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28 fevereiro 2014

Comida & Drama

Estou farta de dizer aqui que não gosto nem de concursos nem de reality shows, mas minto, gosto dos concursos do formato Project Runway/Masterchef, desde que o tema me interesse e o programa seja minimamente bem produzido. Dos que já vi, com maior ou menor atenção, Project Runway e Masterchef Australia são os meus preferidos. Project Runway porque é muito bem produzido, Heidi Klum e Tim Gunn mantém uma dinâmica muito equilibrada e há espaço para haver uma série satisfatória e com pouco drama. Outros que acompanho ocasionalmente são America's Next Top Model, Face Off, Rachel Zoe Project e às vezes os de decoração.

Acompanhei esporadicamente as 3 primeiras séries de Masterchef Australia, vi pedaços da 1ª, uns tantos episódios da 2ª, acompanhei cerca de metade da 3ª e vi fielmente a 4ª. Agora estou a ver a 5ª, mas há demasiadas mudanças que me desagradam um pouco. Mas como o programa tem provado ser bom, vou dar-lhe o benefício da dúvida.

A 4ª série de Masterchef Australia foi particularmente feliz. No início, na pré-selecção e no primeiro terço do Top 25, nem sequer conseguia escolher um favorito, de tal forma os concorrentes eram bons e simpáticos. Depois de algumas eliminações, previsíveis e imprevisíveis, passei a ter uns 3 ou 4 preferidos, entre eles Alice, a minha preferida, Mindy, Audra, Andy, Andrew e Beau. Porque preferi a Alice, apesar de ter percebido logo que era quase impossível ganhar? Alice arriscava muito, foi extremamente criativa e ao mesmo tempo teve o cuidado de perceber o que as pessoas queriam comer. Para além disso era mesmo muito engraçada e simpática. O que lhe faltava era disciplina e alguma técnica mais sofisticada.

Independentemente das preferências pessoais, o que me fez adorar este Masterchef Australia foi que todos, sem excepção, aprenderam imenso, começaram realmente como cozinheiros caseiros e sairam de lá com aptidões que, espero, tenham valido a cada um um estágio nalgum restaurante interessante. Até à série 4, Masterchef Australia, nos seus mentores/apresentadores Gary Mehigan, George Columbaris e Matt Preston, estimulou a aprendizagem, fez os concorrentes ultrapassar as suas capacidades e ir mais além. O melhor exemplo disso é o concorrente vencedor, Andy, que começou como um puto simpático que cozinhava umas coisas e atingiu um grau técnico e de sofisticação quase profissional.

Outro aspecto que me deixou colada ao ecrã, tal como na minha série preferida de Project Runway (também a 4 - Christian Siriano), foi que todos eram muito amigos uns do outros, não havia intriga nem má-língua, todos se ajudavam e apoiavam, de tal modo que até houve um desafio eliminatório onde nenhum dos dois concorrentes foi eliminado, pois a comida que ambos fizeram era tão boa e tanta foi a interajuda.

O grau de dificuldade foi aumentando de série para série e os próprios concorrentes pareciam cada vez melhores. Na 4ª série eles faziam e sabiam coisas que só mesmo um chef costuma saber e ao longo do programa foram aprendendo mais. Não me refiro a técnicas chamativas, como as "espumas", o uso de azoto líquido, etc. mas técnicas básicas como saber que a carne tem de descansar para estar no ponto, pré-cozer a massa das tartes para que não fique mole com o líquido do recheio ou como cortar um filete de peixe. O comum mortal compra os filetes já cortados. O espectador também aprende muito com o programa.

A ver vamos com esta 5ª série, para já há lá uns 2 ou 3 que espero sejam corridos o mais depressa possível e não me agrada a "guerra dos sexos" com que começou o programa e que felizmente só será nas primeiras semanas.

Como isto concluo que para realmente gostar de um reality show, o drama tem de ser pequeninas doses que não se sobreponham ao conteúdo e não mostrem os concorrentes como umas bestas desalmadas.

Masterchef Australia
Project Runway

11 fevereiro 2014

Baby Take a Bow


Baby Take a Bow, de Stand Up and Cheer

Na faculdade tivemos de fazer um trabalho acerca  das estrelas de cinema. Havia uma lista, entre estrelas como Elizabeth Taylor ou Joan Crawford, senti-me atraída pela peculiaridade de uma estrela infantil, da qual sabia pouco mais que o nome, Shirley Temple.

Ao familiarizar-me com Shirley, ler a sua biografia e perceber a sua importância histórica, nenhuma menina era tão conhecida nos anos 30, excepto as princesas reais inglesas Isabel e Margarida, um pequeno acontecimento como um simples trabalho para a faculdade transformou-se em admiração e paixão por uma mulher que, como muito poucas pessoas, teve uma vida riquíssima e variada.

Shirley começou como actriz e bailarina aos 3 anos, impelida pela mãe, numa sociedade e numa Hollywood com valores bem diferentes dos actuais. Felizmente para ela, Shirley era uma criança sobre-dotada, não era apenas o charme de uma menina com cara de querubim, e se aprendeu algo com essa longa experiência de mais de 15 anos, foi a desenrascar-se num mundo onde poucos faziam o que queriam. A dimensão do seu sucesso é gigantesca, Shirley era mais apreciada que quase todos os seus colegas adultos, gerou toneladas de merchandising, que variavam desde a clássica fotografia autografada às bonecas à sua semelhança. A sua imagem foi a origem da imagem icónica da menina pespineta com "ar de boneca", recebeu homenagens tão variadas como um quadro de Salvador Dali ou um cocktail (sem álcool) com o seu nome. É também impressionante como o que ficou dela é uma figura de tal forma universal que as pessoas já não identificam directamente com ela. Mas uma coisa é certa, e o vídeo acima comprova-o, o seu sucesso não era vazio, Shirley Temple era uma menina cheia de talento e charme, capaz de cativar qualquer um, mesmo hoje em dia.

Mas Shirley não se ficou por aqui, após um casamento falhado na difícil fase de transição de actriz infantil para jovem adulta, casamento esse para obter alguma independência da mãe, Shirley continuou a sua carreira de actriz a meio-gás e envergou por uma área mais social e política, onde foi Embaixadora da Boa-Vontade das Nações Unidas. Há uns anos foi uma das homenageadas pela Academia das Artes de Hollywood e foi a primeira actriz infantil a receber um mini Oscar, com seis anos, atribuído na época a menores de 18, pelo seu trabalho durante o ano de 1934.

Ao contrário do que é costume, onde aprecio a obra dos meus artistas preferidos em detrimento de querer saber da sua vida privada, com Shirley, ao pesquisar acerca dela, aprendi muito acerca de uma mulher admirável que sobreviveu uma infância difícil e intensa, prodígio que mesmo as actuais estrelas infantis, com a flexibilidade que a sociedade actual permite, têm dificuldade em fazer. O único outro caso de semelhante sucesso que me lembro é Jodie Foster.

Shirley Temple é uma inspiração para mim e continuará a sê-lo, "Bebé, faz uma vénia"!

Shirley Temple

03 janeiro 2014

Doppelganger

Na época da estreia recusei-me a ver The Hunger Games por a história me parecer demasiado parecida com o japonês Battle Royale, que adoro. Mas sempre que surge a oportunidade de ver esses filmes (leia-se blockbusters super publicitados e muito populares entre adolescentes e na net) na TV eu vejo.

