TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

26 março 2012

Robert Fuest & Moebius

Soube por portas travessas, através deste post: Brontë Blog: Robert Fuest. In Memoriam, que infelizmente Robert Fuest morreu.

O nome pode ser um tanto obscuro, mas trata-se do relizador de alguns dos filmes com Vincent Price que mais me marcaram, The Abominable Dr. Phibes e Dr. Phibes Rises Again. O que eu não sabia e soube através do post acima, é que Robert Fuest também assina uma adaptação dos anos 70 do meu livro preferido, Wuthering Heights. Tendo em conta a ambiência e o estilo barroco anos 60 dos Dr. Phibes, a realização algo psicadélica e as críticas citadas no post do Brontë Blog, que provavelmente dão uma adaptação no mínimo insólita do livro, é um filme completamente A VER!

IMDb - Robert Fuest

Fica também a pena pela perda de Moebius, Jean Giraud, o conhecido e excelente autor francês de banda desenhada que também muito contribuiu para o cinema.

Wikipedia - Moebius

08 março 2012

5 gajos bons 2012

Ui, quase que me ia esquecendo!!! Mas não, os gajos bons da TV continuam a ser escrutinados no dia da mulher. Este ano volta a não haver 5ª posição. Não queria repetir séries, nas séries novas há poucos gajos que se qualifiquem, apesar de haver bastantes candidatos, e, apesar de achar que o C.S.I. NY tem a melhor média de gajos bons, pelo menos nos C.S.I.s, não queria repetir mais um.

1. David Tennant
Sim, Doctor Who continua a dar na BBC Entertainment, portanto, cá está ele. Este ano decidi colocar uma foto de como o vi pela primeira vez: quando o Doctor regenerou e eu comentei: "Mmm, este é giro!"



2. Gary Sinise
Sim, mais um repetente. Estou a gostar bastante dele como Mac Taylor nas novas séries de C.S.I. NY, especialmente da relação com Sela Ward (Jo), que também adoro (tanto a actriz como a personagem)! E sim, Gary Sinise fica melhor sério ou com aquele meio sorriso matreiro.

3. Mateus Solano
Já lhe tinha achado (muita) piada na novela Viver a Vida, como os gémeos Miguel e Jorge. Confesso que gosto mais dele com um ar desmazelado, portanto, apesar de o seu Ícaro em Morde e Assopra ter recebido um make over, a foto é da sua fase anterior de cientista louco.

4. Fernando Roncato
Renato, o enfermeiro de Alice em Morde e Assopra, chegou para trazer um rival para Guilherme e love interest para Alice. Mas sinceramente acho-o muitíssimo melhor actor que o rapaz que faz de Guilherme, que parece um autómato, e ainda por cima é muito mais giro! Mas eles lá sabem e aparentemente o final de Alice é previsivelmente ao lado de Guilherme e não de Renato. Tinham de ter a sua história de redenção... dupla.

5. ?
Pois é, este ano voltei a ficar indecisa quanto à quinta posição. Nas séries que ando a ver, os C.S.I.s, Criminal Minds, Once Upon a Time, Downton Abbey e as novelas da Globo, há vários candidatos, mas nenhum me deixa verdadeiramente babada. Portanto optei por não colocar ninguém na 5ª posição.

27 fevereiro 2012

84 Oscars - A Amnésia

 

Este ano não me apressei em comentar os Oscars por vários factores, mas essencialmente pelo desinteresse crescente desta cerimónia que, apesar de tudo, ainda gosto de assistir.

Nos últimos anos cada vez tenho menos disponibilidade de tempo e finanças para ver os filmes candidatos e este ano apenas tinha visto um: Midnight in Paris de Woody Allen, que naturalmente venceu a categoria de Argumento Original. Sacrilégio seria Woody Allen candidatar-se a esta categoria, não ganhar e aparecer em Los Angeles. Aqui começa a ausência de surpresas...

Os premiados foram aparentemente merecidos e pacíficos, não houve discursos polémicos, nem muitos agradecimentos a Deus ou à mãe. A Melhor Actriz Secundária, Octavia Spencer, fez a choradeira da noite, o Melhor Actor, o francês Jean Dujardin, o discurso emocionado/trapalhão e lá decorreu a cerimónia. Billy Crystal foi apagado, a sua performance de abertura foi uma sombra de anos anteriores e nem sequer houve piadas engraçadas para as celebridades no público. Tudo demasiado previsível. Cada vez mais o lado espectáculo é reduzido, as entregas de prémios múltiplas e apenas houve a participação especial do Cirque du Soleil. A GAFFE gigantesca do ano foi no In Memoriam terem-se esquecido de Eiko Ishioka, falecida há menos de um mês e vencedora de um Oscar pelo Guarda-Roupa de Bram Stoker's Dracula, de Francis Ford Coppola e nomeada por mais uns tantos. Por mais imperdoável que seja o esquecimento de Farrah Fawcett no ano passado, o de Eiko é bem pior, pois tinha sido galardoada e a sua morte está fresca na memória. Mesmo que só contem as mortes de 2011 é estúpido, pois os Oscars não são propriamente a 1 de Janeiro.

