Há 10 anos
24 abril 2017
Do Legado de um Rei
Todas as séries com intriga política e palaciana têm de ser seguidas com atenção, Versailles, na RTP1, merece-o. Para além da dita intriga, que obriga a essa atenção, a série é mesmo muito boa a todos os níveis: um elenco muito competente e de babar, um guarda-roupa e cenários deslumbrantes, uma fotografia quase mágica, uma banda-sonora inebriante e uma realização inteligente.
A narrativa e a acção em Versailles fluem sem solavancos, montadas na intriga, sem quebras apbrutas, num encadeamento quase estonteante, mas mostrando muito mais. Tudo aqui é justificado e mostra-nos, usando brilhantemente a ficção e a História, para mostrar-nos como Luís XIV se tornou o Rei-Sol e como o palácio ficou como testemunho disso. Na primeira série já tinha começado a introduzir-se os vários conceitos vanguardistas introduzidos por Luís e a sua corte, o ballet, o fogo-de-artifício, a culinária, a arquitectura, os jardins, a etiqueta, a comparação ao Sol, o Iluminismo, mas é agora na 2ª série que isso é levado a 100%, tendo o momento do eclipse solar (no GIF acima) um excelente exemplo de como a realização aproveitou muitíssimo bem esses elementos. Mal posso esperar pelo resto da série, pois promete ser tão gloriosa como decadente! Venha!!
Versailles, la série
canais:
séries
27 fevereiro 2017
89 Oscars... que deram barracada!
Para variar vi muito poucos filmes nomeados, alguns por opção, La La Land, que graças à cerimónia dos Oscars descobri que o título português é o incompreensível La La Landa (???) [acho que já está na hora do IGAC empregar alguém que saiba português para dar títulos aos filmes], outros que vi porque tinha de ser, Rogue One, mas a grande maioria nem me despertou a atenção.
O Red Carpet começa a tornar-se repetitivo, principalmente agora que os vejo quase todos, e, no caso dos Oscars, demasiado conservador, com um ou dois vestidos interessantes. Já não tenho grande paciência para comentar, excepto a tendência para smokings de veludo nos homens, eu sou sempre a favor de veludo.
Este ano o cenário foi menos interessante, mais uma vez com inspiração Art Déco, mas, digamos, mais piroso. Gostei dos Oscars cortina de cristais, calculo eu, Swarovsky, funcionaram lindamente em televisão.
A cerimónia dos Oscars começou morna, continuou morna e terminou morna, só que não. Um engano, uma troca de envelopes, anunciando erradamente La La Land como melhor filme do ano, o Oscar era para Moonlight, foi o auge da excitação dos Oscars 2017. Sim, houve momentos engraçados, os doces de páraquedas, o miúdo de Lion, a visita guiada, uma ou outra apresentação mais espirituosa, mas pouco discurso político, ficando nas mãos dos directamente afectados, o realizador iraniano ausente de The Salesman, Gael Garcia Bernal, mexicano, declarando que muros dividem, etc. etc. etc. Nem me lembro de ouvir a musiquinha nos discursos mais longos. Houve discursos mais longos? A piada recorrente foi como Meryl Streep é sobrevalorizada e pouco mais. Gostei dos "mean tweets". Gostei dos emparelhamentos de actores mais novos com os que os inspiraram.
Enfim, viu-se, mas não foi muito divertido. Tragam a Ellen de volta!
Oscars
O Red Carpet começa a tornar-se repetitivo, principalmente agora que os vejo quase todos, e, no caso dos Oscars, demasiado conservador, com um ou dois vestidos interessantes. Já não tenho grande paciência para comentar, excepto a tendência para smokings de veludo nos homens, eu sou sempre a favor de veludo.
Este ano o cenário foi menos interessante, mais uma vez com inspiração Art Déco, mas, digamos, mais piroso. Gostei dos Oscars cortina de cristais, calculo eu, Swarovsky, funcionaram lindamente em televisão.
A cerimónia dos Oscars começou morna, continuou morna e terminou morna, só que não. Um engano, uma troca de envelopes, anunciando erradamente La La Land como melhor filme do ano, o Oscar era para Moonlight, foi o auge da excitação dos Oscars 2017. Sim, houve momentos engraçados, os doces de páraquedas, o miúdo de Lion, a visita guiada, uma ou outra apresentação mais espirituosa, mas pouco discurso político, ficando nas mãos dos directamente afectados, o realizador iraniano ausente de The Salesman, Gael Garcia Bernal, mexicano, declarando que muros dividem, etc. etc. etc. Nem me lembro de ouvir a musiquinha nos discursos mais longos. Houve discursos mais longos? A piada recorrente foi como Meryl Streep é sobrevalorizada e pouco mais. Gostei dos "mean tweets". Gostei dos emparelhamentos de actores mais novos com os que os inspiraram.
Enfim, viu-se, mas não foi muito divertido. Tragam a Ellen de volta!
Oscars
canais:
celebrações,
celebridades,
cinema
14 fevereiro 2017
Primeiras Impressões
É raro, muito raro, eu blogar apenas depois de ver um episódio de uma série, mas Legion, na FOX, deixou-me impressionada!
Para começar esteticamente a série é brutal! Todos os cenários são escolhidos a dedo, numa arquitectura modernista de meados do séc. XX, filmados de acordo, com muitos planos simétricos onde se proporciona, ou a aproveitar muito bem os volumes arquitectónicos, lembrando muito os filmes de Jacques Tati. O guarda-roupa e a banda-sonora correspondem à arquitectura, o guarda roupa muito mod anos 60 para 70, a banda-sonora jazzy moderna, com electrónica à mistura. Este formalismo dá-nos uma sensação de insólito e irreal, que reforçam e apoiam muito bem a narrativa.
E depois vem a história. Muito intrigante, a jogar com o que pode ou não ser real e com a esquizofrenia do protagonista, colando-nos ao ecrã e ao mesmo tempo põe-nos a sofrer de angústia por não se perceber inteiramente o que se está a passar.
Passei o episódio inteiro: "eu conheço este tipo!", é Dan Stevens, o Cousin Matthew de Downton Abbey, mas o contexto completamente oposto e o sotaque americano impecável desnortearam-me. Claro que conheço o Dan Stevens! Eu fui uma das que fez luto por Matthew em Downton.
Bom, agora resta-me esperar ansiosamente pela próxima semana. Espero que o nível de qualidade se mantenha. Desde Heroes que não ficava tão entusiasmada com uma série do género, ficção-científica/super heróis, mas mesmo Heroes não me encheu tanto as medidas à partida.
Legion
Para começar esteticamente a série é brutal! Todos os cenários são escolhidos a dedo, numa arquitectura modernista de meados do séc. XX, filmados de acordo, com muitos planos simétricos onde se proporciona, ou a aproveitar muito bem os volumes arquitectónicos, lembrando muito os filmes de Jacques Tati. O guarda-roupa e a banda-sonora correspondem à arquitectura, o guarda roupa muito mod anos 60 para 70, a banda-sonora jazzy moderna, com electrónica à mistura. Este formalismo dá-nos uma sensação de insólito e irreal, que reforçam e apoiam muito bem a narrativa.
E depois vem a história. Muito intrigante, a jogar com o que pode ou não ser real e com a esquizofrenia do protagonista, colando-nos ao ecrã e ao mesmo tempo põe-nos a sofrer de angústia por não se perceber inteiramente o que se está a passar.
Passei o episódio inteiro: "eu conheço este tipo!", é Dan Stevens, o Cousin Matthew de Downton Abbey, mas o contexto completamente oposto e o sotaque americano impecável desnortearam-me. Claro que conheço o Dan Stevens! Eu fui uma das que fez luto por Matthew em Downton.
Bom, agora resta-me esperar ansiosamente pela próxima semana. Espero que o nível de qualidade se mantenha. Desde Heroes que não ficava tão entusiasmada com uma série do género, ficção-científica/super heróis, mas mesmo Heroes não me encheu tanto as medidas à partida.
Legion
canais:
séries
04 fevereiro 2017
As Manas dos Moors
Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais) é o meu livro preferido. Quando estive em Haworth e visitei o Brontë Parsonage Museum, achei que a vida das irmãs Brontë dava um filme tão bom como qualquer dos seus livros. Eis que a BBC, para o 200º aniversário de Charlotte Brontë, produziu To Walk Invisible, que conta parte dessa história.
