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28 fevereiro 2014

Comida & Drama

Estou farta de dizer aqui que não gosto nem de concursos nem de reality shows, mas minto, gosto dos concursos do formato Project Runway/Masterchef, desde que o tema me interesse e o programa seja minimamente bem produzido. Dos que já vi, com maior ou menor atenção, Project Runway e Masterchef Australia são os meus preferidos. Project Runway porque é muito bem produzido, Heidi Klum e Tim Gunn mantém uma dinâmica muito equilibrada e há espaço para haver uma série satisfatória e com pouco drama. Outros que acompanho ocasionalmente são America's Next Top Model, Face Off, Rachel Zoe Project e às vezes os de decoração.

Acompanhei esporadicamente as 3 primeiras séries de Masterchef Australia, vi pedaços da 1ª, uns tantos episódios da 2ª, acompanhei cerca de metade da 3ª e vi fielmente a 4ª. Agora estou a ver a 5ª, mas há demasiadas mudanças que me desagradam um pouco. Mas como o programa tem provado ser bom, vou dar-lhe o benefício da dúvida.

A 4ª série de Masterchef Australia foi particularmente feliz. No início, na pré-selecção e no primeiro terço do Top 25, nem sequer conseguia escolher um favorito, de tal forma os concorrentes eram bons e simpáticos. Depois de algumas eliminações, previsíveis e imprevisíveis, passei a ter uns 3 ou 4 preferidos, entre eles Alice, a minha preferida, Mindy, Audra, Andy, Andrew e Beau. Porque preferi a Alice, apesar de ter percebido logo que era quase impossível ganhar? Alice arriscava muito, foi extremamente criativa e ao mesmo tempo teve o cuidado de perceber o que as pessoas queriam comer. Para além disso era mesmo muito engraçada e simpática. O que lhe faltava era disciplina e alguma técnica mais sofisticada.

Independentemente das preferências pessoais, o que me fez adorar este Masterchef Australia foi que todos, sem excepção, aprenderam imenso, começaram realmente como cozinheiros caseiros e sairam de lá com aptidões que, espero, tenham valido a cada um um estágio nalgum restaurante interessante. Até à série 4, Masterchef Australia, nos seus mentores/apresentadores Gary Mehigan, George Columbaris e Matt Preston, estimulou a aprendizagem, fez os concorrentes ultrapassar as suas capacidades e ir mais além. O melhor exemplo disso é o concorrente vencedor, Andy, que começou como um puto simpático que cozinhava umas coisas e atingiu um grau técnico e de sofisticação quase profissional.

Outro aspecto que me deixou colada ao ecrã, tal como na minha série preferida de Project Runway (também a 4 - Christian Siriano), foi que todos eram muito amigos uns do outros, não havia intriga nem má-língua, todos se ajudavam e apoiavam, de tal modo que até houve um desafio eliminatório onde nenhum dos dois concorrentes foi eliminado, pois a comida que ambos fizeram era tão boa e tanta foi a interajuda.

O grau de dificuldade foi aumentando de série para série e os próprios concorrentes pareciam cada vez melhores. Na 4ª série eles faziam e sabiam coisas que só mesmo um chef costuma saber e ao longo do programa foram aprendendo mais. Não me refiro a técnicas chamativas, como as "espumas", o uso de azoto líquido, etc. mas técnicas básicas como saber que a carne tem de descansar para estar no ponto, pré-cozer a massa das tartes para que não fique mole com o líquido do recheio ou como cortar um filete de peixe. O comum mortal compra os filetes já cortados. O espectador também aprende muito com o programa.

A ver vamos com esta 5ª série, para já há lá uns 2 ou 3 que espero sejam corridos o mais depressa possível e não me agrada a "guerra dos sexos" com que começou o programa e que felizmente só será nas primeiras semanas.

Como isto concluo que para realmente gostar de um reality show, o drama tem de ser pequeninas doses que não se sobreponham ao conteúdo e não mostrem os concorrentes como umas bestas desalmadas.

Masterchef Australia
Project Runway

24 janeiro 2012

*anos 20

O programa What Not to Wear americano, do TLC, é insuportável, pois põe toda a gente a vestir-se da mesma maneira (iiik! a Stacy é do mais irritante que há), mas as traduções costumam meter mais os pés pelas mãos que as vítimas do programa!

Uma rapariga descrevia o seu estilo como hippie-ish vintage, que foi traduzido como hippie anos 20... será que o tradutor achou que vintage, palavra bastante utilizada para designar uma qualidade do vinho do Porto, era uma variante da palavra vinte? Será que não reparou que a rapariga estava a falar inglês?

vintage

24 novembro 2011

Feliz Bloganiversário!

Já nem sei quantos anos o TV-Child faz, mas o que importa é que mesmo que lento, o blog continua vivinho da silva!

Quanto a TV, agora ando a ver mais coisas: para além do Doctor Who, que não me canso de dizer ontem fez 48 anos, ando a ver Game of Thrones, também no SyFy, promete bastante, gosto dos cliffhangers, às vezes Warehouse 13, giro, muito giro!, Pan Am, na SIC, estou a adorar, é refrescante algo fora do universo do mistério ou ficção-científica, Morde e Assopra, a novela da Globo que dá à tarde, engraçada, as Investigações Criminais, CSIs e afins repetidos na SIC, pois sabem bem ver, e o vício do Querido Mudei a Casa, nem que seja para me rir com as bacoradas. Ah, claro séries de anime no Panda, mas isso é para outro blog que hoje não faz anos.

No próximo domingo a ver se não me esqueço de ver Super-Homem, o Regresso no Hollywood, pois com alguma pena perdi no cinema.

Não é grande coisa de post, mas vá lá, lembrei-me de celebrar! Deve ser por a minha Blythe Strawberry Fields ter chegado neste dia há 3 anos, ela também está de parabéns.

20 fevereiro 2011

Ninguém dorme!

Gosto do formato do Portugal Tem Talento, mas, caramba!, já chega de Nessun Dormas! É verdade que foi a canção/ária que colocou Paul Potts no mapa, no programa gémeo britânico, mas há muitíssimas mais árias para tenores, igualmente românticas e dramáticas para tentar impressionar o júri! Aliás é o que mais há... Só eu, que não tenho visto o programa com atenção, já contei dois a cantá-la. Achei mais piada ao que cantou a Granada. Pelo menos foi original.

