30 março 2006
Falar de blogues
Foi muito interessante, o consenso (dos que se manifestaram) era quase geral, o que de certa forma me surpreendeu um pouco. Mais cedo me tornei bloguista que leitora de blogues, e mesmo assim não sou assídua em nenhum. Só recentemente é que, navegando mais ou menos aleatóriamente pela blogosfera, passei a ler alguns (que estão na minha lista).
Do encontro fica o link para um blog, do único convidado que não pode estar presente, que foca o lado mais políticamente correcto da televisão e outros media, tema que não faço questão de abordar aqui, mas que não quer dizer que não pense nisso. Educação + Media = Educar para os media .
Sem dúvida que os blogues são mais que uma moda, vieram para democratizar a escrita, o que, no meu caso, tem servido para aprender muito.
27 março 2006
Salvem o GNT
A falta de notícias na comunicação social em geral (a maioria limita-se a citar o comunicado do GNT) e a total ausência de informação no site da TV Cabo (que, aparentemente só serve para a listagem dos canais e tirar dinheiro aos mais ingénuos através de estratagemas de "apoio ao cliente") faz-me temer que, dia 1, ao tentar acompanhar algum programa do GNT vou ser surpreendida com algo radicalmente diferente.
Não tenho opinião sobre a TV Record, fora uma ou duas novelas que passaram na RTP1 e que mal acompanhei, mas o GNT é um EXCELENTE canal de televisão, talvez um dos melhores na lista de canais da TV Cabo.
A programação do GNT consta de três blocos base de programação:
As novelas e séries, reposições que nem sempre passaram por cá, e que passam com os horários "trocados" (as novelas que originalmente passaram no horário das seis, passam agora às 21h e as das oito, passam às 20h - mais cedo).
Os programas de entretenimento e informação da Globo, como o Mais Você (não gosto, mas é bastante popular e é bem feito), Domingão do Faustão, Caldeirão do Huck, Altas Horas (vejam enquanto é tempo, vale a pena), Programa do Jô (sem palavras, talvez um dos melhores programas de entrevistas que já vi), Video Show, Jornal Nacional, programas de desporto, etc.
E os magazines, feitos especialmente para o GNT (o internacional é um bocado diferente do nosso) como Saia Justa (adoro!), Mesa Pra Dois (o único programa de culinária que alguma vez segui fielmente, aprende-se mesmo!), GNT Fashion (talvez o melhor magazine de moda que já vi), +D (excelente programa de design e arquitectura, que só é pena ter apenas 1/2 hora), Marília Gabriela (isso sim, são entrevistas!), Super Bonita, Alternativa Saúde, Mundo Afora, sem falar nos inúmeros programas sobre desportos radicais, muito populares no Brasil e sempre um olhinho no público português.
Como bónus, uma vez por mês, o canal ainda nos brinda com um filme brasileiro. O Brasil tem uma cinematografia extremamente rica de que muito pouco chega cá.
O canal ainda tem a vantagem de ser 100% em português (brasilês, se quiserem, mas não precisa de legendas nem dobragens) e de os conteúdos serem 90% brasileiros e 10% portugueses feitos no Brasil (o tal olhinho no público português).
Por vezes penso que os profissionais de televisão portuguesa se deviam inspirar na qualidade destes programas: por alguma razão a Globo é uma das maiores e melhores companhias de televisão do mundo!
Por tudo isto e pelos extras, salvem o GNT! Ele merece!
Comunicado do GNT
http://www.gnt.pt
25 março 2006
Martelinhos Flower Power
Ilona Mitrecey - Un monde parfait
Há cerca de um ano dei por este vídeo a passar no MCM. Mais recentemente multiplicou-se e teve filhos que andam a passar no Canal Panda e até já andam pelo TOP+, na RTP1.
Da música tenho pouco a dizer, excepto que é irritante, e que são todas práticamente iguais.
O vídeo, no meio do cor-de-rosa enjoativo, chega a ser engraçado. Apesar de económico (as sequências de movimentos são várias vezes repetidas), o 3D é bem modelado e bem animado e tem alguns bonecos engraçados, como as vacas.
No meio desta invasão de vídeos 3D, feitos por cromos, em privado, que invadem os nossos computadores via e-mail, etc., é refrescante ver algo no género que, pelo menos é bem feito e é engraçadinho. Só falta agora aprimorar a música. O raio do sapo com tintins é que não!
PS: ando a abusar um bocado do YouTube, não?