Primeiro gostaria de afirmar que os cenários, guarda-roupa, recriações da aldeia, etc. estão impecáveis e quem tenha visitado os mesmos dificilmente separa os locais reais da sua respectiva recriação, indispensáveis devido a alterações sofridas ao longo do tempo nos locais reais. Isto é particularmente importante no que toca aos cenários principais, a Parsonage e o cemitério ao lado, que estão bastante diferentes do que eram no tempo das Brontës, o cemitério está cheio de árvores frondosas, a casa teve um grande acrescento e actualmente inclui equipamento próprio da casa-museu que é. A grande maioria da mobilia e objectos pessoais, recolhidos pela Brontë Society, pode ser vista na casa-museu.
O filme conta o pedaço das suas vidas de adultas, entre decidirem ser publicadas até à morte de Branwell, o irmão. Logo de início é estabelecida uma atmosfera fantasmagórica, digna dos seus livros, com a primeira cena das crianças a brincar em Gondal, o mundo criado pelos quatro, ainda presente nos minúsculos livrinhos feitos à mão, no museu. Apesar de o resto da história ter pouco de sobrenatural, não é muito mais que biográfica, essa atmosfera mantém-se na fotografia, no clima húmido do Yorkshire e na banda-sonora. O secretismo a que elas se obrigaram, devido às dificuldades em serem reconhecidas pela sua obra e não pelo seu sexo, é o tema principal da história, e o grande dilema das irmãs, que escreviam compulsivamente. A decadência de Branwell serve como catalisador, primeiro para o secretismo e depois para a grande revelação ao mundo, que os autores daqueles livros escândalosos afinal eram mulheres!
Gostava que tivessem dado um pouco menos de protagonismo a Branwell, e mais aos moors [a tradução portuguesa é "charneca", mas como a nossa charneca é muito diferente dos moors, prefiro deixar no original] e a cada irmã individualmente. Quem tenha visitado a região e, naturalmente, tenha lido algum livro das Brontës, percebe facilmente de onde vem tanta paixão contida, aquela paisagem é avassaladora. Para variar, quase só dão voz a uma Charlotte mandona, Emily é caracterizada como bicho do mato e Anne como a boazinha. Duvido que qualquer uma delas pudesse ser reduzida a tão pouco. Gostei como Emily estava sempre atarefada com os afazeres da casa, apesar de não ser necessário, devido à criada que trabalhava para a família. Era o seu modo de descarregar energia. Isso e caminhadas nos moors. Ah, o cão, o cão retratado por Emily em movimento, num desenho exposto no museu.
Quem goste e admire as Brontës, com certeza apreciará este filme, quem apenas goste de dramas de época, talvez o ache um pouco singelo, não há um grande romance e a tragédia é mais caseira, mas continua a valer a pena, é mais uma prova que a BBC ainda dá cartas em produções de época.
BBC One - To Walk Invisible
Primeiro gostaria de afirmar que os cenários, guarda-roupa, recriações da aldeia, etc. estão impecáveis e quem tenha visitado os mesmos dificilmente separa os locais reais da sua respectiva recriação, indispensáveis devido a alterações sofridas ao longo do tempo nos locais reais. Isto é particularmente importante no que toca aos cenários principais, a Parsonage e o cemitério ao lado, que estão bastante diferentes do que eram no tempo das Brontës, o cemitério está cheio de árvores frondosas, a casa teve um grande acrescento e actualmente inclui equipamento próprio da casa-museu que é. A grande maioria da mobilia e objectos pessoais, recolhidos pela Brontë Society, pode ser vista na casa-museu.
O filme conta o pedaço das suas vidas de adultas, entre decidirem ser publicadas até à morte de Branwell, o irmão. Logo de início é estabelecida uma atmosfera fantasmagórica, digna dos seus livros, com a primeira cena das crianças a brincar em Gondal, o mundo criado pelos quatro, ainda presente nos minúsculos livrinhos feitos à mão, no museu. Apesar de o resto da história ter pouco de sobrenatural, não é muito mais que biográfica, essa atmosfera mantém-se na fotografia, no clima húmido do Yorkshire e na banda-sonora. O secretismo a que elas se obrigaram, devido às dificuldades em serem reconhecidas pela sua obra e não pelo seu sexo, é o tema principal da história, e o grande dilema das irmãs, que escreviam compulsivamente. A decadência de Branwell serve como catalisador, primeiro para o secretismo e depois para a grande revelação ao mundo, que os autores daqueles livros escândalosos afinal eram mulheres!
Gostava que tivessem dado um pouco menos de protagonismo a Branwell, e mais aos moors [a tradução portuguesa é "charneca", mas como a nossa charneca é muito diferente dos moors, prefiro deixar no original] e a cada irmã individualmente. Quem tenha visitado a região e, naturalmente, tenha lido algum livro das Brontës, percebe facilmente de onde vem tanta paixão contida, aquela paisagem é avassaladora. Para variar, quase só dão voz a uma Charlotte mandona, Emily é caracterizada como bicho do mato e Anne como a boazinha. Duvido que qualquer uma delas pudesse ser reduzida a tão pouco. Gostei como Emily estava sempre atarefada com os afazeres da casa, apesar de não ser necessário, devido à criada que trabalhava para a família. Era o seu modo de descarregar energia. Isso e caminhadas nos moors. Ah, o cão, o cão retratado por Emily em movimento, num desenho exposto no museu.
Quem goste e admire as Brontës, com certeza apreciará este filme, quem apenas goste de dramas de época, talvez o ache um pouco singelo, não há um grande romance e a tragédia é mais caseira, mas continua a valer a pena, é mais uma prova que a BBC ainda dá cartas em produções de época.
BBC One - To Walk Invisible
canais:
celebrações,
cinema
03 fevereiro 2017
Debaixo dos Saiotes
Já percebi para que serviam as cenas de sexo (gratuitas) na primeira série de Outlander, era para desviar a nossa atenção de uma narrativa fraca e que se arrasta. A segunda temporada de Outlander leva-nos até Paris e Versalhes e para uma grande abstinência de sexo. Os níveis de violência gratuita também são consideravelmente mais baixos.
Para mim o problema de Outlander é que é uma série que promete ser de aventura com um toque de fantástico, na viagem no tempo, e romance mas acaba por ser intriga política pouco excitante, com uns toques de romance e pouca aventura. Na segunda série, como a narrativa se desenrola de forma menos emocionante, vêm à tona todas as falhas, que são essencialmente a nível da escrita de ficção. É no que dá deixarem este tipo de série em mãos norte-americanas.
É uma pena. Visualmente a série é muito boa, com ou sem liberdades criativas, bons e impressionantes cenários, naturais e de estúdio, um guarda-roupa bem pensado, uma fotografia bem iluminada, uma realização competente, actores convincentes, mas uma história que podia ser contada em metade dos episódios ou com reviravoltas mais excitantes. Ao 9º episódio, às vésperas da Batalha de Culloden, o suposto clímax da segunda temporada, dei por mim a ver a série por obrigação, para terminar de a ver e passar para o seguinte na lista (que é longa). Na primeira série a história também era mais estruturada, mas coesa, focada nos seus objectivos principais: Claire voltar à sua época e depois de se apaixonar, tentar evitar o massacre. Apesar de em Paris haver esse único objectivo, impedir a Batalha de Culloden, somos constantemente distraídos com subterfúgios e narrativas secundárias, inclusive no final na Escócia. Mas louvo o excelente cliffhanger com que termina, que vai com certeza levar-me a ver a terceira temporada, apesar da desilusão geral com Outlander.
Outlander
Para mim o problema de Outlander é que é uma série que promete ser de aventura com um toque de fantástico, na viagem no tempo, e romance mas acaba por ser intriga política pouco excitante, com uns toques de romance e pouca aventura. Na segunda série, como a narrativa se desenrola de forma menos emocionante, vêm à tona todas as falhas, que são essencialmente a nível da escrita de ficção. É no que dá deixarem este tipo de série em mãos norte-americanas.
É uma pena. Visualmente a série é muito boa, com ou sem liberdades criativas, bons e impressionantes cenários, naturais e de estúdio, um guarda-roupa bem pensado, uma fotografia bem iluminada, uma realização competente, actores convincentes, mas uma história que podia ser contada em metade dos episódios ou com reviravoltas mais excitantes. Ao 9º episódio, às vésperas da Batalha de Culloden, o suposto clímax da segunda temporada, dei por mim a ver a série por obrigação, para terminar de a ver e passar para o seguinte na lista (que é longa). Na primeira série a história também era mais estruturada, mas coesa, focada nos seus objectivos principais: Claire voltar à sua época e depois de se apaixonar, tentar evitar o massacre. Apesar de em Paris haver esse único objectivo, impedir a Batalha de Culloden, somos constantemente distraídos com subterfúgios e narrativas secundárias, inclusive no final na Escócia. Mas louvo o excelente cliffhanger com que termina, que vai com certeza levar-me a ver a terceira temporada, apesar da desilusão geral com Outlander.