Mas gosto de o programa ser informal, de parecerem as audições na Sociedade Recreativa lá da terrinha, de a Bárbara Guimarães parecer uma pessoa e não um autómato. É um programa ligeiro de variedades, bom para um domingo à noite.

Portugal Tem Talento

12 dezembro 2010

Querido, Mudei a Banda-Sonora!

Acabei de ver os 3 minutos mais hilariantes de televisão (nacional) dos últimos tempos, quiçá do ano! O programa era o especial de Natal do Querido, Mudei a Casa!, em que remodelaram o refeitório de uma instituição de apoio a crianças com necessidades especiais.

O objectivo do Querido, Mudei a Casa! já é sobejamente conhecido: a (re)decoração de espaços, neste caso particular de uma instituição sem os meios para o fazer. Mas eis que resolveram intercalar as obras, provavelmente para elevar esse lado solidário-natalício do programa, com uma performance musical de um pequeno grupo de crianças. Sofia Carvalho perde largos momentos a fazer um discurso de apresentação, acentua o facto de algumas crianças serem surdas e dá-se início à função. Mas (aqui desato a rir à gargalhada!) se as imagens são do dito grupo de crianças a tocar tambores e ferrinhos, dirigidas pela professora, com a equipa do Querido, Mudei a Casa! a assistir entusiasticamente, o som era de uma versão CD-brinde-de-Natal de In Excelsis Deo foleira colada por cima, em vez do som das crianças a tocar. HAHAHAHAHA!

É caso para dizer: "de boas intenções está o inferno cheio!" A quem quiseram eles deitar areia para os olhos? Que raio de opção foi essa? Por mais desafinadas ou barulhentas que eventualmente fossem as crianças, o facto de não se ter ouvido um único som do seu pequeno espectáculo transforma por completo a intenção original e de demonstração de admiração pelo esforço daqueles com dificuldades físicas e cognitivas, passou a uma demonstração de estupidez e auto-comiseração! Será que ofendia os valores estéticos do programa? Por pior que fosse o desempenho dos miúdos, é uma total falta de respeito não se ouvir a sua música. Se era assim tão mau, não mostravam todo o espectáculo, mostravam apenas um excerto mais pequeno... Ou então não mostravam nada! Mesmo assim duvido que fosse assim tão mau para merecer uma censura tão descarada! Que vergonha!!

Que o Querido, Mudei a Casa! é mal realizado já todos sabíamos, mas poupem-me, por favor, de demonstrações de burrice aguda!

QUERIDO, MUDEI A CASA!

16 agosto 2010

Xaiu...

O Projecto Moda de hoje foi fraco, muito fraco. Resolveram mexer na fórmula do programa original sem fazer melhoria alguma e dependem da "peixeirada" para fazer um programa de televisão. Por mais que tenha havido ou não peixeirada nos Project Runways norte-americanos, os designers escolhidos eram pessoas que se levavam a sério e levadas a sério pelo programa.

Hoje, com a "xaída" da "Rojina" viu-se que o Projecto Moda é um programa que está a gozar com a cara dos espectadores. Ora vejam: a bichinha de serviço, o André, mal sabe dar dois pontos num tecido, tudo o que ela fez até agora não vale nada, são umas trouxas de tecido mal-amanhadas em cima da manequim, não têm conceito nenhum por trás, são improvisadas. Ela só sabe ser isso, bichinha, e nem é das melhores... devia ver o Glee e inspirar-se no Kurt Hummel! A peixeira de xervixo, a "Rojina", pelo menos tinha uma construção e acabamentos impecáveis, não é de todo criativa, as peças dela são sem graça e pirosas, mas, levando em conta os critérios que têm transparecido no Project Runway, ela não merecia ter saído... já (ou neste programa). As pessoas que fazem maus acabamentos saem sempre primeiro.

A escolha de tecidos vai ser sempre assim? Não se pode sequer comparar remotamente a uma ida à Mood com quatro ou cinco peças de tecido peviamente escolhidas, onde colocam à disposição dos concorrentes para fazer "fardas futuristas" apenas sarja... Um bom observador verifica que as fardas nem sempre são feitas de sarja, há muitos mais tecidos adequados a fardas, e se o elemento "futurista" para eles é plástico transparente... coitados...

Como nota positiva, e infelizmente a única, a farda vencedora era uma peça interessante, digna de qualquer Project Runway, e provavelmente a primeira peça de que gosto verdadeiramente até agora, apesar de em geral não achar que o Pedro seja algo de especial como designer. Nenhum é!

A "cara" do Projecto Moda até pode ser uma cara de moda e estilismo, representada por uma manequim, um júri de pessoas ligadas à indústria, um produtor de moda e eventuais convidados ligados à área. Mas claramente a máquina de produção por trás não percebe nada do assunto, apenas se limitou a encarar um programa como este como um mero reality show, como se de um Big Brother se tratasse, cujos produtos dependem exclusivamente da qualidade, ou falta dela, dos patrocínios que lhes bateram à porta, sem se preocupar minimamente com os detalhes específicos que uma produção como esta necessita. Se a curiosidade não falasse mais alto (e também já faltarem poucos episódios) desistia de ver o Projecto Moda depois do programa de hoje.

Projecto Moda (Project Runway) - RTP

01 agosto 2010

Moda reciclada

Juro, juro que não quero comentar os episódios do Projecto Moda um a um, quero vê-los a todos mas não quero massacrar este blog com eles. Mas não podia deixar de comentar o 2º episódio, nem que seja porque foi bem mais divertido!

Definitivamente os desafios "reciclados" do Project Runway são sempre dos mais interessantes e os que colocam melhor os concorrentes à prova. Pena é que parece quem nem toda a gente se apercebe disso. Este teria sido um excelente episódio para começar o programa já que é uma boa maneira de separar o trigo do joio.

O grande objectivo do Projecto Moda deveria ser escolher alguém que seja uma mistura equilibrada de técnica impecável e criatividade. Nestes dois episódios vejo três possibilidades, embora nenhuma ainda me tenha enchido as medidas: a Ana Brito, a Carina Duarte e a Vera Couto. Não simpatizo por aí além com nenhuma delas, nem sou grande fã do estilo de cada uma, mas em dois desafios já comprovaram alguma versatilidade e capacidade de contornar de forma criativa as dificuldades que se lhes colocaram. As bichinhas estão lá para isso: ser bichinhas e a "Rojina" é a palhaça de "xervixo". Aliás até custa a acreditar, apesar da sua técnica de costura realmente impecável, que não a tenham escolhido senão para apimentar o programa. Rosina é foleira, pimba, peixeira e ainda por cima fala com "xutaque". Mas, convenhamos, é divertidíssimo vê-la a correr com saltos agulha de 12 cm! Os restantes concorrentes: carne para canhão. Se chegarem a ser só estes seis, não digam que não avisei!