No Ano Novo a SIC lá passou The Hunger Games e não resisto a dar a minha sentença.  Para começar, o filme não é mau, mas também está longe de ser extraordinário. Não é extraordinário pois, para o tornar acessível a um público adolescente, tiraram-lhe tudo o que torna Battle Royale um filme inesquecível, a brutalidade e a violência. Digamos que The Hunger Games é uma versão colorida e delicodoce de Battle Royale, com uma história de fundo um pouco diferente.

O que realmente "estraga" The Hunger Games não é a ausência de violência, mas a ausência do elemento de surpresa. Na primeira parte do filme é nos introduzido um love interest que não dá em nada e todo o jogo, aptidões da protagonista, etc. são explicados, tim-tim por tim-tim... Em Battle Royale vamos sabendo as regras à medida que os protagonistas se defrontam com elas, assim a crueldade do jogo é reforçada e o choque para o espectador é maior. Em The Hunger Games a protagonista é uma personagem plana, pouco ou nada aprende e a única coisa que muda na vida dela é o love interest. O dito love interest muda muito mais que ela, mas ela fica na mesma, com maior conhecimento da sociedade em que vive, mas pouco mais.

Tecnicamente é um filme bem feito, boa fotografia, bem filmado q.b., os actores não são maus e até há uma ou outra vedeta (Woody Harrelson, Donald Sutherland) em papéis secundários. Mas o querer agradar a gregos e troianos acaba por torná-lo em mais um enlatado para adolescentes que pouco tem de original (felizmente tem mais densidade que o enlatado-mor - mas nem vou mencionar o nome...).

Isto leva-me mais uma vez a questionar os remakes, The Hunger Games é mais uma adaptação que um remake, mas pega na mesma ideia mas desenvolve-a de forma mais comercial e popularucha. É só. Deem-me 10 Batlles Royales a um The Hunger Games.

Há uma coisa que mesmo antes de ter visto o filme me faz rir, quando oiço/leio Katniss, o meu cérebro apenas regista catnip. Portanto toda a tentativa de seriedade do filme ia sempre à vida quando alguém dizia o nome da rapariga!!

The Hunger Games
Battle Royale

Feliz 2014!!

23 novembro 2013

50 Primaveras

Strawberry Fields, a minha Blythe,
veste o fato do 10º Doctor em frente à TARDIS,
tudo feito por mim.

Não é todos os dias que uma série de televisão comemora 50 anos, menos ainda uma de ficção-científica. Hoje é o 50º Aniversário de Doctor Who e mesmo não sendo 50 anos seguidos é um feito e pêras!

Não fora também o Doctor Who uma das minhas séries preferidas, que alia ficção-científica pura a uma permissa simples e um protagonista muito bem construído e sedimentado, afinal são 50 anos e 11 actores, mais um monte de argumentistas, realizadores e técnicos.

Vivendo em Portugal, (infelizmente) não tendo crescido com a série, só comecei a vê-la decentemente na nova era, iniciada em 2005 com o 9º Doctor, Christopher Eccleston. Nestes 8 anos já muito espaço e tempo percorreu a TARDIS e os fãs mais novos nem querem saber de Eccleston, a meu ver injustamente menosprezado. Recentemente foi anunciado Peter Capaldi como o 12º Doctor, que iniciará os trabalhos para o ano, melhor, no Especial de Natal. Mal posso esperar!

O especial de aniversário de hoje será transmitido em directo para 70 e tal países, que inclui países como o Myanmar ou o Burquina Faso, e que me faz perguntar o que anda a BBC Entertainment a fazer?? Na Europa, contam-se pelos dedos o número de países que este canal transmite o episódio e, para variar, Portugal não está incluído. Gostava de poder ver o The Day of the Doctor em directo, de forma legal e juntar-me em sintonia à horda de fãs pelo mundo. Mas Portugal não existe, e tal como o governo, a BBC incentiva-nos à ilegalidade... Era tão simples!

Não quero terminar este post num tom negativo, não quando se trata de uma das minhas séries favoritas, é claro que vou ver o episódio, não na minha televisãozão, mas no ecrã do PC e vou regalar-me com o regresso do Ten, da Rose e com o maravilhoso John Hurt, que finalmente se juntou ao clã Whovian.

HAPPY 50th BIRTHDAY, DOCTOR WHO!

18 outubro 2013

Recado

Caros locutores da SIC,

Por favor PAREM de fazer spoilers imediatamente antes dos episódios das novelas do dia! Desmancha-prazeres!

Se eu quiser saber alguma informação antecipadamente, é para isso que servem os vários sites das respectivas novelas, nomeadamente na Globo e afins.

Obrigada.


PS: Já agora, parem também de falar em cima dos genéricos, para vocês podem ser repetitivos, mas há quem aprecie vê-los sem um chato a falar por cima.

23 agosto 2013

RTD apanhou-me outra vez

Russel T Davies (RTD), um dos meus heróis, apanhou-me novamente e eu não me importo! Há cerca de um ano andava completamente agarrada à sua série Queer as Folk, que vi quase num dia de tal forma não a conseguia largar. É verdade que não é longa, mas mesmo assim, há outras coisas a fazer, tais como comer ou dormir...

Quando andava nas maratonas Doctor Who acabei por abandonar as suas duas séries satélite, criadas por Russel T Davies, Torchwood e The Sarah Jane Adventures. O tempo e a disponibilidade são tramados! The Sarah Jane Adventures foi criada para o público infanto-juvenil e continuou a ser produzida por Russel T Davies, mesmo depois dele passar o testemunho de Doctor Who a Steven Moffat, e só parou devido à morte da actriz Elizabeth Sladen, que interpretava a protagonista Sarah Jane. Ainda cheguei a ver uns 3 ou 4 episódios de Torchwood, mas na altura, talvez por comparação a Doctor Who, achei a série pesada e densa e acabei por deixá-la para outra oportunidade. Também tinha duas séries inteiras de Doctor Who, mais uns tantos especiais para ver.

Já tinha percebido que o AXN Black, desde a sua criação, andava a passar Torchwood, mas mais uma vez fui adiando ver a série até que a apanhei na semana passada exactamente num dos episódios que vira, portanto foi desta. Comecei a vê-la com uma certa displicência, mas às tantas dei por mim ansiosa pelo próximo episódio e desejosa de desvendar uma série de pequenas pistas que Russel vai deixando em cada episódio.

Como um amigo meu uma vez disse: "Torchwood é Doctor Who com sexo" e tinha razão, mas está longe de ser porno ou de alguma forma gratuito, as personagens são encaradas de forma realista, como aliás Russel T Davies sempre o faz. Se Doctor Who se integra quase perfeitamente na nossa realidade, sendo o Doctor talvez a personagem de ficção científica mais passível de realmente andar entre nós, o elenco de Torchwood então anda mesmo. Gosto muito desse lado Alexandre Dumas de Russel T Davies, torna as suas histórias mais credíveis e faz-nos ter uma empatia gigantesca com as personagens. Nas histórias de Russel T Davies temos sempre dificuldade em detestar uma personagem, mesmo as completamente irritantes, de tão bem construídas que elas são. Tenho a certeza que se morasse em Cardiff andava sempre na rua a ver se via o jipe da Torchwood ou se me cruzava com Gwen Cooper, Ianto ou o Captain Jack num café ou pub, como se de celebridades se tratassem. O sexo só contextualiza mais as coisas numa sociedade moderna comum e humaniza as personagens.

