TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

25 novembro 2016

Bloganiversário!

12 anos! Há 12 anos que criei o TV-Child e apesar da pouca actividade nos últimos anos, o blog não está morto... só moribundo ;D  A vida real tem me mantido um bocado afastada da blogosfera, também tenho tido alguma dificuldade em ver tanta televisão como de costume e tive alguns percalços que contribuiram para esta ausência.

Há cerca de um ano que o local onde alojava as imagens deste e dos outros blogs morreu, mas como já não usava o email correspondente, não tive qualquer tipo de aviso. Conto em breve voltar a tê-las online, mas é um trabalho moroso que ainda não tive disponibilidade de atacar como deve ser. Até lá, as minhas desculpas por o layout andar um bocado coxo.

Mais recentemente a minha TV avariou. A grandalhona já está avariada há uns 3 anos e agora com a avaria desta, estou sem televisão funcional e com um cemitério de televisões em casa :( Felizmente que nesta época tecnológca de boxes, wifi e internet de banda larga tenho podido ver TV, com limitações, através do PC, e conto em breve ter finalmente a minha primeira TV sem ser de cinescópio.

Quanto ao Doctor Who, decidi não blogar ontem, pois para além de a série estar num hiato e de eu gostar muito de Peter Capaldi como 12th Doctor, Steven Moffat, com a sua mania de explicar tudo, esmoreceu um bom bocado o meu entusiasmo pela série moderna. Mas como agora a direcção da série vai mudar de mãos, espero ganhar novo entusiasmo. Happy 53rd, Doctor!!


16 novembro 2016

Da Liberdade Criativa

Liberdade, Liberdade é uma daquelas novelas/séries brasileiras feitas para o Emmy. Em Lado a Lado resultou tão bem que realmente venceu o Emmy Internacional para a Melhor Novela. Este tipo de produção parte de uma inspiração histórica, com temas directamente ligados a períodos-chave na história do Brasil, a independência e a abolição da escravatura, respectivamente, unidos por uma trama com personagens de ficção, vagamente inspirados em personagens ou acontecimentos reais.

Enquanto que Lado a Lado conseguia ser mais lúdica na abordagem da transição para o modernismo e estava estruturada como uma novela normal, incluindo vários núcleos, como o clássico cómico como elemento de descompressão, Liberdade, Liberdade, na sua abordagem grave à luta pela indpendência do Brasil, é à partida mais desequilibrada, desconjuntada e difícil de digerir. Mas tratando-se de uma ficção, baseada em factos históricos, mas sobretudo uma ficção, não vou criticar muito por aí. A premissa é boa, a história de uma suposta filha do Tiradentes que serve de charneira para contar parte da história da independência do Brasil, dos Inconfidentes e do estado de Minas Gerais.

A liberdade criativa a que me refiro tem mais a ver com escolhas da direcção artística da novela, na sua grande maioria um pouco questionáveis.

Para começar: tanto banho que eles tomam! Numa época, início do séc. XIX, em que é sabido que se tomava um banho por mês, talvez um por semana, em que o fedor era disfarçado, por quem podia, com perfume e maquilhagem, os protagonistas desta novela tomam banho quase todos os dias, nobres ou ladrões. Eu sei porque é que estas cenas existem, é uma tentativa de apimentar a coisa com cenas de nudez (e sexo - sexo vende), e mostrar amiúde o belo traseiro de Mateus Solano (nham!), entre outros. Mas é inverosímil e ainda por cima inconsistente com a constante sujidade nas faces das personagens, um cuidado que foi decidido pela equipa de caracterização e maquilhagem da novela (ver site oficial).

Nem vou me alargar pela banda-sonora, que varia entre sons medievais entre o povo, o mesmo cão a ganir constantemente e valsas posteriores à época retratada.

Depois temos um guarda-roupa muito inconsistente e historicamente a atirar para todos os lados. O conceito do guarda-roupa feminino parece saído da mente de uma menina de 10 anos que se quer mascarar de "dama antiga" no Carnaval.

O guarda-roupa masculino é mais coerente, mesmo sendo muito mais fácil isso acontecer por a moda mudar mais lentamente que a feminina. Temos casacas do final do séc. XVIII a conviver com colarinhos levantados do período Império, que é plausível, dado estarmos numa província além-mar de Portugal, que nunca primorou por estar na vanguarda da moda, muito menos a masculina. Aqui, fora um ou outro detalhe, gosto das opções da equipa da novela e não me fazem confusão.
As roupas dos escravos ou população pobre em geral estão plausíveis q.b., utilizando o algodão, linho e lãs, em tons de terra e silhuetas simples. Fora, mais uma vez, um ou outro detalhe e talvez roupas de escravos demasiado maltrapilhas ou rasgadas, também não me chateiam.

Mas é no guarda-roupa feminino que a porca torce o rabo. Temos figurinos que abrangem um período na moda de quase 100 anos, o que mesmo com os atrasos previsíveis não é plausível. Vou contextualizar um pouco. No final do séc. XVIII e início do séc. XIX, um período de transição na moda, foi introduzida com as invasões napoleónicas e a sua utopia de um novo Império Romano, a silhueta Império de vestidos diáfanos de cintura subida, de inspiração romana. Dado a novela se passar na província do Brasil, na cauda da possível vanguarda da moda, é normal que famílias há muito sediadas em Minas Gerais, ou nas gerações mais velhas, se vejam com frequência silhuetas séc. XVIII. O que não é plausível é ver-se em mulheres nobres, vindas directamente de Paris ou mesmo de Lisboa, Robes-de-sac, os vestidos séc. XVIII que têm uma espécie de capa nas costas, do início a meados do séc. XVIII. Isto era o que se usava no final do séc. XVIII e era isso que eu esperava ver nas gerações mais velhas da nobreza ou classes abastadas da novela. Nas gerações mais novas esperava ver muitos algodões, linhos, talvez algum organdi e umas golas de renda, em silhuetas Império ou na fase anterior, coisas como Chemise à la Reine ou semelhante. Exemplos como estes. Ainda por cima no Brasil, com um calor dos diabos! Em vez disso vejo imensos híbridos, que não são nem carne nem peixe, que não seguem corrente de moda alguma, que são uma mistura de materiais estranha ou muito à frente da sua época, com chiffons, veludos, rendas elaboradas, pedrarias, silhuetas cintadas que mais fazem lembrar o final do séc. XIX e não o seu início.