O que raio estava lá o Ricardo Araújo Pereira a fazer??? Fez figura de parvo, não foi engraçado e não avaliou rigorosamente nada. Tenham tino na escolha do júri convidado, é suposto a pessoa ter alguma relação directa com o episódio. Ou os concorrentes estão a conceber uma peça para essa pessoa ou essa pessoa está de alguma forma ligada à moda (não vou enumerar as possibilidades)

No geral, em termos técnicos o programa melhorou bastante, estava suficientemente mais leve para não se notarem tanto os problemas técnicos. Nayma estava consideravelmente melhor e só tenho a apontar a mania dos efeitos de cor, em 90% do programa a imagem tinha as cores saturadas!

Projecto Moda (Project Runway) - RTP

26 julho 2010

Projecto Moda: o início

Lá vi o primeiro programa do Projecto Moda (Project Runway, versão tuga) e a primeira pergunta que me vem à cabeça é: "Porque mexeram no que estava bem?"

A grande vantagem de se adaptar formatos televisivos é parecida com um franchise: a decoração da loja e método de comercialização vêm pré-formatados e são apenas ajustados às características locais. Sendo assim, as constantes de Project Runway são:
- a imagem gráfica (logótipo, cores, etc.) - PM: check!

- a apresentadora top model - PM: check! (não havia muito mais hipóteses em Portugal)
- o assistente mentor - PM: check!
- o júri constituído por três fixos, um estilista, uma directora de revista e a apresentadora e um convidado - PM: nem sim, nem não
- 14 concorrentes com diversas formações mas com experiência - PM: fail
- banda-sonora fixa - PM: check!
- patrocínio de hotel - PM: não percebi
- trabalho executado nas instalações de uma escola de moda e/ou estilismo - PM: FAIL
- patrocínios de qualidade (tecidos, acessórios, cabelos, maquilhagem) - PM: FAIL
- realização, trabalho de câmara e montagem formatadas/pré-definidas - PM: FAIL!
- apresentação de uma mini-colecção de 12/13 peças num grande evento de moda e um prémio avultado em dinheiro para iniciarem uma colecção própria - PM: FAIL

Vou trocar por miúdos:
A imagem gráfica está praticamente igual, as cores predominantes são o azul, o preto e o branco, só não gostei do protagonismo exagerado dado à Modalfa, que não tinha rigorosamente nada que ter o logótipo pespegado na passerelle.

Certo, Nayma estava visivelmente desconfortável e nervosa, debitou texto como um autómato e teve pouquíssimo protagonismo. Espero que com o decorrer dos programas a apresentação melhore, mas começou muitíssimo mal o que demonstra que não houve ensaios suficientes ou o casting foi mal feito.

Paulo Gomes cumpre bem o seu papel, não é um Tim Gunn, mas também não estava à espera disso.

O Júri. Aqui é que começa a "criatividade" tuga... No geral gostei das escolhas, Manuel Alves é um excelente estilista, diria até dos melhores de Portugal, e é um bom comunicador sem ser paternalista, é isso que se quer num júri deste programa. Pena ser apresentado como professor e não como o grande estilista que é! Fátima Cotta, directora da ELLE Portugal, é uma escolha óbvia e lógica e ainda por cima parece cumprir bem o papel televisivo, gostei. Cristina Pinho não percebo bem de onde vem... no Project Runway original os júris fixos são o estilista (Michael Kors) a directora de revista (Nina Garcia) e a apresentadora (Heidi Klum). Porque é que Nayma não opina? Não dá para ser lido no teleponto? Será por isso que foram buscar mais uma pessoa?

Será que quiseram economizar e por isso tiraram 4 concorrentes da lista? Já agora, porque não mostraram imagens dos castings? Para já é cedo para opinar acerca dos concorrentes, mas no primeiro programa estiveram longe de ser brilhantes, qualquer um deles. E as coisas que dizem... será que foram escolhidos não pelas suas qualidades como designers mas sim pelo potencial de escândalo? Não é assim tanto... Um dos meus Project Runway preferidos, a série 4, não teve escandaleira nenhuma e tinha o melhor grupo de criativos. Acho que isto é significativo.

A banda-sonora é um pouco irritante, mas é a original e serve para dar aquele tom de concurso ao programa. Está igual, muito bem. Mas cuidado ao utilizá-la em cima das pessoas a falar! A língua portuguesa é mais fechada que a inglesa...

Não percebi em que hotel ficam os concorrentes, não os mostraram nos quartos e filmá-los a conhecerem-se no átrio de um hotel é uma péssima aposta em termos técnicos, não se percebia nada do que diziam por causa do eco que um espaço daqueles tem.

Se os concorrentes estão numas instalações existentes... parece um estúdio. Um programa destes seria uma excelente oportunidade de promover o ensino do design de moda e, já que já lá está Manuel Alves, que antes de ser professor de design de moda é estilista (e dos bons!), porque não promover o curso de Design de Moda da Faculdade de Arquitectura de Lisboa desta forma? Promover o ensino é sempre positivo.

Os patrocínios, aqui realmente é feito à escala miserável e pouco ambiciosa nacional.
Os tecidos: a marca que patrocina o programa é tão conhecida que nem sequer me lembro do nome (compro tecidos há mais de 30 anos) [nota: revi o programa online, a marca chama-se Riopele]. Porque é que os tecidos foram escolhidos pelo programa? Por mais que eu goste de pied'poule e tenha ficado chocada com a "falta de identificação" da concorrente que ficou com o tecido, não é o tecido mais apropriado para um vestido de noite para uma tia 'spé' clássica! Claro que eu já imaginava qualquer coisa tipo Alexander McQueen, mas apesar da maioria dos concorrentes o apresentarem com a sua maior inspiração, parece que só ouviram falar dele pela primeira vez quando se suicidou. E de resto, um primeiro desafio em preto e branco é PÉSSIMA ideia já que são as cores (não-cores) mais difíceis de filmar! O branco fica queimado e no preto não se vêm pormenores nenhuns.
Os acessórios: francamente, Modalfa??? Nem digo mais...
Os cabelos: OK, Franck Provost chegou a Portugal há pouco anunciando-se como um grande cabeleireiro com excelentes produtos, mas não é uma L'Óreal Paris (que também se comercializa por cá há muitos anos).
A maquilhagem: não me chateia a Maybelline, tem uma boa variedade de produtos e é uma multinacional bem conhecida. Mas, ao ver os maquilhadores em acção, pareceu-me que a M.A.C tem melhores profissionais e os produtos estão acima da Maybelline. Mas é uma escolha como outra qualquer.