Essa abordagem à criação de personagens, inspirada nas soap operas para as quais Russel T Davies escreveu durante anos, torna tudo o que venha das mãos dele empolgante e completamente viciante.

Não sei o que Russel T Davies anda a fazer agora, ele é um dos meus heróis mas não sou groupie, só espero que nos deleite com mais qualquer coisa assim. Até lá ainda tenho bastante material para ver, incluindo The Sarah Jane Adventures, claro.

Torchwood - BBC

28 maio 2013

Maeve

De todas as séries que costumo ver regularmente, essencialmente no AXN, Criminal Minds é claramente a minha preferida. É uma série muito cerebral, com personagens muito bem construídas, tão bem que quase parecem reais, e fora um ou outro aspecto mais "exótico" tudo é perfeitamente plausível.
Este post contém SPOILERS acerca da série 8 de Criminal Minds, recomendo a quem não quiser lê-los não continuar a ler a partir daqui ↓.

A série 8 de Criminal Minds é especial, mas não é especial pelas razões óbvias: a saída de Emily, a entrada de Alex Blake (Jeanne Triplehorn), mas porque a intriga se concentra neles, na equipa e, principalmente pelos episódios dedicados a Spencer Reid. De todos Reid é a personagem que parece mais impossível e perfeita. Ele é um génio, tem um QI altíssimo, uma memória prodigiosa, calcula probabilidades mais depressa que um computador, lê livros à velocidade da luz. Até agora as únicas fragilidades de Reid mostradas foram o receio da probabilidade de herdar a esquizofrenia da mãe e uma ou outra paranoia ocasional, mas eis que Reid, o eterno anti-social, arranja uma namorada.

Mas Reid não conhece a namorada num café ou na banca do jornal, nem sequer é uma colega de trabalho, logo nos primeiros episódios Reid faz uns telefonemas misteriosos de uma cabine telefónica para uma mulher misteriosa, na penumbra, de quem nunca vemos a cara. Aos poucos vimos a saber que ela o ajudou outrora num caso, que é geneticista e que está a ser perseguida, daí toda a cautela nos telefonemas de Reid. Também percebemos quase de imediato a empatia entre os dois e a trapalhação quase adolescente de Reid em relação a ela, mas todo o mistério em roda dela faz-nos querer a aproximação mas simultaneamente dá-nos uma sensação de medo enorme, não vá o ingénuo Reid estar a ser enganado por uma mulher espertalhona... Uma coisa é certa: Quem é essa mulher??

Os autores vão mantendo-nos curiosos durante uns cinco episódios, espicaçando-nos, dando a informação em curtas cenas e aos poucos. Quando chegamos aos episódios da resolução deste arco narrativo, sabemos muito pouco acerca dela. Reid marca um encontro, mas com medo do perseguidor e provavelmente algum receio de vê-la ao vivo, acaba por não esperar. Não Reid, devias ter ficado, é uma oportunidade única!

No episódio seguinte ambos esclarecem o mal-entendido e ficam bem. Mas o perseguidor revela-se, a BAU, a pedido de Reid, investiga e passamos um episódio angustiante a temer pela vida de Maeve, a querer que Reid a conheça e que tudo não seja um esquema do Replicator (o arco narrativo principal, o perseguidor da equipa da BAU). Mas não, Reid não tem direito à felicidade romântica banal e perde Maeve da pior forma possível e ainda por cima assiste a tudo de perto.

Eu passei uma semana traumatizada com tudo isto. Reid é dos meus preferidos desde que comecei a ver Criminal Minds, é um geek delicioso e ainda por cima é giro! É tão adorável que introduzirem uma potencial namorada perfeita para ele e matarem-na logo a seguir de forma tão terrível é a maior crueldade para o espectador (e para ele)! Pobre Reid! O arco foi tão bem escrito que até ao último episódio estivemos sempre com um misto de curiosidade e desconfiança de Maeve e só mesmo quando vemos a sua cara pela primeira vez essa desconfiança se desvanece. Maeve não podia ter morrido, o próprio Reid calculará que as probabilidades de ele voltar a conhecer alguém assim são quase nulas... É isso que faz uma boa escrita de ficção e os autores de Criminal Minds surpreenderam-me e tornaram-me ainda maior fã da série.

Um facto curioso que me fez empatizar mais ainda com Maeve é que a actriz que a interpreta é a mesma de Parker de Leverage (Beth Riesgraf), a minha personagem preferida da série e também com uma personalidade àparte. Como estava a ver as duas séries ao mesmo tempo, tive dificuldade em dissociar Maeve de Parker o que me fez torcer ainda mais para que ambos ficassem juntos, até porque a reconheci antes dos episódios finais, ela tem um sorriso peculiar. O Reid deveria ter ficado com a Parker!

Quis rever o episódio e não consegui. É verdade que factores externos contribuíram para isso, mas ainda tenho o episódio gravado na box, talvez volte a revê-lo quando terminar a série, que para além de ainda não ter acabado também não tem desiludido.
ZUGZWANG

Criminal Minds

07 maio 2013

Gosto de Anti-Heróis

Dentro dos arquétipos da narrativa o meu preferido é sem dúvida o anti-herói (imediatamente seguido do vilão). Os heróis são demasiado bonzinhos, obedientes e previsíveis, o interesse amoroso às vezes pode ser interessante ou destabilizador (Eva) mas como a maioria das vezes é uma mulher (por oposição a um herói masculino) só está lá para fazer figura, o mentor é isso mesmo, o mentor, serve para fornecer informação útil mais tarde e o vilão, quando bem construído (Darth Vader), pode salvar uma história. O anti-herói está confortavelmente algures entre o herói e o vilão, conduz a história mas não é bonzinho e previsível, mas, mesmo que na maioria das vezes contrariado, está lá para salvar o mundo, tal como o herói. Às vezes temos ambos, herói e anti-herói, outras vezes apenas o anti-herói. Confesso que prefiro a primeira situação, normalmente é quando o anti-herói se revela no seu melhor (Han Solo).

Isto tudo para chegar a Leverage (Jogo de Audazes, na versão portuguesa), uma série em que todas as personagens principais são anti-heróis e todas simples mas bem construídas. É assim de presonagens multifacetadas que gosto! A história também é simples, o grupo é uma espécie de Robin Hood e os seus Merry Men moderno, mas com o protagonismo mais distribuído e com um grande buraco no argumento: de onde vem o dinheiro para eles montarem as suas operações sofisticadas ao nível de Mission: Impossible? Não vi as duas primeiras séries, só comecei a ver no início deste ano, quando estava com mais tempo livre, portanto talvez a explicação esteja aí. Mas se não estiver, é um bocado indiferente, pois Leverage é uma série que vive mais das personagens e planos rocambolescos. Venha a "suspension of disbelief"!