Outlander
canais:
séries
26 janeiro 2017
Debaixo dos Kilts
Quem me conhece sabe que sou parcial quanto à Escócia, que tenho um fetiche por tartan e kilts e que tenho um fraquinho pelo séc. XVIII. Portanto, mal saiu a série Outlander foi daquelas que foi logo para o topo das séries a ver. Infelizmente a vida real não me tem dado muita disponibilidade para ver grande coisa para além do habitual na TV, e como esta série não passou em nenhum canal em Portugal, só agora vi a primeira temporada. A segunda segue-se em breve, já que não são muito longas.
Até começar a vê-la, tinha muito boa impressão da série, ao contrário do meu hábito (odeio spoilers) já sabia toda a história e conhecia o lado visual principalmente através de um dos meus blogs preferidos actualmente, o Frock Flicks. Contudo as expectativas não eram exageradamente altas, portanto foi com alguma surpresa que dei por mim a não adorar a série, pois tinha quase tudo para eu adorar.
Visualmente Outlander cumpre todas as minhas expectativas, gosto do elenco, é um regalo ver as Highlands numa belíssima fotografia que não abusa dos filtros, a banda-sonora é agradável q.b. e a realização não é nada má. Gosto do compasso mais lento com que a história se desenrola, sem andar a encher chouriços, de terminar quase todos os episódios com algum tipo de cliffhanger, ou da narrativa não-linear do episódio do casamento. Mas, aqui é que vem o grande MAS, é uma 'série de gajas' e como maria-rapaz ferrenha que sou, tenho fraca tolerância a 'séries de gajas'. Não consegui gostar de Sex in the City apesar de gostar da temática, a Grey's Anatomy enjoa-me, aborreci-me com Desperate Housewives depois do entusiasmo incial e, mesmo tendo visto quase todo o E.R., nunca me encheu completamente as medidas. A primeira coisa que me enervou foi a narração ocasional, que é demasiado explicativa e que não faz falta nenhuma, principalmente nesta época de Wikipedia. Por mais que goste de sexo ou erotismo numa série de TV, goste de filmes de terror e seja pouco impressionável, acho parte do sexo na série demasiado sádico, violento e gratuito, mesmo entre a Claire e o Jamie. Principalmente gratuito e demasiado estilizado. Apesar de não ter visto (nem querer ver - acho que vou odiar) acho que essas cenas são dirigidas ao mesmo público de 50 Shades of Grey e eu definitivamente não faço parte desse público.
A decepção é mais a surpresa pela decepção que outra coisa, não estava mesmo nada à espera, achei que me estavam a impingir fan service e não gosto disso. De resto, a permissa e o modo como se desenvolve a narrativa são interessantes, deixaram-me curiosa e nem esta decepção me demove de continuar a ver e de ficar satisfeita ao saber que estão aprovadas a terceira e quarta temporadas. Mas os livros é que muito provavelmente ninguém me apanha a ler!
Outlander
Até começar a vê-la, tinha muito boa impressão da série, ao contrário do meu hábito (odeio spoilers) já sabia toda a história e conhecia o lado visual principalmente através de um dos meus blogs preferidos actualmente, o Frock Flicks. Contudo as expectativas não eram exageradamente altas, portanto foi com alguma surpresa que dei por mim a não adorar a série, pois tinha quase tudo para eu adorar.
Visualmente Outlander cumpre todas as minhas expectativas, gosto do elenco, é um regalo ver as Highlands numa belíssima fotografia que não abusa dos filtros, a banda-sonora é agradável q.b. e a realização não é nada má. Gosto do compasso mais lento com que a história se desenrola, sem andar a encher chouriços, de terminar quase todos os episódios com algum tipo de cliffhanger, ou da narrativa não-linear do episódio do casamento. Mas, aqui é que vem o grande MAS, é uma 'série de gajas' e como maria-rapaz ferrenha que sou, tenho fraca tolerância a 'séries de gajas'. Não consegui gostar de Sex in the City apesar de gostar da temática, a Grey's Anatomy enjoa-me, aborreci-me com Desperate Housewives depois do entusiasmo incial e, mesmo tendo visto quase todo o E.R., nunca me encheu completamente as medidas. A primeira coisa que me enervou foi a narração ocasional, que é demasiado explicativa e que não faz falta nenhuma, principalmente nesta época de Wikipedia. Por mais que goste de sexo ou erotismo numa série de TV, goste de filmes de terror e seja pouco impressionável, acho parte do sexo na série demasiado sádico, violento e gratuito, mesmo entre a Claire e o Jamie. Principalmente gratuito e demasiado estilizado. Apesar de não ter visto (nem querer ver - acho que vou odiar) acho que essas cenas são dirigidas ao mesmo público de 50 Shades of Grey e eu definitivamente não faço parte desse público.
A decepção é mais a surpresa pela decepção que outra coisa, não estava mesmo nada à espera, achei que me estavam a impingir fan service e não gosto disso. De resto, a permissa e o modo como se desenvolve a narrativa são interessantes, deixaram-me curiosa e nem esta decepção me demove de continuar a ver e de ficar satisfeita ao saber que estão aprovadas a terceira e quarta temporadas. Mas os livros é que muito provavelmente ninguém me apanha a ler!
Outlander
canais:
séries
25 janeiro 2017
Mudança de Paradigma
A minha última TV de cinescópio avariou há uns meses, mas felizmente o Pai (Mãe) Natal demorou mas foi generoso. Tenho uma TV LED/LCD, 32 polegadas, novinha em folha!
Durante o período em que estive sem TV, fui vendo as séries e outros programas no NOS TV, no computador, e isso foi a revelação da mudança de paradigma para mim como espectadora. Já via a grande maioria dos programas em diferido, através das gravações da box, mas com as limitações de ver no computador praticamente não vi nada em directo, nem os "filmes de ressaca de sábado à tarde". Esta mudança também tem mudado muito o que gostava mais na TV, a espontaneidade de não ter de escolher ou procurar, se bem que nunca fui muito de zapping, mas como agora há uma maior escolha, o que vou vendo reflecte-se mais nas minhas preferências e gosto pessoal.
A mudança passa por a partir de agora não me limitar a comentar neste blog programas vistos na TV, mas também séries ou outros que de alguma forma me chamaram a atenção, mas que por alguma razão não passam nos inúmeros canais a que temos acesso por cabo.
Portanto: TV nova, vida nova.
Durante o período em que estive sem TV, fui vendo as séries e outros programas no NOS TV, no computador, e isso foi a revelação da mudança de paradigma para mim como espectadora. Já via a grande maioria dos programas em diferido, através das gravações da box, mas com as limitações de ver no computador praticamente não vi nada em directo, nem os "filmes de ressaca de sábado à tarde". Esta mudança também tem mudado muito o que gostava mais na TV, a espontaneidade de não ter de escolher ou procurar, se bem que nunca fui muito de zapping, mas como agora há uma maior escolha, o que vou vendo reflecte-se mais nas minhas preferências e gosto pessoal.
A mudança passa por a partir de agora não me limitar a comentar neste blog programas vistos na TV, mas também séries ou outros que de alguma forma me chamaram a atenção, mas que por alguma razão não passam nos inúmeros canais a que temos acesso por cabo.
Portanto: TV nova, vida nova.
canais:
Minha TV,
serviço técnico
25 novembro 2016
Bloganiversário!
12 anos! Há 12 anos que criei o TV-Child e apesar da pouca actividade nos últimos anos, o blog não está morto... só moribundo ;D A vida real tem me mantido um bocado afastada da blogosfera, também tenho tido alguma dificuldade em ver tanta televisão como de costume e tive alguns percalços que contribuiram para esta ausência.
Há cerca de um ano que o local onde alojava as imagens deste e dos outros blogs morreu, mas como já não usava o email correspondente, não tive qualquer tipo de aviso. Conto em breve voltar a tê-las online, mas é um trabalho moroso que ainda não tive disponibilidade de atacar como deve ser. Até lá, as minhas desculpas por o layout andar um bocado coxo.
Mais recentemente a minha TV avariou. A grandalhona já está avariada há uns 3 anos e agora com a avaria desta, estou sem televisão funcional e com um cemitério de televisões em casa :( Felizmente que nesta época tecnológca de boxes, wifi e internet de banda larga tenho podido ver TV, com limitações, através do PC, e conto em breve ter finalmente a minha primeira TV sem ser de cinescópio.