24 março 2006
Trailer insólito
Ando a obcecar um bocado com o trailer do filme Marie Antoinette, de Sofia Coppola (com sorte, a estrear ainda este ano).
Identifico-me bastante com os filmes de Sofia Coppola até agora, talvez porque, embora ela seja americana, temos a mesma idade e algumas das nossas referências de infância e adolescência são as mesmas. Em Virgin Suicides, para além da música dos Air, que já era um dos meus grupos preferidos, toda aquela imagética das irmãs Lisbon, de autocolantes coloridos, posters, discos vinil, as roupas, etc. são-me algo familiares, mesmo sendo Portugal, nos anos 70, bem mais comedido e espartano. Em Lost In Translation, muito mais que o Japão, as minhas referências estão na banda-sonora, mais uma vez com os Air, mas também com os Jesus And Mary Chain, noutras músicas e em referências mais subtis ao cinema europeu dos anos 60 e 70, muitas vezes no modo como ela dirige os filmes.
O trailer de Marie Antoinette é insólito, mas eu gosto. Mais uma vez as referências é que me fazem gostar deste trailer. Sempre gostei imenso da música dos New Order e, estranhamente acho que a sua utilização no trailer dá-nos a ideia de uma Marie Antoinette diferente da raínha fútil e decadente, que levou a França à ruína, mas de uma rapariga alegre, cheia de vontade de viver, que face às circunstâncias, sociais e políticas, difícilmente agiria de outro modo. Normalmente a sua história é vista de um ponto de vista da Revolução Francesa e não do seu próprio ponto de vista.
Por outro lado, quero muito ver este filme, pois algo me fascina na persona de Marie Antoinette, talvez (juntamente com Madame Pompadour) a primeira fashion victim da história.
http://www.sonypictures.com/movies/marieantoinette/index.html
21 março 2006
CUUUUTE!
Capsule - Idol Fancy
Andava pelo YouTube à procura de vídeos dos Pizzicato Five e encontrei isto. Os Pizzicato Five já eram, mas não são os únicos. Felizmente que os japoneses têm um gosto especial pelos anos 60, Bossa Nova e coisas giras e uma maneira muito própria de reinventarem essa estética pop.
20 março 2006
Parabéns!
Já fui daquelas fanáticas do Herman que não perdia um segundo de qualquer performance dele (pelo menos na TV, uma vez que nunca o vi ao vivo) e fui seguindo, ao ritmo das gargalhadas o Tony Silva, a Filipa do "Cozinho com o Povo", o Nelito, o Estebes, a Supé Tia, a Drª. Rute Remédios, assisti ao Tal Canal assíduamente, amei o Humor de Perdição (ainda tenho a letra da música), o "C.R.E.D.O." etc., etc.
Com os talk shows e os concursos fui me desinteressando, talvez porque não aprecio muito nenhum dos formatos, apenas prestando atenção aos sketches, que continuavam a marcar. O Herman SIC é um programa a que já assisti fielmente e a que também já me recusei a assistir mas que ultimamente apenas vou ouvindo quando estou no computador, noutra divisão. Cansei-me um bocado.
Hoje fiz questão de assistir ao programa/festa-de-aniversário-surpresa por causa da promessa de que ele não fazia a mínima ideia do que se ia passar, e fiquei bastante satisfeita.
As reacções dele foram boas e honestas, não foi demasiado exibicionista, deixou-se levar, obediente, pelo que fora planeado. Voltei a ver Herman José e Júlio Isidro juntos como deve ser, a relembrar o Passeio dos Alegres (pena que Júlio Isidro tenha sido vergonhosamente afastado da televisão), voltei a ver Herman no seu duo com Nicolau Breyner "Sr. Feliz e Sr. Contente", que foi o primeiro sketch que o vi fazer e que me punha, junto com o meu irmão, a imitá-los, mas vi muito mais:
Vi um excelente trabalho de excelentes profissionais, a prova de que temos muito boa gente a fazer televisão e de que Herman é como a Madonna: rodeia-se dos melhores. A prova maior ainda é de que já não é preciso ser Herman-ó-dependente para fazer humor e boa disposição nesta TV nacional, que apesar da homenagem ser a ele, há muitas e boas cabeças por trás de tudo aquilo.
Também mostrou que sempre tivemos excelentes profissionais na divertida apresentação de Mário Crespo e nalguns depoimentos, como o de Carlos Pinto Coelho, e que talvez não devessem ser esquecidos.