Na realização, câmara e montagem é que o programa se espalhou ao comprido. Não foram nada generosos com Nayma, que já estava a fazer um trabalho pouco interessante. Deram-lhe pouco protagonismo, filmaram todas as suas hesitações e pausas desconfortáveis, em suma: não a apoiaram. No decorrer do desafio não filmaram os concorrentes como no original. Quem vê o Project Runway há 6 séries há de reparar num sistema: normalmente os concorrentes que surgem na montagem de cada desafio são os três que ficam no topo, os três que ficam no fim e os eventuais escândalos ou tricas. A filmagem parecia aleatória, não se focaram em nenhum estilista em particular, escolheram mal os depoimentos (ou então os concorrentes não disseram nada de jeito e o casting falhou mais uma vez) e não houve uma coerência ao longo do programa. Durante a avaliação não mostraram as reacções dos concorrentes, não percebi se era da montagem mas os júris falavam uns por cima dos outros e, mais uma vez, Nayma não teve o protagonismo devido.
E o que é que eram aqueles efeitos horrorosos de cor ao princípio? Ew! Aquilo fez me lembrar as parvoíces que a SIC faz nas novelas juvenis... O Project Runway não é nenhuma Floribella!
No geral a realização e a montagem são muito pouco dinâmicas e os câmaras parece que às vezes acham que estão no Querido, Mudei a Casa...

E o que é que há com os prémios e a final do programa?? Um estágio numa escola à escolha do freguês? Em princípio os concorrentes não são aspirantes a estilistas, são pessoas com alguma experiência e que ainda não conseguiram vingar no mercado. O prémio deveria ser um incentivo a começarem/melhorarem o próprio negócio, mas o vencedor/a deveria poder decidir o que fazer com esse dinheiro e não ser recambiado para a escola!
E a final? Sempre é um desfile, digamos, na Moda Lisboa, com os três finalistas? Se sim e se ainda estão em gravações, vão fazer uma pausa para criar as colecções? Não percebi isso no primeiro programa e devia ter percebido. Que raio de gestão de calendário é esta? As Moda Lisboa ou outras fashion weeks têm épocas fixas, na Primavera e no Outono, será que a produção se esqueceu disso?

E, por fim, o que há com a estreia apressada do programa? O Project Runway norte-americano anuncia cerca de SEIS meses antes a data de estreia. O tuga (insisto no termo pois revela a pequenez e falta de ambição e organização do PM) anunciou, e nem sequer foi no site oficial mas na fanpage do FaceBook, na VÉSPERA que o programa ia estrear! Era para fazer concorrência à final do Achas que Sabes Dançar? Isso só os deve ter feito perder audiências, pois quem seguiu o programa desde o início, mesmo que queira ver o Projecto Moda, vai sempre querer ver a final. O que lhes custava ter anunciado as coisas como deve ser, esperar pelo menos uma semana e fidelizar um público? Parece que ninguém pensa nisso na RTP e na Fremantle.

Projecto Moda (Project Runway) - RTP

09 junho 2010

A máfia dos bolos



Imaginem se Os Sopranos abrissem uma pastelaria, qual seria o resultado? Cake Boss, o reality show mais delicioso da TV!

Desde que comecei a ver os teasers de Cake Boss no Discovery Travel & Living (anterior People & Arts) que percebi que este era um reality show que gostaria de ver e acertei, o programa é o máximo!

Porque é que este reality show, em tudo semelhante a todos os outros do Travel & Living, câmaras acompanham o dia-a-dia de uma família/negócio/pessoa invulgar (riscar o que não interessa) apenas mostrando aquilo que tem interesse/é escandaloso/puxa à lagriminha (riscar o que não interessa), é diferente ou me chamou a atenção?

1. Decoração de bolos. Tal como a personagem de Herman José, "eu sou mais bolos", gosto de fazer bolos e acho fascinante o ofício de decorador de bolos (já fiz umas tentativas tímidas onde não me saí nada mal).
2. Buddy, o Cake Boss. O homem é o típico italiano de New Jersey, a falar "new yorkeese" cerrado, exagerado, emocional, temperamental, mas, no fim das contas, um tipo simpático.
3. La Famiglia. Todos os elementos que trabalham na Carlo's Bakery se comportam como uma família de mafiosos, no seu lado mais pitoresco e engraçado. Berram, gritam, riem-se, espicaçam-se, divertem-se, discutem, comem.
4. O programa é divertido, os bolos são um espanto!

Ao contrário de praticamente todos os reality shows do género, este não puxa à lamechice, não vai buscar as tristes histórias do passado dos clientes, não pega nas discussões de forma alarmista de tablóide. Toda a narrativa e o tom da série é de comédia, em tudo semelhante à forma como n'Os Sopranos se pegou no "outro lado" de uma família de mafiosos, se mostrou que são gente, utilizando o humor como meio. Esta famiglia de pasteleiros funciona nuns moldes em tudo semelhantes à ideia que normalmente se tem da máfia. O chefe que ninguém quer contrariar, a mamma que é a única que o admoesta, as sorellas, que mesmo sendo mais velhas têm de andar (contrariadas e a refilar) a toque de caixa, a família toda envolvida no negócio, o respeito religioso das tradições, etc., etc. Mas em vez de andarem a matar pessoas e afazer lavagem de dinheiro (sabe-se lá!) eles fazem bolos, e bolos magníficos. Dentro desse sensação de máfia que nos deixam, lembro-me sempre de umas escadas estreitas e íngremes dentro da pastelaria, onde sempre pensei se nunca teria caído nenhum bolo por ali abaixo. Eis que num episódio um bolo de 3 andares, todo decorado, estatela-se por ali abaixo no dia da entrega... Pensei, "ai que agora é que vão ser elas", não, Buddy coloca as mãos na massa e consegue fazer novo bolo, igual ao que se espatifou, em questão de horas! Claro que o moço de entregas, o primo Anthony, já não faz a entrega, mas a bronca, propriamente dita, é deixada fora dos ecrãs. Gostei!