Então venham as personagens!
Nate Ford
O cabecilha, "o cérebro", do grupo e quem em geral dá a ordem de avançar. É um tipo muito inteligente, com muita experiência mas nunca temos a certeza se o que o motiva são as boas intenções ou se tem interesses secundários. Apesar de criar planos mirabolantes e intrincados, quando o lado emocional surge ele fica sempre muito perto de falhar. Também é extremamente vaidoso e simultaneamente inseguro, o que o torna imprevisível.
Sophie Devereaux
Uma das variadas identidades da "aldrabona" de serviço, e ninguém sabe se a verdadeira, com um passado obscuro que envolve multimilionários, fortunas, peças de arte lendárias e uma vida glamourosa internacional. Sophie domina a análise comportamental e é extremamente versátil e boa a improvisar. Tal como Nate é demasiado vaidosa para seu próprio bem, mas tem uma noção melhor que a dele das próprias capacidades. O seu calcanhar de aquiles é o mesmo passado obscuro que volta por vezes para a assombrar.
Eliot Spencer
"O músculos" é também um gourmet e chef cuja ambição de reforma é abrir um restaurante. Como manda o figurino, é um coração de manteiga por baixo da figura truculenta. É o que mais facilmente se envolve emocionalmente com os casos, mas sabe bem usar isso a seu favor quando necessário. Eliot é uma espécie de Chewbacca para Nate ou Hardison (e eu a dar-lhe nas referências a Star Wars!).
Parker
É a "cat burglar" com um passado intrigante de uma educação fora dos padrões comuns, roubos impossíveis e um conhecimento enciclopédico de obras de arte valiosas e alarmes e cofres impossíveis de arrombar. Parker é quem tem a personalidade mais fora, não se rege pelo senso comum normal, mas tem um raciocínio extremamente lógico. Ela é como uma espécie de criança grande com uma memória, inteligência e agilidade acima da média. O seu calcanhar de aquiles é a ignorância quase total das regras da sociedade comum ocidental - ela acredita no Pai Natal!
Alec Hardison
O "hacker" quase infalível. Sempre que as suas capacidades são postas em causa amua mas tenta imediatamente superar-se. É caprichoso e anda sempre às turras com Eliot, apesar de serem melhores amigos mas não o admitirem nem sob tortura.

Cada episódio de Leverage é divertido, intrigante e entusiasmante, mesmo quando a fórmula: chega cliente - elabora-se estratégia - coloca-se o plano em prática - lida-se com os imprevistos - saída estratégica - recompensa do cliente injustiçado; se repita em quase todos. É nos pormenores, nos detalhes de cada plano, nos tiques de Parker, nos disfarces de Sophie, nas reviravoltas dos planos de Nate, na brutalidade eficaz de Eliot ou no software infalível de Hardison que está a riqueza de cada episódio. Ao longo das séries vamos tendo arcos narrativos menos previsíveis, em geral ligados ao passado de um deles, mas cada episódio pode ser visto individualmente sem necessidade de ver os primeiros.

Leverage é uma série à antiga, simples, infinita, com um elenco fixo bem construído. É daquelas séries que se vê repetidas vezes, fora de ordem, mas que se quer ver inteira e mais ainda. Numa época de séries sofisticadas mas que perdem o rumo com facilidade no excesso de intriga ou personagens adicionais, prefiro ver Leverage que se mantém simples, divertida e fiel à permissa incial: uma espécie de cruzamento de Robin Hood com  Mission: Impossible.

TNT - Leverage

12 abril 2013

Vida de Empreguete


Ultimamente as novelas brasileiras da Globo têm seguido duas tendências: uma que não gosto, popularucha, que depende de sotaques exóticos e chavões forçados para manter o interesse; e outra que ando a gostar bastante, onde os brasileiros se satirizam no seu lado popular e brejeiro, fazendo o que me parece um retrato mais fiel do Brasil real. Gabriela ou os clones d'O Clone, são bons exemplos da primeira tendência.

Fina Estampa, retratando uma humilde e trabalhadora descendente de portugueses, já seguia um pouco a segunda tendência. Avenida Brasil é um bom exemplo onde os papéis dos ricos, dramáticos,trágicos e vis contra pobres bons, honestos e cómicos também foram invertidos e os verdadeiros milionários sofisticados são um dos núcleos mais cómicos. A história de Nina, Carminha e das pessoas do "lixão" é quase uma tragédia grega com requintes de malvadez. Sim, ainda temos "pobres" cómicos, a família de Tufão em geral, apesar de terem dinheiro, e as pessoas do Divino. Mas o foco da novela está praticamente todo nos núcleos populares e a trama principal não é de ambição de poder, mas de vingança.

Eis que chegamos a Cheias de Charme cujo tema principal é a música e os cantores populares, o "electro forró", as empregadas domésticas, "empreguetes", a rádio, o Nordeste e todo um universo com que certamente a grande maioria do público brasileiro que "assiste novela" se identifica. Há universo mais brasileiro que este, que mostra os podres de ricos, uma minoria, mas priveligia na narrativa a massa das empregadas que os servem? Há que dizer que Cheias de Charme é uma novela cómica, leve e divertida, portanto não estou à espera de grandes tragédias ou de verdadeiros vilões, mas o certo é que é uma abordagem que me agrada muito, o sentido de humor dos brasileiros está bem de saúde e as músicas chegam a ser bem engraçadas! A frase "vida de empreguete, pego às sete", da canção Vida de Empreguete, fica no ouvido e o vídeo é muito divertido (ver em cima).

Apesar de ser dirigir a uma camada mais popular e menos culta, Cheias de Charme tem um humor inteligente, não imbeciliza e conta uma história simples de um modo muito divertido. Sempre gostei mais de novelas de comédia, portanto, que esta segunda tendência cresça!

Cheias de Charme

08 março 2013

5 Gajos Bons 2013

É curioso, como este ano não pensei muito no Top 5 antecipadamente, e também não ando a ver muita TV com pessoas (mais desenhos animados ou outros no PC), pensava que teria alguma dificuldade em preenchê-lo, mas afinal até foi fácil. Eis os 5 escolhidos para 2013:


1. David Tennant
Sim, sim, está a dar o Doctor Who, série 4, na BBC Entertainment, o 1º lugar é fácil!






2. Gary Sinise
Resolvi repetir o 2º lugar do ano passado, no papel de Mac Taylor. Definitivamente o CSI: NY é o CSI com a melhor média de gajos bons, portanto...




3. Eddie Cahill
Que para além de entrar em CSI: NY como Detective Flack, também tem entrado em NCIS, como agente da CIA e namorado de Ziva David.




4. Chace Crawford
Em honra de Gossip Girl, que no AXN White está na série 5, mas que já terminou. Chace sofreu um acidente que lhe desfigurou um pouco o lábio, mas mesmo assim ainda é todo bom e merece um lugar neste top!



5. Colin O'Donoghue
Já se sabe que Once Upon a Time não é mais que um desfilar de actores e actrizes bonitos em guarda-roupa estilosamente sumptuoso. Mas, pelo canto do olho avistei este moço que satisfaz bastante.

26 fevereiro 2013

85 Oscars - O Musical ♪

Este ano vi mais uma vezos Oscars em directo mas não pude blogar logo de seguida pois tive um dia cheio, mas este ano valeu a pena ficar acordada (depois da seca do ano passado).