Parabéns especialmente a quem planeou e produziu este programa em particular, por levantar um bocadinho do véu de uma profissão extremamente dura e trabalhosa, que é fazer televisão, cujo lado que passa para cá é só o glamour e pouco mais. O programa foi sóbrio, bem planeado e nada pretensioso, o que é pouco frequente, principalmente na SIC.
http://sic.sapo.pt/online/programas/herman%20sic
SIC
dom. 22:00
18 março 2006
Gato Fedorento 90210
Amei a colagem ao Beverly Hills 90210, a música, as poses, as cores das roupas, o ar feliz! Com um trailer destes, a série promete mesmo!
Os moços já têm a reputação, o sucesso, a fortuna (assim espero) e foram "comprados" pela RTP, o que só adiciona pontos a ambos. A RTP conquista um segmento do público açambarcado pela SIC e o Gato ganha o prestígio da estação.
http://gatofedorento.blogspot.com/
RTP1
estreia dia 24 deste mês (deve ser lá pelas 22:00)
13 março 2006
Light
O mais estúpido é que a composição não era outra senão açúcar, mas nas instruções de uso dizem para "em vez de 100gr, usar 66gr". Como é que raio vou medir 66gr numa balança de cozinha??? E quem não tem balança? E se quiser adoçar um café? Em vez de uma colher, coloco 66% de uma colher?
Enfim, as modas alimentares dietéticas (que provávelmente de dietético têm pouco) já passaram pelo Aloés, Chá Verde, Ginseng, Gingko Biloba, Bifidus, L Casei Imunitass, agora andam um bocado pelos cereais integrais e mais hão de vir, com certeza. O mais grave disto tudo é que na maioria das vezes são tão sintéticos como qualquer Coca-Cola e sabem a tudo menos o nome que está a letras garrafais no rótulo! Ao menos a Coca-Cola sabemos que é sintética, que bem à saúde não há de fazer e sabe a Coca-Cola!
Para contextualizar isto num blog sobre TV, é só olhar com um bocadinho mais atenção os intervalos nos canais generalistas, que são onde mais publicidade a este tipo de produtos passa.
09 março 2006
You Tube
Recebi este por e-mail, é longo mas incrível!
God is a DJ! (Spin - Double Edge)
08 março 2006
5 gajos BONS 2006
Os brasileiros continuam em alta, mas há alterações e desta temos mais norte-americanos que no ano passado.
O homem continua lindo e desta vez está no ar na novela Belissima, na SIC, como o mecânico bronco Pascoal. Há qualquer coisa em ver um tipo como o Gianecchini, normalmente a fazer de menino bonito e galã de classe alta, como um bronco. Fica-lhe bem e o tipo tem jeito para a comédia! Pena a novela ser um bocado chatinha...
Continua por cá, continua sedutor, o seu Gil Grissom continua interessante. Há pouco tempo revi-o num daqueles thrillers de 2ª em que faz de pai da Alicia Silverstone, também era uma personagem interessante e carismática se bem que nem sempre agradável. Na semana passada deu o(s) episódio(s) (escrito(s) e realizado(s) por Quentin Tarantino) Grave Danger vol.I e vol.II do CSI, que o AXN inteligentemente passou em conjunto, não fosse alguém perder um deles, é capaz de ter sido a primeira vez em que vimos algo parecido com o Grissom a emocionar-se.
George Clooney está na berra, George Clooney ganhou o Oscar para melhor actor secundário. Para mim é daqueles gajos bons que foi sempre ficando ali, ao canto do olho, mas sem proeminência. Como simpatizo com ele, acho que mereceu o Oscar e talvez merecesse mais, continua no E.R. no AXN e também simpatizo com a sua postura política (não há de ser fácil para um galã de Hollywood), este ano entra para a tabela.
Está ou esteve recentemente em Portugal e continua na minha galeria pois continua a provar por A+B que é inteligente. E é ruivo!
Não é o Martin Landau de agora (se bem que continua interessante e bom actor), mas sim o Martin Landau do Espaço: 1999. Está aqui porque o Espaço: 1999 é a minha série de TV favorita e está no ar na SIC-Radical, mas também porque me relembrei da imagem que me ficou dele dos tempos em que vi a série pela primeira vez: um tipo moreno, com feições invulgares e interessantes, com aquele ar de inatingível...
É só charme!
06 março 2006
Oscar, o cenário
Oscar ao som de rap?