Na passadeira vermelha, o que realmente interessa, viram-se os vestidos deslumbrantes habituais com algum destaque para Angelina Jolie, com o meu vestido preferido da noite, ou Gwyneth Paltrow, com uma capinha que para além de resguardar da aragem ficava fabulosa num vestido despojado e poucos acessórios. Natalie Portman foi leve e elegante, Jennifer Lopez envergou um vestido que se não tivesse aquelas mangas seria perfeito, Penelope Cruz levou um vestido diáfano azul e cortou o cabelo (!), Glenn Close estava estupenda num  vestido verde escuro fabuloso e Rose Byrne estava quase irreconhecível num simples mas deslumbrante vestido tubo assimétrico em lantejoulas pretas. Viram-se bastantes braceletes largas como acessórios, cabelos soltos, alguns curtos ou apanhados em carrapito e os designers de sempre nestas andanças. Nos homens, Christopher Plummer, com ar fresco que nem uma alface em veludo (ahhh, homens de veludo!) e Sascha Baron Cohen que apareceu vestido de Dictator, personagem do seu último filme, rodeado de "dictatorettes" e que deixou cair as cinzas de Kim-Jong II em cima de Ryan Seacrest, apresentador de American Idol, na passadeira vermelha.

Este ano o espectáculo foi fora e antes da cerimónia propriamente dita, mas Sascha Baron Cohen ARRASOU!

Oscar.com

27 janeiro 2012

EIKO


A visão de Sally a descer a escadaria naquele magnífico vestido de noiva em renda, totalmente historicamente incorrecto para um século XIX victoriano, em Bram Soker's Dracula de Francis Ford Coppola, ficou marcada na minha memória até aos dias de hoje.

Conheci o trabalho de Eiko Ishioka a partir desse filme, onde ela oscila entre figurinos de época, historicamente correctos, exuberantes para o dia-a-dia e um misto medieval, renascentista, oriental (as sedas, as sedas!) e puramente fantasia da sua cabeça para o mundo de Drácula. Outros dois fatos que me marcaram desse filme foram o roupão do Drácula velho, de uma seda carmesim a lembrar-nos constantemente que se trata do maior sugador de sangue de sempre e, claro, a armadura muscular que Drácula usa enquanto Vlad Tepes.

Mais tarde Eiko Ishioka iniciou uma colaboração com Tarsem Singh, que durou quatro filmes e que foi cruelmente interrompida pela sua morte. A estética alegórica de Tarsem, liga na perfeição com a exuberância de Eiko. The Cell, o primeiro filme de Tarsem, divide-se entre um mundo real cinzento e sóbrio e um mundo psíquico que passa do erótico sado-masoquista barroco e sombrio do vilão à luz e beleza natural com um pouco de inspiração latino-americana da psicóloga interpretada por Jennifer Lopez. Em The Fall a colaboração de ambos antingiu uma simbiose quase perfeita onde havendo também a separação mundo real/mundo fantasia, o contraste é menor, reforçando mistura que a miúda vai fazendo entre realidade e ficção.

Ainda não vi os dois últimos, Immortals e Mirror Mirror, mas pelas sinopses e imagens que já vi, sei que me vou deleitar com ambos e lamentar a enorme perda que é Eiko Ishioka e o vazio criativo que deixa ao mundo. Felizmente Eiko deixou-nos uma obra bastante vasta e variada, só nos resta disfrutar dela o melhor que conseguirmos. É o que pretendo fazer!

Eiko Ishioka, Multifaceted Designer and Oscar Winner, Dies at 73 - NY Times

24 janeiro 2012

*anos 20

O programa What Not to Wear americano, do TLC, é insuportável, pois põe toda a gente a vestir-se da mesma maneira (iiik! a Stacy é do mais irritante que há), mas as traduções costumam meter mais os pés pelas mãos que as vítimas do programa!

Uma rapariga descrevia o seu estilo como hippie-ish vintage, que foi traduzido como hippie anos 20... será que o tradutor achou que vintage, palavra bastante utilizada para designar uma qualidade do vinho do Porto, era uma variante da palavra vinte? Será que não reparou que a rapariga estava a falar inglês?

vintage

10 dezembro 2011

*comoção

Que comoção! Para os tradutores do C.S.I., temporada 11, no AXN, "concussion" é comoção! Realmente um traumatismo craniano pode deixar muita gente comovida, até a vítima pode ficar comovida...

concussion
comoção
traumatismo craniano

09 dezembro 2011

*mostarda

Quem anda a traduzir Doctor Who para o SyFy não percebe nada de culinária britânica. A razão porque "fishfingers and custard" e não "mustard", é uma combinação de alimentos estranha é porque custard é leite creme e não mostarda! Pelo que parto do princípio que o/a tradutor(a) para além de preguiçoso/a também é disléxico.