Por outro lado as histórias dos clientes apresentadas vão dos bolos para instituições, com histórias mais ou menos sérias, em que os sentimentos de honra da famiglia vêm sempre ao de cima, até aos clientes exóticos onde há de tudo: a menina bem do Upper East Side de Nova Iorque que, com um ar enjoado diz entre dentes que não acredita que está em New Jersey, a "bridezilla" que saca das bisnagas de corante e estraga o próprio bolo, o marido dedicado que encomenda um sortido de especialidades (italianas) da casa para satisfazer os desejos da mulher grávida, etc.

No meio disto tudo até se aprendem algumas técnicas de pastelaria à italiana e de decoração de bolos. Todos ganham!

Cake Boss

28 maio 2010

Em Portugal???

Quem lê este blog já há de ter notado que sou FÃ do Project Runway, aliás até agora vi todas as séries excepto a sétima e última. Entretanto a SIC-Mulher tem estado a passar o spin-off Project Runway Canada, apresentado pela fabulosa Iman (mulher do mais fabuloso ainda David Bowie), mas de que apenas vi uns pequenos excertos.

Eis que na semana passada soube pelo Twitter da RTP que vai ser lançado um Project Runway Portugal. A minha primeira reacção, semelhante à reacção que tive acerca do Project Runway Canada, mas mais exagerada, foi: "Sem Tim Gunn e uma top model à séria não tem graça!" O Project Runway Canada ao menos cumpre 50% dessa condição e Iman tem uma "poker face" perfeita para apresentar tal programa, mas ainda lhes falta o Tim Gunn (continuo a defender que deveriam ser produzidos Tim Gunns em série para consumo doméstico)...

Mas Portugal não cumpre nem 100% dessa condição, ora vejamos: top model top model a sério não temos nem nunca tivemos nenhuma. O que mais se aproxima seria ou Júlia Schonberg, uma manequim super discreta que desfilou com os grandes costureiros (Jean-Paul Gaultier, etc.) ou Sofia Aparício, que apesar de certas embirrações que tenho com ela é o que mais se aproxima de uma top model doméstica. Mas e o Tim Gunn? IMPOSSÍVEL!! Aquelas bichas betas (já me pronunciei acerca delas noutro post) que povoam a SIC-Mulher não lhe chegam nem remotamente aos calcanhares!

Com isto tudo, curiosidade cada vez mais aguçada, sobram os concorrentes, que deve muito provavelmente vir a ser o melhorzinho que o programa tem... Até que dei um pulinho à Feira dos Tecidos [loja baratucha de tecidos] em Lisboa e vi na bancada da caixa uma fotocópia (podia ser impressão num computador) manhosa, em papel amarelo, a anunciar os castings para o programa. Foi aí que achei que o caldo estava entornado. Para além da top model e do Tim Gunn o programa precisa de uma BOA casa de tecidos para apoiar. OK, em Lisboa não temos nada de sonho como aparenta ser a Mood, cheia de tecidos de luxo e de costureiros até ao tecto e uma panóplia de retrosaria, ferramentas e acessórios de envergonhar a inteira R. da Conceição [rua dos retroseiros em Lisboa], mas, apesar de as melhores infelizmente já terem fechado, ainda temos boas casas de tecidos, com retrosaria e acessórios incluídos. Imediatamente pensei que a vizinha da porta ao lado, a Ouro Têxteis, cumpriria muito melhor os requisitos (se bem que não sei até que ponto que os funcionários antiquados e algo antipáticos da loja tolerariam uma invasão em fast forward dos concorrentes), e logo a seguir pensei na Santo Condestável em Campo de Ourique, uma loja bastante completa e abrangente (para além de espaçosa e clara) de tecidos e também retrosaria. Com este novo factor se percebe imediatamente que quem está a divulgar/produzir o programa não percebe patavina do contexto português/lisboeta... brrrrrr MEDO!

Sabendo ainda que o formato Project Runway pertence à Fremantle e que a Fremantle portuguesa está nas mãos da betalhada (que pensa que percebe de moda mas no fim das contas apenas percebe de sapatos de vela e pullover sobre os ombros), temo de pensar como será o Project Runway Portugal...

A ver vamos, com certeza blogarei mais sobre o programa, para já deixo um muito mal amanhado blog (não)oficial:
Project Runway Portugal

PS - Já existe um site oficial, mais decente. Vamos lá ver no que isto dá.
Projecto Moda (Project Runway) - RTP

20 fevereiro 2010

*"Lado Marmelada"

"Lado Marmelada" é a reinterpretação do título da canção "Lady Marmalade", outrora interpretada por Christina Aguilera. Esta brilhante reinterpretação foi feita pelo/a tradutor(a) do episódio de Project Runway (série 6), onde os concorrentes tinham de fazer um vestido para Christina. Mas o/a tradutor(a) deve andar escondido debaixo do mesmo pedregulho que o designer, que falhou redondamente o desafio (mas não foi eliminado)...

Por momentos ainda pensei tratar-se de uma gralha (não sei como lady se pode tornar em lado, mas nunca se sabe...), mas o erro foi repetido uma segunda vez. Ah! As aspas são opção do/a tradutor(a), pelo menos tinha noção de que era uma referência qualquer...

Já agora, se tal espécie de tradutor me estiver a ler, marmalade não quer dizer marmelada, marmalade é doce de laranja amarga.

02 janeiro 2010

Pior que um beto é um beto bicha

No zapping de dia 1 de Janeiro (adoro maratonas televisivas/de filmes no dia 1!) esbarrei na SIC Mulher e numa série de make-overs que ainda não conhecia. Que a moda está cheia de bichas aspirantes a stylists é um facto, nacional e internacional, mas o que as bichas televisivas nacionais não conseguem é passar de betos bichas... Infelizmente a televisão portuguesa está nas mãos de betos e isso sente-se. Os betos (diga-se betos verdadeiros) são, felizmente, uma raça em extinção, mas infelizmente concentram-se todos nas televisões, monopolizando tudo quanto é o lado supostamente criativo e artístico, criando uma imagem, ela também ultra formatada, que não é realista e sempre igual, mimetizando o fenómeno que já observava nos betos com que fui forçada a conviver na minha infância e adolescência.