Wallace & Gromit, uns velhos favoritos meus, venceram e muito bem na categoria de longa de animação (por mais que goste de Miyazaki, Howls Moving Castle ficou muito aquém dos seus trabalhos mais medianos), George Clooney como actor secundário (como ele próprio disse: pena não ser para melhor realizador), Philip Seymour Hoffman (não é um galã, interpretou uma personagem estranha quase extraterrestre, pouco acessível ao americano comum) e o rap It's Hard Out Here for a Pimp (título excelente!) que para além de ser um rap a vencer melhor canção (já é bem esquisito) tem um título mais políticamente incorrecto que qualquer dos filmes nomeados!
Infelizmente eu tinha alguma razão em achar que Memoirs of a Geisha é filme para americano ver. Apesar de os nomeados nas categorias em que venceu o Oscar serem até talvez melhores ou mais interessantes (não os vi a todos), o hype que tem assolado o ocidente e os Estados Unidos de que tudo o que é nipónico é interessante, exótico, eventualmente inatingível, e , claro, fashion, fez com que vencesse em todas as categorias visuais: melhor guarda-roupa, melhor design de produção e melhor direcção de fotografia. É pena, é um caso claro de filme-postal-ilustrado (para enviar para Hollywood).
Gostei do apresentador, Jon Stewart, foi competente, teve bom timing, piada e sem exageros cansativos. A cerimónia, continua em fast forward mas teve um pouco mais de glamour que o ano passado e, felizmente, abandonaram algumas regras extravagantes, tal como atribuir Oscars na plateia, que quebravam o ritmo da cerimónia apesar de a acelerarem no cronómetro. As montagens de video tanto as iniciais ou mais sérias, homenagem aos filmes em excelentes efeitos 3D e digitais, ou a dos apresentadores a recusar apresentar a cerimónia, como as irónicas, a gozar com os lobbies aos filmes, actores, etc., estavam todas melhores que nas últimas edições. Ben Stiller a gozar com os écrans verdes... tava demais!!!
Last but not least: AMEI o cenário! Talvez pela primeira vez o cenário é verdadeiramente bom e bonito, inspirou-se directamente no cinema e nas salas de cinema dos anos 20-30. Utilizou de forma inteligente um écran de video a fazer de letreiro de sala de cinema, para legendar os nomes dos apresentadores e nomeados. Toda a decoração tinha um estilo Art Déco lindíssimo que lhe ficou muito bem. Se entretanto encontrar alguma fotografia do cenário, vou tentar colocá-la aqui.
http://www.oscar.com/
05 março 2006
Anne com E no fim
Já tinha reparado que no M6 (que raramente vejo) estava a dar, infelizmente dobrada em francês, a série Anne of Green Gables.
Confesso-me uma fanática desta série: li e tenho os livros, devorei a série de anime e devorei mais ávidamente ainda a excelente série de TV. O que vi hoje foi um dos episódios da série, que não é verdadeiramente uma série (apesar de ter sido transmitida assim na RTP2) mas sim uma série de três filmes que contam as diversas fases da vida da órfã ruiva, Anne Shirley. O primeiro conta a sua infância e adolescência em Avonlea e Green Gables (mais ou menos a fase retratada no anime Ana dos Cabelos Ruivos), o segundo o seu percurso como estudante e jovem professora e o terceiro (aqui um pouco diferente dos livros) a sua vida adulta e familiar depois de casada com Gilbert Blythe.
Apesar da (bastante boa) dobragem em francês, o magnetismo e as saudades desta excelente série levaram-me a ver o que restava do episódio (acho que é o mesmo formato transmitido por cá), onde Anne volta para Avonlea, depois de uma fase como professora em Kingsport, para um Gilbert gravemente doente, com quem se reconcilia. Sem dúvida que esta série é excelente, a história é muito romântica e comovente, não sendo de modo algum lamechas, e com humor. Anne é uma personagem bastante rica e positiva, e apesar das poucas perspectivas iniciais de vida (orfã rejeitada) e de uma tendência para exagerar e dramatizar nas reacções, ela luta pelo que quer e nunca deixa que a tratem como uma coitadinha.
São três experiências diferentes com a mesma história (os livros, o anime e a série de TV/filmes), acho que todas se complementam e enriquecem uma obra muito cativante. O que valoriza e muito a série, para além de uma excelente e cuidada produção, é o desempenho dos actores principais, começando pela carismática Megan Follows que faz de Anne.
http://www.anne3.com/
M6
[não percebi quando é suposto dar... acho que o canal era o M6]
03 março 2006
British english!
