grande potencial para evoluir.

Pena que o filme acaba num cliff hanger, portanto era bom que isto fosse um prelúdio para a transmissão da série, de preferência na SIC-Radical onde os horários são respeitados e cada episódio é transmitido mais que uma vez por semana, dando a oportunidade a quem gosta de não perder pitada.

http://www.scifi.com/battlestar/

03 agosto 2005

Euforia seguida de desilusão

Nesta travessia do deserto que é a televisão no verão, soube hoje que vai haver uma adaptação ao cinema de uma das minhas séries perferidas de telvisão, quando era pré-alfabetizada, o Carrocel mágico. Mal fui investigar um pouco sobre o dito filme, desiludi-me logo:

1. é em 3D, logo perde todo o charme das marionetes da série
2. tem um vilão, o que tira aquele ar idílico e psicadélico da série cujas narrativas não eram moralistas à americana
3. a Anita é completamente diferente e tem um design mais realista, o que lhe tira TODA a graça
4. a vaca nem sempre tem a flor na boca, fica sem o ar psicadélico "anos 60"

Permanece uma dúvida: será que vão manter os nomes originais dos anos 70? Ou vão "traduzi-los" o que tornará a Anita em Florença coisa parecida?
Com isto tudo, acho que o entusiasmo que tal filme me poderia despertar morre à partida e ficam as excelentes memórias que, uma das séries mais engraçadas de TV para miúdos pequenos dos anos 70, me deixou.
Sim porque nem o café, em frente à minha casa, que se chamava Saltitão, sobreviveu e, há uns 6 ou 7 anos sofreu uma remodelação, para os alumínios de sempre, e nem o boneco do Saltitão, que estava lá dentro sobreviveu.

www.magicroundabout.com

17 julho 2005

Golden Globe Awards

Vi, pela primeira vez, a transmissão dos Golden Globe Awards na RTP1 e fiquei com uma agradável sensação de simpatia pela cerimónia.

Ao contrário dos Oscars, que dividem as cetegorias por função/profissão dentro de uma equipa técnica e artística de um filme, os Golden Globes dividem as suas categorias por géneros e não fazem distinção entre televisão, telefilmes ou cinema, o que hoje-em-dia é pertinente.

Quanto à cerimónia em si, é bem mais simpática que os Oscars. É mais intimista, pois a sala é mais pequena e dá a sensação que as únicas pessoas que estão a assistir são os nomeados nas diversas cetegorias e que não há, para além da ocasional esposa, marido ou mãe, uma grande quantidade de anónimos. Outro aspecto simpático é os convidados estarem sentados em mesas redondas e não em cadeiras em filas. Dá um ar de quem está ali para se divertir um pouco e não só para apanhar uma seca de não-sei-quantas horas a ver os outros a ser galardoados. Mais ainda: os discursos não têm limite de tempo o que nos permitiu, na cerimónia a que assisti, ver Robin Williams no seu melhor, que é o improviso, durante quase 10 minutos! Também não há números musicais ou afins pelo meio, que antigamente eram o forte dos Oscars, mas que entretanto perderam a graça, a cerimónia decorre a um ritmo mais fluido, sem secas.

Para além disso, as vestimentas, principalmente das mulheres, têm a tendência de continuar a ser glamourosas (como manda o figurino) mas um pouco menos formais e barrocas que nos Oscars.

Acho que, em termos de cerimónias de entrega de prémios os Golden Globe Awards venceram!

http://www.hfpa.org/

14 julho 2005

História da minha TV


Era uma vez, nos anos 60, uma televisão SONY, portátil, que vivia numa loja algures no Oriente. Um belo dia, um engenheiro português, em viagem de trabalho, achou-lhe graça. Como não tinha televisão comprou-a, pois era fácil de transportar no avião.

Essa televisão foi a única televisão existente no meu dia-a-dia durante os meus primeiros 10-11 anos de vida. É a preto e branco (ainda nem se sonhava com TV a cores) e só sintoniza a banda de VHF, o que queria dizer que só se podia ver a RTP1, a RTP2 era na banda UHF. O aparelho tem cerca de 30x20x35cm. O botão grande serve para buscar os canais onde eu e o meu irmão buscávamos incessantemente, sempre na esperança de vermos a RTP2, mesmo que em fantasma, esperança essa em vão, não havia hipótese! O interruptor é igual a um interruptor da luz, ao lado do grande, e os outros botões eram o contraste, brilho, etc. Todo o design é similar ao design de um rádio portátil, a antena, o pézinho, a asa...

Os nossos amigos, vizinhos e alguns familiares surpreendiam-se sempre com o tamanho diminuto da nossa TV e perguntavam-nos como conseguiamos ler as legendas. "Uma questão de hábito", respondíamos Uma certa altura partiu-se a pontinha da antena, semelhante a uma antena de rádio, mas ela continuou a funcionar lindamente. Mais tarde fundiu-se um fusível, mas foi substituído e ela ainda funciona!

Esta foi provávelmente uma das primeiras TV's portáteis e da SONY em Portugal e está guardadinha para um dia eu a herdar (está prometida!).

Há uns 4 ou 5 anos encontrei esta foto na net, modelo igualzinho à minha TV, com a pequena diferença que a minha tem o painel da frente preto e não branco. Deixei ficar o nome do autor da foto na imagem, afinal não fui eu quem a tirou. Mais ou menos por acaso veio-me há poucos dias à cabeça que tinha cá essa foto, nada mais adequado para um blog chamado TV-Child, portanto a minha foto está oficialmente mudada!

11 julho 2005

Cinefilia no feminino

Como cinéfila que sou adorei na emissão desta semana do Saia Justa ver e ouvir as meninas falar de frases famosas de filmes. O que mais me encantou foi ver que a escolha tanto de frases como de filmes foi inteligente e pouco agarrada a clichés. Márcia Tiburi escolheu "O Gatopardo" de Visconti, Mônica Waldvogel escolheu "Some Like It Hot" de Billy Wilder, Luana Piovani escolheu [ups, sinceramente não me lembro] e Betty Lago escolheu "Exterminador Implacável II". O resto das "lines" que passaram, foram baseadas numa escolha/eleição das melhores "lines" de sempre do cinema feita por um organismo em Hollywood, e passaram algumas das minhas preferidas como "Frankly, my dear, I don't give a damn!" de Rhett Butler a Scarlett O'Hara em "Gone With the Wind".

A escolha das meninas e alguns dos outros filmes de que falaram (Alien, Blade Runner) apresenta uma excelente lição a quem faz as escolhas de programação para o canal SIC-Mulher, onde só passam filmes lamechas, programas chatinhos ou melosos e se vêm poucos cérebros a funcionar. As mulheres não vivem num universo cor-de-rosa em que as únicas preocupações para além das óbvias (não vou dizer) são questões sociais ou afins. Nós também gostamos de divertimento fútil, de piadas idiotas, de "ajavardar" e de coisas ditas mais masculinas como filmes de acção e ficção-científica. Não há uma televisão "mais feminina" ou "mais masculina" o que queremos é opção de escolha e, sinceramente, haver necessidade de um canal chamado SIC-Mulher é tão deprimente com haver necessidade de haver um dia da mulher...

http://globosat.globo.com/gnt/

GNT
5ª, 16:30
2ª, 13:30

Ad? Aid? Eight?