Percebo que queiram apresentar arrojo e sensualidade à protagonista Rosa//Joaquina, doçura e romantismo à sua irmã/acompanhante Bertoleza ou desajuste espampanante a Branca. Fora Branca, que é a única jovem de origem abastada onde permitiria alguma margem, devido a ser um bocado louca, deslumbrada e fantasista, onde é que na moda do início do séc. XIX não há sensualidade, com tecidos transparentes e decotes generosos, ou romantismo em saias diáfanas e a possibilidade de muitas decorações florais. Os fatos tanto de Rosa como de Bertoleza são demasiado modernos, nos materiais como nas silhuetas e isso enervou-me tanto que me distraiu do principal, da narrativa. Nem os achei particularmente bonitos, eram demasiado vestidos de noiva para o meu gosto. A única personagem com uma silhueta Império correcta foi a Princesa Carlota Joaquina, se bem que com chiffon e pedrarias a mais para o meu gosto. Mas perdoo-lhes, ela era uma desbragada.

Os cabelos também sofrem da clássica falta de ganchos, como se queixam constantemente as moças do Frock Flicks, e uma ausência de chapéus ou toucas chocante para a época, especialmente os de Branca Farto, mas as perucas são muito boas e convenientemente decadentes.

Por fim temos o bordel, que é onde a imaginação vai de rédea solta. Lá temos uma conjugação de farrapos com materiais e cores nobres, caros e difíceis de arranjar, como veludos e cores intensas e escuras, com corpetes vitorianos e elementos steampunk... pois. OK, as prostitutas, tal como os bandidos, podem ser mais fantasistas, mas que haja alguma consistência. A moda-bordel pelos vistos é sempre igual, seja no séc. XVIII, XIX ou anos 20 (ver a nova versão da Gabriela).

Caramba, com os materiais que o Brasil tem, os meios topo de gama da Globo, decerto um exército de costureiras, um orçamento generoso, uma pesquisa fácil de fazer, não percebo esta tentativa de "realismo" muito pouco realista. Eu tenho imensa pena, pois os brasileiros da Globo já foram muito melhores nisso, já tiveram uma preocupação histórica muito mais séria, mesmo que por vezes implicasse os inevitáveis cetins de poliéster dos anos 80, que no vídeo NTSC ainda pareciam mais ofuscantes.

Contudo, gosto imenso de o Brasil andar a querer contar a sua história, mesmo que de um modo algo fantasista, mas gostava de ver maior coerência histórica, visual e entre equipas.

Liberdade, Liberdade

08 março 2016

5 Gajos Bons 2016

Depois de muito dar a volta à cabeça, ver as séries que tenho na box gravadas, ver listas de reposições a dar na TV, de até fazer uma lista preliminar, mas a meia-haste, dos meus 5 Gajos Bons no ar na TV a 8 de Março de 2016, este ano decidi não fazer lista!

Não deixei de ver TV, até recorri às telenovelas brasileiras, que em geral têm um bom stock de gajos bons, mas este ano a crise parece que atingiu os gajos bons também. Todos os gajos bonitinhos são demasiado deslavados e os outros... até podem ser bons actores, ter carisma, etc. etc., mas não se qualificam.

Para compensar, deixo-vos dois vídeos de outro gajo bom, mas da música, que sabe bem que o é!


29 fevereiro 2016

88 Oscars Politicamente Correctos - Parte II?

Para variar não vi quase nenhum dos filmes nomeados e muito provavelmente não irei ver a grande maioria, a não ser que passem na TV num sábado à tarde de ronha. Portanto, comecemos com o Red Carpet.

Saoirse Ronan
Este ano nenhum vestidinho me deixou de queixo caído, não houve grandes extravagâncias. As tendências foram, entre muitas, o bling da lantejoula, um bocado anos 70, e uma espécie da badana/folho horroroso, que fazia lembrar a cauda da Ariel, nalguns vestidos. Mas ao menos foi colorido. O meu preferido e o único que me saltou aos olhos, era simples, mas muito elegante: Saoirse Ronan, num dos blings de lantejoulas anos 70, em verde escuro. Os meninos sim, foram muito para o smoking de veludo. Também muito anos 70, mas com corte anos 60. Gosto.

Gostei do cenário dos Oscars, mais uma vez de inspiração Art Déco. Desta vez com muitos raios dourados e as estátuas do Oscar a fazer lembrar Budas dourados. A cerimónia está cada vez mais resumida, mas não mais curta, e os agradecimentos em rodapé tiram-lhe espontaneidade. Mudaram a ordem de entrega dos prémios, para uma "suposta" ordem de produção de filmes. Tudo bem, é-me indiferente. As caixas de texto com os nomes e filmes dos vencedores eram demasiado pequenas,  principalmente para quem, como eu, tem uma TV de 15', que aliás a SIC Caras fez o favor de cortar, não fazendo resize para ecrãs 4x3. Há quem não tenha carcanhol para uma LCD toda xpto, OK? A Cavalgada das Valquírias numa orquestração delicodoce para calar os vencedores? Não gostei.

Chris Rock sempre anima um bocado as coisas e a cerimónia foi menos aborrecida que o ano passado. Neil Patrick Harris até teve direito a uma boca relativa a isso. As piadas foram passando pela ausência de nomeados negros e, para compensar e ser politicamente correcta, a Academia lá pespegou muitos apresentadores negros. Os números musicais perderam o brilho de então e como, também para variar as canções nomeadas não me dizem nada... meh.