Mas isto leva-me a uma questão mais séria: até que ponto deve ou não um tradutor alterar o texto e o seu significado por estranhar a combinação de palavras na origem? Neste caso concreto trata-se do Doctor, nada com o Doctor é previsível ou comum, portanto a tradução correcta seria douradinhos com leite-creme! Bom, "douradinhos" é uma marca, portanto panados de peixe...

custard
mustard

24 novembro 2011

Feliz Bloganiversário!

Já nem sei quantos anos o TV-Child faz, mas o que importa é que mesmo que lento, o blog continua vivinho da silva!

Quanto a TV, agora ando a ver mais coisas: para além do Doctor Who, que não me canso de dizer ontem fez 48 anos, ando a ver Game of Thrones, também no SyFy, promete bastante, gosto dos cliffhangers, às vezes Warehouse 13, giro, muito giro!, Pan Am, na SIC, estou a adorar, é refrescante algo fora do universo do mistério ou ficção-científica, Morde e Assopra, a novela da Globo que dá à tarde, engraçada, as Investigações Criminais, CSIs e afins repetidos na SIC, pois sabem bem ver, e o vício do Querido Mudei a Casa, nem que seja para me rir com as bacoradas. Ah, claro séries de anime no Panda, mas isso é para outro blog que hoje não faz anos.

No próximo domingo a ver se não me esqueço de ver Super-Homem, o Regresso no Hollywood, pois com alguma pena perdi no cinema.

Não é grande coisa de post, mas vá lá, lembrei-me de celebrar! Deve ser por a minha Blythe Strawberry Fields ter chegado neste dia há 3 anos, ela também está de parabéns.

23 novembro 2011

Feliz 48º Aniversário, Doctor!

 
Pois é, o Doctor Who já faz 48 anos, continua vivo e pronto para mais!

Tenho andado a ver a 6ª série moderna de Doctor Who através do SyFy, mas apesar de ainda adorar a série, tenho algo a dizer:

VOLTA RUSSEL T DAVIES, QUE ESTÁS PERDOADO!

Por mais que Steven Moffat seja um excelente argumentista, porque é, não creio que seja a pessoa ideal para estar ao leme de uma série como Doctor Who. Chateia-me o facto de a motivação/permissa de cada série ser demasiado clara em cada episódio, preferia as pistas subtis que Russel T Davies nos ia deixando. E, por mais que ele o faça como ninguém, não gosto das reviravoltas tão intrincadas na linha temporal, acho que nos fazem perder detalhes, a paciência e ter de ver cada episódio com uma atenção exageradamente pormenorizada para no fim não ficarmos com um nó na cabeça. Há episódios que são tão rebuscados que nos obrigam a vê-los mais que uma vez para desatar os nós e não forçosamente porque gostámos tanto deles que os temos de ver novamente. É a razão errada para repetir o visionamento de um episódio logo a seguir a vê-lo pela primeira vez.

Confesso que a explosão de popularidade, principalmente nos Estados Unidos, de Doctor Who também me anda a enervar. É um facto inevitável, mas a própria série parece ter se vendido a um determinado tipo de mercado e estar a ficar menos "British". Eu sei, sou picuinhas e um bocado conservadora no que toca a assuntos Doctor Who, mas tenho pena de algumas das coisas que mais gostava na série se andarem a perder lentamente, nomedadamente uma certa ingenuidade britânica.

Matt Smith não me convenceu totalmente e, apesar de adorar Amy Pond e gostar bastante de Rory, também tenho pena de a minha personagem preferida agora ser uma companion e não o Doctor. Quanto a River Song, é demasiado óbvia a relação dela com eles todos e já me irrita um bocado tanto "mistério insondável"... Preferia concentrar-me mais nas histórias individuais para ter um climax portentoso onde finalmente se sabia exactamente qual é a dela. Nem o episódio escrito por Neil Gaiman passou do "meh"... "meh" não é uma boa opinião para nada...

Vou continuar fiel à série, até porque tal como Russel se foi embora, outros virão a seguir a Steven, cujo trabalho também irei seguir de perto, pois ele é um excelente argumentista!

Deixo aqui o primeiríssimo episódio, The Unearthly Child, exibido há 48 anos, neste dia.