Tenho pouco a dizer sobre a emissão do Live Eight (8), vi muito pouquinho. A emissão foi confusa e pouco publicitada. O que me apercebi foi que, ao longo do dia, ia saltitar de canal em canal, começando na RTP1 (parte que vi) transitando depois entre a 2: e a RTP-N.

A coroa de glória da nossa emissão do Live Eight foi a dificuldade de Margarida Pinto Correia em pronunciar as palavras "aid" [eid] e "eight" [eit] em inglês, pronunciando em vez disso, respectivamente, "ad" [ad] e "aid" [eid]. Talvez tivesse sido boa ideia ensaiar um pouquinho de véspera, porque "Live Ad"(?) que eu saiba não faz parte dos planos de Bob Geldof e "Live Aid" já lá vai há 20 anos.

Apesar de detestar Elton John percebi, pela emissão do seu concerto, que a emissão não foi integral, sendo a escolha dos segmentos a mostrar, única e exclusivamente feita pela produção ou apresentadores portugueses, o que, a meu ver é pena. Mas como os dinheiros de edição em DVD irão na mesma para a causa da fome em África, eu perdoo.

Foi com prazer e alguma nostalgia que vi o concerto dos Duran Duran, banda que me marcou e marcou a minha geração, principalmente porque não pude ver o recente concerto que deram em Lisboa. Estão em boa forma e recomendam-se!

Só espero ter possibilidade de ver pelo menos parte dos concertos das outras bandas de que gosto e que participaram.

27 junho 2005

Salitre


Na semana passada fui assistir, na Cinemateca, à ante-estreia do filme de uma ex-colega e amiga. Desta vez não acompanhei a evolução do projecto (mas estava por perto) mas tinha bastante curiosidade em ver o resultado.

Salitre é uma curta-metragem, bastante concisa, com um tema claro, muito bem exposto e com alguma ironia. Não vou contar a história senão estraga! No todo gostei bastante do filme, era bastante equilibrado, com boa fotografia, muito bom casting, bom guarda-roupa, adereços, etc. e boa banda-sonora. Como é um filme com poucos diálogos ainda tem a vantagem de ser acessível a todas as línguas sem grande necessidade de tradução. A linguagem verbal é substituída pela linguagem do cinema.

A razão porque falo aqui deste filme é simples: zanguei-me com o cinema português há bastantes anos (era uma defensora fervorosa) e tenho acompanhado pouco as longas-metragens que têm sido feitas. Pelo contrário as curtas-metragens, nem que seja porque tenho alguma ligação pessoal com alguém que fez o filme ou simplesmente porque passam em double feature (sessão dupla) tenho acompanhado com alguma assiduidade.

Mas não é só por isso. Gosto do formato das curtas metragens (do mesmo modo que gosto muito de ler contos), quem as concebe tem de transmitir as suas ideias de uma forma mais directa, clara e concisa o que muda o modo como a narrativa é exposta, faz com que a linguagem cinematográfica, do espaço-tempo, imagem e som, se sobreponha à, por vezes demasiado presente, linguagem verbal. As curtas portuguesas que tenho visto nos últimos anos têm me satisfeito bastante, identifico-me com elas e acho que são um produto acessível e comerciável. Todas elas mereciam ter maior exposição ao grande público do que a que tiveram, todas elas mereciam passar na televisão e não ficarem reduzidas a festivais como o de Vila do Conde.

Este filme foi co-produzido pela RTP, só espero é que esse seja um factor que sirva para que o filme não só passe no programa Onda Curta, mas também que seja vendido a outras televisões como o Canal Hollywood que, entre as longas, passa curtas-metragens, em geral europeias, mas nunca vi nenhuma portuguesa.

Felizmente que sairam DVDs com compilações de algumas das curtas portuguesas, produzidas há alguns anos e que valem a pena comprar, se não me engano nem eram muito caros.

Falta de tempo para haver sumo

Tal como concursos, não sou muito fã de talk-shows. Para mim ficará para sempre no coração o formato americano na versão Arsenio Hall, que foi o talk-show que me pôs a ver talk-shows. [wou-wou-wuou!] Também vejo muito de vez em quando Late Night With Conan O'Brien ou o Jay Leno, mas nada que se compare ao Arsenio Hall!

Por isso mesmo o sucesso do programa da igualmente famosérrima Oprah Winfrey passa-me totalmente ao lado. Lembrei-me no outro dia de um dos poucos programas a que assisti do princípio ao fim (talvez o único em que aguentei). O tema era, se não me engano, o recente filme com Richard Gere e Jennifer Lopez, Shall We Dance?. Tratando-se de um remake de um mega-sucesso recente japonês é factor decisivo para me dar alergia e urticária se porventura pusesse os pés no cinema para ver o mesmo, só talvez o facto de conhecer os convidados (parece que de vez em quando o programa se dedica a anónimos) me fez ficar a ver.

A própria Oprah é simpática, acessível, parece a vizinha do lado, cheia de conselhos e ombro amigo a dar... Mas o pior é mesmo o formato!

Começa o programa [os diálogos que transcrevi livremente são apenas da Oprah]:
"Boa noite, sou a Oprah, bem-vindos, etc., etc... (...) hoje vamos ter como convidados Jennifer Lopez e Richard Gere, apresentando o seu novo filme!"

INTERVALO
"Então um aplauso para a nossa convidada de hoje: Jennifer Lopez! (...) Olá Jennifer! Estás muito elegante! O cão, o gato, o piriquito, estão todos bem?"
Jennifer cumprimenta de volta e responde.
"Como foi fazer o filme?"
Jennifer começa a responder com frases feitas.
"Agora vamos interromper, voltamos já"
INTERVALO
"Agora um aplauso para o nosso outro convidado! Richard Gere! (...) Olá Richard, bem-vindo de volta ao programa, o cão, o gato, o piriquito, estão todos bem?"
Richard cumprimenta, faz uma pausa entre os gritinhos histéricos da plateia 100% feminina, e responde.
"Então foi bom dançar com a Jennifer no filme?"
Richard responde com frases feitas (gritinhos histéricos da plateia, cada vez que abre a boca).
"Vamos fazer mais um pequeno intervalo, voltamos já!"
INTERVALO
"Olá, estamos com Jennifer Lopez e Richard Gere que nos trouxeram um excerto do filme em que contracenam (...)"
Vemos um excerto do filme.
"Não saiam dos seus lugares voltamos já com Richard Gere e Jennifer Lopez."
INTERVALO
"Olá, estivemos com Jennifer Lopez e Richard Gere, que nos trouxeram o seu último filme, Shall We Dance? (...) Tive muito gosto em estar convosco aqui, cumprimentos lá em casa!"
Richard e Jennifer saem sorrindo e acenando para a plateia.
"Boa noite, até amanhã!"
Fim do programa.