Nas nomeações só torci por Sandy Powell, nomeada duas vezes para Melhor Guarda-Roupa, mas mesmo assim não ganhou. Mad Max Fury Road ganhou uma catrefada de prémios, mas fugiram-lhe os grandes: Melhor Actriz, Melhor Actor, Melhor Realizador e Melhor Filme. Para variar a longa de animação foi para um filme em 3D, de quem? Da Pixar! Foi preciso estar em vias de bater a bota para finalmente darem um Oscar ao Maestro Ennio Morricone. Vergonha! Foi singelo o In Memoriam, com Dave Grohl na guitarra acústica, mas esqueceram-se do Oliveira e do Rivette... e gostei do discurso de DiCaprio, mas acho que só gostei mesmo dele no primeiro filme que vi: Gilbert Grape.

E lá se passou mais uma cerimónia de entrega dos Oscars, onde cada vez mais parece tudo encenado e comprado. Nem os discursos ou apresentações mais engraçados o são o suficiente para disfarçar a falta de idoneidade. Enfim, para o ano cá estarei, mas o nível de atenção é directamente proporcional ao nível de artificialismo da produção. Tenho a certeza que os Oscars andam a perder público mais depressa que o Doc Lisboa. Os Golden Globes são tão mais interessantes!

18 janeiro 2016

*trufas

Oh meu deus! Em Arrow alguém traduziu trifles por trufas!!! Nem vou comentar mais, esta é demasiado triste.

trifle
trufa

20 dezembro 2015

O que aconteceu ao "já vou!"?

Ultimamente, nas legendagens e dobragens televisivas, a expressão inglesa "I'm coming!" ou "coming!" tem sido sistematicamente traduzida por "estou a ir!". Mas que raio aconteceu ao "já vou!"?

Não estou com paciência para maçar ninguém com detalhes linguísticos, mas "estou a ir" soa mal é mais comprido do que "já vou" e o "já vou" era, até à chegada de tradutores preguiçosos, a expressão usada quando uma pessoa chama outra e a 2ª pessoa responde "já vou!".

Ninguém diz estou a ir... Em defesa do já vou! e de um português coloquial mais realista na televisão!

24 novembro 2015

É Hoje!

O TV-Child faz anos hoje. Não tenho tempo para mais nada.
PARABÉNS!

17 outubro 2015

*bucolismo

Um agente avisa Felix Leiter, em Quantum of Solace: "vais apanhar bucolismo." por estar a beber água no Haiti.

No dia em que o botulismo for bucólico, avisem-me!!

botulismo
bucolismo

31 março 2015

*liteira

Há mesmo muito tempo que não ouvia uma divertida o suficiente para adicionar uma entrada ao meu TV-glossário, mas esta é hilariante tanto no desconhecimento do inglês, de onde seguramente foi feita a tradução, como na ignorância do português!

No episódio 31 do anime Hamtaro, que passou há algum tempo no Canal Panda, os hamsters lidam com um gatinho perdido e um deles, preocupado com a logística, pergunta qualquer coisa como: "como fazemos com a liteira?" De chorar a rir!!!

OK, está na hora da explicação. Caros senhores tradutores de desenhos animados no Canal Panda e afins: vocês têm responsabilidade redobrada de não fazer más traduções, mas pelos vistos nem vocês, nem o canal/distribuidora querem saber. Liteira é uma espécie de veículo/cabine, tipicamente transportada por dois homens (um à frente, outro atrás), usada por pessoas de classes altas, ou de posses na antiguidade. Não me vou alargar mais com este tópico, até porque pouco ou nada percebo de liteiras, apenas sei o que são. Parto do princípio que o texto de onde esta brilhante tradução se baseia será, por sua vez, uma tradução em inglês do original japonês. Também parto do princípio que o termo em questão seria litter box ou litter tray, e essa sim está directamente relacionada com o tratamento diário de um gato de estimação, a caixa de areia, ou areão. Aliás, litter significa lixo. Disso percebo um pouco mais, já que tive gatos durante vários anos...

De qualquer modo creio que certos gatos não se importariam nada de ser transportados numa liteira.

liteira
litter box

08 março 2015

5 Gajos (Meio) Bons 2015

Ui, isto este ano está difícil... Tenho visto pouca televisão, a maioria são as séries do costume e telenovelas brasileiras, de onde aparentemente os meus gajos bons preferidos tiraram férias. Portanto este ano a lista é de segundas escolhas e recorri à melhor fonte de gajos bons de sempre, as novelas da Globo. Mas isso não significa que não goste de os ver no écrã, só o nível de baba é que é consideravelmente menor.

1. Brandon Routh
O Ray Palmer da 3ª temporada de Arrow é engraçado, interessante, tem carisma e muito potencial. Gostei dele no Superman Returns e, segundo a filmografia já vi 2 ou 3 coisas com ele antes, mas só nesta série, talvez pela repetição ou porque gosto da personagem, é que me chamou a atenção.

2. Anthony Bourdain
Sempre gostei de Anthony Bourdain, do seu lado provocador, subversivo e desbocado, aliado a um conhecimento vasto e inteligência. Vi o No Reservations de fio a pavio e actualmente estou a acompanhar no 24h Kitchen o Parts Unknown. Quanto ao lado "gajo bom", Bourdain é daqueles homens como o vinho, aprimora com a idade. Mesmo assim, as razões de ele estar aqui continuam a ser mais intelectuais que outra coisa.

3. Bruno Garcia
A recente estreia da novela disco brasileira Boogie Oogie na Globo trouxe algumas carinhas larocas e o único repetente neste pódium. Admito que Bruno Garcia não está assim tão sexy e a personegem dele, Ricardo Fraga, não é das com maior proeminência, mas é sempre um prazer revê-lo e eu precisava de candidatos.