Mas vamos ao que interessa: os vestidos! Em geral não vi nenhum horror ou daqueles vestidos que nos fazem pensar mas que raio lhe passou pela cabeça? Eram todos bastante elegantes, com alguns exemplares mais chamativos até que... surge Anne Hathaway na Passadeira Vermelha. O seu vestido Prada em cetim rosa pálido, discreto à frente, atrevido atrás era um espanto. Já percebi que pelos vistos a recepção "internética" do dito vestido foi polémica, mas quero lá saber! Mal vi o vestido todos os outros ficaram na sombra, mesmo o de Jennifer Lawrence, em Dior Haute Couture, que, como uma blogger do tumblr disse, é um vestido digno dos Oscars (gostei do tropeção ao receber o Oscar ). Não deixando a blogger de ter razão, pessoalmente gostei da elegância do vestido Prada de Anne Hathaway e pensei para os meus botões: por isto é que gosto da Prada!. E Anne Hathaway ficou magnífica nele com o seu cabelo curtinho. Calem-se as más-línguas~

A cerimónia foi muito boa , prestando homenagem aos musicais voltou a alguma da glória das cerimónias dos Oscars antes das Twin Towers caírem e animou uma noite que nos últimos anos foi ficando cada vez mais secante. Não houve momentos constrangedores de mudanças técnicas, como entregas de Oscars em diferido ou a orquestra demasiado implacável a cortar os discursos mais longos e houve números musicais, sim plural: NÚMEROS. Logo o número inicial pelo apresentador Seth Macfarlane incuiu quatro quadros, todos com convidados e todos com um bom sentido de humor e a cerimónia (I Saw Your Boobs, William Shatner como Captain Kirk) foi sendo pontuada com mais números, seja por causa da homenagem aos 50 anos de James Bond no cinema (5 de Outubro de 2012), com a poderosa Shirley Bassey a arrasar mais uma vez com 'Goldfinger' ou seja noutras canções premiadas, 'Skyfall', por Adele ou 'Everybody Needs a Best Friend", por Norah Jones, ou ainda pelos números musicais de Chicago, Dreamgirls ou Les Miserables. Seth Macfarlane é competente, politicamente incorrecto q.b. e canta e dança melhor que muitos apresentadores anteriores. Sinceramente espero que volte para o ano.

Mas a piada da noite foi a da Família Von Trapp a preceder a entrada de Christopher Plummer. O que eu me ri!


(peço desculpa a qualidade do vídeo, foi o melhor que se pode arranjar)

Como eu já calculava, Steven Spielberg não ganhou nenhum Oscar com Lincoln. Por mais que o filme apelasse ao espírito patriótico dos americanos, a Academia não gosta de dar Oscars a Spielberg (mas deve gostar de o ter na plateia, pois está quase sempre lá), sendo Schindler's List uma gloriosa excepção. Aliás nesse ano, numa das melhores cerimónias dos Oscars que me lembro de ver, foi o Ano de Spielberg nos Oscars, para não mais se repetir. Felizmente os Oscars nunca foram e agora cada vez menos são, um barómetro para medir a qualidade do cinema (comercial) que se faz, são apenas uma cerimónia de prémios, que pouco significado tem para além do seu lado de espectáculo, pois os lobbies, como se sabe, são mais que muitos.

Desta vez não se esqueceram de Eiko Ishioka na homenagem aos falecidos. Está bem, apesar de antes da cerimónia de 2012, ela tecnicamente morreu em 2012, portanto este ano é que devia ser homenageada. Foi triste perceber que entre os que se foram o ano passado estavam tantos que dedicaram as suas carreiras aos efeitos especiais ou à ficção-científica, como Ralph McQuarry, Chris Marker, Carlo Rambaldi, Eiko Ishioka, Ray Bradbury. Foi esquecido Gerry Anderson e, entre muitos outros, Larry Hagman, que antes de se tornar o JR de Dallas teve uma longa carreira no cinema. Mas parece que há sempre destes esquecimentos, talvez os pesquisadores devessem mudar um pouco a abordagem?

No fim, Seth Macfarlane dedica uma canção, juntamente com Kristin Chenoweth (Glee) aos derrotados da cerimónia, fechando com chave de ouro.

Oscar.com

24 janeiro 2013

Gabriela é... ♪

Gabriela, o remake, lá terminou na SIC e infelizmente tudo o que temia confirmou-se. Há cerca de 1 mês, tal era a minha irritação com a "inspiração" de Gabriela, que pedi o livro emprestado à biblioteca e o li. Há motivos melhores para ler um livro, principalmente tratando-se de um livro e escritor tão importantes, mas finalmente li Gabriela, Cravo e Canela.

A equipa da Globo foi muito esperta, no genérico não escreveu "adaptado de" mas "inspirado em". Isso descartou-os de toda e qualquer obrigação a uma fidelidade para com o livro e deu-lhes carta branca para fazerem o que lhes apetecesse. Infelizmente no caso de Gabriela o resultado foi medíocre, comparando primeiro com o livro e depois também com a novela dos anos 70. Mas vamos por partes.

O elenco. Infelizmente o elenco não foi dos mais felizes apesar de contar com nomes de peso nos actores televisivos brasileiros. Os únicos, mesmo os unicos que achei bem escolhidos e que tiveram um bom desempenho foram Juliana Paes, como Gabriela e Matheus Solano, como Mundinho Falcão [ai Matheus, se te apanhasse à minha frente...]. Habitualmente gosto de Humberto Martins, mas ele é demasiado bronco para fazer de Nacib, o Nacib dele aborreceu-me e achei-o uma personagem desinteressante (ao contrário do livro e da 1ª novela). Armando Bógus, volta que estás perdoado! Armando Bógus, o Nacib dos anos 70, para além de corresponder melhor à descrição do livro, era um actor com "A" grande. Já António Fagundes é demasiado novo para fazer de Coronel Ramiro Bastos (com 80 anos no livro) e, pior, tentou emular Paulo Gracindo, ficando a léguas do Coronel original. Paulo Gracindo metia medo, Fagundes foi ridículo. O Tonico Bastos de Marcelo Serrado não chegou nem por sombras aos calcanhares de Fúlvio Stefanini. Todos os maneirismos que em Stefanini eram curiosos e engraçados ("manequim de porta de loja"), no exagero de Marcelo Serrado, provavelmente a querer desligar-se de Crô de Fina Estampa, tornou Tonico num palhaço. Outro palhaço foi o Professor Josué (de Anderson di Rizzi), ao contrário do tímido e desengonçado de Marco Nanini. Muito diferente do livro e da versão dos anos 70, Malvina (a minha personagem preferida por tudo o que ela representa) é uma rapariga brejeira e respondona e não uma rapariga sensível, inteligente, intelectual, ingénua e revoltada. Ao colocarem Vanessa Giácomo, já de si muito brejeira, a fazer a personagem estragaram tudo. A única que está mais próxima do livro é Jerusa, apesar de no livro ela ser menos mosquinha-morta e um pouco mais pespineta. E nem vou falar de Zarolha, tenho IMENSAS saudades da maravilhosa Dina Sfat.

A história. A novela dos anos 70 é uma adaptação bastante fiel ao livro de Jorge Amado, onde, por questões de formato e linguagem aglutinaram-se relações, eventos e mudou-se um pouco a cronologia. O livro é conduzido pelas personagens, como tal não é inteiramente linear, mas a adaptação dos anos 70 agarrou na história e contou-a de forma cronológica e linear, separando cada grande evento por um ou mais episódios. Uma das coisas que adorei quando revi a Gabriela dos anos 70 foi a economia narrativa. É um facto que quando se adapta um livro a cinema ou televisão normalmente é necessário cortar ou aglutinar partes, a Gabriela dos anos 70 cortou pouco e aglutinou um pouco, mas não houve necessidade de introduzir coisas ou personagens que não figuram no livro. Deu, sim, mais destaque a Maria Machadão, juntou a sua casa ao Bataclã, dois estabelecimentos separados no livro, tornou Jerusa amiga de Malvina, o que deu muito jeito na exposição das duas personagens, e deu algum destaque a histórias menores para dar densidade a personagens de Ilhéus. O peso da política e das relações amorosas é, tal como no livro, semelhante e equilibrado e, desta forma, conta-nos parte da história moderna do Brasil e da Bahia.