Espremido, espremido... com tanto intervalo e repetição de cumprimentos e frases feitas só ficámos a saber que Richard Gere e Jennifer Lopez contracenam e dançam juntos num filme chamado Shall We Dance?, que são ambos amigos íntimos [?] de Oprah Winfrey e que o público do programa é um rebanho de mulheres (com ar de dona-de-casa americana) histéricas.

O que nos safa, no meio disto tudo, é que os intervalos comerciais da SIC-Mulher são menos e menores que os americanos e não temos de aturar 10 minutos de publicidade entre tão pouco programa como nas novelas em horário nobre na casa-mãe da SIC.

Deve ser programa para americano ver... alguém me consegue explicar a razão para tanto sucesso? Eu nem quero experimentar em ver mais que segundos daqueles episódios com temáticas lamechas! Acho que tinha de ter um alguidar para amparar o vómito e me tinham de levar para o hospital desidratada!

http://www2.oprah.com/index.jhtml

SIC-Mulher
2ª-6ª, 08:00, 14:00, 19:00, 00:00
sáb., 13:30, 20:00
dom., 10:00

13 junho 2005

Dois comunistas e um poeta

Ultimamente, quando morre alguém famoso, parece que não querem ir sózinhos...

Vasco Gonçalves foi uma pessoa que, tal foi o seu protagonismo na vida pública no pós-25 de Abril, marcou muito a criança que eu era. Tinha dele uma imagem de um homem alto, duro mas ao mesmo tempo simpático e acessível. Tive o privilégio de me cruzar com ele nessa época e de ter um desenho meu autografado por ele.

Álvaro Cunhal marcou muito mais gente ainda, foi uma grande figura da política nacional quando ainda havia distinções claras entre correntes políticas e tudo era muito preto no branco (tal como as suas sobrancelhas). Retirou-se quando as sobrancelhas já estavam grisalhas mas nunca deixou de ser um homem extremamente inteligente e amante das artes. É notável que tenha produzido tanto em condições tão precárias como as que teve quando esteve preso.

O poeta foi Eugénio de Andrade, também merece a minha homenagem apesar do pouco conhecimento que tenho da sua obra (sim, sou uma desnaturada, mesmo!). Mas, apesar de ser sempre triste a morte de um artista, dos artistas fica sempre o que eles têm de melhor: a sua obra e essa fica para sempre na memória de quem gosta dela. Deixo aqui um poema dele que me mandaram recentemente por mail:

O Sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso
correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade
in O Outro Nome Da Terra

Felizmente que destes três ficaram muitas memórias tanto em registo (televisivo, livros, edições, etc.) como nas pessoas que de alguma forma foram tocadas por eles. A mim dá-me sempre imenso gozo em ver as imagens dos anos 70, em que todos eram amigos e de ver essas personalidades com um ar empenhado a seguir as suas convicções e os seus sonhos.

12 junho 2005

Complexo de culpa

Talvez por causa do comportamento vergonhoso que a RTP1 tem tido com a excelente série Lost, tentaram se redimir este domingo à tarde com uma espécie de "resumo alargado" da série até agora. De qualquer modo isso não desculpa as constantes mudanças de horário, juntar episódios, passar episódios extra em feriados, usar a série como tapa-buracos e tirar os importantes pré-genéricos que, neste caso, não são um resumo do episódio anterior e tudo sem ser anunciado! E, pior ainda, não passaram a seguir nenhum episódio! Alguém devia denunciar a RTP à Disney, que é a distribuidora da série! (concordo a 100% com o que Criswell, na revista Premiere, escreveu este mês - Junho 2005 - acerca da exibição de Lost na RTP1).

Se há qualidade nesta série uma delas é a construcção da narrativa em série, isto é, a acção passa-se ao mesmo tempo, mas como é impossível de mostrar tudo em televisão, onde o lado interactivo não existe, as mesmas situações são repetidas sob o ponto de vista das diversas personagens integrantes da história. Por exemplo, o prórpio acidente de avião e os acontecimentos que o antecederam são repetidos variadíssimas vezes, em diversos episódios, conforme o foco está sobre a personagem de Jack, Charlie ou Claire ou outra, isto possiblita-nos ver a mesma situação sob os diversos pontos de vista e contar a história como se de um puzzle se tratasse.

Ora, com resumos alargados, a RTP1 não se redime de forma alguma, pois está a contar a história de uma forma mais linear e, pior ainda, com uma narração por cima o que tira todo o suspanse e mistério à série. Apenas estragam um excelente trabalho que ainda por cima já está feito.

O melhor que tinham a fazer seria repor a série, desta vez BEM anunciada e sem alterações de horário. Já agora: reponham na 2: e à noite, que é um horário bem mais apropriado para uma série onde morrem pessoas, se mostra o lado mais negro do ser humano e onde há sangue, bastante sangue, apesar do cenário paradisíaco de uma ilha tropical...


RTP1
algures num domingo à tarde (ou outro horário, quem sabe?)

10 junho 2005

Carolina e os homens

Carolina e os homens é o título de um telefilme português pertencente a uma série (Amores Desamores) de contos de Mário de Carvalho adaptados para a RTP1.

Por razões que não interessam aqui, tive acesso ao argumento desta história e, quando vi que ia dar, tive a reacção de sempre quando tenho algum conhecimento de "dentro" de uma obra a passar ao público: um misto de curiosidade em ver o resultado final e de orgulho por ter tido a possibilidade de acompanhar parte do processo criativo.

Os argumentos para cinema e televisão são objectos pragmáticos, com uma escrita objectiva, são ferramentas de trabalho acima de tudo. Portanto o espaço deixado à imaginação do leitor é o espaço deixado à criatividade de quem produz e realiza o dito argumento.
Ao ler o argumento original, sempre pensei que a história tinha um bom potencial televisivo pois sempre a encarei como uma espécie de comédia negra em que a Carolina do título é uma psicopata no que diz respeito às suas relações amorosas e o Vicente, seu amante/namorado é um tipo numa crise de meia-idade com uma grande falta de iniciativa. Pena foi a realização mais-ou-menos com um forte aroma àquele cinema português de que toda a gente diz mal...

Houve algumas alterações ao argumento que li, infelizmente uma estrutura narrativa menos linear não foi mantida e confesso que aqui sou parcial: se me derem a escolher eu vou sempre para o não-linear, que faz com que o espectador faça uma ginástica mental maior, mas que também enriquece a narrativa. Também não vi a necessidade de mostrar a parte onde Vicente conhece Carolina. Basta ler um manual de escrita de argumento ou realização para ler que se deve começar a acção sempre o mais tarde possível. Mas estas alterações não são graves, eu é que preferia a história como a li.