BBC - Doctor Who

30 agosto 2011

Jaquelinda

 

Ti Ti Ti deve ser a primeira novela que acompanhei tanto o original como o remake. Nos anos 80 (a original é de 1985, mas não sei a data certa em que passou por cá), quando vi Ti Ti Ti, achei uma novela da tarde divertida mas um pouco exagerada em certos aspectos e sem nada que a tornasse verdadeiramente original, excepto o tema: a moda. Mas a Ti Ti Ti de 2010 é uma novela muitíssimo mais pertinente e actual, pelo que talvez se possa dizer que a versão de 85 foi de certa forma profética em relação ao mundo da moda.

Em 85 ainda a moda, tal como é encarada hoje, não tinha explodido, ainda não tinha havido a época das top models que não saíam da cama por determinada quantia exorbitante, ainda não se falava em moda de rua, a moda era mais uma ditadura e menos um modo de expressão pessoal, não estava tão presente no nosso dia-a-dia como está agora e, fundamental na versão de 2010, não havia o mediatismo e imediatismo actual e não existiam os BLOGS. Portanto, o tema, o que vende um bom estilista, se a qualidade das suas criações ou o marketing que o envolve, é agora mais actual do que nunca! A isso podem-se acrescentar as políticas de gestão de uma revista de moda, as rivalidades das divas (se bem que no Brasil, nos anos 80 isso talvez fosse mais actual) e a importância da rapidez ou da honestidade de uma opinião expressa em público.

Não me lembro se havia algo equivalente ao blog de Beatrice M. na versão original, mas nesta foi uma pedrada no charco e golpe de génio dos criadores da novela, que através do blog e da brilhante Mabi (Clara Tiezzi), criaram uma espécie de "rei vai nu" da novela, usando um meio que tem explodido na internet nos últimos anos: o blog de moda. Mabi é uma miúda de 12 anos, que opina de forma perspicaz e franca acerca da moda, criada à semelhança da famosa blogueira de moda infanto-juvenil norte-americana Tavi.

O elenco em geral foi muito bem conseguido e, excepto num ou dois casos, é bom ver alguns dos actores que interpretam os protagonistas a fazer comédia. Alexandre Borges (Jacques Leclair/André Spina), sempre um galã bonzão nas novelas, mas tipo sério e elegante, faz uma caricatura brilhante de um costureiro piroso e afectado, que, por menos credível que possa ser num contexto real, encaixa-se como uma luva com as duas outras partes do seu trio. É um prazer voltar a ver Murilo Benício (Victor Valentim/Ariclenes Martins) de volta à comédia. Ele é bom actor em qualquer circunstância, mas é na comédia que gosto mais de o ver, pois é mais comovente e vulnerável. O seu Ari, sendo uma personagem à partida simples e básica, é de uma complexidade subtil que com certeza muito deve ao actor.

Mas eis que chego ao terceiro vértice deste triângulo pouco amoroso, Jaqueline Maldonado! Porque é que Claudia Raia não faz mais comédia?? A sua Jaquelinda é um regresso de Ninon, a "bailarina da coxa grossa" de Roque Santeiro, num misto de ingenuidade, bom coração, coragem e uma dose cavalar de trapalhice e fanatismo pela Xuxa. Sempre que Claudia Raia entra em cena, rouba a cena! Há muito que não a via em comédia e com Ti Ti Ti percebe-se que é onde está como peixe na água, fazendo de Jaqueline a "minha" personagem!

Por fim, nada bate Jaqueline a chamar a Suzana Martins (Malu Mader) "fera radical"!!! Outra novela dos anos 80 que deixou excelentes memórias. E é sempre agradável ver roupa bonita e a Globo, como sempre, não desaponta nesse campo.

Ti Ti Ti - Globo

20 agosto 2011

Rever o Espaço: 1999 (S2)


Space: 1999 - The Metamorph
Mentor (Brian Blessed) e Maya (Catherine Schell) em Psychon

Separei os meus comentários acerca do Espaço: 1999 num para cada série por três razões: a primeira porque acho que a série merece, a segunda porque apesar de partilharem o mesmo título, permissa, local e elenco principal, a 1ª e a 2ª séries do Espaço: 1999 parecem duas séries completamente diferentes, tamanhas foram as mudanças de uma para a outra, e por fim porque ficaria um post gigante, que seria uma seca.Eu adoro ambas as séries, mas por razões completamente opostas, só tenho pena que as qualidades de ambas não tivessem existido nas duas produções.

A 2ª série teve um aumento no orçamento, mas passei todos os episódios (excepto um ou dois) a perguntar-me onde foi parar o dinheiro a mais. No geral a 2ª série é consideravelmente menos sofisticada que a 1ª em quase todos os aspectos. Os cenários repetem-se (sempre os mesmos adereços, sempre o mesmo backlot), o elenco principal é dividido para poupar nas rodagens (muitas vezes dois episódios eram filmados em simultâneo), os efeitos especiais são mais manhosos, recorrendo demasiadas vezes ao foco de luz verde (scanning alienígena) ou ao secador de cabelo (gravity pull) e os argumentos são uma porcaria.