Quanto ao Doctor Who, decidi não blogar ontem, pois para além de a série estar num hiato e de eu gostar muito de Peter Capaldi como 12th Doctor, Steven Moffat, com a sua mania de explicar tudo, esmoreceu um bom bocado o meu entusiasmo pela série moderna. Mas como agora a direcção da série vai mudar de mãos, espero ganhar novo entusiasmo. Happy 53rd, Doctor!!
Há cerca de um ano que o local onde alojava as imagens deste e dos outros blogs morreu, mas como já não usava o email correspondente, não tive qualquer tipo de aviso. Conto em breve voltar a tê-las online, mas é um trabalho moroso que ainda não tive disponibilidade de atacar como deve ser. Até lá, as minhas desculpas por o layout andar um bocado coxo.
Mais recentemente a minha TV avariou. A grandalhona já está avariada há uns 3 anos e agora com a avaria desta, estou sem televisão funcional e com um cemitério de televisões em casa :( Felizmente que nesta época tecnológca de boxes, wifi e internet de banda larga tenho podido ver TV, com limitações, através do PC, e conto em breve ter finalmente a minha primeira TV sem ser de cinescópio.
Quanto ao Doctor Who, decidi não blogar ontem, pois para além de a série estar num hiato e de eu gostar muito de Peter Capaldi como 12th Doctor, Steven Moffat, com a sua mania de explicar tudo, esmoreceu um bom bocado o meu entusiasmo pela série moderna. Mas como agora a direcção da série vai mudar de mãos, espero ganhar novo entusiasmo. Happy 53rd, Doctor!!
16 novembro 2016
Da Liberdade Criativa
Liberdade, Liberdade é uma daquelas novelas/séries brasileiras feitas para o Emmy. Em Lado a Lado resultou tão bem que realmente venceu o Emmy Internacional para a Melhor Novela. Este tipo de produção parte de uma inspiração histórica, com temas directamente ligados a períodos-chave na história do Brasil, a independência e a abolição da escravatura, respectivamente, unidos por uma trama com personagens de ficção, vagamente inspirados em personagens ou acontecimentos reais.
Enquanto que Lado a Lado conseguia ser mais lúdica na abordagem da transição para o modernismo e estava estruturada como uma novela normal, incluindo vários núcleos, como o clássico cómico como elemento de descompressão, Liberdade, Liberdade, na sua abordagem grave à luta pela indpendência do Brasil, é à partida mais desequilibrada, desconjuntada e difícil de digerir. Mas tratando-se de uma ficção, baseada em factos históricos, mas sobretudo uma ficção, não vou criticar muito por aí. A premissa é boa, a história de uma suposta filha do Tiradentes que serve de charneira para contar parte da história da independência do Brasil, dos Inconfidentes e do estado de Minas Gerais.
A liberdade criativa a que me refiro tem mais a ver com escolhas da direcção artística da novela, na sua grande maioria um pouco questionáveis.
Para começar: tanto banho que eles tomam! Numa época, início do séc. XIX, em que é sabido que se tomava um banho por mês, talvez um por semana, em que o fedor era disfarçado, por quem podia, com perfume e maquilhagem, os protagonistas desta novela tomam banho quase todos os dias, nobres ou ladrões. Eu sei porque é que estas cenas existem, é uma tentativa de apimentar a coisa com cenas de nudez (e sexo - sexo vende), e mostrar amiúde o belo traseiro de Mateus Solano (nham!), entre outros. Mas é inverosímil e ainda por cima inconsistente com a constante sujidade nas faces das personagens, um cuidado que foi decidido pela equipa de caracterização e maquilhagem da novela (ver site oficial).
Nem vou me alargar pela banda-sonora, que varia entre sons medievais entre o povo, o mesmo cão a ganir constantemente e valsas posteriores à época retratada.
Depois temos um guarda-roupa muito inconsistente e historicamente a atirar para todos os lados. O conceito do guarda-roupa feminino parece saído da mente de uma menina de 10 anos que se quer mascarar de "dama antiga" no Carnaval.
O guarda-roupa masculino é mais coerente, mesmo sendo muito mais fácil isso acontecer por a moda mudar mais lentamente que a feminina. Temos casacas do final do séc. XVIII a conviver com colarinhos levantados do período Império, que é plausível, dado estarmos numa província além-mar de Portugal, que nunca primorou por estar na vanguarda da moda, muito menos a masculina. Aqui, fora um ou outro detalhe, gosto das opções da equipa da novela e não me fazem confusão.
As roupas dos escravos ou população pobre em geral estão plausíveis q.b., utilizando o algodão, linho e lãs, em tons de terra e silhuetas simples. Fora, mais uma vez, um ou outro detalhe e talvez roupas de escravos demasiado maltrapilhas ou rasgadas, também não me chateiam.
Mas é no guarda-roupa feminino que a porca torce o rabo. Temos figurinos que abrangem um período na moda de quase 100 anos, o que mesmo com os atrasos previsíveis não é plausível. Vou contextualizar um pouco. No final do séc. XVIII e início do séc. XIX, um período de transição na moda, foi introduzida com as invasões napoleónicas e a sua utopia de um novo Império Romano, a silhueta Império de vestidos diáfanos de cintura subida, de inspiração romana. Dado a novela se passar na província do Brasil, na cauda da possível vanguarda da moda, é normal que famílias há muito sediadas em Minas Gerais, ou nas gerações mais velhas, se vejam com frequência silhuetas séc. XVIII. O que não é plausível é ver-se em mulheres nobres, vindas directamente de Paris ou mesmo de Lisboa, Robes-de-sac, os vestidos séc. XVIII que têm uma espécie de capa nas costas, do início a meados do séc. XVIII. Isto era o que se usava no final do séc. XVIII e era isso que eu esperava ver nas gerações mais velhas da nobreza ou classes abastadas da novela. Nas gerações mais novas esperava ver muitos algodões, linhos, talvez algum organdi e umas golas de renda, em silhuetas Império ou na fase anterior, coisas como Chemise à la Reine ou semelhante. Exemplos como estes. Ainda por cima no Brasil, com um calor dos diabos! Em vez disso vejo imensos híbridos, que não são nem carne nem peixe, que não seguem corrente de moda alguma, que são uma mistura de materiais estranha ou muito à frente da sua época, com chiffons, veludos, rendas elaboradas, pedrarias, silhuetas cintadas que mais fazem lembrar o final do séc. XIX e não o seu início.
Percebo que queiram apresentar arrojo e sensualidade à protagonista Rosa//Joaquina, doçura e romantismo à sua irmã/acompanhante Bertoleza ou desajuste espampanante a Branca. Fora Branca, que é a única jovem de origem abastada onde permitiria alguma margem, devido a ser um bocado louca, deslumbrada e fantasista, onde é que na moda do início do séc. XIX não há sensualidade, com tecidos transparentes e decotes generosos, ou romantismo em saias diáfanas e a possibilidade de muitas decorações florais. Os fatos tanto de Rosa como de Bertoleza são demasiado modernos, nos materiais como nas silhuetas e isso enervou-me tanto que me distraiu do principal, da narrativa. Nem os achei particularmente bonitos, eram demasiado vestidos de noiva para o meu gosto. A única personagem com uma silhueta Império correcta foi a Princesa Carlota Joaquina, se bem que com chiffon e pedrarias a mais para o meu gosto. Mas perdoo-lhes, ela era uma desbragada.
Os cabelos também sofrem da clássica falta de ganchos, como se queixam constantemente as moças do Frock Flicks, e uma ausência de chapéus ou toucas chocante para a época, especialmente os de Branca Farto, mas as perucas são muito boas e convenientemente decadentes.
Por fim temos o bordel, que é onde a imaginação vai de rédea solta. Lá temos uma conjugação de farrapos com materiais e cores nobres, caros e difíceis de arranjar, como veludos e cores intensas e escuras, com corpetes vitorianos e elementos steampunk... pois. OK, as prostitutas, tal como os bandidos, podem ser mais fantasistas, mas que haja alguma consistência. A moda-bordel pelos vistos é sempre igual, seja no séc. XVIII, XIX ou anos 20 (ver a nova versão da Gabriela).
Caramba, com os materiais que o Brasil tem, os meios topo de gama da Globo, decerto um exército de costureiras, um orçamento generoso, uma pesquisa fácil de fazer, não percebo esta tentativa de "realismo" muito pouco realista. Eu tenho imensa pena, pois os brasileiros da Globo já foram muito melhores nisso, já tiveram uma preocupação histórica muito mais séria, mesmo que por vezes implicasse os inevitáveis cetins de poliéster dos anos 80, que no vídeo NTSC ainda pareciam mais ofuscantes.
Contudo, gosto imenso de o Brasil andar a querer contar a sua história, mesmo que de um modo algo fantasista, mas gostava de ver maior coerência histórica, visual e entre equipas.