O princípio básico de um beto é pertencer ao grupo, portanto não destoar e ser como o vizinho do lado. Isso implica os clichés que todos conhecemos: o sapato de vela, a roupinha de marca tipo Quebramar ou Throttleman e outras marcas semelhantes, o cabelo à f***-se, a camisinha de riscas ou quadrados, o pullover por cima dos ombros, uma predominância de azuis, verdes e beijes, etc.... Um beto bicha é mais "criativo" o cabelo está lá (essa irredutível marca do beto) mas abandona os outros itens para adoptar um visual mais exuberante (bicha) cheio de preto e branco, calças mais justas, sapatinho afiambrado e o raio da écharpe ao pescoço!! O problema é que são todas iguais umas às outras com a agravante que são mais irritantes por serem bichas pedantes.

Como a SIC Mulher (melhor, SIC Gaija) anda a tentar imitar os programas de make-overs norte americanos e britânicos, com as suas qualidades e defeitos, mas integrados nas respectivas sociedades, e como boa televisão portuguesa que é, é gerida por betos, vai buscar o que o beto acha que é um especialista de moda (fashion): ex-modelitos que já não desfilam e o beto bicha. Escusado será dizer que o resultado são programas narcisistas, de auto-promoção, atolados de mau product placement, onde a "vítima" é completamente afogada nos seus conselhos tudo menos práticos, individualizados ou aplicáveis no dia-a-dia... Mas o pior de tudo é que são programas histéricos onde a câmara padece do mesmo mal, não pára quieta, e até nos sentimos enjoados só de olhar mais de dois minutos para o ecrã.

O que me assusta no meio disto tudo é a lavagem cerebral à beto com que levamos diariamente, que tenta formatar o imaginário visual e artístico nacional à sua imagem... EU NÃO QUERO!!! Viva o individualismo! Deixem-nos errar à vontade, não nos obriguem a ser como vocês pois não gosto do vosso mundo!

NOTA: por norma não sou uma pessoa preconceituosa e/ou xenófoba, excepto com betos que é "raça" que só tolero em doses reduzidas e em grande excepções (que as há, felizmente!).

27 julho 2008

Fashion victim

Há uns 6 meses atrás papava tudo quanto eram os ante-e-depois do People & Arts e da SIC-Gaija, mas claro, sendo uma fase, comecei a fartar-me e deixei de ver (até porque eles repetem imenso). Desde há uns tempos para cá os únicos reality shows que vejo com regularidade têm sido o What Not To Wear (o original, versão BBC com a Trinny e a Susannah) e o Project Runway.

Project Runway é feito no mesmo formato que The Apprentice, de Donald Trump: um número de canditados ultrapassa, episódio a episódio, uma série de provas específicas naquela área de trabalho, sendo um deles eliminado a cada prova, ficando apenas um vencedor no final.

O interessante para mim de Project Runway é primeiro que tudo a área profissional onde se enquadra, a moda e o estilismo. Porque gosto muito de moda e roupas, porque também costuro (mas dificilmente conseguiria vencer um concurso destes) e também porque, convenhamos, o mundo da moda oferece mais "sumo" televisivo que o mundo empresarial. É mais colorido, os candidatos são mais ecléticos e visualmente apelativos, têm reacções mais exageradas e portanto mais televisivas e depois há o lado da cusquice, nada como o mundo da moda para ter cusquice a 100, 200, 300%!!!

Mas para além disto tudo, Project Runway revelou-se um programa bastante profissional, sóbrio, pouco alarmista ou exagerado, onde os exageros ficam apenas para alguns dos candidatos. Heidi Klum, a apresentadora, é sempre sóbria sem ser demasiado séria, Tim Gunn, o mentor dos candidatos, é uma bicha elegante com imensos conselhos sensatos para dar e o juri, Nina Garcia (ELLE) e Michael Kors mais um convidado, sendo os mais irritantes de todos, têm sempre algo de construtivo a dizer sem serem demasiado agressivos e brutos. No fim das contas, como as provas são difíceis, muito difíceis, quem se candidata ou é bom ou não entra!

Prova a prova eu imagino o que faria e chego sempre à conclusão, na maioria das vezes, que não seria capaz, ou por falta de tempo ou por falta de capacidades técnicas. Os candidatos, para além de terem de ser criativos e originais, têm de ser bons e rápidos tecnicamente (têm normalmente um a dois dias para criar e construir uma média de três peças!). Duvido que, semana seguida de semana, eu conseguisse sequer inventar mais que um bom conjunto de roupas, quanto mais construí-lo! O que muitas pessoas não sabem, é que muitas vezes os estilistas são muito criativos mas metem pouco as mãos na massa, principalmente para fazer algumas coisas que vejo e bem feitas no programa. Mas também já reparei que às vezes existe alguma aldrabice, há quem, na pressa, use cola para juntar as peças e não a máquina de costura... Mas ainda bem que não sou estilista, já sei disso há muitos anos, mas com este programa confirmei isso.

Project Runway

SIC-Mulher
sab. 22h45
dom. 20h00

02 março 2008

Remodelações

Tenho tido uma recaída pelos programas de remodelação/redecoração antes-e-depois e tenho andado a dar em quase todos, incluíndo o Querido, mudei a casa!.

Ultimamente tenho achado que as decorações do programa nacional melhoraram consideravelmente, tornaram-se mais palpáveis, mais habitáveis, mais realistas em relação às "vítimas", apesar de ainda achar que o programa não melhorou muito.

A máquina está bem mais oleada, já não se sente o programa a apalpar terreno, mas este último que vi, a decoração de uma sala em Albufeira, exagerou. O programa era mais uma reportagem sobre o que as Sofias e os queridos andaram a fazer em Albufeira (o que e onde comeram, o hotel onde ficaram, a piscina, etc.) do que sobre a decoração da dita sala. É verdade que num programa destes tem de haver um espaço maior para o product placement, são eles afinal que pagam as decorações, mas não exageremos: o que é que me interessa saber o que eles cozinharam para o lanche? Eu por acaso faço muito bem apple crumble (e não ponho passas, eww!), mas da última vez que verifiquei este era um programa de decoração e não de culinária! Aliás o catálogo final já é mais que suficiente. Existe uma necessidade de justificar tudo, mesmo o que é óbvio, há informação repetida várias vezes sem necessidade. O que gostaria de ver é o trabalho de mãos que eles andaram a fazer, também é engraçado uma piada ou outra lá pelo meio para descomprimir, mas haja sentido de humor! As piadas forçadas e supostas improvizações? Ew, que horror! Espero sinceramente que nenhum deles (Sofia Carvalho incluída) tenha aspirações ao palco... bem, os textos também não ajudam lá grande coisa... mas nem deveria haver texto (ou parecer que não há)!!