Os actores foram muito bem escolhidos: Virgílio Castelo é um óptimo actor e tem uma excelente ginástica e presença televisiva. A rapariga, Anabela Moreira, surpreendeu-me pela positiva, tem boa presença e não foi excessiva, como muitas vezes acontece com jovens actrizes, muito bonitinhas e a iniciar carreira.

O que gostei menos foi mesmo a realização e a banda sonora muito pouco interessante. A realização é sem graça, com algumas, tímidas, tentativas para ser mais moderna mas que não funcionaram. Há demasiadas pausas silênciosas, daquelas mesmo à "cinema português", e as cenas de ligação são demasiado extensas e pouco dinâmicas. Não houve aposta no lado de comédia (negra), o que poderia ter enriquecido imensamente o filme.
A banda sonora se, em vez das pianadas melancólicas à "cinema português", tivesse apostado em Jazz e músicas mais mexidas tinha ajudado, e bastante, a enriquecer o filme e a dar o tal tom de comédia negra, foi pena.

Mais uma nota em relação ao guarda-roupa: foi também pena que uma rapariga tão bonita como é a Anabela Moreira ter sido vestida com uma roupa tão sem graça, só a lingerie escapou, essa sim era sexy-sweet1, o que ficava a matar à personagem! Nas roupas de exteriores deviam ter apostado num visual mais moderno e não numas roupinhas que pareciam saidinhas directamente do mais triste que se fez nos anos 80... ficariam fantásticas umas saias rodadas, tipo Prada, como se usam agora, e umas blusinhas diáfanas. Serviam a personagem que ficava sexy e moderna mas muito feminina e doce. Em relação à personagem de Virgílio Castelo: não percebi o shopping spree2 que ele fez, a única justificação é a de um product placement3. Afinal no "antes" e no "depois" a diferença era pouca ou quase nenhuma.

PS - afinal não foi desta, Júlio Carp.

http://195.245.179.232/EPG/tv/epg-janela.php?p_id=18936&e_id=3&c_id=1

Amores Desamores
RTP1
5ª, 23:30


1. sexy e doce
2. ida às compras
3. colocação de produtos em écran com fins de publicidade

04 junho 2005

A série portuguesa de culto

Se alguma vez em Portugal se produziu uma série de culto foi a série Duarte & Companhia!

Quando cá os DVDs começaram a pegar e se começava a ter acesso a séries de culto estrangeiras que passaram na nossa TV, comentei várias vezes com um amigo meu que se a RTP (e a RTC na altura) editassem essa série em vez das secas do Prof. José Hermano Saraiva ou afins, faziam muito mais dinheiro! Duarte & Companhia é daquelas séries que marcou a minha geração, era divertida, castiça, tinha boa intriga, um vilão espectacular e era 300% genuínamente portuguesa! Nunca mais se criou nada assim no nosso país!

Há já uns largos meses disseram-me que, na, na altura, recém-criada RTP memória, estava ou ia dar Duarte & Companhia. Eu procurei em revistas de TV, fui ao site da RTP, fui ao site da TV-Cabo, zapei várias vezes para a RTP memória... e nada! Com o tempo desisti... Hoje disseram-me que afinal estava a dar! Só espero não ter perdido demasiados episódios! É uma pena a programação da RTP memória ser tão pouco e mal publicitada tanto na RTP como no seu site!

Mas a série era realmente um espectáculo! Tinha excelentes actores, boa música, gags engraçadíssimos, personagens marcantes. O gabarolas do Duarte, o portuguesíssimo Tó, a violenta Joaninha, a avózinha, o Átila, o Chinês, o dois cavalos! Só mesmo em Portugal é que um vilão, num carro todo pipi, atrás de um dois cavalos, falha na perseguição porque é parado por excesso de velocidade pela GNR e lhe é apreendida a carta! Pensando bem: só mesmo em Portugal nos anos 80!

http://195.245.179.232/EPG/tv/epg-janela.php?p_id=14527&e_id=&c_id=9
http://www.imdb.com/title/tt0088511/

RTP Memória
6ª, 23:45
sab. e dom., 19:00
(mas o melhor é verificar a programação, pois o próprio site da RTP se contradiz)

01 junho 2005

Mulheres

Porque é que às vezes as locuções são atiradas à parede a ver se colam?

Ainda agora, mesmo antes de começar a série Desperate Housewives, o locutor da SIC disse qualquer coisa como: "... a série que é como o Sexo e a Cidade mas ainda mais." Das duas uma: ou ele não viu um único episódio de nenhuma das duas séries ou quem lhe escreve os textos é que não viu... Lá porque ambas as séries têm como protagonistas um grupo de mulheres não quer dizer que caiba tudo no mesmo saco! Infelizmente, é este tipo de conceito chauvinista é que dá origem a canais tristes como o SIC-Mulher... onde o que apenas escapa são as séries importadas.

Sex and the City passa-se bem no centro de Nova Iorque, num meio artístico, cosmopolita e boémio, e as protagonistas são mulheres independentes à procura de homem mas não forçosamente de marido. A série é uma comédia conduzida pelas crónicas que Carrie escreve.

Desperate Housewives passa-se num subúrbio, sem preocupação de qual a cidade, em que as protagonistas são um grupo de donas-de-casa [será que ele leu o título da série com atenção?] frustradas por variados motivos, que se deparam com um mistério despoletado pelo suicídio de uma delas. O tom é mais de soap apimentada com suspanse.

Haverá paralelismo? Não me parece!

Locutores da SIC: prestem atenção ao que dizem, tá?

23 maio 2005

Mais uma Saia Justa

Com o recomeço do fantástico talk show do GNT, Saia Justa, tive uma necessidade enorme de escrever para lá, aqui fica o que enviei às meninas:

"Apesar das saudades que me deixaram Marisa Orth, Fernanda Young, Marina Lima e Rita Lee, é com todo o prazer que vejo regressar a nova Saia Justa ao GNT em Portugal!

Envio aqui os meus votos a cada uma das meninas:
Mônica, bem-vinda de volta, conto com o seu bom senso para continuar a ser um programa fantástico.
Betty Lago, sou sua fã desde a novela Quatro por Quatro até dei o nome de Bibi à minha gata mais velha. É com enorme satisfação que tenho a possibilidade de conhecer melhor o seu lado pessoal.
Luana Piovani, apesar de (também) ser uma modelo que se tornou actriz, desde que a vi pela primeira vez na minissérie Sex Appeal que fiquei fascinada, mas acho que a sua vocação é a comédia. Aliás, actores que fazem bem comédia só podem ser pessoas inteligentes (isto também se aplica à Betty).
Márcia Tiburi, não a conheço nem sei o que faz fora do programa, mas seja muito bem-vinda a entrar também pela minha sala.

Amei o cenário novo, é muito exótico e invulgar e, apesar de ficar sempre alguém de costas, achei super aconchegante e eficaz.