Liberdade, Liberdade
Enquanto que Lado a Lado conseguia ser mais lúdica na abordagem da transição para o modernismo e estava estruturada como uma novela normal, incluindo vários núcleos, como o clássico cómico como elemento de descompressão, Liberdade, Liberdade, na sua abordagem grave à luta pela indpendência do Brasil, é à partida mais desequilibrada, desconjuntada e difícil de digerir. Mas tratando-se de uma ficção, baseada em factos históricos, mas sobretudo uma ficção, não vou criticar muito por aí. A premissa é boa, a história de uma suposta filha do Tiradentes que serve de charneira para contar parte da história da independência do Brasil, dos Inconfidentes e do estado de Minas Gerais.
A liberdade criativa a que me refiro tem mais a ver com escolhas da direcção artística da novela, na sua grande maioria um pouco questionáveis.
Para começar: tanto banho que eles tomam! Numa época, início do séc. XIX, em que é sabido que se tomava um banho por mês, talvez um por semana, em que o fedor era disfarçado, por quem podia, com perfume e maquilhagem, os protagonistas desta novela tomam banho quase todos os dias, nobres ou ladrões. Eu sei porque é que estas cenas existem, é uma tentativa de apimentar a coisa com cenas de nudez (e sexo - sexo vende), e mostrar amiúde o belo traseiro de Mateus Solano (nham!), entre outros. Mas é inverosímil e ainda por cima inconsistente com a constante sujidade nas faces das personagens, um cuidado que foi decidido pela equipa de caracterização e maquilhagem da novela (ver site oficial).
Nem vou me alargar pela banda-sonora, que varia entre sons medievais entre o povo, o mesmo cão a ganir constantemente e valsas posteriores à época retratada.
Depois temos um guarda-roupa muito inconsistente e historicamente a atirar para todos os lados. O conceito do guarda-roupa feminino parece saído da mente de uma menina de 10 anos que se quer mascarar de "dama antiga" no Carnaval.
O guarda-roupa masculino é mais coerente, mesmo sendo muito mais fácil isso acontecer por a moda mudar mais lentamente que a feminina. Temos casacas do final do séc. XVIII a conviver com colarinhos levantados do período Império, que é plausível, dado estarmos numa província além-mar de Portugal, que nunca primorou por estar na vanguarda da moda, muito menos a masculina. Aqui, fora um ou outro detalhe, gosto das opções da equipa da novela e não me fazem confusão.
As roupas dos escravos ou população pobre em geral estão plausíveis q.b., utilizando o algodão, linho e lãs, em tons de terra e silhuetas simples. Fora, mais uma vez, um ou outro detalhe e talvez roupas de escravos demasiado maltrapilhas ou rasgadas, também não me chateiam.
Mas é no guarda-roupa feminino que a porca torce o rabo. Temos figurinos que abrangem um período na moda de quase 100 anos, o que mesmo com os atrasos previsíveis não é plausível. Vou contextualizar um pouco. No final do séc. XVIII e início do séc. XIX, um período de transição na moda, foi introduzida com as invasões napoleónicas e a sua utopia de um novo Império Romano, a silhueta Império de vestidos diáfanos de cintura subida, de inspiração romana. Dado a novela se passar na província do Brasil, na cauda da possível vanguarda da moda, é normal que famílias há muito sediadas em Minas Gerais, ou nas gerações mais velhas, se vejam com frequência silhuetas séc. XVIII. O que não é plausível é ver-se em mulheres nobres, vindas directamente de Paris ou mesmo de Lisboa, Robes-de-sac, os vestidos séc. XVIII que têm uma espécie de capa nas costas, do início a meados do séc. XVIII. Isto era o que se usava no final do séc. XVIII e era isso que eu esperava ver nas gerações mais velhas da nobreza ou classes abastadas da novela. Nas gerações mais novas esperava ver muitos algodões, linhos, talvez algum organdi e umas golas de renda, em silhuetas Império ou na fase anterior, coisas como Chemise à la Reine ou semelhante. Exemplos como estes. Ainda por cima no Brasil, com um calor dos diabos! Em vez disso vejo imensos híbridos, que não são nem carne nem peixe, que não seguem corrente de moda alguma, que são uma mistura de materiais estranha ou muito à frente da sua época, com chiffons, veludos, rendas elaboradas, pedrarias, silhuetas cintadas que mais fazem lembrar o final do séc. XIX e não o seu início.
Percebo que queiram apresentar arrojo e sensualidade à protagonista Rosa//Joaquina, doçura e romantismo à sua irmã/acompanhante Bertoleza ou desajuste espampanante a Branca. Fora Branca, que é a única jovem de origem abastada onde permitiria alguma margem, devido a ser um bocado louca, deslumbrada e fantasista, onde é que na moda do início do séc. XIX não há sensualidade, com tecidos transparentes e decotes generosos, ou romantismo em saias diáfanas e a possibilidade de muitas decorações florais. Os fatos tanto de Rosa como de Bertoleza são demasiado modernos, nos materiais como nas silhuetas e isso enervou-me tanto que me distraiu do principal, da narrativa. Nem os achei particularmente bonitos, eram demasiado vestidos de noiva para o meu gosto. A única personagem com uma silhueta Império correcta foi a Princesa Carlota Joaquina, se bem que com chiffon e pedrarias a mais para o meu gosto. Mas perdoo-lhes, ela era uma desbragada.
Os cabelos também sofrem da clássica falta de ganchos, como se queixam constantemente as moças do Frock Flicks, e uma ausência de chapéus ou toucas chocante para a época, especialmente os de Branca Farto, mas as perucas são muito boas e convenientemente decadentes.
Por fim temos o bordel, que é onde a imaginação vai de rédea solta. Lá temos uma conjugação de farrapos com materiais e cores nobres, caros e difíceis de arranjar, como veludos e cores intensas e escuras, com corpetes vitorianos e elementos steampunk... pois. OK, as prostitutas, tal como os bandidos, podem ser mais fantasistas, mas que haja alguma consistência. A moda-bordel pelos vistos é sempre igual, seja no séc. XVIII, XIX ou anos 20 (ver a nova versão da Gabriela).
Caramba, com os materiais que o Brasil tem, os meios topo de gama da Globo, decerto um exército de costureiras, um orçamento generoso, uma pesquisa fácil de fazer, não percebo esta tentativa de "realismo" muito pouco realista. Eu tenho imensa pena, pois os brasileiros da Globo já foram muito melhores nisso, já tiveram uma preocupação histórica muito mais séria, mesmo que por vezes implicasse os inevitáveis cetins de poliéster dos anos 80, que no vídeo NTSC ainda pareciam mais ofuscantes.
Contudo, gosto imenso de o Brasil andar a querer contar a sua história, mesmo que de um modo algo fantasista, mas gostava de ver maior coerência histórica, visual e entre equipas.
Liberdade, Liberdade
canais:
telenovelas
08 março 2016
5 Gajos Bons 2016
Depois de muito dar a volta à cabeça, ver as séries que tenho na box gravadas, ver listas de reposições a dar na TV, de até fazer uma lista preliminar, mas a meia-haste, dos meus 5 Gajos Bons no ar na TV a 8 de Março de 2016, este ano decidi não fazer lista!
Não deixei de ver TV, até recorri às telenovelas brasileiras, que em geral têm um bom stock de gajos bons, mas este ano a crise parece que atingiu os gajos bons também. Todos os gajos bonitinhos são demasiado deslavados e os outros... até podem ser bons actores, ter carisma, etc. etc., mas não se qualificam.
Para compensar, deixo-vos dois vídeos de outro gajo bom, mas da música, que sabe bem que o é!
Não deixei de ver TV, até recorri às telenovelas brasileiras, que em geral têm um bom stock de gajos bons, mas este ano a crise parece que atingiu os gajos bons também. Todos os gajos bonitinhos são demasiado deslavados e os outros... até podem ser bons actores, ter carisma, etc. etc., mas não se qualificam.
Para compensar, deixo-vos dois vídeos de outro gajo bom, mas da música, que sabe bem que o é!
canais:
celebrações,
música,
YouTube
29 fevereiro 2016
88 Oscars Politicamente Correctos - Parte II?
Para variar não vi quase nenhum dos filmes nomeados e muito provavelmente não irei ver a grande maioria, a não ser que passem na TV num sábado à tarde de ronha. Portanto, comecemos com o Red Carpet.