Do Cinebox não tenho nada a dizer, é mais um magazine de trailers de filmes maioritáriamente americanos. O meu comentário e parabéns vão para a apresentadora e jovem actriz, Daniela Ruah, que, talvez seja a primeira apresentadora portuguesa de um magazine que diz correctamente os nomes em inglês sem acrescentar "H" onde não os há e eliminá-los onde deveriam ser lidos (leia-se: aspirados).
Este talento não é gratuito, como o apelido da rapariga o indica, ela tem uma ligação com algum país estrangeiro (acho que li algures, em tempos que viveu na adolescência em terras de Sua Majestade) que justifica a sua pronúncia perfeita. Já me tinha deixado muito boa impressão como actriz na novela da TVI, Jardins Proibidos, espero que continue assim, talentosa e sóbria.
http://www.imdb.com/name/nm2079733/
TVI
[o site da TVI é deficiente físico e mental, não tem informação sobre o programa, somente que é semanal]
23 fevereiro 2006
Kitsch no gelo
Tal como o ballet, a patinagem artística faz parte do imaginário infantil feminino e eu não fugi à regra. Sempre gostei de patinagem artística apesar de, dissecando bem as coisas, ter imensos factores para achar piroso: os fatos na maioria bastante pirosos, com excesso de lantejoulas ou desenhos rebuscados, a escolha musical que, quando não é de música clássica vai demasiado em modas e é, normalmente, antiquada abusando de Vangelis ou Vanessa Mae, etc., etc.
Mas também há muitos factores para gostar: nem sempre os fatos são assim tão maus, por vezes a música é bem montada e escolhida para o programa feito pelo(s) patinador(es), a parte atlética, técnica e artística costuma ser espectacular e sempre gostei de andar de patins e, sempre que tenho oportunidade, faço-o no gelo onde é particularmente interessante mas mais arriscado (atrito zero).
Apesar de já acompanhar o melhor que podia os campeonatos (em particular os pares e individuais femininos e masculinos), foram os Jogos Olímpicos de Sarajevo, em 1984, que pude ver na íntegra, pois não vivia em Portugal, e o auge do sucesso da fantástica Katarina Witt que me fidelizaram de vez!
Desde aí, sempre que posso (agora, graças ao Eurosport, é bem mais fácil) vou acompanhando os Europeus, Mundiais e, claro, Jogos Olímpicos de Inverno. Não é só patinagem que tento ver nos Jogos Olímpicos, mas é a minha modalidade preferida. Sempre que dá, vejo as arriscadas corridas de tobogã, saltos na neve, slalom, corrida em patins e até os triatlos e afins. Este ano reparei em duas, novas para mim, modalidades: algo parecido com snowboard (que gostava de experimentar um dia) e uma modalidade estranhíssima, que provávelmente é bem antiga e tem tradição, o curling.
Na patinagem fui acompanhando ao longo dos anos a carreira da já mencionada Katarina Witt, os sucessos do muito parodiado pelo South Park, Brian Boitano, e vários casais de pares na maioria canadianos. Este ano as regras mudaram, a pontuação é de certa forma secreta (não sabemos quem vota quanto em quem, só os totais) e finalmente são permitidas calças, ou bodys, às mulheres em individuais femininos. O escândalo que foi Katarina Witt, num programa curto, ter usado bermudas pois a música utilizada era Mozart. Por incrível que pareça os fatos também pontuam e ela foi, nessa altura, penalizada por isso! É bom ver que as regras estão menos conservadoras.
Este ano gostei da italiana Carolina Kostner, estava bem vestida, teve uma boa performance, com uma coreografia bem interessante e criativa, a música era o Inverno de Vivaldi (nada mais adequado) e, apesar de uns desequilíbrios e faltas de cálculo, para quem é novata e estava a competir em casa, portou-se muito bem. Também gostei da campeã, a japonesa Shizuka Arakawa, foi muito sóbria, comedida, certinha, mas também impecável e segura. Longe vão os tempos que o Japão apresentava excelentes patinadoras na parte técnica, mas que deixavam muito a desejar na parte artística. Midori Ito, a primeira a fazer história, era muito forte, uma máquina, mas muito feinha e atarracada. Arakawa é bonita elegante e muito suave. Gostei do modo como reagiu ao saber que tinha vencido o ouro.
Pena nisto tudo é agora o Eurosport ser em português. Não tenho absolutamente nada contra os comentários em português, mas as duas comentadoras da patinagem (também o fazem para a 2:) até podem perceber muito do assunto, mas não têm piada nenhuma, enganam-se nos nomes, nas músicas, nomes de técnicas e sei lá que mais, e há um ou dois anos até discutiram de microfone ligado, lamentável... Tenho saudades dos dois comentadores ingleses de patinagem. Os dois eram extremamente exfusiantes e quando gostavam, gostavam mesmo, era tudo fantastic e fabulous!