Mas enfim, o programa ainda é muito desequilibrado, dando demasiada atenção a temáticas ou assuntos que não são o objectivo do programa. Vá lá que melhorou e já inclui jardinagem e espaços verdes. Gostava um dia de ver o que fariam de uma casa inteira.

Querido, mudei a casa!

04 abril 2006

Título a matar

Não consigo perceber o que leva as pessoas a querer participar num reality-show. Quando ainda era novidade, com o Big Brother 1, ainda reflecti sobre o que me motivaria e rápidamente percebi que seria totalmente incapaz de me expor dessa forma.

Agora que os reality shows não são novidade para ninguém (quem quiser pagar até pode ter um Reality TV - tenho coisas mais interessantes para fazer com o meu dinheiro), a TVI insistiu mais uma vez no assunto, mas desta vez o nome cai que nem ginjas! Circo das Celebridades, sem desrespeito a quem trabalha no circo, é título que fica a matar para o que se passa num tal programa.

Ainda há pouco vi um bocadinho do dito "circo" e percebo que a maioria das pessoas deve ter a mesma opinião que eu acerca de participar num reality show. Os participantes são sempre os mesmos (leia-se: repetentes de reality shows) ou então ilustres desconhecidos que viram celebridades de reality show. Lógicamente não são verdadeiras celebridades, mas, será que existem verdadeiras celebridades em Portugal?

Acerca de reality shows temáticos só posso dizer que, pelo menos, quem participa, não tem umas férias grátis, com direito a bónus e ficar X tempo a engordar que nem uns porcos à custa de outros. Pelo menos mexem-se!

Circo das Celebridades

Continuo é sem preceber como um "site oficial" de um programa de TV não tem os horários a que é exibido...

TVI
todos os dias

11 setembro 2005

Olho bicha para um gajo às direitas

Não resisti a fazer uma tradução livre do título da série original americana: "Queer Eye for a Straight Guy"! Do mesmo modo que tinha de ver, pelo menos, o programa de estreia até porque, por mais forçado que possa ser, é sempre radical no que toca aos nossos "costumes".

A princípio não me entusiasmei por duas razões:
1º: com tanta bicha LINDA que há por aí (que me fazem pensar "que desperdício"), foram escolher 5 gajos em que nenhum se aproveita, nem acho que se vistam assim tão bem.
2º: todos eles me pareceram extremamente forçados nas apresentações, não me convenceram.
Foi o ter visto alguns clips da série original e uma grande dose de curiosidade de ver como isso ia ser resolvido no nosso portuguesismo que me fez ver.

GOSTEI: deles, que estavam bem à vontade, com uma dose pequenina de lamechisse e bichisse Q.B. e da primeira vítima que se estava a lixar para o que eles fizessem, queria era agradar à mulher.
NÃO GOSTEI: do facto de terem arranjado uma primeira vítima demasiado fácil, metaleiro da pesada com um visual forte e marcante e uma casa aparentemente nova e com decoração zero (à base de móveis de pinho para satisfazer as necessidades básicas).

O metaleiro (nem sempre o hábito faz o monge) era do mais pacífico que há, protestou um bocado por causa do cabelo, mas deixou que lhe cortassem a trunfa com pouca persuasão e, no fim, olhava para o vaso onde estava enterrada a dita trunfa com um ar "cabelo cresce!". Não me admira que, daqui a 6 meses ainda não tenha visto tesoura e que a roupa nova continue nova!

Foi pena uma pessoa com um visual tão marcante passasse para completamente banal e não mantivesse nenhuma individualidade, independentemente de ficar bem ou mal nas roupas novas. Ninguém mencionou a profissão do metaleiro, mas não acredito que trabalhasse num balcão de um banco ou afins e nem que fosse esse tipo de emprego que procurava. Nem todas as pessoas precisam de "uniforme" para trabalhar e ceder a convenções sociais. Se tiver de o fazer perdendo a individualidade, está errado. Deviam ter arranjado um meio-termo, que se adequasse mais à pessoa alvo do programa.

A casa ficou bonitinha, mas também era práticamente uma casa em bruto onde tudo podia ser feito. Agora pergunto-me: a nova decoração tem algo a ver com quem a habita? NADA! Quanto às divisões normais a coisa ainda que escapou (mais ou menos), o quarto, desculpem lá, ficou quase igual, mas o sótão, o refúgio do dono da casa, que não tinha nada (só uma mesa e 4 cadeiras) bem que podia ter ficado mais engraçado. A única ligação que fizeram ao universo individual da vítima foi uma mesa de matraquilhos e uma das paredes ter sido pintada de amarelo com um motoqueiro a preto, numa Harley.

Quanto ao prato confeccionado pela vítima é daquelas coisas que eu faço quase de olhos fechados, nunca ninguém me ensinou e nunca li em lado nenhum, simplesmente usei o bom senso e a vontade de comer berigelas que adoro! E não tenho grande talento na cozinha, só cozinho porque não tenho grande alternativa.

Enfim, não é programa para fidelizar, por enquanto a SIC ainda consegue chamar a atenção para o programa, principalmente pela novidade, mas acredito que, não tarda nada, será enviado para um fim-de-semana à tarde, sem horário fixo.

http://esquadraog.sapo.pt/homepage.aspx

SIC
dom. 21h00

16 abril 2005

Changing Rooms vs. Querido, mudei a casa!

Há mais ou menos cerca de um ano fiquei completamente viciada no programa de decoração da BBC "Changing Rooms". Entretanto a moda pegou e a proliferação de programas do género, primeiro na BBC Prime e mais tarde a sua repetição no People + Arts geraram um sósia no canal nacional SIC Mulher, o "Querido, mudei a casa!".
Não querendo só dizer mal de programas nacionais eu fiz um esforço para gostar do programa, mas é-me impossível. Resolvi fazer uma lista comparativa de ambos os programas para me justificar.

O título
Changing Rooms [CR]
É simples e indica com clareza o objectivo do programa.


Querido, mudei a casa! [QMC]
Um bocado comprido, um bocado sexista também. Parece que só as mulheres é que tratam destas coisas o que o próprio programa tem vindo provar ser o contrário.

Apresentador/a
CR
A primeira apresentadora, Carol Smillie, é uma clássica apresentadora popular que toda a gente conhece (em Inglaterra, claro). É informal e está à vontade. Ajuda esforçadamente os concorrentes.
O segundo apresentador, Laurence Llewelyn Bowen, é o típico designer extravagante, mas como é engraçado, irónico e desenha lindamente, ajudando a melhorar as decorações acaba sendo divertido.