Este ano nenhum vestidinho me deixou de queixo caído, não houve grandes extravagâncias. As tendências foram, entre muitas, o bling da lantejoula, um bocado anos 70, e uma espécie da badana/folho horroroso, que fazia lembrar a cauda da Ariel, nalguns vestidos. Mas ao menos foi colorido. O meu preferido e o único que me saltou aos olhos, era simples, mas muito elegante: Saoirse Ronan, num dos blings de lantejoulas anos 70, em verde escuro. Os meninos sim, foram muito para o smoking de veludo. Também muito anos 70, mas com corte anos 60. Gosto.
Gostei do cenário dos Oscars, mais uma vez de inspiração Art Déco. Desta vez com muitos raios dourados e as estátuas do Oscar a fazer lembrar Budas dourados. A cerimónia está cada vez mais resumida, mas não mais curta, e os agradecimentos em rodapé tiram-lhe espontaneidade. Mudaram a ordem de entrega dos prémios, para uma "suposta" ordem de produção de filmes. Tudo bem, é-me indiferente. As caixas de texto com os nomes e filmes dos vencedores eram demasiado pequenas, principalmente para quem, como eu, tem uma TV de 15', que aliás a SIC Caras fez o favor de cortar, não fazendo resize para ecrãs 4x3. Há quem não tenha carcanhol para uma LCD toda xpto, OK? A Cavalgada das Valquírias numa orquestração delicodoce para calar os vencedores? Não gostei.
Chris Rock sempre anima um bocado as coisas e a cerimónia foi menos aborrecida que o ano passado. Neil Patrick Harris até teve direito a uma boca relativa a isso. As piadas foram passando pela ausência de nomeados negros e, para compensar e ser politicamente correcta, a Academia lá pespegou muitos apresentadores negros. Os números musicais perderam o brilho de então e como, também para variar as canções nomeadas não me dizem nada... meh.
Nas nomeações só torci por Sandy Powell, nomeada duas vezes para Melhor Guarda-Roupa, mas mesmo assim não ganhou. Mad Max Fury Road ganhou uma catrefada de prémios, mas fugiram-lhe os grandes: Melhor Actriz, Melhor Actor, Melhor Realizador e Melhor Filme. Para variar a longa de animação foi para um filme em 3D, de quem? Da Pixar! Foi preciso estar em vias de bater a bota para finalmente darem um Oscar ao Maestro Ennio Morricone. Vergonha! Foi singelo o In Memoriam, com Dave Grohl na guitarra acústica, mas esqueceram-se do Oliveira e do Rivette... e gostei do discurso de DiCaprio, mas acho que só gostei mesmo dele no primeiro filme que vi: Gilbert Grape.
E lá se passou mais uma cerimónia de entrega dos Oscars, onde cada vez mais parece tudo encenado e comprado. Nem os discursos ou apresentações mais engraçados o são o suficiente para disfarçar a falta de idoneidade. Enfim, para o ano cá estarei, mas o nível de atenção é directamente proporcional ao nível de artificialismo da produção. Tenho a certeza que os Oscars andam a perder público mais depressa que o Doc Lisboa. Os Golden Globes são tão mais interessantes!
![]() |
| Saoirse Ronan |
Gostei do cenário dos Oscars, mais uma vez de inspiração Art Déco. Desta vez com muitos raios dourados e as estátuas do Oscar a fazer lembrar Budas dourados. A cerimónia está cada vez mais resumida, mas não mais curta, e os agradecimentos em rodapé tiram-lhe espontaneidade. Mudaram a ordem de entrega dos prémios, para uma "suposta" ordem de produção de filmes. Tudo bem, é-me indiferente. As caixas de texto com os nomes e filmes dos vencedores eram demasiado pequenas, principalmente para quem, como eu, tem uma TV de 15', que aliás a SIC Caras fez o favor de cortar, não fazendo resize para ecrãs 4x3. Há quem não tenha carcanhol para uma LCD toda xpto, OK? A Cavalgada das Valquírias numa orquestração delicodoce para calar os vencedores? Não gostei.
Chris Rock sempre anima um bocado as coisas e a cerimónia foi menos aborrecida que o ano passado. Neil Patrick Harris até teve direito a uma boca relativa a isso. As piadas foram passando pela ausência de nomeados negros e, para compensar e ser politicamente correcta, a Academia lá pespegou muitos apresentadores negros. Os números musicais perderam o brilho de então e como, também para variar as canções nomeadas não me dizem nada... meh.
Nas nomeações só torci por Sandy Powell, nomeada duas vezes para Melhor Guarda-Roupa, mas mesmo assim não ganhou. Mad Max Fury Road ganhou uma catrefada de prémios, mas fugiram-lhe os grandes: Melhor Actriz, Melhor Actor, Melhor Realizador e Melhor Filme. Para variar a longa de animação foi para um filme em 3D, de quem? Da Pixar! Foi preciso estar em vias de bater a bota para finalmente darem um Oscar ao Maestro Ennio Morricone. Vergonha! Foi singelo o In Memoriam, com Dave Grohl na guitarra acústica, mas esqueceram-se do Oliveira e do Rivette... e gostei do discurso de DiCaprio, mas acho que só gostei mesmo dele no primeiro filme que vi: Gilbert Grape.
E lá se passou mais uma cerimónia de entrega dos Oscars, onde cada vez mais parece tudo encenado e comprado. Nem os discursos ou apresentações mais engraçados o são o suficiente para disfarçar a falta de idoneidade. Enfim, para o ano cá estarei, mas o nível de atenção é directamente proporcional ao nível de artificialismo da produção. Tenho a certeza que os Oscars andam a perder público mais depressa que o Doc Lisboa. Os Golden Globes são tão mais interessantes!
canais:
celebrações,
celebridades,
cinema
18 janeiro 2016
*trufas
Oh meu deus! Em Arrow alguém traduziu trifles por trufas!!! Nem vou comentar mais, esta é demasiado triste.
trifle
trufa
trifle
trufa
canais:
séries,
TV-glossário
20 dezembro 2015
O que aconteceu ao "já vou!"?
Ultimamente, nas legendagens e dobragens televisivas, a expressão inglesa "I'm coming!" ou "coming!" tem sido sistematicamente traduzida por "estou a ir!". Mas que raio aconteceu ao "já vou!"?
Não estou com paciência para maçar ninguém com detalhes linguísticos, mas "estou a ir" soa mal é mais comprido do que "já vou" e o "já vou" era, até à chegada de tradutores preguiçosos, a expressão usada quando uma pessoa chama outra e a 2ª pessoa responde "já vou!".
Ninguém diz estou a ir... Em defesa do já vou! e de um português coloquial mais realista na televisão!
Não estou com paciência para maçar ninguém com detalhes linguísticos, mas "estou a ir" soa mal é mais comprido do que "já vou" e o "já vou" era, até à chegada de tradutores preguiçosos, a expressão usada quando uma pessoa chama outra e a 2ª pessoa responde "já vou!".
Ninguém diz estou a ir... Em defesa do já vou! e de um português coloquial mais realista na televisão!
canais:
serviço técnico,
TV-glossário
24 novembro 2015
17 outubro 2015
*bucolismo
Um agente avisa Felix Leiter, em Quantum of Solace: "vais apanhar bucolismo." por estar a beber água no Haiti.
No dia em que o botulismo for bucólico, avisem-me!!
botulismo
bucolismo
No dia em que o botulismo for bucólico, avisem-me!!
botulismo
bucolismo
canais:
cinema,
TV-glossário
31 março 2015
*liteira
Há mesmo muito tempo que não ouvia uma divertida o suficiente para adicionar uma entrada ao meu TV-glossário, mas esta é hilariante tanto no desconhecimento do inglês, de onde seguramente foi feita a tradução, como na ignorância do português!
No episódio 31 do anime Hamtaro, que passou há algum tempo no Canal Panda, os hamsters lidam com um gatinho perdido e um deles, preocupado com a logística, pergunta qualquer coisa como: "como fazemos com a liteira?" De chorar a rir!!!
OK, está na hora da explicação. Caros senhores tradutores de desenhos animados no Canal Panda e afins: vocês têm responsabilidade redobrada de não fazer más traduções, mas pelos vistos nem vocês, nem o canal/distribuidora querem saber. Liteira é uma espécie de veículo/cabine, tipicamente transportada por dois homens (um à frente, outro atrás), usada por pessoas de classes altas, ou de posses na antiguidade. Não me vou alargar mais com este tópico, até porque pouco ou nada percebo de liteiras, apenas sei o que são. Parto do princípio que o texto de onde esta brilhante tradução se baseia será, por sua vez, uma tradução em inglês do original japonês. Também parto do princípio que o termo em questão seria litter box ou litter tray, e essa sim está directamente relacionada com o tratamento diário de um gato de estimação, a caixa de areia, ou areão. Aliás, litter significa lixo. Disso percebo um pouco mais, já que tive gatos durante vários anos...