Ainda falta ver a Gala dos campeões onde todos estão mais calmos e tranquilos e aproveitam para mostrar habilidades que nas competições não podem.
http://www.torino2006.org/
Eurosport
Gala
24.02.2006: 19:30
25.02.2006: 13:00
21 fevereiro 2006
Os anos 60 (e 70) produziram filmes muito estranhos...
Nunca gostei muito do estilo de Robert Altman mas este filme sai completamente fora do seu estilo mais comum. É um filme estranho sobre um rapaz obcecado em voar como um pássaro, que não olha a meios para concretizar o seu sonho, inclusive roubar ou matar.
Como os obstáculos se vão colocando à sua frente, os assasínios também se vão multiplicando o que origina a que um grupo de polícias, mais ou menos cépticos e broncos, liderados por um investigador quase tão obcecado como Brewster, ande atrás dele. Apesar do tema de obcessão e crime, o filme é nos contado num tom irónico e de comédia surrealista descomprometidos, bem ao estilo dos filmes europeus do final dos anos 60, como o seu exemplo máximo, Blow Up, de Antonioni ou mesmo os filmes de Peter Sellers.
Também, como bom filme dessa época, a sua direcção artística e fotografia são cinco estrelas, sem mácula, com um cuidado gráfico particularmente interessante. A camisola que Brewster usa é às riscas horizontais vermelhas e brancas, os cenários têm cores fortes sobre fundos mais neutros, como cinzentos e azuis metálicos, a maquiagem de uma novíssima Shelley Duvall é de fazer inveja a Malcolm McDowell na Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.
Claro que este filme não se compara em qualidade a nenhum dos acima mencionados, mas é estranhamente divertido e tem um final, de certa forma, aberto, desmontando qualquer aspecto realista que o espectador quisesse encontrar na história.
http://www.imdb.com/title/tt0065492/
Este mês, no Canal Hollywood
16 fevereiro 2006
Verdadeiro Japão?
Vou desde já dizendo que sou uma das puristas que encarava este filme com o olhar mais céptico possível. Mas também não me posso esquecer que o livro do qual o filme é adaptado não é nada mais que um romance. Um romance empolgante, mas assim mesmo um romance e escrito por um americano, não um japonês. Apesar de não parecer por estas palavras, eu gostei do livro, mas sou mais exigente ainda com o que leio e acho que sei distinguir entre uma obra-prima ou um clássico e uma leitura mais acessível e popular. Para deixar muito claro: o livro, para mim, não é nenhuma maravilha da literatura, mas é muito interessante, envolvente e lê-se de ponta-a-ponta num instantinho, mergulhando-nos lindamente naquele universo intrigante e misterioso.
Sómente ao ver as fotografias do filme e com o que li e pesquisei sobre o tema já havia duas ou três coisas que me punham a desconfiar:
A primeira são os penteados. Não faço a mínima ideia onde os foram buscar, mas em nenhum postal ou fotografia, seja de geisha, seja de outras mulheres, nos anos 20-30 no Japão (e há muitos, documentação não falta), nunca vi penteados semelhantes, de certa forma até tive pena de não ver o clássico penteado que associamos às damas japonesas e às geishas, aquele em forma de meia-lua.
A segunda coisa é o facto de terem escolhido actrizes chinesas e não japonesas. Aqui entra um factor BEM concreto: vestir kimono (e andar nele) não é nada fácil, limita os movimentos e obriga a uma postura específica. Sendo as geisha (juntamente com os actores de kabuki) as grandes especialistas em vestir kimono de forma elegante e sensual, difícilmente alguém de outro país que não o Japão, que não tenha crescido minimamente dentro desse universo cultural, consegue, num curto espaço de tempo, aprender devidamente a mexer-se dentro de um.
A terceira foram as fotos das ruas de Quioto. Quioto tem a chamada "planta urbanística chinesa" que significa que o seu urbanismo se desenvolve em quadrícula a partir de uma avenida, eixo central, que levava ao Palácio Imperial. Por isso mesmo, a grande maioria das suas ruas (principalmente as mais largas) são rectilíneas e muito pouco labirínticas, como nos são mostradas no filme, em que parecem uma chinatown "vestida" de arquitectura japonesa. Gostei do cartaz.