Transformaram o Comandante Koenig, um homem admirável e um líder muito humano, num comandante prepotente e arrogante que está sempre aos berros, a Drª. Helena Russell numa tontinha que deixou de ser convincente como médica, o Paul Morrow metamorfoseou-se em Tony Verdeschi, que apesar de ser uma personagem com potencial, é irritante, a Sandra dividiu-se em duas (Sandra e Yasko) e não faz muito mais que carregar em botões e as piadinhas finais eram completamente desnecessárias. A única personagem, e o grande trunfo da 2ª série de Espaço: 1999, que funcionou bem foi a introdução da Maya.

Ah a Maya, o sonho de todas as raparigas dos anos 70 era serem como ela! É incrível como conseguiram estragar quase todas as personagens que transitaram da 1ª série mas criaram uma tão boa, principalmente face à ausência de profundidade geral. Sendo ela uma extraterrestre, podiam fazer o que quisessem com ela e tornaram-na uma princesa inteligente, engraçada e dinâmica. Sim falta-lhe mais profundidade, se eu fosse a última da minha espécie, com certeza que não seria tão alegre e levezinha como ela, que quando o assunto é mencionado apenas responde com alguma tristeza. A Maya também serve como um mecanismo fácil para tirar as personagens de enrascadas e isso é facilitismo narrativo. Alguma angst e talvez mais pontos fracos evidentes, tornariam a Maya na heroína perfeita! Mas ela ainda é a minha!!

Ora bem, se queriam tirar o ar grave e sério ao Espaço, a Maya foi realmente uma mais-valia, ela é leve, algo frívola, divertida, interessante, mas não precisavam de tornar a Drª. Russell assim, aliás se houvesse contraste entre as duas seria muito mais interessante como relação interpessoal. Os habitantes da Base Lunar Alpha pertencem a uma organização para-militar, portanto são profissionais sérios e têm pela frente um problema mais sério ainda. Não significa que não possam ser pessoas divertidas nos tempos livres, aliás isso foi abordado pontualmente na 1ª série, mas não é de cervejas experimentais nem de brindes que trata o Espaço: 1999! Também exageraram em introduzir dois casais, bastava um. O casal Drª. Russell/Comandante Koenig podia continuar pela sugestão ou tensão sexual, que são sempre muuuuito mais interessantes, e como casalzinho "júnior" teriam então a Maya e o Tony, que acabam por sê-lo muito menos que deveriam. Mas eram os anos 70 e ainda não tinham sido criados a Maddie Hayes e o David Addison, de Moonlighting, ou o Mulder e a Scully, de X-Files. Nisso os argumentos não ajudaram, na grande maioria são mais do mesmo, a fórmula repete-se de modo demasiado óbvio e não têm um tema individual e profundo como tinham os da 2ª série.

Mas nem todas as mudanças foram más! Os uniformes evoluíram, tornaram-se menos "abstractos" com a adição de casacos e novas peças, a banda-sonora, apesar de mais americanizada, continua interessante, há personagens novas que é pena não serem aprofundadas e bons temas em potencial. Infelizmente os episódios verdadeiramente bons, ou pelo menos à altura dos da 1ª série, contam-se pelos dedos (The Metamorph, The Exiles, The Mark of Archanon, The AB Chrysalis) e há episódios que uma pessoa se pergunta o que estão ali a fazer (The Taybor). E depois há outros que ficaram na memória por causa da componente visual, quem se esqueceu dos monstros "esparguete à bolonhesa" de Bringers of Wonder?? Ou das amazonas escarlate de The Devil's Planet?

Em suma: 1ª série pelos argumentos e pela sobriedade, 2º série pelo factor kitsch e pela Maya.

Space: 1999 Net, Português
Catacombs - Space: 1999 Year 2

18 agosto 2011

Rever o Espaço: 1999 (S1)

Space: 1999 - Guardian of Piri
o meu episódio preferido da 1ª série

Apesar de já ter revisto mais que uma vez o Espaço: 1999, acho que desta vez, através da RTP Memória (eu tenho os DVDs mas é mais divertido ver na TV), foi a vez que mais gostei de rever a minha série preferida. Isto vai completamente contra a ideia geral que o Espaço: 1999 envelheceu mal, OK o guarda-roupa pode ser datado (mas eu gosto) mas o resto está muito longe de o ser.