De qualquer modo creio que certos gatos não se importariam nada de ser transportados numa liteira.
liteira
litter box
No episódio 31 do anime Hamtaro, que passou há algum tempo no Canal Panda, os hamsters lidam com um gatinho perdido e um deles, preocupado com a logística, pergunta qualquer coisa como: "como fazemos com a liteira?" De chorar a rir!!!
OK, está na hora da explicação. Caros senhores tradutores de desenhos animados no Canal Panda e afins: vocês têm responsabilidade redobrada de não fazer más traduções, mas pelos vistos nem vocês, nem o canal/distribuidora querem saber. Liteira é uma espécie de veículo/cabine, tipicamente transportada por dois homens (um à frente, outro atrás), usada por pessoas de classes altas, ou de posses na antiguidade. Não me vou alargar mais com este tópico, até porque pouco ou nada percebo de liteiras, apenas sei o que são. Parto do princípio que o texto de onde esta brilhante tradução se baseia será, por sua vez, uma tradução em inglês do original japonês. Também parto do princípio que o termo em questão seria litter box ou litter tray, e essa sim está directamente relacionada com o tratamento diário de um gato de estimação, a caixa de areia, ou areão. Aliás, litter significa lixo. Disso percebo um pouco mais, já que tive gatos durante vários anos...
De qualquer modo creio que certos gatos não se importariam nada de ser transportados numa liteira.
liteira
litter box
canais:
animação,
anime,
infantil,
TV-glossário
08 março 2015
5 Gajos (Meio) Bons 2015
Ui, isto este ano está difícil... Tenho visto pouca televisão, a maioria são as séries do costume e telenovelas brasileiras, de onde aparentemente os meus gajos bons preferidos tiraram férias. Portanto este ano a lista é de segundas escolhas e recorri à melhor fonte de gajos bons de sempre, as novelas da Globo. Mas isso não significa que não goste de os ver no écrã, só o nível de baba é que é consideravelmente menor.
1. Brandon Routh
O Ray Palmer da 3ª temporada de Arrow é engraçado, interessante, tem carisma e muito potencial. Gostei dele no Superman Returns e, segundo a filmografia já vi 2 ou 3 coisas com ele antes, mas só nesta série, talvez pela repetição ou porque gosto da personagem, é que me chamou a atenção.
2. Anthony Bourdain
Sempre gostei de Anthony Bourdain, do seu lado provocador, subversivo e desbocado, aliado a um conhecimento vasto e inteligência. Vi o No Reservations de fio a pavio e actualmente estou a acompanhar no 24h Kitchen o Parts Unknown. Quanto ao lado "gajo bom", Bourdain é daqueles homens como o vinho, aprimora com a idade. Mesmo assim, as razões de ele estar aqui continuam a ser mais intelectuais que outra coisa.
3. Bruno Garcia
A recente estreia da novela disco brasileira Boogie Oogie na Globo trouxe algumas carinhas larocas e o único repetente neste pódium. Admito que Bruno Garcia não está assim tão sexy e a personegem dele, Ricardo Fraga, não é das com maior proeminência, mas é sempre um prazer revê-lo e eu precisava de candidatos.
4. Marco Pigossi
Este menino já me chamou bastante a atenção por ser um excelente actor e também por ser um belíssimo par romântico. Apesar do seu começo como "bichinha de serviço" em Caras e Bocas, onde estava fantástico, ele fica óptimo como menino bonzinho. O seu Rafael em Boogie Oogie (uma espécie de continuação do Bento de Sangue Bom) deu-lhe o lugar no pódio.
5. Lázaro Ramos
Mais um brasileiro e um actor que admiro há alguns anos. Em Lado a Lado é capaz de ter um dos papéis da sua vida em novelas, mas sendo o excelente actor que é, creio que quase todos o são. Os seus olhos pestanudos e carisma inato trouxeram-no aqui.
O Ray Palmer da 3ª temporada de Arrow é engraçado, interessante, tem carisma e muito potencial. Gostei dele no Superman Returns e, segundo a filmografia já vi 2 ou 3 coisas com ele antes, mas só nesta série, talvez pela repetição ou porque gosto da personagem, é que me chamou a atenção.
Sempre gostei de Anthony Bourdain, do seu lado provocador, subversivo e desbocado, aliado a um conhecimento vasto e inteligência. Vi o No Reservations de fio a pavio e actualmente estou a acompanhar no 24h Kitchen o Parts Unknown. Quanto ao lado "gajo bom", Bourdain é daqueles homens como o vinho, aprimora com a idade. Mesmo assim, as razões de ele estar aqui continuam a ser mais intelectuais que outra coisa.
A recente estreia da novela disco brasileira Boogie Oogie na Globo trouxe algumas carinhas larocas e o único repetente neste pódium. Admito que Bruno Garcia não está assim tão sexy e a personegem dele, Ricardo Fraga, não é das com maior proeminência, mas é sempre um prazer revê-lo e eu precisava de candidatos.
Este menino já me chamou bastante a atenção por ser um excelente actor e também por ser um belíssimo par romântico. Apesar do seu começo como "bichinha de serviço" em Caras e Bocas, onde estava fantástico, ele fica óptimo como menino bonzinho. O seu Rafael em Boogie Oogie (uma espécie de continuação do Bento de Sangue Bom) deu-lhe o lugar no pódio.
Mais um brasileiro e um actor que admiro há alguns anos. Em Lado a Lado é capaz de ter um dos papéis da sua vida em novelas, mas sendo o excelente actor que é, creio que quase todos o são. Os seus olhos pestanudos e carisma inato trouxeram-no aqui.
canais:
celebrações,
celebridades,
culinária,
documentários,
séries,
telenovelas
23 fevereiro 2015
87 Oscars - A Invasão Britânica
| Marion Cotillard, em Dior e Lupita Nyongo, em Calvin Klein |
Acho que ontem foi a primeira vez que vi um programa da SIC Caras (produção própria - Passadeira Vermelha) do princípio ao fim e posso dizer que foi cedo demais! As alarvidades que aquela gente diz, não fazem o mínimo de pesquisa, não sabem nada dos filmes e menos ainda de cinema... argh! Charade não é realizado por Hitchcock, Emma Stone é uma loira natural (apesar de ficar melhor ruiva), Ana Marques: Ralph Fiennes pronuncia-se 'Reif Faines', Salma Hayek, e não Penelope Cruz, interpretou Frida e coisas bem piores! Já para não falar que o gosto deles por moda é clássico, aborrecido e previsível.
A passadeira vermelha, versão SIC Caras, foi aborrecida e incompleta. Não percebi o que andava a fazer Rita Seguro em Los Angeles, não adiantou rigorosamente nada ao serviço, ela claramente não tinha autorização para nada. Ou Carolina Patrocínio a comentar mal e porcamente, sem profissionalismo nenhum, as vestimentas das meninas nos intervalos. Por mais histriónico que seja o canal, e irritantes que sejam os apresentadores, dêm-me o E! sempre! Aliás a diferença é gritante, de cerca de uma hora para 3 horas e meia...
Vá, vamos ao que interessa, as farpelas.
Gostei muito do Dior de Marion Cotillard, muito Balenciaga, anos 60. Esta menina nunca desilude. Adorei o fato grená de David Oyewolo, pontos para uma cor invulgar nos homens que fica lindamente no tom de pele dele. As perolas de Lupita Nyongo (Calvin Klein!!). Da simplicidade de Cate Blanchett (we're not worthy!). Do salmão muito Halston de Anna Kendrick. Margot Robbie, quem quer que seja ela, muito elegância anos 70 x anos 30. Do veludo azul de Common (não faço ideia). Do rosa-algodão-doce assimétrico de Gwyneth Paltrow. O verde diáfano de America Ferrera (a quilómetros da Ugly Betty). E o vestido de Rita Ora durante a cerimónia.
Não gostei da "parede de tijolos suja" (citando uma blogger do tumblr) de Naomi Watts, daquela coisa de Lady Gaga, pois não era nem carne nem peixe. Se ela vai "aparecer" é melhor que use algo mesmo extravagante do que aquilo que não era nem extravagante nem elegante. O lenço de assoar bordado de Keira Nightley. Laura Dern, onde foste buscar essa franja?? Aos anos 80? O vestido era giro.
Demasiados nudes (argh!), muitos brancos, muitos vermelhos, homens em cor, verdes, mas no geral nada verdadeiramente marcante.