O livro está relativamente bem adaptado, na sua história, ao formato de filme, perdendo muito (é claro) nos detalhes e subtilezas, tão bem descritos por Arthur Golden. Como a compreensão daquele universo por quem faz o filme é bem menor e envolveu, de certo, muito menos pesquisa, a magia e fascínio que transparece no livro, é inexistente no filme. As actrizes são realmente muito boas actrizes e provam-no diversas vezes neste filme, mas não são bem dirigidas nem bem informadas sobre as subtilezas inerentes a terem de representar geisha. Ao tentar fazer deste filme um espectáculo visual e não lendo bem nas entrelinhas deste universo tão subtil, Rob Marshall esticou o filme até mais não, perdendo-se na suposta exuberância, tornando o filme demasiado longo e lá para o fim, mesmo secante. É tudo muito bonitinho, mas pouco envolvente, acho que é daqueles filmes que, se marcar, vai marcar apenas pelo seu exotismo e pouco por ser um bom filme (não o é).
Agora às picuinhices da preciosista que sou eu:
Irritaram-me: as pestanas postiças (demasiado encaracoladas e visíveis) de Zang Ziyi, o erro magistral de porem Hatsumomo, uma manhã, com o kimono traçado ao contrário. Num universo tão supersticioso, como é este das geisha, é um erro mesmo muito grave. O kimono ata-se SEMPRE a parte esquerda sobre a direita, se porventura for atado ao contrário significa que a pessoa ou está morta ou é um fantasma. Como atar um kimono, para quem o veste como especialista e todos os dias há de ser um acto reflexo, é de todo impossível que tal pudesse acontecer na realidade, por mais desleixada que fosse a geisha. Depois ainda há a maquiagem (já não falo mais dos cabelos) que não é a maquiagem normalmente usada pelas Maiko (aprendizes de geisha). Todos os elementos decorativos (maquiagem, penteados, ganchos, pentes, kimonos, obis, etc.) têm um significado e razão de ser, no filme só o desenho na nuca foi respeitado, à frente o eyeliner dos olhos não fazia sentido absolutamente nenhum (nem sequer se usava assim no mundo ocidental, naquela época), faltava o toque de carmesim nos olhos, o rosa nas maçãs do rosto e os lábios pintados parcialmente como numa boneca (basta "googlar" maiko ou geisha nas imagens e ver o resultado). "Last but not least" os kimonos. Os kimonos eram todos lindíssimos e verdadeiros (vinham de colecções privadas) mas quem os vestiu não o sabia fazer como deve ser ou então foi-lhe pedido para o fazer assim. Os ombros de Zang Ziyi eram sempre demasiado proeminentes e virados para a frente, Mameha (Michelle Yeoh), apesar de geisha, é mais velha e portanto não mostraria tanto as costas (aquilo já não é só a nuca, que é o que é suposto mostrar, porque é sensual), que aliás nem geisha nem maiko nenhuma a mostra daquela forma. Na grande maioria das vezes os kimonos foram vestidos de forma muito (demasiado) desleixada e elas, definitivamente, não se sabiam mexer dentro deles, mostrando demasiado os braços (nem os pulsos é suposto mostrar) e por vezes até as pernas. O culminar deste desleixo ocidental é a dança de Sayuri, muito elogiada pela crítica, mas que de dança tradicional japonesa não tem rigorosamente nada, se tiver algo de japonês talvez tenha mais a ver com kabuki, e e... Os especialistas que me desmintam, mas acho que estou a dizer a verdade. Aqueles movimentos largos, rodopiantes, de braços estendidos e a pose final, qual ginasta acrobática, nem sequer têm um ar japonês não fosse ela estar vestida de kimono e ter cara de oriental.
Rob Marshall e a sua equipa "desculparam-se" variadas vezes a dizer que quiseram fazer a "sua" versão daquele livro e daquele universo. Ao menos Arthur Golden passou anos a fazer pesquisa...