4. Marco Pigossi
Este menino já me chamou bastante a atenção por ser um excelente actor e também por ser um belíssimo par romântico. Apesar do seu começo como "bichinha de serviço" em Caras e Bocas, onde estava fantástico, ele fica óptimo como menino bonzinho. O seu Rafael em Boogie Oogie (uma espécie de continuação do Bento de Sangue Bom) deu-lhe o lugar no pódio.

5. Lázaro Ramos
Mais um brasileiro e um actor que admiro há alguns anos. Em Lado a Lado é capaz de ter um dos papéis da sua vida em novelas, mas sendo o excelente actor que é, creio que quase todos o são. Os seus olhos pestanudos e carisma inato trouxeram-no aqui.

23 fevereiro 2015

87 Oscars - A Invasão Britânica

Marion Cotillard, em Dior e Lupita Nyongo, em Calvin Klein

Este ano os Oscars foram marcados pela mudança de armas e bagagens da TVI para a SIC e a SIC Caras e Doogie Houser, perdão, Neil Patrick Harris como apresentador pela primeira vez. Como na SIC era com comentários e na SIC Caras era sem, mais vale dar uso ao canal, pois apesar de as apresentações dos Oscars terem melhorado nos últimos anos e de Rui Pedro Tendinha perceber de cinema, não suporto Rita Cerveira e não fico acorada madrugada fora para ouvir comentários inoportunos ou trivia que já sei. Prefiro ouvir o original.

Acho que ontem foi a primeira vez que vi um programa da SIC Caras (produção própria - Passadeira Vermelha) do princípio ao fim e posso dizer que foi cedo demais! As alarvidades que aquela gente diz, não fazem o mínimo de pesquisa, não sabem nada dos filmes e menos ainda de cinema... argh! Charade não é realizado por Hitchcock, Emma Stone é uma loira natural (apesar de ficar melhor ruiva), Ana Marques: Ralph Fiennes pronuncia-se 'Reif Faines', Salma Hayek, e não Penelope Cruz, interpretou Frida e coisas bem piores! Já para não falar que o gosto deles por moda é clássico, aborrecido e previsível.

A passadeira vermelha, versão SIC Caras, foi aborrecida e incompleta. Não percebi o que andava a fazer Rita Seguro em Los Angeles, não adiantou rigorosamente nada ao serviço, ela claramente não tinha autorização para nada. Ou Carolina Patrocínio a comentar mal e porcamente, sem profissionalismo nenhum, as vestimentas das meninas nos intervalos. Por mais histriónico que seja o canal, e irritantes que sejam os apresentadores, dêm-me o E! sempre! Aliás a diferença é gritante, de cerca de uma hora para 3 horas e meia...

Vá, vamos ao que interessa, as farpelas.
Gostei muito do Dior de Marion Cotillard, muito Balenciaga, anos 60. Esta menina nunca desilude. Adorei o fato grená de David Oyewolo, pontos para uma cor invulgar nos homens que fica lindamente no tom de pele dele. As perolas de Lupita Nyongo (Calvin Klein!!). Da simplicidade de Cate Blanchett (we're not worthy!). Do salmão muito Halston de Anna Kendrick. Margot Robbie, quem quer que seja ela, muito elegância anos 70 x anos 30. Do veludo azul de Common (não faço ideia). Do rosa-algodão-doce assimétrico de Gwyneth Paltrow. O verde diáfano de America Ferrera (a quilómetros da Ugly Betty). E o vestido de Rita Ora durante a cerimónia.
Não gostei da "parede de tijolos suja" (citando uma blogger do tumblr) de Naomi Watts, daquela coisa de Lady Gaga, pois não era nem carne nem peixe. Se ela vai "aparecer" é melhor que use algo mesmo extravagante do que aquilo que não era nem extravagante nem elegante. O lenço de assoar bordado de Keira Nightley. Laura Dern, onde foste buscar essa franja?? Aos anos 80? O vestido era giro.
Demasiados nudes (argh!), muitos brancos, muitos vermelhos, homens em cor, verdes, mas no geral nada verdadeiramente marcante.

Tinha algumas expectativas para Neil Patrick Harris, ele tem trabalhado muito em musicais, ganhou vários Tonys, apresentou vários Tonys, mas a cerimónia, fora a ocasional piada atrevida e apresentar um prémio de cuecas (citação de Birdman), foi muito aborrecida. Ellen, volta, que estás perdoada!
Mas gostei muito do cenário de pirilampos e da homenagem ao Sound of  Music, mesmo achando que também deviam ter trazido os Von Trapp do filme ao palco, Lady Gaga tem voz para aquelas canções e foi engraçado vê-la tão emocionada abraçar Julie Andrews.

Tantos Brits nos Oscars! Nomeados, apresentadores, convidados, equipas técnicas: Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne, Rosamund Pike, Felicity Jones, Julie Andrews, David Oyewolo, and so on, and so on. É impressionante como o British accent está na moda nos EUA e como muitos filmes nos Oscars ou são produção britânica ou europeia. Parabéns Milena Canonero, mereces sempre o Oscar! The Grand Budapest Hotel ainda é "fora" demais para receber mais que Oscars de design de produção, mas mesmo assim fico contente. Os Oscars para Actor, Eddie Redmayne, Actriz, Julieanne Moore, Realizador, Alejandro Gonzalez Iñárritu e Filme, Birdman, foram completamente previsíveis. Se tivesse apostado, tinha ganho qualquer coisinha.

Pois é, este ano os Oscars foram um bocado meh... para o ano têm de apimentar um bocado a coisa.

Oscar.com

23 setembro 2014

O Rebu

Ultimamente tenho notado um esforço da Globo para dar o salto da novela popular, com centenas de episódios para séries sofisticadas à americana. O remake de O Astro foi um exemplo e o novo remake, de uma novela que não passou cá, O Rebu, rebu vem de reboliço, mostra uma evolução interessante.