Tinha algumas expectativas para Neil Patrick Harris, ele tem trabalhado muito em musicais, ganhou vários Tonys, apresentou vários Tonys, mas a cerimónia, fora a ocasional piada atrevida e apresentar um prémio de cuecas (citação de Birdman), foi muito aborrecida. Ellen, volta, que estás perdoada!
Mas gostei muito do cenário de pirilampos e da homenagem ao Sound of Music, mesmo achando que também deviam ter trazido os Von Trapp do filme ao palco, Lady Gaga tem voz para aquelas canções e foi engraçado vê-la tão emocionada abraçar Julie Andrews.
Tantos Brits nos Oscars! Nomeados, apresentadores, convidados, equipas técnicas: Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne, Rosamund Pike, Felicity Jones, Julie Andrews, David Oyewolo, and so on, and so on. É impressionante como o British accent está na moda nos EUA e como muitos filmes nos Oscars ou são produção britânica ou europeia. Parabéns Milena Canonero, mereces sempre o Oscar! The Grand Budapest Hotel ainda é "fora" demais para receber mais que Oscars de design de produção, mas mesmo assim fico contente. Os Oscars para Actor, Eddie Redmayne, Actriz, Julieanne Moore, Realizador, Alejandro Gonzalez Iñárritu e Filme, Birdman, foram completamente previsíveis. Se tivesse apostado, tinha ganho qualquer coisinha.
Pois é, este ano os Oscars foram um bocado meh... para o ano têm de apimentar um bocado a coisa.
Oscar.com
23 setembro 2014
O Rebu
Ultimamente tenho notado um esforço da Globo para dar o salto da novela popular, com centenas de episódios para séries sofisticadas à americana. O remake de O Astro foi um exemplo e o novo remake, de uma novela que não passou cá, O Rebu, rebu vem de reboliço, mostra uma evolução interessante.
A produção de O Rebu é sofisticada (check), tem um elenco de primeira (check), um cenário de luxo (check), uma banda sonora meticulosamente escolhida, que equilibra a MPB com canções internacionais cool, New Order, Amy Winehouse, etc., (check), uma mise-en-scène de câmara à mão e planos de sequência (check), uma fotografia polida com uma paleta de cores frias (check) e uma montagem fluída (check). O que ainda falha e continua a ser o calcanhar de aquiles destas produções é o modo, ou o formato, como a narrativa é contada.
Apesar de uma história interessante, um whodunnit numa festa louca e cheia de luxo, num cenário de sonho, personagens complexas e narrativas secundárias que despertam alguma curiosidade, o seu desenvolvimento ainda demonstra a dificuldade em sair do formato telenovelesco em que a narrativa é esticada à exaustão e a informação redundante. Se 40 episódios é pouco para a norma das produções da Globo, são demais para a história de O Rebu, e todo o deslumbramento que me fez ficar colada ao ecrã nos primeiros episódios logo se dissipou. Em cada episódio há flashbacks que se repetem à exaustão, demasiada repetição de cenas de episódios anteriores e uma narrativa que não flui, corre aos soluços. Fazia falta uma maior economia da narrativa e não cansar o espectador com tanta repetição. Em 20 episódios, com o mesmo material em bruto, podia contar-se a mesma história, cuja maior qualidade é a não-linearidade, que estaria bem resolvida não fora a necessidade de reforçar momentos chave a todo o instante.
Mesmo assim, desde O Astro, o salto qualitativo é enorme e a prova que a máquina bem oleada da Globo há-de chegar lá, àquele patamar das séries televisivas sofisticadas e originais produzidas para um mercado internacional. Só falta mesmo encaixarem melhor o formato e largarem os tiques do formato que dominam melhor, a telenovela.
O Rebu
A produção de O Rebu é sofisticada (check), tem um elenco de primeira (check), um cenário de luxo (check), uma banda sonora meticulosamente escolhida, que equilibra a MPB com canções internacionais cool, New Order, Amy Winehouse, etc., (check), uma mise-en-scène de câmara à mão e planos de sequência (check), uma fotografia polida com uma paleta de cores frias (check) e uma montagem fluída (check). O que ainda falha e continua a ser o calcanhar de aquiles destas produções é o modo, ou o formato, como a narrativa é contada.
Apesar de uma história interessante, um whodunnit numa festa louca e cheia de luxo, num cenário de sonho, personagens complexas e narrativas secundárias que despertam alguma curiosidade, o seu desenvolvimento ainda demonstra a dificuldade em sair do formato telenovelesco em que a narrativa é esticada à exaustão e a informação redundante. Se 40 episódios é pouco para a norma das produções da Globo, são demais para a história de O Rebu, e todo o deslumbramento que me fez ficar colada ao ecrã nos primeiros episódios logo se dissipou. Em cada episódio há flashbacks que se repetem à exaustão, demasiada repetição de cenas de episódios anteriores e uma narrativa que não flui, corre aos soluços. Fazia falta uma maior economia da narrativa e não cansar o espectador com tanta repetição. Em 20 episódios, com o mesmo material em bruto, podia contar-se a mesma história, cuja maior qualidade é a não-linearidade, que estaria bem resolvida não fora a necessidade de reforçar momentos chave a todo o instante.
Mesmo assim, desde O Astro, o salto qualitativo é enorme e a prova que a máquina bem oleada da Globo há-de chegar lá, àquele patamar das séries televisivas sofisticadas e originais produzidas para um mercado internacional. Só falta mesmo encaixarem melhor o formato e largarem os tiques do formato que dominam melhor, a telenovela.
O Rebu
canais:
séries,
telenovelas
10 julho 2014
Serviço Público II
Num dos primeiros posts deste blog eu questionava os critérios de programação e serviço público da RTP por passarem programas de interesse público e nacional a horas impróprias. Agora, passados quase 10 anos continuo a questionar os critérios de programação e serviço público da RTP por terem passado A Arte de Animar em Portugal à hora mais que imprópria para um programa do género, às 3h da manhã (de 7 de Julho)!
Felizmente apanhei o programa porque costumo deitar-me tarde, mas até para mim a hora é imprópria, pois o sono já espreita. Felizmente também estas boxes de TV modernas permitem gravar coisas que estão a dar ou já deram do início, que foi o que fiz. Mas do que deu para ver do programa e que realmente chamou a minha atenção (para além de razões pessoais - foi o meu primeiro emprego, fazer animação) foi ver rapidamente que se tratava de um documentário bastante completo e interessante que traçava o percurso histórico da animação em Portugal que, apesar de infelizmente continuar a ser uma "profissão amadora", é reconhecida fora de portas como animação de qualidade. Os prémios internacionais que diversos filmes têm ganho são prova disso.
Porque um programa do género não passa mais cedo? Não diria em horário nobre mas lá pelas 23h? E porquê na RTP 1? Se passaram um documentário do género é porque de alguma forma teve apoio da RTP, se teve apoio da RTP porquê passar num horário em que apenas os morcegos desavisados (eu incluída
) o vêm? Historicamente um documentário do género seria programa para passar na RTP 2, como eu disse lá pelas 22h-23h ou então ao fim da tarde, antes do telejornal, por volta das 19h. Assim a RTP 1 ficaria livre para transmitir os programas "populares" de que tanto os canais nacionais parecem estar a gostar cada vez mais...
Honrem o dinheiro e meios que gastam nos apoios que dão, passem os vossos patrocinados a horas decentes! Façam os vossos produtos, mesmo que marginais ou pequenos, render.
A Arte de Animar em Portugal - RTP
Felizmente apanhei o programa porque costumo deitar-me tarde, mas até para mim a hora é imprópria, pois o sono já espreita. Felizmente também estas boxes de TV modernas permitem gravar coisas que estão a dar ou já deram do início, que foi o que fiz. Mas do que deu para ver do programa e que realmente chamou a minha atenção (para além de razões pessoais - foi o meu primeiro emprego, fazer animação) foi ver rapidamente que se tratava de um documentário bastante completo e interessante que traçava o percurso histórico da animação em Portugal que, apesar de infelizmente continuar a ser uma "profissão amadora", é reconhecida fora de portas como animação de qualidade. Os prémios internacionais que diversos filmes têm ganho são prova disso.
Porque um programa do género não passa mais cedo? Não diria em horário nobre mas lá pelas 23h? E porquê na RTP 1? Se passaram um documentário do género é porque de alguma forma teve apoio da RTP, se teve apoio da RTP porquê passar num horário em que apenas os morcegos desavisados (eu incluída
Honrem o dinheiro e meios que gastam nos apoios que dão, passem os vossos patrocinados a horas decentes! Façam os vossos produtos, mesmo que marginais ou pequenos, render.
A Arte de Animar em Portugal - RTP
canais:
animação,
documentários
Subscrever:
Mensagens (Atom)