Resumidamente o meu maior prazer em rever a série é ter ficção-científica a sério. Lá porque uma série, filme ou livro se passa no espaço ou no futuro, isso não significa que seja ficção-científica a sério. A verdadeira ficção-científica encontra-se essencialmente nos livros e costuma colocar questões pertinentes e filosóficas. Todos os episódios sem excepção da 1ª série do Espaço: 1999 são assim! E o que gostei mais ainda foi o facto de muitas questões serem religiosas, ou mesmo católicas (Deus existe?), mas nunca haver uma conclusão fechada e estanque e a escrita da série é liberal o suficiente para não evangelizar nem nos dar lições de moral. Para mim é o melhor tipo de escrita narrativa, num sentido mais clássico, e foi esse o meu maior prazer, ver esses episódios que nos falam de humanidade aliados a um pouco de aventura e sim, ciência! Há também uma notória preocupação com o rigor científico e é surpreendente ver que muita da tecnologia "de ficção" de 1975 existe actualmente, mesmo que com outro design. O commlock é a melhor delas, quem me dera ter a pachorra que um fã teve, para transformar um em telemóvel! Assim talvez lhe ligasse mais!!

E os efeitos especiais?? Arcaicos? NUNCA!! Há coisas que são óbvias, como as maquetes e algumas explosões, mas líquidos, fogo e fumo sempre foram um problema por causa da escala. As pessoas que trabalharam nesta série fizeram escola nos efeitos especiais. Actualmente contam-se entre os maiores gurus da especialidade e olhando para o Espaço: 1999 em 2011, há lá coisas que ainda não se consegue perceber como foram feitas, de tão boas que são. Hoje-em-dia seriam resolvidas de forma barata e fácil com um 3D.

Não percebo a razão de traduzir e retraduzir coisas que já estão feitas, Espaço: 1999 já passou umas 4 vezes em canais portugueses e tem uma edição em DVD nacional e pelo menos 4 dessas traduções (3 na TV + 1 DVD) são diferentes. A da RTP Memória pecou por já utilizar o acordo ortográfico, enquanto ainda não é obrigatório o seu uso, e por uma clara falta de atenção em alguns detalhes facilmente pesquisáveis na Wikipedia ou nas Catacombs, outra foi dizerem "as" Águias. OK, eu sei que está mais correcto, pois "águia" ou "nave espacial" são do género feminino, mas sempre foram "os" Águias até há dois meses atrás. Eu sei, é uma picuinhice, mas são daquelas coisas que um fã hardcore estranha sempre. Mas no geral a tradução não é nada má, foi raríssimo o erro de português encontrado e a ortografia estava impecável. Os episódios também passaram numa ordem estranha, principalmente para juma fã como eu, que já está habituada à ordem de produção, a mesma respeitada pelos DVDs da Carlton.

Com isto, a Moonbase Alpha voltou a ser um sítio onde não me importaria passar uns tempos e, com sorte, ainda apanhar algum planeta ou extraterrestre de brinde!

Space: 1999 Net, Português
Catacombs - Space: 1999 Year 1

10 junho 2011

Vodafone ganha mais pontos!

Sereia Chaves

Ao longo deste blog a Vodafone tem sido provavelmente a companhia mais repetente nas etiquetas YouTube e intervalo. Ultimamente têm andado sossegados, ou com publicidades pouco marcantes, mas esta, para além de um conceito brilhante, tem HUMOR!

Adoro como Soraia Chaves brinca com a sua imagem, não se encheu de pudores para fazer esta publicidade e gosto muito de toda a produção que manteve a ideia simples e portanto eficaz! Para além disso, tenho um fraquinho por sereias...

Mais uma vez: parabéns à Vodafone por se rodear de bons criativos!

29 maio 2011

Mini Darth Vader


Este vídeo já circula na net há MESES, mas agora que anda a passar nos canais de TV nacionais, não podia deixar de o colocar aqui! Já chega de comentários, o vídeo fala por si: DELICIOSO!

27 maio 2011

Novamente na Lua

Foi com todo o prazer do mundo que soube hoje que a minha série de televisão preferida vai voltar às antenas (?) portuguesas já a partir de 2ª feira, dia 30 de Maio, na RTP Memória!

Falo de Espaço: 1999 (Space: 1999), a série icónica em que a Lua foi p'ró espaço, a dos uniformes com as mangas coloridas e calças à boca-de-sino, do Comandante Koenig (maravilhoso Martin Landau), da Drª. Helena Russel (Barbara Bain), dos Águias, dos commlocks, da decoração futurista em branco e da Maya (2ª série)!

É a 4ª reposição em canais portugueses (sem contar com o Agora Escolha), relativamente pouco tempo depois da 3ª, na SIC-Radical. HERE WE GO!



ESPAÇO: 1999 - RTP Memória

01 maio 2011

Casório Real


Há 30 anos atrás assisti ao casamento de Charles e Diana na TV, o que me foi permitido ver. Lembro-me da minha prima entusiasmada a trazer merchandising do mais piroso que há de Londres e a contar, excitada, a febre do casamento real.