A produção de O Rebu é sofisticada (check), tem um elenco de primeira (check), um cenário de luxo (check), uma banda sonora meticulosamente escolhida, que equilibra a MPB com canções internacionais cool, New Order, Amy Winehouse, etc., (check), uma mise-en-scène de câmara à mão e planos de sequência (check), uma fotografia polida com uma paleta de cores frias (check) e uma montagem fluída (check). O que ainda falha e continua a ser o calcanhar de aquiles destas produções é o modo, ou o formato, como a narrativa é contada.

Apesar de uma história interessante, um whodunnit numa festa louca e cheia de luxo, num cenário de sonho, personagens complexas e narrativas secundárias que despertam alguma curiosidade, o seu desenvolvimento ainda demonstra a dificuldade em sair do formato telenovelesco em que a narrativa é esticada à exaustão e a informação redundante. Se 40 episódios é pouco para a norma das produções da Globo, são demais para a história de O Rebu, e todo o deslumbramento que me fez ficar colada ao ecrã nos primeiros episódios logo se dissipou. Em cada episódio há flashbacks que se repetem à exaustão, demasiada repetição de cenas de episódios anteriores e uma narrativa que não flui, corre aos soluços. Fazia falta uma maior economia da narrativa e não cansar o espectador com tanta repetição. Em 20 episódios, com o mesmo material em bruto, podia contar-se a mesma história, cuja maior qualidade é a não-linearidade, que estaria bem resolvida não fora a necessidade de reforçar momentos chave a todo o instante.

Mesmo assim, desde O Astro, o salto qualitativo é enorme e a prova que a máquina bem oleada da Globo há-de chegar lá, àquele patamar das séries televisivas sofisticadas e originais produzidas para um mercado internacional. Só falta mesmo encaixarem melhor o formato e largarem os tiques do formato que dominam melhor, a telenovela.

O Rebu

10 julho 2014

Serviço Público II

Num dos primeiros posts deste blog eu questionava os critérios de programação e serviço público da RTP por passarem programas de interesse público e nacional a horas impróprias. Agora, passados quase 10 anos continuo a questionar os critérios de programação e serviço público da RTP por terem passado A Arte de Animar em Portugal à hora mais que imprópria para um programa do género, às 3h da manhã (de 7 de Julho)!

Felizmente apanhei o programa porque costumo deitar-me tarde, mas até para mim a hora é imprópria, pois o sono já espreita. Felizmente também estas boxes de TV modernas permitem gravar coisas que estão a dar ou já deram do início, que foi o que fiz. Mas do que deu para ver do programa e que realmente chamou a minha atenção (para além de razões pessoais - foi o meu primeiro emprego, fazer animação) foi ver rapidamente que se tratava de um documentário bastante completo e interessante que traçava o percurso histórico da animação em Portugal que, apesar de infelizmente continuar a ser uma "profissão amadora", é reconhecida fora de portas como animação de qualidade. Os prémios internacionais que diversos filmes têm ganho são prova disso.

Porque um programa do género não passa mais cedo? Não diria em horário nobre mas lá pelas 23h? E porquê na RTP 1? Se passaram um documentário do género é porque de alguma forma teve apoio da RTP, se teve apoio da RTP porquê passar num horário em que apenas os morcegos desavisados (eu incluída ) o vêm? Historicamente um documentário do género seria programa para passar na RTP 2, como eu disse lá pelas 22h-23h ou então ao fim da tarde, antes do telejornal, por volta das 19h. Assim a RTP 1 ficaria livre para transmitir os programas "populares" de que tanto os canais nacionais parecem estar a gostar cada vez mais...

Honrem o dinheiro e meios que gastam nos apoios que dão, passem os vossos patrocinados a horas decentes! Façam os vossos produtos, mesmo que marginais ou pequenos, render.

A Arte de Animar em Portugal - RTP

04 junho 2014

*LCD

HAHAHA! Ainda me estou a rir desta! No fabuloso programa No Reservations! (que aliás eu traduziria "Sem Reservas", que está mais próximo do duplo sentido em inglês), de Anthony Bourdain, ele diz que não tomava LSD, que foi brilhantemente traduzido por: não tomava LCD! Eu nem vou entrar em definições de o que é o quê, podem lê-las nos links para a Wikipédia abaixo.

É bem capaz de o LCD ser ainda mais alucinogénico que o LSD, mas também deve ser mais indigesto! (não consigo parar de rir! ) A não ser que um (o LSD, não enganar) seja para ingerir, e o outro (o LCD) para uso externo. Uma coisa é certa: ambos têm luzinhas e são coloridos e psicadélicos!!

LCD
LSD

08 março 2014

5 Gajos Bons 2014

Ui, este ano com Carnaval, Oscars e Dia da Mulher tudo de seguida resultou num pequeno atraso no post dos Oscars e num grande atraso no post dos 5 Gajos Bons (mas que ficará publicado dia 8 na mesma - manipula-se o tempo nos blogs que é uma maravilha!).

A escolha deste ano também é um bocado atabalhoada e em cima do joelho, pois não tenho quase nenhuma escolha directa e óbvia. Está difícil! Também tenho visto pouca coisa fora da rotina (novelas da Globo, séries do AXN), o que não ajuda.

1. David Tennant
Para variar. Sim, as séries do Tenth Doctor, Doctor Who, continuam a dar na BBC Entertainment, apesar de eu só rever de quando em vez, o Tennant lava-me sempre os olhos.
 


2. Hugh Jackman
Só porque há poucos dias o vi numa maratona de filmes dos X-Men, onde aliás o adoro como Wolverine! Mmm, BOM!





3. Matheus Solano
Anda a fazer uma bicha louca e o sex appeal da personagem é pequeno para mim, mas mesmo assim, fica bem de fatinhos elegantes e sempre que o vejo em Amor à Vida apetece-me lambe-lo!