Beijinhos a todas!"

http://globosat.globo.com/gnt/programas/programa_new.asp?gid=51

GNT
5ª, 16:30
2ª, 13:30

Gatos animados



Ao por a gravar a, definitivamente excelente série, Clone Wars ao fim-de-semana de madrugada também gravei um daqueles anime a que, quem diz que anime são as séries que passam na SIC-Radical, nunca diria que é anime. Para sua informação o anime tem uma multitude gigantesca de géneros e públicos, o anime para crianças pequenas é um deles.

A série chama-se, na sua versão reeditada pelos americanos, Tama and Friends. Mas também me parece, em grande parte dado ao conteúdo com poucas razões para a conservadora censura americana pegar, que pouco ou quase nada foi alterado fora um ou dois nomes e os genéricos.

A série é, definitivamente, para um público infantil e as histórias são bastante simples e pedagógicas, mas o que me chamou a atenção foi o facto de os gatos, protagonistas da série, serem fa-bu-lo-sos para fazer T-shirts! Confesso que sou parcial, adoro gatos, mas estes são mesmo giros! O mais fixe é quando estão sentados, ficam com a palma das patas de trás viradas para a frente! Irresistível!!

http://www.tamaandfriends.tv/
http://www.sonymusic.co.jp/MoreInfo/Chekila/Tama/index.html (site oficial japonês)
[obrigada pelo link Ru-ru chan, não o tinha conseguido achar]


SIC
sáb. e dom., algures entre as 6:45 e as 9:00

Escola Secundária

Se há séries em que a SIC-Radical acertou foi nas séries de Escola Secundária. Ainda não tinha percebido, mas eles estão a repetir uma delas: Freaks and Geeks.

Desde a estreia de Beverly Hills 90210 - a primeira série era bastante invulgar na época, todos os protagonistas eram brancos, ricos e bastante fúteis o que fugia aos padrões vigentes, baseados em estereótipos: o capitão da equipa, a loira burra, o gordo, o geek, etc. - que não ficava tão surpreendida com uma série do género até chegarem estas duas.

A primeira foi Popular, cujo conflito principal era entre loiras e morenas, com o objectivo da popularidade versus intelectualidade, sendo que as respectivas chefes e rivais, Brooke McQueen e Samantha 'Sam' McPherson tinham de partilhar a vida privada como meias-irmãs devido ao casamento do pai da primeira com a mãe da segunda. Mas quem me ficou verdadeiramente na memória era a hilariante, loira burra (e milionária) Mary Cherry! Mary Cherry, como o próprio nome indica era o exagero a todos os níveis, mas com os disparates que dizia ou a habilidade (e originalidade) com que resolvia os problemas eram demais! Era o cúmulo da futilidade e a actriz, Leslie Grossman, tem talento para comédia desbragada. A série intercalava o seu tom principal de comédia com algumas histórias mais sérias e profundas que abordavam temas como leucemia, bulimia, homosexualidade ou solidão com bastante inteligência sem perder o interesse. Pena que não teve popularidade suficiente para haver mais seasons, mas, segundo li na net, foi principalmente porque foi substituir uma série com demasiada popularidade, mas para um público-alvo diferente e também porque não foi suficientemente propagandeada (até parecem as séries portuguesas).

A segunda é, então, Freaks and Geeks, com a qual me identifiquei, pela primeira vez, quase a 100%. Talvez porque também estive no ciclo e na secundária nos anos 80, porque sempre tive preferências mais alternativas e nunca fui conformada, acabei por viver um pouco situações semelhantes. O guarda-roupa, a caracterização das personagens, os pequenos (às vezes não tão pequenos) actos de rebeldia contra o sistema e os pais, o facto de não serem personagens estereotipadas e todas as referências pop que foram as mesmas (mesmo com os atrasos a chegar cá), todos esses foram ingredientes suficientes para me identificar, seja porque os vivi ou os testemunhei. Mas uma das maiores qualidades da série foi não pegar nos habituais grupinhos populares, mas sim, como no título, nos marginais/marginalizados nas hierarquias das escolas.

http://www.imdb.com/title/tt0202748/ (Popular)
http://www.freaksandgeeks.com/home.shtm (Freaks and Geeks)

NOTA: Pois é, não sei exactamente quando dá Freaks and Geeks, vi parte de um episódio, domingo à tarde, antes de Stargate. Estive à procura no site da SIC-Radical e, como também não me lembro do título em português e a única coisa que estava lá nesse horário (chamada Nova Geração) tinha o link mal feito, continuo sem saber o horário.

20 maio 2005

O eterno esquecido...

Como é que é possível que se tenham "esquecido" de novo de creditar o James Earl Jones (a famozérrima e mais-que-imitada voz de Darth Vader) no Episódio III??? Ele até fez de Deus nos Simpsons!

Depois de ter sido esquecido no primeiro Star Wars (Episódio IV) e mais tarde terem acrescentado o nome ao genérico, agora voltaram a esquecer-se? Só se eu não vi, mas bem que procurei o nome dele no genérico... Isto leva-me a levantar inúmeras teorias da conspiração, mas a mais simples é que o Lucas ou alguém na hierarquia não gosta dele...

Será que enfiaram o David Prowse no fato de novo e também resolveram não pôr o nome? Ele ao menos foi creditado no Episódio IV.

Ah! As distribuidoras portuguesas voltaram a fazer o disparate de porem o texto inicial em português! MAS PORQUÊÊÊÊÊ???

http://www.starwars.com

18 maio 2005

O outro lado da força


Com a estreia amanhã do Episódio III de Star Wars lembrei-me de comentar a série de desenhos animados, Clone Wars, que está a dar, algures de madrugada, na SIC e que já deu na Cartoon Network. Por causa do horário só vi recentemente, e por acaso, um episódio, mas já tinha visto imagens e sabia, em traços largos, a narrativa principal.

A história passa-se algures entre o Episídio II e III, quando Anakin Sywalker ainda é um padawan, já perdeu o braço, mas ainda não passou para o lado negro da força. Gostei muito do character design, é bastante interessante e invulgar para os americanos, mas também é feito por ninguém mais do que Genndy Tartakovsky que ganhou fama com as Powerpuff Girls e Dexter's Lab. A animação não tem defeito, mas também, hoje-em-dia isso é difícil, e ainda bem! Infelizmente, por um episódio não deu para avaliar o todo e tenho pena que uma série destas passe às horas que passa.

Quanto à dobragem (questão fundamental para mim), apesar de eu ser contra, percebo porque ela existe melhor do que percebo a hora a que a série passa, não tenho grande defeito a apontar apesar de estranhar um pouco um universo, que me é muito próximo há bastantes anos estar, de repente, em português... parece que estamos a ver a publicidade do Cola Cao ao ouvir o Yoda falar.

É daquelas séries que deveria ser bastante mais respeitada!

Citando Obi-Wan Kenobi: "May the force be with you!"

http://www.starwars.com/clonewars/

SIC
sáb. e dom., algures entre as 6:45 e as 9:00

13 maio 2005

Tudo o que é em demasia, enjoa!