Há uma semana e qualquer coisa, deu na RTP1, uma adaptação ao cinema da ópera de Puccini Madama Butterfly, simplesmente fa-bu-lo-sa! Tal como em Memoirs of a Geisha lá tudo era falsificado, as cantoras principais eram todas chinesas, os cenários eram (vejam só!) na Tunísia, o realizador é francês (Frédéric Miterrand), mas com a enorme diferença de que lá tudo parecia mais que verdadeiro. Elas pareciam japonesas de gema, todo o guarda-roupa era muito bem usado e vestido, as casas eram mais que convincentes e, melhor que tudo, numa ópera que resvala fácilmente o melodrama de lagriminha ao canto do olho, o filme era de uma tal sobriedade e excelente interpretação (as cantoras são muito premiadas) que saiu um resultado mesmomesmo muito bom!
http://www.sonypictures.com/movies/memoirsofageisha/
http://www.imdb.com/title/tt0113731/ (Madame Butterfly)
04 fevereiro 2006
O perfeito disparate
É só para dizer que nem as Britcoms mais brilhantes (das mais recentes) resvalam o puro divertimento, com piadas que são verdadeiros disparates sem pretensiosismo algum, como eles!
A falta de linearidade com que os sketches aparecem nos episódios é simplesmente brilhante!
Enfim, NUNCA me canso de dizer bem dos Monty Python!
http://www.pythonline.com/
RTP-Memória
algures num sábado qualquer (à tarde)
29 janeiro 2006
Plágio ou remake? Seja como for...
Olhando para as datas... Urban Legends é posterior, deixa muito que pensar...
Apesar de a história não ser exactamente a mesma (não é um remake assumido) há semelhanças demasiado flagrantes:
Ambos os filmes começam do mesmo modo, com uma reunião geral num auditório em que os alunos de uma escola de cinema comentam no gozo o que se está a passar e uma rapariga, a protagonista, protesta com o alarido.
Ambas as protagonistas fazem, para o filme da tese final, um projecto baseado em histórias de terror que correm pela escola. Ambas se baseiam em conceitos de psicologia para investigar, ao início, os temas. etc., etc., etc.....
Enfim, a lista há de ser longa, já vi o Tesis há um tempo e não prestei muita atenção a este filme a partir do momento que tive a dita sensação de déja-vu.
O que quero afirmar é que tenho pena que os americanos tentem colmatar a flagrante falta de inspiração crónica com remakes ou plágios abaixo de cão, mal feitos e cheios dos preconceitos, moral conservadora e idiotices, que tornam os filmes americanos mais populares medíocres. Pena realmente, principalmente porque estes remakes medíocres são mais vistos e mais vezes repetidos nas televisões do que filmes de muito melhor qualidade, falados em línguas que normalmente não são o inglês e de longe muito menos conhecidos. Pena que o mérito de bons filmes fique por tão fracas mãos alheias...
Para acrescentar ao Tesis e Abre los ojos (também de Almenábar), que deu num fracote Vanilla Sky e deveu a sua fama a Tom Cruise, ainda há os variados filmes japoneses de terror como The Ring, The Ring 2, Ju-on, etc... A lista parece crescer cada vez mais e a cada vez os americanos são mais óbvios na fotocópia, até os realizadores originais vão buscar!
http://www.imdb.com/title/tt0117883/ [Tesis]
http://www.johnottman.com/projects/directed/urbanlegend2/ [Urban Legends: Final Cut]
23 janeiro 2006
Dr. Quem??
Os portugueses não viram esta série, se bem que eu tenho uma lembrança muito vaga de vislumbrar um Dalek na RTP, algures nos anos 70. Alguma imagética que me chegou aos olhos nos anos 70 e 80 despertou-me uma pequena curiosidade. Nos anos 90, quando visitei o MoMI (Museum of Moving Image) em Londres finalmente vi um Dalek (e um manequim do Dr. Who) ao vivo! Também me ficou no ouvido a versão da música da série, dos KLF.
Mais recentemente vi o primeiro episódio da nova série em casa de um amigo e, para além de me ter divertido bastante, a sensação que me deixou foi que era perfeitamente passável algures ao fim da tarde ou ao fim de semana num qualquer canal generalista (e não por cabo) português, e ainda uma certa nostalgia desse ambiente britânico-londrino, sarcástico e muito cockney. Quis ver mais!
Não é uma série muito adulta, mas também não é própriamente juvenil. Talvez possa ser assistida por todas as idades, mas, quem gostar das séries inglesas, sejam elas britcom, adaptações de clássicos ou séries infantis, acho que vai se divertir a ver este Dr. Who.
A série começou esta semana, já lá vai o primeiro episódio, mas como o People + Arts não se inibe em repetir os seus programas até à exaustão, é bem provável que volte a dar.
http://www.bbc.co.uk/doctorwho/ [série nova]
http://www.bbc.co.uk/doctorwho/classic/ [série clássica]
People + Arts
6ª, 02:30, 06:30, 15:00
sáb. 06:00, 14:00, 21:30