 

4. George Clooney
OK, este é um bocado a ferros, pois não sei apontar um filme ou série onde lhe tenha visto a face recentemente, fora os trailers e entrevistas de Monuments Men. Fica assim, pois Clooney continua a ser um dos gajos bons da minha lista global e gosto dele no visual anos 40.
 
5. Jared Leto
Não é muito o meu estilo, aquele cabelinho, apesar de bonito, cortava-o, mas é, para todos os efeitos, um gajo bom! E fartei-me de o ver nos diversos Red Carpets no E! e, claro, nos Oscars.

03 março 2014

86 Oscars - Politicamente Correcto

Lupita Nyong'o e Jared Leto
Coincidir o Carnaval com os Oscars não é a melhor conjugação para mim e ontem, apesar de não ter adormecido, estava demasiado cansada para blogar.

Este ano apenas vi UM filme dos Oscars, Frozen, portanto os meus comentários apenas vão para a cerimónia em si e para a minha experiência passada acerca das escolhas da Academia, pois este ano parece que o "politicamente correcto" pervaleceu mais uma vez.

Mas vamos ao que interessa, as modas. Este ano decidi adicionar o E! à minha lista de canais favoritos na box e ir vendo os vários Red Carpets da estação, que começaram com os Golden Globes. No geral o estilo é o mesmo, formal, designers estabelecidos com um ou outro emergente, excepto os Grammys, que logo este ano que vi o Red Carpet como deve ser, foram tão clássicos que foi um Red Carpet deveras aborrecido. Se é para haver um estilo mais arrojado é nos Grammys e o que vi foi tudo menos isso, mesmo as estrelas espampanantes (leia-se Lady Gaga, Madonna, Katy Perry, Pink, etc.) foram extraordinariamente sóbrias e contidas. Nos Grammys apenas os homens arriscaram e viram-se estilos diferentes. Mas o Red Carpet dos Oscars é supostamente o mais nobre de todos e à partida haverá mais luxo. Este ano não houve nenhum vestido que me deixasse de queixo caído, mas adorei o Prada da vedeta dos Red Carpets deste ano, Lupita Nyong'o. Lindo! Plissado, azul claro, rodado esvoaçante e com um toque de brilhos na bainha. Ah Miuccia, se tivesse orçamento não saía da tua loja! Felizmente houve menos "nudes", vestidos cor de pele, detesto!, mas gostei do de Cate Blanchett, que diga-se de passagem, fica bem com qualquer trapinho. Os homens resolveram adoptar o smoking creme/pérola/champanhe (escolher a designação preferida), que sinceramente não me entusiasma. E curiosamente acabei de descrever a indumentária dos vencedores de Melhor Actriz Secundária (Lupita Nyong'o), Melhor Actor Secundário (Jared Leto), Melhor Actriz (Cate Blanchett) e Melhor Actor (Matthew McGonahey)! Portanto o palco esteve bem decorado. A propósito, gostei dos Oscars transparentes do cenário, um dava um belo candeeiro para a minha sala.

A cerimónia foi fluída, Ellen tem bom traquejo para este tipo de cerimónias e gostei do toque informal que ela deu ao interagir com as vedetas no público, dos tweets ao vivo, com direito a fotos, selfies e tudo mais e, o melhor de tudo, Ellen a distribuir três pizzas familiares a vedetas esganadas de fome, com direito a estafeta e tudo! Não se perdeu muito tempo, mas todas as canções nomeadas foram tocadas em palco, houve menos discursos interrompidos e a cerimónia voltou à duração média de 4 horas e meia mas sem ser cansativa. Este ano também não se esqueceram dos falecidos em 2014, nomeadamente Philip Seymour Hoffman e Shirley Temple.

Quanto aos prémios, mais uma vez a Academia fez escolhas não comprometedoras e preteriu 12 Years a Slave a Gravity. Não vi nenhum dos filmes e Gravity parece ser um filme excelente, gosto muito de Alfonso Cuarón, mas conheço a cinematografia de Steve McQueen e sei que os filmes dele não são politicamente correctos e são bastante crus. Portanto, apesar de ambos terem uma forte produção britânica e de 12 Years a Slave ter ganho a categoria de melhor filme, a Academia afirmou o seu não comprometimento ao preferir um filme de ficção científica, aparentemente sem conteúdo político, a um filme acerca da injustiça da escravidão, baseado em factos reais, esquecido pelos americanos e repescado por um inglês... negro.

Na animação confesso que, apesar de não ter visto, torci pelo filme de Miyazaki, pois achei o Frozen uma lamechice. A Disney já fez o amor filial, agora quis fazer o amor fraternal e pelos vistos tem uma lista de amores não-românticos a preencher. Também torci pelo Miyazaki por ser animação tradicional contra animação 3D. Não tenho absolutamente nada contra a animação 3D mas sinto que ultimamente apenas a animação 3D é premiada ou destacada. Frozen, sendo obviamente bem feito, teve uns aspectos que não gostei, como a animação da capa de Elsa, que devia ser leve e flutuante e no entanto muitas vezes parecia rija, tipo cartão. Também não sou fã de Let It Go, a canção que aliás venceu o Oscar, argh, demasiado pop para o meu gosto e detestei a voz da cantora (ainda antes de ver os Oscars).

Lá foi mais uma cerimónia, só é pena a TVI não coordenar convenientemente os horários com a informação das boxes de TV, a cerimónia começou quase 1/2 hora mais cedo que o previsto (eu bem que estranhei as 2h00 no horário, costuma começar à 1h30) e terminou depois do anunciado também. Os comentadores continuam a falar por cima da cerimónia ou a cortar para intervalo quando ainda há pessoas a falar. Mais uma vez: metam na cabeça que quem se dá ao trabalho de estar plantado 4 horas e meia em frente à TV de madrugada, para ver um programa sem legendas, basicamente quer ouvir o que é dito, em INGLÊS!