Tenho escrito muito acerca das produções brasileiras da Globo, e é verdade que gosto, mas ultimamente até eu acho que a SIC anda a exagerar! Lógico que não posso criticar o GNT por isso, lá faz todo o sentido que a produção seja brasileira.

Se formos a reparar na programação da SIC temos novelas/séries brasileiras nos dias de semana das 16:30 às 20:00, depois das 21:30 às 23:30 (com variações no horário) e aos fins de semana ainda o Sítio do Picapau Amarelo algures de madrugada, ao sábado também das 21:30 às 23:30 e agora até ao domingo (dia que tinha passado incólume do sotaque brasileiro) inventaram de pôr episódios da nova série Mad Maria!

O pior é que vão repôr, muitíssimo pouco tempo depois de ter dado pela primeira vez, a novela Chocolate com Pimenta. Eu adorei essa novela, era engraçada, colorida, tinha romance, comédia e intriga bem doseados, boas performances dos actores e passava-se nos anos 20 o que a torna um pouco exótica e charmosa. Também a combinação de chocolate com pimenta me parece apetitosa, mas repetir uma novela tão cedo? Será que a SIC não arranja mais nada para progamar?

E estou a achar Como uma onda uma grande seca...

Nova leva de anime

Como fã de anime que sou, não podia deixar de prestar alguma atenção aos recém-estreados na SIC-Radical.

Dos 5 que estrearam, 4 foram produzidos pelos estúdios Gonzo, que desde Ao no 6-go [Submarino Azul nº 6], se especializaram em anime com CGI (Computer Graphic Images). Enquanto que em Ao no 6-go ainda se limitavam a excelentes sequências em 3D para um resto de animação dentro de moldes mais convencionais, hoje-em-dia também se adoptou "pintar" a animação a 100% em computador. Este novo método de pintar não só embaratece e acelera a produção como nos proporciona ambientes gráficos mais elaborados e ricos. Estes 4 anime usufruem, e muito bem dessa vantagem.

Embora todo este avanço técnico seja um elemento muito apelativo nos mais recentes anime, a narrativa tem vindo a perder em qualidade e empatia e a ficar "americanizada", o que me fez, lentamente, ir desinteressando pelos anime mais recentes e continuar a apreciar os mais antigos, apesar da animação ser um pouco mais rudimentar.

Então os anime, um-a-um, pela ordem a que passaram no sábado passado (sim, houve falhas na programação):

Last Exile
A situação passa-se em ambiente de guerra em que dois adolescentes, Claus e Lavie, são correio num avião/nave. Como curiosidade os escritos (nomes das naves, etc.) são em grego, o que vem continuando uma tendência de variar os escritos em língua estrangeira que eram apenas em inglês, nos anos 80 e 90. No final dos anos 90 começaram a aparecer primeiro em francês e mais tarde em alemão, é engraçado ver como os japoneses integram a sua visão da cultura ocidental nos seus produtos. A música é engraçada e este anime deixou-me alguma curiosidade para continuar a ver.

Hellsing
Acho que de todos foi o de que mais gostei. Apesar da história muito simples e óbvia: Alucard é um vampiro que caça outros vampiros para a organização Hellsing. Gostei da voz de Alucard, uma daquelas clássicas vozes masculinas de anime vindas "da tripa", da personagem da chefe (Integra Hellsing), uma mulher determinada mas perturbada com algo e também da pistola de Alucard (apesar de gostar mais de armas brancas face a armas de fogo).

Najica
Este é o único anime que não pertence aos estúdios Gonzo e tem um visual mais clássico com cores mais vivas e menos efeitos. De todos foi o anime de que gostei menos, Najica é uma espécie de James Bond barato de minissaia com direito a muitos, demasiados, panty shots gratuitos! Não há pachorra!

Kiddy Grade
Do conjunto era o anime a que tinha reparado mais anteriormente. É ficção-científica com gajas: Lumiére e Éclair são duas adolescentes agentes de uma organização de defesa convenientemente chamada GOTT (Deus em alemão). Tem bastante acção e, nos misteriosos poderes de Éclair, deixou curiosidade suficiente para querer continuar a ver.

Zaion
Vá se lá saber porquê, este anime, no original, chama-se i- wish you were here- e "traduziram" para Zaion... enfim, há coisas que nem o diabo explica...
A história consiste numa elite militar que tem, no organismo, nanomáquinas que se transformam em armadura e que combate um virus extraterrestre mortal. Há uma rapariguinha aparentemente apática que, na realidade, é um arma secreta. Não me impressionou, até achei a qualidade abaixo da média para esta produtora, também não gostei do excesso de informação logo no primeiro episódio, entre prestar atenção à imagem, ler as legendas e digerir tanta informação, acaba se perdendo alguma coisa...

No geral achei o conjunto fraquinho, continuo a achar que a SIC-Radical gastou os cartuchos todos com a primeira leva de anime e que agora é complicado manter-se à altura. Lógicamente não falo de anime "vintage", isto é, de Urusei Yatsura [Lum] ou Lupin the 3rd, falo de anime recentes (do final dos anos 90 para cá).

Também tenho pena de serem todos muito ao mesmo estilo e com um character design demasiado parecido, apesar de gostar imenso de ficção-científica e de terror (facto que me faz ser mais exigente).

http://www.gonzo.co.jp/
http://www.gonzo.co.jp/english/titles/0303.html (Last Exile)
http://www.gonzo.co.jp/english/titles/0102.html (Hellsing)
http://www.mediafactory.co.jp/anime/najica/ (Najica - em japonês)
http://www.gonzo.co.jp/english/titles/0202.html (Kiddy Grade)
http://www.gonzo.co.jp/english/titles/0104.html (i -wish you were here-)

SIC-Radical
2ª a 6ª, 02:30, 19:00
sáb., 09:30-11:30 (compacto)

29 abril 2005

Onda portuguesa

É curioso, ao ver os primeiros episódios da novela da Globo (parabéns pelos 40 anos!) Como uma onda, a visão romântica, idealista e algo irreal que os brasileiros têm de Portugal. O mais engraçado de tudo é que em vez de me irritar, o que seria habitual, dá-me vontade de rir dado o grau de ingenuidade!

  1. Nem todo o Portugal é o "jardim à beira-mar plantado" cheio de castelos, monumentos, igrejas e arquitectura antiga que aparece nas novelas (eles deviam ver o que fizeram ao Algarve!).
  2. Nem todos os portugueses são pessoas educadas, rígidas mas idealistas e românticas como é a personagem de Daniel Cascaes (Ricardo Oliveira). Muito pelo contrário!
  3. Raramente os nomes portugueses têm grafismos diferentes como o caso do apelido Cascaes (o normal seria Cascais). E para um açoriano o nome Cascaes é completamente insólito, há outros bem bonitos e invulgares no Brasil que poderiam ter sido utilizados.
  4. O autor da novela já se justificou diversas vezes, mas o nome Almerinda é realmente pouco comum nas gerações mais novas (mesmo numa cidade de província).
  5. A questão da virgindade é menos falada mas vista com um bocado de menos pudor que nos foi apresentada na novela.
  6. Os portugueses não são tão católicos como os brasileiros e difícilmente um português filho de um defensor da liberdade na época da Guerra Colonial (e que partilha os valores do pai) será católico, quando muito comunista.
  7. Já agora: da ribeira do Porto a Matosinhos é um valente esticão, não se faz de uma corridinha. Mas isto já é uma picuinhice minha, não é assim tão importante.
No mínimo é divertido ver quão naïf é a visão que os brasileiros têm de nós, hehee!