O rigor histórico. Normalmente aqui a Globo acerta, mas em Gabriela é pior que nos filmes medievais de Hollywood dos anos 30 e 40! Que desapontamento... Cloches do tamanho errado, no alto do cocoruto das senhoras, rendas de poliéster, sapatos de salto de 10 cm, vestidos de noiva actuais, decotes demasiado reveladores, tapa-sexo nos fatos das meninas do Bataclã e nudez constante. Quando a nudez é em demasia, demasiado óbvia e constante, torna-se aborrecida e deixa de cumprir a sua função de chocar (as personagens e o público) e de excitar.

A nova Gabriela é mais uma (má) adaptação da Gabriela dos anos 70 onde tiraram quase todo o contexto político e esmeraram-se em mostrar maminhas. Meus amigos, erotismo não é pornografia e infelizmente esta nova Gabriela está mais para pornográfica que para erótica. Não sei porquê, inventaram personagens e linhas narrativas onde não havia necessidade, algumas até descaracterizaram personagens e cortaram pedaços da narrativa que talvez tivessem tido maior relevância e dessem bem para fazer render o peixe, pois não encontro outra explicação para todas estas histórias novas. Esticaram, esticaram pelo meio e depois o final foi demasiado apressado. Muitas das personagens que metiam medo na primeira versão, Coronel Ramiro Bastos, Maria Machadão, Coronel Jesuíno e Coronel Melk, por exemplo, foram reduzidas a figuras ridículas e ridicularizadas, tirando a densidade dramática necessária aos vilões e, portanto, interesse. Trataram quase todas as personagens pelo lado de comédia, sem o realmente fazerem a sério do princípio ao fim, caíndo num lado pitoresco apalhaçado, com o uso exagerado de sotaques, expressões idiomáticas e maneirismos, que infelizmente tem sido cada vez mais presente nas novelas da Globo.

Eu bem disse que Gabriela não deveria ter tido um remake, se há novelas e histórias que ganham com isso, com os novos meios de produção (Ti-ti-ti ou O Astro), há outras, como Gabriela, que para além de imaculadas dependem muito de quem as fez e da época em que foram feitas. É uma pena, se tivessem tido mais cuidado com o elenco, feito uma série mais curta em vez de uma novela, cortado muita da palha e não ficado agarrados a um sucesso de há quase 40 anos, Gabriela poderia ter sido uma nova Gabriela, com conteúdo, emoções e qualidade. Tenho a certeza que daqui a 10-20 anos, quem tiver visto ambas as Gabrielas, vai lembrar-se é da primeira.

Gabriela

28 dezembro 2012

Sol Negro



Se há pessoa televisiva que mudou a minha vida foi Gerry Anderson. Vi pela primeira vez Space: 1999 (Espaço: 1999) com seis anos e fiquei apaixonada. Space: 1999 fez-me adorar ficção-científica, decoração modernista, moda dos anos 60-70 (Rudi Gernreich). Em suma, foi parte fundamental na formação da pessoa  que sou hoje, portanto a morte de Gerry Anderson, embora previsível dado que se encontrava doente há algum tempo, não pode de forma alguma passar em branco neste blog. Mais tarde vi outras séries produzidas por Anderson e, mesmo permanecendo o Space: 1999 a minha preferida (de todas, criadas por Anderson ou não), não me importava nada viver numa das casas dos Thunderbirds.

Deixo a sequência do Black Sun, de Space: 1999, em que Koenig e Bergman atravessam o sol negro numa cena algo mística ou transcendental, talvez seja assim  para Gerry Anderson.

Fanderson

17 dezembro 2012

*súper herói

Esta é do mais triste que há... ARRANJEM UM CORRECTOR ORTOGRÁFICO!! Se não recebem o suficiente para comprar um (não é propriamente software caro) vão a: http://www.flip.pt/FLiP-On-line/Corrector-ortografico-e-sintactico.aspx, é grátis! É limitado mas faz o básico e essencial.

É que... súper herói??? Com tanto acordo ortográfico até a pessoa que nunca errou na vida tem hoje em dia dúvidas existenciais, mas esta é de bradar aos céus. Neste caso, num episódio de Perception, até podia ter sido uma gralha, se o erro não aparecesse DUAS vezes! Pior, segundo a definição abaixo, se a palavra super estiver antes de uma palavra começada por H ou R tem de ser hifenizada: super-herói.

super
súper

24 novembro 2012

8!!!

Nem consigo acreditar que mantenho este blog, o meu primeiro, há OITO anos! Ultimamente tenho andado um bocado sossegada, mas estes últimos 2 anos têm sido de pouca disponibilidade, onde cheguei a ter de controlar as horas de televisão por nem tempo para ver TV ter. De qualquer modo, e com mais 3 blogs, não-sei-quantas redes sociais e pseudo redes sociais e o fim das emissões aéreas de TV desde então, o TV-Child ainda está vivo e recomenda-se!

Ultimamente o meu tempo de televisão tem-se dividido entre a televisão por si própria e pelos visionamentos no computador, pois os canais televisivos ainda não programam as séries mais recentes com a agilidade devida, "obrigando-me" a recorrer a outros meios para as ver . Um excelente exemplo disso é Gossip Girl, actualmente a exibir a 6ª série nos EUA e cá nem sequer a 5ª ainda passou! O mesmo com Doctor Who, se eu fosse esperar pela BBC Entertainment ou pelo Sy-fy apanhava com um monte de spoilers, mesmo que evitasse o tumblr ou o twitter durante meses, e teria de esperar quase um ano ou mais para a ver... Por outro lado tenho estado a ver Downton Abbey na Fox Life, quase em simultâneo com a sua estreia no Reino Unido e apanhei um ou outro episódio de Don't Trust That Bitch in Apartment 23, que adorei e irei ver a eito em breve. Também vi uma série, Jane by Design, por curiosidade. Bonitinha, mas nada mais que mais uma série de adolescentes sem grande coisa a apontar (para variar cancelada com um cliffhanger) e de repente fiquei um bocado agarrada a Castle. Gosto do humor mordaz da série . Para além destas séries vou sempre vendo Criminal Minds, dando um olhinho a The Mentalist, C.S.I, C.S.I NY, às vezes No Reservations (Anthony Bourdain põe-me bem disposta... sempre!), os programas de Jamie Oliver e Nigella Lawson (cabra! ), pondo alguns filmes em dia nas madrugadas da RTP1, Fox Movies, AXN White ou Hollywood e acompanhando as novelas da Globo do momento: Fina Estampa, Gabriela e Avenida Brasil.

Sim, ultimamente até tenho visto bastante televisão, vá lá!

PS - foi há 4 anos que também chegou a minha primeira boneca Blythe, algo que agarrou pelas orelhas parte do meu mundo criativo. Parabéns a ela também!