Oscar.com

28 fevereiro 2014

Comida & Drama

Estou farta de dizer aqui que não gosto nem de concursos nem de reality shows, mas minto, gosto dos concursos do formato Project Runway/Masterchef, desde que o tema me interesse e o programa seja minimamente bem produzido. Dos que já vi, com maior ou menor atenção, Project Runway e Masterchef Australia são os meus preferidos. Project Runway porque é muito bem produzido, Heidi Klum e Tim Gunn mantém uma dinâmica muito equilibrada e há espaço para haver uma série satisfatória e com pouco drama. Outros que acompanho ocasionalmente são America's Next Top Model, Face Off, Rachel Zoe Project e às vezes os de decoração.

Acompanhei esporadicamente as 3 primeiras séries de Masterchef Australia, vi pedaços da 1ª, uns tantos episódios da 2ª, acompanhei cerca de metade da 3ª e vi fielmente a 4ª. Agora estou a ver a 5ª, mas há demasiadas mudanças que me desagradam um pouco. Mas como o programa tem provado ser bom, vou dar-lhe o benefício da dúvida.

A 4ª série de Masterchef Australia foi particularmente feliz. No início, na pré-selecção e no primeiro terço do Top 25, nem sequer conseguia escolher um favorito, de tal forma os concorrentes eram bons e simpáticos. Depois de algumas eliminações, previsíveis e imprevisíveis, passei a ter uns 3 ou 4 preferidos, entre eles Alice, a minha preferida, Mindy, Audra, Andy, Andrew e Beau. Porque preferi a Alice, apesar de ter percebido logo que era quase impossível ganhar? Alice arriscava muito, foi extremamente criativa e ao mesmo tempo teve o cuidado de perceber o que as pessoas queriam comer. Para além disso era mesmo muito engraçada e simpática. O que lhe faltava era disciplina e alguma técnica mais sofisticada.

Independentemente das preferências pessoais, o que me fez adorar este Masterchef Australia foi que todos, sem excepção, aprenderam imenso, começaram realmente como cozinheiros caseiros e sairam de lá com aptidões que, espero, tenham valido a cada um um estágio nalgum restaurante interessante. Até à série 4, Masterchef Australia, nos seus mentores/apresentadores Gary Mehigan, George Columbaris e Matt Preston, estimulou a aprendizagem, fez os concorrentes ultrapassar as suas capacidades e ir mais além. O melhor exemplo disso é o concorrente vencedor, Andy, que começou como um puto simpático que cozinhava umas coisas e atingiu um grau técnico e de sofisticação quase profissional.

Outro aspecto que me deixou colada ao ecrã, tal como na minha série preferida de Project Runway (também a 4 - Christian Siriano), foi que todos eram muito amigos uns do outros, não havia intriga nem má-língua, todos se ajudavam e apoiavam, de tal modo que até houve um desafio eliminatório onde nenhum dos dois concorrentes foi eliminado, pois a comida que ambos fizeram era tão boa e tanta foi a interajuda.

O grau de dificuldade foi aumentando de série para série e os próprios concorrentes pareciam cada vez melhores. Na 4ª série eles faziam e sabiam coisas que só mesmo um chef costuma saber e ao longo do programa foram aprendendo mais. Não me refiro a técnicas chamativas, como as "espumas", o uso de azoto líquido, etc. mas técnicas básicas como saber que a carne tem de descansar para estar no ponto, pré-cozer a massa das tartes para que não fique mole com o líquido do recheio ou como cortar um filete de peixe. O comum mortal compra os filetes já cortados. O espectador também aprende muito com o programa.

A ver vamos com esta 5ª série, para já há lá uns 2 ou 3 que espero sejam corridos o mais depressa possível e não me agrada a "guerra dos sexos" com que começou o programa e que felizmente só será nas primeiras semanas.

Como isto concluo que para realmente gostar de um reality show, o drama tem de ser pequeninas doses que não se sobreponham ao conteúdo e não mostrem os concorrentes como umas bestas desalmadas.

Masterchef Australia
Project Runway

11 fevereiro 2014

Baby Take a Bow


Baby Take a Bow, de Stand Up and Cheer

Na faculdade tivemos de fazer um trabalho acerca  das estrelas de cinema. Havia uma lista, entre estrelas como Elizabeth Taylor ou Joan Crawford, senti-me atraída pela peculiaridade de uma estrela infantil, da qual sabia pouco mais que o nome, Shirley Temple.

Ao familiarizar-me com Shirley, ler a sua biografia e perceber a sua importância histórica, nenhuma menina era tão conhecida nos anos 30, excepto as princesas reais inglesas Isabel e Margarida, um pequeno acontecimento como um simples trabalho para a faculdade transformou-se em admiração e paixão por uma mulher que, como muito poucas pessoas, teve uma vida riquíssima e variada.

Shirley começou como actriz e bailarina aos 3 anos, impelida pela mãe, numa sociedade e numa Hollywood com valores bem diferentes dos actuais. Felizmente para ela, Shirley era uma criança sobre-dotada, não era apenas o charme de uma menina com cara de querubim, e se aprendeu algo com essa longa experiência de mais de 15 anos, foi a desenrascar-se num mundo onde poucos faziam o que queriam. A dimensão do seu sucesso é gigantesca, Shirley era mais apreciada que quase todos os seus colegas adultos, gerou toneladas de merchandising, que variavam desde a clássica fotografia autografada às bonecas à sua semelhança. A sua imagem foi a origem da imagem icónica da menina pespineta com "ar de boneca", recebeu homenagens tão variadas como um quadro de Salvador Dali ou um cocktail (sem álcool) com o seu nome. É também impressionante como o que ficou dela é uma figura de tal forma universal que as pessoas já não identificam directamente com ela. Mas uma coisa é certa, e o vídeo acima comprova-o, o seu sucesso não era vazio, Shirley Temple era uma menina cheia de talento e charme, capaz de cativar qualquer um, mesmo hoje em dia.