Desta vez não vi merchandising ao vivo mas, graças à BBC Entertainment pude assistir ao casamento real de Wills e Kate do princípio, da chegada dos convidados menos ilustres à Abadia de Westminster (os primeiros a chegar) até ao beijo dos noivos na varanda de Buckingham Palace. Tim-tim por tim-tim!


Gostei. Gostei muito! Tudo neste casamento foi extremamente bem pensado, tendo em conta todos os factores adversos: Kate ser plebeia, a realeza britânica já não ter a popularidade e imagem imaculada que tinha, a descontração a que os tempos modernos obrigam, a crise económica mundial.

Claro que houve pompa e circunstância, se não houvesse não seria um casamento de um membro tão importante da casa real britânica. Wills é o 2º pretendente à coroa e a realeza britânica é provavelmente a mais popular no mundo inteiro, para além de os ingleses, mesmo queixando-se, adorarem todo este espectáculo. A fotografia oficial do noivado é de Mario Testino, um dos melhores fotógrafos de moda do mundo, a igreja foi decorada com árvores (áceres) em vez de arranjos de flores que iriam inevitavelmente parar ao lixo, o vestido, embora extremamente sóbrio, foi desenhado por Sarah Burton, para a Casa McQueen, a ex-assistente de Alexander McQueen e a actual designer principal. Dentro do protocolo todos pareciam à vontade, principalmente o Príncipe Harry que estava claramente a meter-se com o irmão e com o avô e outros parentes durante a cerimónia, até os acenos robóticos de Lady Di foram substituídos por uns acenos mais leves e sinceros de Kate e por vezes até esfuziantes de Wills. São Pedro enviou o granizo para Benfica e os noivos puderam desfilar no Landau descapotável em vez do coche que ficou para  Rainha. O beijo, embora discreto, foi natural, e melhor: houve dois! Por fim os três aviões da II Guerra Mundial, um Lancaster, um Spitfire e um Hurricane, aviões com 60 anos, a saudar o casamento e os noivos foi maravilhoso! Sempre gostei muito do Spitfire, vi um exemplar pendurado no Museu da Ciência em Londres (é pequenino!) mas nunca pensei em ver um a voar, mesmo que na televisão! Fantástico!!


Nem me passou pela cabeça ver o casamento pelos canais nacionais tendo acesso à BBC. Toda a filmagem foi muito equilibrada, nada chata, câmaras por todo o lado, sendo as da igreja controladas por controle remoto, viu-se tudo o que interessava no momento em que interessava, os comentadores eram gente que sabia extremamente bem do que estava a falar, não houve disparates e até foi bem simpático e divertido, especialmente as entrevistas de Fearn Cotton, uma locutora de rádio inglesa muito popular, às pessoas que aguardavam o beijo real.

E às 13h30, à hora de ir almoçar, estava tudo despachado!

17 março 2011

*WAN

GLEE, 2ª série, episódio de Natal. Ouvem-se os primeiros acordes de Last Christmas e Rachel diz a Finn que essa é a sua canção de Natal preferida, dos WAN!

Credo! O tradutor(a) deste episódios deve ser mesmo mesmo mesmo mesmo mesmo muito novinho/a e nunca ter comemorado o Natal, para não saber que existia uma banda algo pirosa nos anos 80 chamada Wham!, que criou este super-êxito-natalício-de-centro-comercial. Não, essa pessoa passou ANOS enfiada numa redoma e escapou à tortura natalícia consumista dos tempos modernos! Como??? Gostava muito de saber!

Wham!

08 março 2011

5 gajos bons 2011

Desta vez um bocadinho atrasada, mas para anti-comemorar o dia da mulher cá vão os 5 gajos bons da nossa TV deste ano. Como ando a ver relativamente pouca TV, há uma série repetida, bastante sangue italiano, mas eles são giros na mesma!

1. David Tennant
Continua a ser o meu campeão, continua lindo apesar de já não estar a fazer o Doctor Who, mas a série continua a passar nos ecrãs em Portugal, tal como no Syfy.




2. Milo Ventimiglia
Já tinha babado para o moço em Gilmore Girls, mas em Heroes, com maior protagonismo (= mais horas no ecrã) como Peter Petrelli e mais maduro já dá para engarrafar a baba...




3. Gary Sinise
Este senhor continua a espalhar carisma no C.S.I NY e eu continuo a cair para o lado com aquele olhar. Pontos para Sinise, sim senhor!





4. Patrick Dempsey
Não vejo Grey's Anatomy (demasiado série de gajas para o meu gosto) mas de vez em quando, num zapping ou outro, lá babo um bocadinho para Patrick Dempsey que merece!