23 novembro 2012

Já só falta um, Doctor


Hoje o Doctor está mais uma vez de parabéns, 49 aninhos desde An Unearthly Child, o primeiro episódio de Doctor Who a ser exibido, a 23 de Novembro de 1963 na BBC. CONGRATULATIONS!

Por acaso acabei de ver há pouco, não graças às emissões na TV, a primeira metade da sétima série de Doctor Who, com o Eleventh Doctor. Para variar com as séries dirigidas por Steven Moffat, adorei o primeiro episódio (DALEKS! ), adorei a promessa que deixou, mas o resto esmoreceu um bocado. Gostei da introdução de Brian, o pai de Rory (Mark Williams, o actor que fez de Arthur Weasley nos filmes de Harry Potter) mas, apesar do potencial interessante, achei a saída de Amy e Rory um bocado forçada. Não sei, durante quase toda esta metade da série já dava claramente a entender que eles iam acabar por se afastar e depois ter acontecido como aconteceu, pareceu uma tentativa de despedida tipo Ten e Rose, mas sem 1/10 do drama e tensão emocional...

De qualquer modo a nova companheira promete, e muito e estou entusiasmada com o especial de Natal e depois com a segunda metade da série. Espero que a nova companheira refresque o ar na TARDIS .

Doctor Who

26 outubro 2012

Pensar, Professor, pensar...

Francisco Lombardi como Professor Astro/Herculano Quintanilha
Para comemorar os seus 60 anos a TV-Globo resolveu investir em dois remakes de luxo de duas novelas de sucesso: O Astro e Gabriela. Quanto a Gabriela já me pronunciei acerca da escolha no post anterior e hei-de me pronunciar eventualmente quando terminar. Só posso dizer que continuo a concordar com o que disse antes. Levei tempo a comentar O Astro pois queria que a série terminasse (tem consideravelmente menos episódios para considerar uma novela à escala da Globo) e também estava muito atarefada com o mundo real.

Janete Clair é, para mim, uma das grandes autoras de melodrama, junto com o maior ainda Douglas Sirk, mas sempre achei que o formato telenovela e a época em que foram produzidas não fazia justiça ao texto por adicionar demasiado lixo visual e fazer render o peixe. Um remake de luxo, com a condensação da história, poderia ser uma boa aposta e, para mim, n'O Astro foi um sucesso.

Lembro-me razoavelmente bem da primeira versão d'O Astro, com Francisco Cuoco no papel de Professor Herculano Quintanilha e com Tony Ramos na época em que por sabe-se lá porquê era considerado um galã... Acho Tony Ramos um bom actor e gosto particularmente de o ver a fazer comédia, mas galã? Dificilmente... No geral O Astro dos anos 70 era uma novela pirosa, cheia de maneirismos e canastões. A intriga era empolgante, as personagens, embora um pouco exageradas, convincentes, mas a qualidade da produção demasiado datada e colada a uma estética popularucha que facilmente cansa até mesmo o maior fã do kitsch. No geral, muito devido à narrativa e o bom desempenho de alguns actores, acabou sendo uma novela que levou-me a querer vê-la até ao fim, desenrolar toda a intriga, mesmo que o "mocinho", como os brasileiros dizem, não correspondesse de todo à imagem ideal do galã.

O remake tem logo um trunfo, a possibilidade de fazer uma produção mais refinada, com uma realização apurada e sofisticada que a Globo foi aprendendo e conquistando. Nesse aspecto funcionou às mil maravilhas! Os meios de produção e a estética urbano-sofisticada adoptados servem na perfeição a narrativa mega-dramática, cheia de peripécias e acontecimentos marcantes. O ruído visual da novela dos anos 70 acabava por camuflar a narrativa, definitivamente brilhante de Janete Clair. A escolha do elenco foi perfeita, colocaram muitos actores, todos eles muito bons, em personagens atípicas, como Alinne Moraes a fazer Lili, uma rapariga suburbana e pouco erudita, tipo de personagem que acho que nunca fizera antes, ou Marco Ricca, que normalmente faz personagens simples, duras ou boazinhas para o sofisticado vilão Samir Hayalla, ou ainda irem buscar Regina Duarte para fazer uma Clô Hayalla magnífica. As outras escolhas, Rodrigo Lombardi, como Herculano, num desempenho surpreendente, Carolina Ferraz, uma escolha quase óbvia para Amanda, já que Dina Sfat é tão difícil de substituir que nem a filha Bel Kutner tem coragem para lhe calçar os sapatos, Thiago Fragoso, um bom actor com o aspecto físico certo para Márcio Hayalla, suficientemente bonito para ser o galã mas com o ar frágil e sensível de Márcio e o regresso de Daniel Filho, que nos últimos anos se tem dedicado essencialmente à realização, como um excelente e assustador Salomão Hayalla.

Gostei imenso do subterfúgio usado para os encontros de Herculano com Amanda, tornando a relação deles intensa e mística, que, correndo o risco de não funcionar e ficar artificial, teve o resultado oposto e o artificialismo da "transmissão de pensamento" resultou numa empatia muito íntima entre os dois. A meio da série, talvez de forma premeditada, o efeito foi diminuído para no final voltar maior que nunca, enfatizando as fases da relação de ambos e o facto que são destinados um ao outro para todo o sempre.

Todo o lado fantástico da série, as visões de Herculano com o seu mentor Ferragus (Francisco Cuoco), os "encontros" telepáticos de Herculano e Amanda e o ocasional poder mágico de Herculano, foram tão bem doseados e integrados na intriga que me pareceram plausíveis. Gosto quando as novelas da Globo usam tão bem o "suspension of disbelief", coisa que é raro ver bem feito em televisão, muito menos em telenovelas.

A única coisa que me enervou um bocado foi a aparente dificuldade em condensar a história num formato de série. Muitas vezes parecia que acontecimentos chave se sucediam uns aos outros, que as elipses eram mal resolvidas. Um exemplo: num dia Salomão Hayalla é assassinado e aparentemente logo no dia seguinte Clô é cortejada e casa-se com Samir. Essas elipses mal resolvidas fizeram com que as intenções de algumas personagens nunca fossem muito claras, pois pareciam demasiado volúveis. Senti isso com Clô, com Amanda, com Márcio, Lili e Valéria. Também houve poucas pausas narrativas e as pausas e silêncios são extremamente importantes para o ritmo de uma narrativa.

Gostei muito de ver este Astro e gosto de pensar que Janete Clair iria gostar também. Só tive realmente pena de nunca ter ouvido a frase: "Pensar, Professor, pensar..." por Valéria, a assistente de palco do Professor Astro.

O Astro

13 junho 2012

Oh não, remakes!

Acabei de saber que ainda este mês estreia no Brasil um remake da novela Gabriela, adaptada do livro de Jorge Amado e um clássico televisivo.

Em geral sou contra remakes, o que não significa que não dê o braço a torcer e admita que nalguns casos valeu a pena. Um deles foi outra novela, a Ti Ti Ti. Mas se em Ti Ti Ti a novela beneficiou com a actualização, a Gabriela dos anos 70 é uma novela perfeita.