QMC
Sofia Carvalho é mole e um bocado sonsa, não gera empatia e tem atitudes mariquinhas irritantes. Não produz nada de significativo. Não é divertida.

Formato
CR
2 famílias, em geral vizinhas, decoram, com a ajuda de um designer de interiores e alguns amigos, divisões nas casas inversas. Como ajudante fixo têm o carpinteiro faz-tudo, Handy Andy. O espectador vê a divisão a ser decorada com direito a imprevistos e noitadas.

QMC
O candidato escreve para o programa a pedir redecoração de uma divisão. A equipe vem fornecida de designer de interiores e profissionais técnicos (pintores, carpinteiros, etc. ) que fazem tudo fora do écran. O espectador não vê nada a ser feito. Não sei porquê há uma rúbrica que acaba por ser sómente publicidade a uma loja de decoração para encher tempo de programação.

Designers
CR
A minha opinião sobre os designers varia, há alguns que em geral detesto o que fazem, (Anna Ryder Richardson, Laura McCree) mas que como personagens televisivas acabam sendo engraçados e há três (Oliver Heath, Gordon Whistance, Linda Barker), que são os meus favoritos, que costumam acertar (no meu gosto) sempre e fazer divisões habitáveis.

QMC
Ainda não vi nenhum programa de que gostasse do resultado, em que achasse que as divisões eram habitáveis e que houvesse ideias originais, criativas sem serem pré-formatadas a tendências demasiado batidas de design muito "fashion".

Peças e preços
CR
Muitas das peças são fabricadas em MDF na altura (não percebo a predilecção por MDF dos ingleses) ou então são usados materiais antigos (não forçosamente das instalações) e reciclados. Não há publicidade descarada, mas ficamos a saber, de forma genérica quanto custaram algumas das peças mais relevantes e o preço geral da divisão, eles têm de cumprir um orçamento.

QMC
A pouca reSIClagem que é feita acaba sendo pintar mobília já existente nas divisões. Há demasiada publicidade às marcas, desde product placement até à própria indicação no final. Mas preços/orçamentos, não há rigorosamente nada e, convenhamos é a maior preocupação do consumidor geral.

Resultados
CR
Como já disse depende muito do designer. Os ingleses adoram amarelo e cor-de-rosa (vá se lá saber porquê?!), mas no geral têm uma preocupação em não usar tons saturados ou primários e preocupam-se sempre com pormenores como flores, plantas ou velinhas. Nem sempre respeitam as indicações dos donos. As "peças de arte" que fabricam costumam ser, no mínimo, interessantes, nem que seja para aprender truques e técnicas.

QMC
É sempre a parede de uma cor viva ou o papel de parede da moda (carooo!). Dá-me a sensação que, apesar de a permissa do programa se adequar mais a isso, não há uma preocupação com o cliente, mas sim com o que se mostra no programa. Como não vemos ninguém a fazer nada nem para aprender truques costuma servir. É demasiado pretensioso!

Música
CR
Música composta para o programa, nada de extraordinário, mas fácilmente identificável.

QMC
Hip-hop ou Drum & Base da moda demasiado presente, chega a ser irritante.

http://www.bbc.co.uk/homes/tv_and_radio/cr_index.shtml
http://mulher.sapo.pt/sic/XtD8

Changing Rooms
People + Arts
5ª, 20:00, 23:00 (há mais horários)

Querido, mudei a casa!
SIC Mulher
3ª, 22:00 (há mais horários)

31 março 2005

Curiosidade mórbida

Tenho me contido de comentar reality shows, não por vergonha, mas pelo excesso de notícias que saem na imprensa cor-de-rosa e não só, é demais!

É a curiosidade mórbida, do título, que me faz ver, pelo menos de vez em quando, os diversos reality shows que passam nas nossas TV's. Os que segui com maior fidelidade foram os Big Brother's, os Ídolos e agora as Quintas das Celebridades. Sinceramente não percebo, para além dessa curiosidade e do voyeurismo, que não me preocupo em conter, o que me faz ver esses programas. Nunca me interessei muito por qualquer tipo de concursos, excepto, em tempos de deserto televisivo, a Cornélia e o 1, 2, 3 (o do Carlos Cruz), portanto não percebo. Agora, tal como me aconteceu com os Big Brother's, que tiveram mesmo muito impacto, com os mais recentes o interesse vai decrescendo conforme as versões se vão multiplicando.

Uma coisa curiosa me aconteceu com a última Quinta das Celebridades:
Normalmente há sempre um favorito, ou menos detestado, mas dei por mim a odiar, uns mais, outros menos, todos os participantes. O primeiro motivo pelo qual é difícil eu gostar de alguém num reality show destes é o facto de se exporem da maneira que se expõem, eu era totalmente incapaz, nem ser fotografada eu gosto lá muito! Mas isso são motivos pessoais e as quantias que lhes são oferecidas devem dar jeito, eu que o diga! Mas por mais que a polémica faça audiências, um clima sempre cheio de intrigas e de gente a meter-se na vida uns dos outros faz com que eu perca o interesse e isso fez com que não tenha seguido esta segunda versão (ou todas as segundas versões) do mesmo modo que a primeira (até agora só vi a 1ª gala e não foi completa). Mas, se uma pessoa opta por se expor desta forma, e no Big Brother era pior, ao menos que seja minimamente íntegra e esteja com vontade de se divertir o que gera melhor ambiente.

Tudo o que vemos nestes reality shows, com mais celebridade, menos celebridade, são reflexos da nossa própria vida e de certeza que toda a gente que assiste se identifica mais ou menos com certos acontecimentos. O mau ambiente de intrigas que se viveu na primeira versão fazia me lembrar o mau ambiente que se vivia no último local onde trabalhei (muito provávelmente muitos mais por esse país fora)... Talvez, se a nossa sociedade estivesse melhor, mais construtiva, não houvesse necessidade de satisfazer curiosidades mórbidas através de um programa de televisão...

De uma coisa valem todos os reality shows de que falei: os seus spin-offs no Herman SIC que são hilariantes! Para acompanhar os "Big Bredas", "Cromos" e "Quintais dos Ranhosos", tem de se ver, pelo menos uma vez, os originais! Vejam os vídeos no site.

http://www.tvi.iol.pt/quinta/home.html
http://idolos.sapo.pt/
http://sicprogramas.sapo.pt/sicprogramas/index.php?article=7&visual=2
http://xl.sapo.pt/comedia.html
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