Mas Shirley não se ficou por aqui, após um casamento falhado na difícil fase de transição de actriz infantil para jovem adulta, casamento esse para obter alguma independência da mãe, Shirley continuou a sua carreira de actriz a meio-gás e envergou por uma área mais social e política, onde foi Embaixadora da Boa-Vontade das Nações Unidas. Há uns anos foi uma das homenageadas pela Academia das Artes de Hollywood e foi a primeira actriz infantil a receber um mini Oscar, com seis anos, atribuído na época a menores de 18, pelo seu trabalho durante o ano de 1934.

Ao contrário do que é costume, onde aprecio a obra dos meus artistas preferidos em detrimento de querer saber da sua vida privada, com Shirley, ao pesquisar acerca dela, aprendi muito acerca de uma mulher admirável que sobreviveu uma infância difícil e intensa, prodígio que mesmo as actuais estrelas infantis, com a flexibilidade que a sociedade actual permite, têm dificuldade em fazer. O único outro caso de semelhante sucesso que me lembro é Jodie Foster.

Shirley Temple é uma inspiração para mim e continuará a sê-lo, "Bebé, faz uma vénia"!

Shirley Temple

03 janeiro 2014

Doppelganger

Na época da estreia recusei-me a ver The Hunger Games por a história me parecer demasiado parecida com o japonês Battle Royale, que adoro. Mas sempre que surge a oportunidade de ver esses filmes (leia-se blockbusters super publicitados e muito populares entre adolescentes e na net) na TV eu vejo.

No Ano Novo a SIC lá passou The Hunger Games e não resisto a dar a minha sentença.  Para começar, o filme não é mau, mas também está longe de ser extraordinário. Não é extraordinário pois, para o tornar acessível a um público adolescente, tiraram-lhe tudo o que torna Battle Royale um filme inesquecível, a brutalidade e a violência. Digamos que The Hunger Games é uma versão colorida e delicodoce de Battle Royale, com uma história de fundo um pouco diferente.

O que realmente "estraga" The Hunger Games não é a ausência de violência, mas a ausência do elemento de surpresa. Na primeira parte do filme é nos introduzido um love interest que não dá em nada e todo o jogo, aptidões da protagonista, etc. são explicados, tim-tim por tim-tim... Em Battle Royale vamos sabendo as regras à medida que os protagonistas se defrontam com elas, assim a crueldade do jogo é reforçada e o choque para o espectador é maior. Em The Hunger Games a protagonista é uma personagem plana, pouco ou nada aprende e a única coisa que muda na vida dela é o love interest. O dito love interest muda muito mais que ela, mas ela fica na mesma, com maior conhecimento da sociedade em que vive, mas pouco mais.

Tecnicamente é um filme bem feito, boa fotografia, bem filmado q.b., os actores não são maus e até há uma ou outra vedeta (Woody Harrelson, Donald Sutherland) em papéis secundários. Mas o querer agradar a gregos e troianos acaba por torná-lo em mais um enlatado para adolescentes que pouco tem de original (felizmente tem mais densidade que o enlatado-mor - mas nem vou mencionar o nome...).

Isto leva-me mais uma vez a questionar os remakes, The Hunger Games é mais uma adaptação que um remake, mas pega na mesma ideia mas desenvolve-a de forma mais comercial e popularucha. É só. Deem-me 10 Batlles Royales a um The Hunger Games.

Há uma coisa que mesmo antes de ter visto o filme me faz rir, quando oiço/leio Katniss, o meu cérebro apenas regista catnip. Portanto toda a tentativa de seriedade do filme ia sempre à vida quando alguém dizia o nome da rapariga!!

The Hunger Games
Battle Royale

Feliz 2014!!

23 novembro 2013

50 Primaveras

Strawberry Fields, a minha Blythe,
veste o fato do 10º Doctor em frente à TARDIS,
tudo feito por mim.

Não é todos os dias que uma série de televisão comemora 50 anos, menos ainda uma de ficção-científica. Hoje é o 50º Aniversário de Doctor Who e mesmo não sendo 50 anos seguidos é um feito e pêras!

Não fora também o Doctor Who uma das minhas séries preferidas, que alia ficção-científica pura a uma permissa simples e um protagonista muito bem construído e sedimentado, afinal são 50 anos e 11 actores, mais um monte de argumentistas, realizadores e técnicos.

Vivendo em Portugal, (infelizmente) não tendo crescido com a série, só comecei a vê-la decentemente na nova era, iniciada em 2005 com o 9º Doctor, Christopher Eccleston. Nestes 8 anos já muito espaço e tempo percorreu a TARDIS e os fãs mais novos nem querem saber de Eccleston, a meu ver injustamente menosprezado. Recentemente foi anunciado Peter Capaldi como o 12º Doctor, que iniciará os trabalhos para o ano, melhor, no Especial de Natal. Mal posso esperar!

O especial de aniversário de hoje será transmitido em directo para 70 e tal países, que inclui países como o Myanmar ou o Burquina Faso, e que me faz perguntar o que anda a BBC Entertainment a fazer?? Na Europa, contam-se pelos dedos o número de países que este canal transmite o episódio e, para variar, Portugal não está incluído. Gostava de poder ver o The Day of the Doctor em directo, de forma legal e juntar-me em sintonia à horda de fãs pelo mundo. Mas Portugal não existe, e tal como o governo, a BBC incentiva-nos à ilegalidade... Era tão simples!

Não quero terminar este post num tom negativo, não quando se trata de uma das minhas séries favoritas, é claro que vou ver o episódio, não na minha televisãozão, mas no ecrã do PC e vou regalar-me com o regresso do Ten, da Rose e com o maravilhoso John Hurt, que finalmente se juntou ao clã Whovian.

HAPPY 50th BIRTHDAY, DOCTOR WHO!

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