A razão porque sou contra remakes, sejam eles televisivos ou em cinema, é porque com o hype que se cria à volta do novo produto, nestes tempos de divulgação a 100 à hora, a obra original perde-se e cai muitas vezes no esquecimento. Aconteceu por exemplo com O Sítio do Picapau Amarelo, cuja versão dos anos 70/80 era claramente superior à dos anos 2000, com o filme The Thing, de que só se fala da versão de John Carpenter, a Guerra dos Mundos, The Haunting (o meu filme de terror preferido), cujo remake é medíocre apesar dos bons actores, e muitos outros remakes de filmes de culto série B, quem nem uma miserável edição em DVD mereceram após terem sido sobrepostos pelos remakes. Outra razão é que infelizmente na grande maioria dos casos os remakes ficam aquém dos originais, muitas vezes perdem em história, ganham em exagero de efeitos especiais e maus actores contratados porque são vedetas.

Em Gabriela, que revi há poucos anos em cor gloriosa e não perdi um episódio, tudo é perfeito: a história, o modo como está dividida entre os episódios, o número de episódios que não é exagerado, a ausência de "palha", os actores, muitos deles actualmente grandes veteranos com imenso sucesso, a fotografia, a banda-sonora, os figurinos, as piadas, tudo!

É mais que óbvio que vou ver se estrear, provavelmente vai, em Portugal, mas vou ter saudades da Sónia Braga, da Dina Sfat, do Armando Bogus, da Elisabeth Savalla (ai a Malvina!), do Paulo Gracindo, do Fúlvio Stefanini (o Tonico Bastos) e tantos outros actores, um casting perfeito para os seus papéis. Gabriela é uma novela tão bem feita que não envelheceu, tão bem escrita que quase 40 anos depois uma pessoa ainda se empolga com o decorrer dos episódios, mesmo sabendo o que vai acontecer, tão bem encenada que não sentimos nos actores maneirismos artificiais ou datados. Não duvido que esta versão seja uma produção cuidada, a Globo raramente falha nesses parâmetros, mas o modo como as novelas se produzem actualmente tira a coesão e uma certa pureza que tinha a produção dos anos 70, faz render o peixe e valoriza aspectos pouco importantes por razões exteriores à narrativa.

A grande diferença de ver a versão dos anos 70, a primeiríssima novela brasileira a estrear em Portugal, que foi descobrir uma máquina de produção magnífica, ainda por cima na nossa língua. Rever a novela foi redescobrir actores, que entretanto se tornaram caras conhecidas e perceber que merecem o sucesso obtido, foi perceber que a novela tem excelente qualidade, é, de certa forma, intocável. Ver esta nova versão vai ser inevitavelmente decepcionante, seja porque as expectativas são muito altas, seja porque se embirra com determinado actor, a comparação será sempre injusta e dificilmente, por melhor que esta adaptação seja, chegará aos calcanhares da anterior.

Gabriela - TV Globo

09 junho 2012

Crónica Marciana


Ray Bradbury, o escritor de ficção-científica que me viciou em ficção-científica deixou-nos há uns dias.

Ray Bradbury não é apenas importante como escritor, mas também pela sua contribuição para cinema e televisão. Nas décadas de 50 e 60 era comum autores de ficção-científica contribuírem com contos ou adaptações para as inúmeras séries de TV de ficção-cientifica existentes, tais como Hitchcock Presents ou  Twilight Zone, onde Bradbury foi dos mais prolíficos. Foi quando tinha acabado de ler As Crónicas Marcianas (The Martian Cronicles, edição da Caminho Ficção-Científica) que me apercebi disso, pois repunha na RTP2 a Quinta Dimensão. Era muito nova para ter visto a série quando estreou, mas já era adolescente quando repôs e a engolir ficção-científica aos magotes. Naturalmente que reconheci diversas vezes autores das histórias da Twilight Zone, entre eles o meu preferido de então, Ray Bradbury.

Alguns anos mais tarde estreou, acho que na RTP1, o Ray Bradbury Theater, onde o próprio adaptava e apresentava cada episódio. Nessa altura já era o seu nome que me levava a ver a série. Anos antes, antes de saber quem era esse autor chamado Ray Bradbury, vi o filme de François Truffaut, Fahrenheit 451, adaptado de um livro de Bradbury com o mesmo nome, que me impressionou muito. Até hoje e infelizmente ainda não li o livro.

São inúmeras as adaptações a TV e cinema, não vou sequer enumerar as que vi, mas é de salientar a enorme importância que Bradbury teve no desenvolvimento e popularização da ficção-científica a sério nestes meios. Para mim, mesmo sendo fã incondicional da ficção-científica em qualquer meio, é na literatura que o género se revela no seu melhor e foi com literatura de ficção-científica que cresci a ler.

Sr. Bradbury, tiveste uma vida muito rica, partilhaste-a com o mundo inteiro, foste uma das grandes influências desta modesta blogger. Espero que te divirtas na Cidade Fantástica.

Ray Bradbury

09 abril 2012

O mistério de Downton Abbey


A SIC foi elogiada pelo jornal Público por finalmente apostar em séries de qualidade ao anunciar a exibição de Downton Abbey. Creio que a maioria dos espectadores portugueses se perguntou intrigada porque não na RTP2, o canal que em geral passa este tipo de séries.

Pois a SIC claramente nunca soube o que tinha em mãos, comprovou-o com uma sucessão de erros:
- estreou a série cerca da meia-noite coisa que, por exemplo,  para a minha mãe, que adora este tipo de séries, foi um sacrifício;
- anunciou pouco Downton Abbey, uma das séries mais elogiadas no mundo;
- anunciou a série, como "as divertidas intrigas de Downton Abbey", qual é a parte da palavra drama que eles não percebem?;
- rapidamente passou Downton Abbey para a 1h da manhã, cujos episódios têm mais que uma hora e é uma série curta, de 7 episódios.

O que é realmente uma pena!

Downton Abbey fez renascer um tipo de séries muito popular nos anos 70 e 80 a que em geral se chamavam as "séries da BBC" em Portugal. Séries essas, A Família Bellamy (Upstairs Downstairs), Reviver o Passado em Brideshead (Brideshead Revisited), entre outras, que marcaram para sempre o público de então. Produções de época que abrangem a Era Victoriana até à II Guerra Mundial, de um rigor histórico sem igual, que pontuavam entre a intriga do dia-a-dia e escândalos sociais até questões mais sérias como ambas as Guerras Mundiais ou grandes mudanças sociais. Estas séries revelaram imensos actores britânicos, agora sobejamente conhecidos tais como Jeremy Irons ou mesmo a Dowager Countess de Downton Abbey, Dame Maggie Smith, mais conhecida como Professor McGonagall de Harry Potter.

Isto tudo leva-me a acolher de braços abertos Downton Abbey, torcer pelo Mr. Bates, pelo Cousin Matthew, achar Daisy deliciosa, rir-me com as magníficas deixas da Dowager Countess e deleitar-me com todos aqueles rituais de um mundo que já não existe prestes a enfrentar mudanças sem volta. Como sempre, apesar de ser produzida pela ITV e não pela BBC, a produção é sem mácula, o guarda-roupa impressionante, a história viciante e o desempenho dos actores intocável.

Felizmente que actualmente já não se tem de depender de canais a meia-haste como a SIC para ver estas maravilhas da televisão de forma legal e consegui gravar a 2ª série na FOX Life da qual já vi 5 episódios desde sábado. A única transição da primeira para a segunda série é o rebentamento da I Guerra Mundial, de resto podia ser tudo uma única série pois claramente foram planeadas como um todo.

Downton Abbey
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