5. Carmine Giovinazzo
O segundo estreante desta lista, mas que já me tem chamado a atenção há uns aninhos como Danny Messer em C.S.I. NY. Acaba sempre um pouco ofuscado pelo Gary Sinise, mas não deixa de ser um jeitoso!

28 fevereiro 2011

*luxúria

A primeira vez que ouvi esta palavra mal utilizada foi quando a irmã do moço que matou o Carlos Castro se referia ao estilo de vida que ambos levariam em Nova Iorque. Dadas as circunstâncias, o significado real encaixava e deixei passar. Mais recentemente, na legendagem de Kochi Kame (uma série de anime a dar no canal Animax) apanhei o mesmo mal-entendido.

O que acontece é que as ditas pessoas, para se referirem a excesso de luxo, têm empregue a palavra luxúria, mas pelos vistos não frequentaram a catequese (eu não frequentei e sei!) e não decoraram os sete pecados mortais! Luxúria é sensualidade, lascívia, no sentido mais erótico e sexual que se possa pensar; luxo, por sua vez, é ostentação, é excesso.

No primeiro caso, teria de perguntar à moça a que se queria realmente referir quando empregou diversas vezes a palavra luxúria, enchendo muito a boca (a luxúria realmente pode encher muito a boca...). Mas no segundo caso, em que a personagem se referia a uma vida de luxo, a palavra luxúria está realmente muito mal empregue, até porque, mesmo que por vezes seja atrevida, Kochi Kame não é suposto ter uma conotação sexual ou erótica forte.

luxúria
luxo

83 Oscars (aborrecidos)

Este ano não estou com grande paciência para longos posts acerca dos Oscars, talvez por terem sido bastante aborrecidos e previsíveis, sem grandes momentos de emoção.

Hilary Swank em Gucci, Helen Mirren em Vivienne Westwood
e Natalie Portman em Rodarte

Concentrando-me na passadeira vermelha, este ano foi mais interessante que nos anteriores, uma vez que houve algumas mudanças nas tendências. Muito vestido de manguinha curta, poucas jóias, muito rabo-de-cavalo, muito azul, lindíssimo azul, tafetás e brilhos. No geral achei todos os vestidos que vi muito interessantes, excepto o da Nicole Kidman, mas no caso dela acho que nem era bem o vestido, era geral. Ela estava com um ar miserável, de quem tentou disfarçar com maquilhagem. Infelizmente Nicole Kidman perdeu toda a frescura que tinha com maquilhagens exageradas e abandonando os seus fabulosos caracóis ruivos. Mas é lá com ela, deve achar-se bonita assim... Apesar de aparentemente ter feito sucesso nas comunidades fashionistas, também não apreciei muito do vestido de Cate Blanchett apesar de ela o vestir fabulosamente bem! Os meus favoritos da noite foram Hilary Swank, com um vestido brutal cinzento claro, num degradé de lantejoulas e cristais para plumas de avestruz, de Helen Mirren, num tafetá cinzento escuro magnífico, com uns ombros bem interessantes e Natalie Portman, fantástica num drapeado cor de vinho. Quem diz que é difícil vestir grávidas?? Em geral acertam sempre nestas coisas. Aliás AMEI o vestido de Portman nos Golden Globes! Gostei do dourado de Gwyneth Paltrow, do assimétrico da mulher de Mark Ruffalo, dos vermelhos de Scarlet Johansen e Sandra Bullock, do vestidinho de princesa de Hailee Steinfeld e da liga com a Union Jack de Helena Bonham-Carter (ela tinha ameaçado ir embrulhada numa Union Jack!). Nos homens: laços. Gostei especialmente do de riscas preto e branco de Coppola.

Ganhou Alice no guarda-roupa, de Coleen Atwood (merecido! mas previsível); Christian Bale, em The Fighter (dispensava o barbum, mas ele merece!); Natalie Portman, em Black Swan (yaaaaaaYYY Natalie!!!) e Colin Firth, em The King's Speech (merecia mais o ano passado mas continua a ser mais que justo!). Torci por todos eles, todos venceram. Houve a f-word pela PRIMEIRA vez nos Oscars (heheee, Melissa Leo!), Florence Welch dos Florence and the Machine, e Gwyneth Paltrow cantou!

James Franco não serve para estas andanças, Anne Hathaway é fabulosa e, dentro do possível, foi ela quem aguentou a apresentação da cerimónia. Kirk Douglas ainda rula! Vivam os velhotes de Hollywood!!

Oscar

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ERRATA: O vestido de Helen Mirren não é Fitriani, fui induzida em erro pelo próprio site dos Oscars, mas no FaceBook de Vivienne Westwood vem que é Vivienne Westwood Couture, o que faz todo o sentido, é bem coisa para sair das mãos de Vivienne!
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