Em relação à prestação de Ricardo Pereira, ela é bastante "pra brasileiro ver". Não que esteja a fazer uma má prestação, os primeiros episódios não são, de todo, suficientes para avaliar, mas, para mim ainda não foi desta! Até hoje os únicos actores portugueses que realmente gostei de ver nas novelas da Globo foram o Nuno Lopes (Esperança) e Maria João Bastos (O Clone e No Comando - GNT), nenhum dos dois perdeu a pronúncia de Portugal.

Uma concessão que não consigo fazer à prestação de actores portugueses no Brasil é a de abrasileirarem a pronúncia! É verdade que há muitos vocábulos que não são comuns e que muito do nosso vocabulário os brasileiros não percebem, mas falar com gramática e pronúncia "abrasileiradas", não perdoo! Irrita-me imenso e acho falta de conhecimento da própria (dos portugueses) língua. Se são actores têm obrigação de defender e conhecer o que é um dos seus primordiais instrumentos de trabalho! Também vejo de outra maneira: se já houve quem o conseguisse, porque é que se desvaloriza a nossa diferença?

Já falei diversas vezes com brasileiros (amigos, conhecidos, turistas, recém-chegados, residentes e não residentes em Portugal) e, apesar de me dar gozo de falar, entre amigos, à brasileira, a única necessidade que sinto, para me fazer compreender é ter um certo cuidado em utilizar vocabulário que seja compreensível para eles. Sinto que, numa conversa séria, estar a fazer pronúncia brasileira é o mesmo que falar com um outro estrangeiro qualquer, que fale/compreenda mal o português, "à Tarzan", um desrespeito.

É um grande elogio a Globo se interessar tanto, ultimamente, em "puxar" actores portugueses para dentro do seu maior produto, é uma exelente oportunidade de mostrar, com orgulho, amor-próprio e dignidade que temos valor e que somos dignos de tal convite. Temos de defender o que é nosso e tenho a certeza de que os brasileiros mais do que compreendem e aceitam!

De resto a novela é uma clássica novela da tarde para a Globo, com uma história um pouco mais leve e um lado de comédia e juvenil mais marcado. Está pejada de vedetas e actores que já deram provas, e, sendo a temática de "praia paradisíaca" está cheia de "belezas naturais". Comigo ainda não pegou, falta-lhe o factor X, que talvez ainda não tenha chegado, acho que a trama inicial não foi suficientemente forte e não durou mais que os 2 ou 3 episódios iniciais, isto é, já se arrasta um pouquinho (é cedo demais). Dentro das ditas "belezas naturais" de notar a presença de Sérgio Marone, directamente (ou quase) de Malhação.

http://comoumaonda.globo.com/

SIC
2ª - 6ª, cerca das 23:20

23 abril 2005

Assessores de Porcaria Nenhuma

Estreou na semana passada no GNT uma série que já me tinha despertado a curiosidade: Os Aspones (ou Assessores de Porcaria Nenhuma). A série despertou-me a atenção, especialmente pela semelhança visual e de ambiente com o filme Brazil de Terry Gilliam. Vendo os dois primeiros episódios da série, é realmente como se de um spin-off, em forma de comédia, da parte dos escritórios do filme se tratasse!

As siglas e os memos são hilariantes e ponto de partida para mal-entendidos mirabolantes, grande parte da acção e dos diálogos servem-se exactamente disso. A série goza com a ausência de coisas para fazer das instituições públicas que ninguém sabe para que servem. O recém-chegado chefe, face a esta dificuldade, decide então mudar o significado da sigla FMDO de "Fichário Ministerial de Documentos Obrigatórios" para "Falar Mal Dos Outros", mas fazê-lo sem sentimentos de vingança. A missão destes 5 Aspones passa a ser gozar e dar uma lição aos cidadãos comuns que cometem pequenos abusos diários.

Promete ser divertida e acutilante, os actores são de primeira, o espaço do escritório claustrofóbico e cheio de arquivos, as personagens muito bem caracterizadas. Os textos são de Fernanda Young, a mais nova das meninas do Saia Justa.

GNT
5ª, 23:30
sab., 13:00
3ª, 02:00

http://redeglobo.globo.com/Osaspones/0,22985,3946,00.html

16 abril 2005

Changing Rooms vs. Querido, mudei a casa!

Há mais ou menos cerca de um ano fiquei completamente viciada no programa de decoração da BBC "Changing Rooms". Entretanto a moda pegou e a proliferação de programas do género, primeiro na BBC Prime e mais tarde a sua repetição no People + Arts geraram um sósia no canal nacional SIC Mulher, o "Querido, mudei a casa!".
Não querendo só dizer mal de programas nacionais eu fiz um esforço para gostar do programa, mas é-me impossível. Resolvi fazer uma lista comparativa de ambos os programas para me justificar.

O título
Changing Rooms [CR]
É simples e indica com clareza o objectivo do programa.


Querido, mudei a casa! [QMC]
Um bocado comprido, um bocado sexista também. Parece que só as mulheres é que tratam destas coisas o que o próprio programa tem vindo provar ser o contrário.

Apresentador/a
CR
A primeira apresentadora, Carol Smillie, é uma clássica apresentadora popular que toda a gente conhece (em Inglaterra, claro). É informal e está à vontade. Ajuda esforçadamente os concorrentes.
O segundo apresentador, Laurence Llewelyn Bowen, é o típico designer extravagante, mas como é engraçado, irónico e desenha lindamente, ajudando a melhorar as decorações acaba sendo divertido.

QMC
Sofia Carvalho é mole e um bocado sonsa, não gera empatia e tem atitudes mariquinhas irritantes. Não produz nada de significativo. Não é divertida.

Formato
CR
2 famílias, em geral vizinhas, decoram, com a ajuda de um designer de interiores e alguns amigos, divisões nas casas inversas. Como ajudante fixo têm o carpinteiro faz-tudo, Handy Andy. O espectador vê a divisão a ser decorada com direito a imprevistos e noitadas.

QMC
O candidato escreve para o programa a pedir redecoração de uma divisão. A equipe vem fornecida de designer de interiores e profissionais técnicos (pintores, carpinteiros, etc. ) que fazem tudo fora do écran. O espectador não vê nada a ser feito. Não sei porquê há uma rúbrica que acaba por ser sómente publicidade a uma loja de decoração para encher tempo de programação.

Designers
CR
A minha opinião sobre os designers varia, há alguns que em geral detesto o que fazem, (Anna Ryder Richardson, Laura McCree) mas que como personagens televisivas acabam sendo engraçados e há três (Oliver Heath, Gordon Whistance, Linda Barker), que são os meus favoritos, que costumam acertar (no meu gosto) sempre e fazer divisões habitáveis.

QMC
Ainda não vi nenhum programa de que gostasse do resultado, em que achasse que as divisões eram habitáveis e que houvesse ideias originais, criativas sem serem pré-formatadas a tendências demasiado batidas de design muito "fashion".

Peças e preços
CR
Muitas das peças são fabricadas em MDF na altura (não percebo a predilecção por MDF dos ingleses) ou então são usados materiais antigos (não forçosamente das instalações) e reciclados. Não há publicidade descarada, mas ficamos a saber, de forma genérica quanto custaram algumas das peças mais relevantes e o preço geral da divisão, eles têm de cumprir um orçamento.

QMC
A pouca reSIClagem que é feita acaba sendo pintar mobília já existente nas divisões. Há demasiada publicidade às marcas, desde product placement até à própria indicação no final. Mas preços/orçamentos, não há rigorosamente nada e, convenhamos é a maior preocupação do consumidor geral.

Resultados
CR
Como já disse depende muito do designer. Os ingleses adoram amarelo e cor-de-rosa (vá se lá saber porquê?!), mas no geral têm uma preocupação em não usar tons saturados ou primários e preocupam-se sempre com pormenores como flores, plantas ou velinhas. Nem sempre respeitam as indicações dos donos. As "peças de arte" que fabricam costumam ser, no mínimo, interessantes, nem que seja para aprender truques e técnicas.

QMC
É sempre a parede de uma cor viva ou o papel de parede da moda (carooo!). Dá-me a sensação que, apesar de a permissa do programa se adequar mais a isso, não há uma preocupação com o cliente, mas sim com o que se mostra no programa. Como não vemos ninguém a fazer nada nem para aprender truques costuma servir. É demasiado pretensioso!

Música
CR
Música composta para o programa, nada de extraordinário, mas fácilmente identificável.

QMC
Hip-hop ou Drum & Base da moda demasiado presente, chega a ser irritante.

http://www.bbc.co.uk/homes/tv_and_radio/cr_index.shtml
http://mulher.sapo.pt/sic/XtD8

Changing Rooms
People + Arts
5ª, 20:00, 23:00 (há mais horários)

Querido, mudei a casa!
SIC Mulher
3ª, 22:00 (há mais horários)

14 abril 2005

Cerimónias célebres (ou seja: um casamento e três funerais)

Com tanta perturbação na rotina da programação habitual é-me impossível não comentar...

Tudo começou com a morte, e subsequente funeral da Irmã Lúcia com o Papa já doente... depois a doença e morte do Papa (que ainda não terminou em termos mediáticos), a morte do Príncepe Rainier do Mónaco e o casamento do Príncepe Charles e da Camila.

A uma conclusão chego: as mortes de pessoas religiosas são verdadeiramente importantes nas nossas televisões, quanto mais o Papa. Eu ainda me lembro dos dois anteriores Papas que morreram um seguido do outro, nos anos 80, apesar de nessa altura também parar tudo, o impacto foi completamente diferente. A televisão não tinha a relevância que tem hoje neste tipo de acontecimentos e, ao contrário do seu antecessor (não me perguntem o nome, que não me lembro), João Paulo II aqueceu, e bem, o seu lugar no Vaticano.

Foi é pena que com tanto alarido à volta do Papa a morte do Príncepe Rainier, uma pessoa bem mais simpática e interessante aos meus olhos, ter sido um bocado abafada. Mas como também acho que se deve é recordar as pessoas em vida e não na morte, isso acaba por não ser tão relevante assim.

O casamento de Charles e Camila é outra história. Quem viu o Casamento dele com a Lady Di e até mesmo o funeral dela, poderá dizer que este foi mais do que discreto, tanto em acompanhamento como em escala. Apesar de ter sido celebrado nos idos anos 80, o casamento de Charles com Lady Di foi um acontecimento tão gigante que teve direito a celebrações de fazer inveja a qualquer cigano que se preze! Lembro-me que teve direito a todo o tipo de merchandising e antecipação e preparativos de meses. Este, pelo contrário foi minúsculo, não foi em Londres e teve muito pouca gente, convidados e povo nas ruas. Os convidados deslocaram-se da conservatória para a igreja (do outro lado da rua) num autocarro ou a pé (os príncepes William e Harry foram a pé com as primas) as câmeras da BBC esforçavam-se para apanhar os grupos maiores e mais juntinhos de povo a assistir e em não apanhar buracos na assistência. No meio dos convidados foram imensas celebridades, principalmente actores, como Rupert Everett, Phil Collins, Rowan Atkinson, Joanna Lumley e um dos dois casais do "Goodness Gratious Me!". Foi tudo muito elegante e discreto, ao contrário dos casamentos dos príncepes e princesas de Espanha não se viram quebras de protocolo nem toilettes mais arrojadas. Tudo muito inglês, tudo muito cínico, pelo modo como a BBC fez o programa até parecia que os ingleses já estavam conformados com a heresia que Charles cometeu à querida (dear) Lady Di que nunca, nunca mesmo sairá dos seus corações.

Enfim, com isto ocuparam-se manhãs e tardes televisivas, adiando filmes, séries, telenovelas e enchendo telejornais.

03 abril 2005

Letras

Videoclips é um dos meus formatos televisivos favoritos, embora o seu lado ficcional seja um pouco secundário mas não de todo esquecido. Ultimamente já não sigo as novidades tão fervorosamente como há alguns anos atrás mas ainda aprecio imenso.

Fazendo um zapping, fui parar à MTV, uma destas madrugadas, hora a que a MTV, em geral passa os melhores clips nos programas de música alternativa ou de dança. Todo feito em computadores, em 3D, o vídeo que estava a dar, é um vídeo já algo antiguinho, The Child por Alex Gopher, cuja música é bastante conhecida mas o vídeo nem por isso. Vi este vídeo a primeira vez numa das fa-bu-lo-sas mas infelizmente não continuadas exposições Cyber no CCB.

O vídeo consiste principalmente em planos/cenas nas ruas de Nova Iorque mas em que todos os objectos e personagens são substituídos, dentro do possível, pelas palavras que designam o que são. Por exemplo para as pessoas está escrito "person" ou "rasta", para os edifícios "building" ou "Chrysler" ou "Brooklyn Bridge" (com um grafismo muito engraçado) e para os carros "taxi" ou, o meu preferido: "veryveryverylonglimo".

Já a ideia é muito boa mas a fluidez com que as imagens se conjugam e a pequena narrativa que conta, tornam o vídeo um todo muito interessante e eficaz.

http://www.mtv.com/bands/az/gopher_alex/artist.jhtml
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