TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

31 julho 2007

Sempre na TV

Pois... ontem foi Ingmar Bergman e hoje foi Michelangelo Antonioni...

Ao contrário de Bergman, nunca vi um único filme de Antonioni em grande écran. Mas com muita pena e alguma frustração minha, pois mais uma vez é um cineasta de filmes para ver em sala.

Antonioni era sublime, os seus filmes mais do que especiais, só me vem à cabeça o cliché: o cinema mundial ficou bastante mais pobre esta semana. O que nos vale (e fica) são os filmes.

Não-televisivo

Nunca vi um filme de Bergman na TV. Nunca vi porque há certos filmes que não são para ver na TV. Eu, que adoro os filmes de Ingmar Bergman, tenho dificuldade em me concentrar de todas as vezes que os tentei ver na TV.

Acho que só vi a adaptação para série televisiva de Fanny e Alexander há muitos anos na RTP2 e, apesar de haver mais cenas e narrativa, sinto que só vi verdadeiramente todos os meticulosos pormenores do filme no cinema.

89 anos é uma boa idade, deixou-nos maravilhosos filmes.

09 julho 2007

Alien girl

Este anúncio à Playstation 2 sempre me intrigou... grandes discussões tive com os meus amigos e colegas de trabalho na dúvida se a cara dela seria mesmo assim ou se fora manipulada... eu sempre defendi que era assim, até ver que o clip é de Chris Cunningham. Definitivamente há algo de Aphex Twin na cara dela.



Aqui fica o texto, afinal o sotaque escocês é cerrado:

"Let me tell you what bugs me of the human endeavor
I've never been a human in question, have you?
Mankind went to the moon
I don't even know where Grimsby is
Forget progress by proxy
Land on your own moon
It's no longer about what they can achieve, out there on your behalf
But what we can experience
Up here and of our own time
It's called mental wealth."

Sony Playstation - Mental Wealth

05 julho 2007

*UNISEF

Esta é tão triste que nem consigo ser sarcástica... por 3, sim TRÊS vezes(!) foi escrito, nas legendagens de Martha Stuart, UNISEF em vez de UNICEF...

Francamente, em que mundo vive a pessoa que faz essas legendas... ou será redoma?

Martha Stuart anda a provar ser uma excelente fonte de erros televisivos.

- 2

Pois... infelizmente, no espaço de sensivelmente uma semana, foram-se dois dos melhores actores portugueses, ambos com excelentes prestações em teatro, cinema e televisão:

Filipe Ferrer e Henrique Viana

Pessoalmente preferia Filipe Ferrer, mas ambos fizeram alguns dos mais memoráveis e convincentes vilões da televisão portuguesa.

27 maio 2007

1968

Por três motivos, o excelente elenco, a época retratada e uma certa dose de bom sentido de humor que há muito que queria ver a série Conta-me como foi e não fiquei nada desiludida.

Eu sabia que actores como Miguel Guilherme, Rita Blanco e Catarina Avelar não envergonham ninguém, muito pelo contrário, e realmente temos excelentes desempenhos nesta série, sem pretensiosismos, nem excessos. O forte elenco sénior apoia e estimula o restante elenco juvenil que tem prestações largamente acima da média sem recorrer a maneirismos ou exageros irritantes.

Talvez pela primeira vez numa produção televisiva nacional (de época mas sem ser de há mais de um século atrás) vejo excelentes cenários, muitíssimo convincentes e históricamente correctos. Pode parecer estranho, mas quanto mais próxima de nós é a época mais dificilmente o lado da direcção artística funciona como deve ser, acabando muitas peças actuais infiltradas onde não devem ou uma paleta de cores ser mal definida. Na casa do Lopes temos a típica mobília de uma classe média baixa (não havia muita escolha de mobília e bibelots, portanto as casas eram quase todas iguais), e o melhor de tudo é, realmente a dita paleta de cores: vejo nas paredes da sala aquele típico verde seco, horroroso, que só entristecia e escurecia as salas, mas que toda a gente usava para pintar as paredes. Não havia salas brancas ou de cores pastel, essa é uma noção demasiado anos 80. Também vejo os adereços certos: o criado-mudo em madeira no quarto, os dois sofás de napa, alinhados em canto com uma mesa de camilha entalada entre eles, os naperons, os quadros de flores, os calendários de gatinhos ou cachorrinhos, a banda-desenhada do Mandrake (se bem que eu escolheria o Tarzan ou o Capitão Marvel), etc.

Todos estes objectos fizeram parte da minha infância, conheci-os bem, apesar de já ter apanhado a fase de transição do 25 de Abril, onde surgiram as mobílias de contraplacado e uma primeira abordagem ao design prático e integrado que resultava em compostos de cama-mesa-de-cabeceira ou armário-roupeiro-secretária.

A integração de um humor leve mas que não se leva demasiado a sério num contexto políticamente complicado é muito bem feita e inteligente. Outra coisa interessante é termos aqui três gerações, com pontos de vista sobre a sociedade e a vida diversos, que partilham o mesmo espaço mas que vivem as novas situações de maneiras muito próprias. As idosas tentam ter uma vidinha descansada entre idas à mercearia e a tagarelice no cabeleireiro. Os de meia-idade preocupam-se em demasia com o futuro deles e dos seus e os mais novos alheiam-se de tudo, sendo sempre o mais importante o que de mais diferente houver: desde a série 'Os Invasores' até à mini-saia da prima que veio da França.

Pena que a ideia original não seja nossa (é espanhola), mas pelo menos foi muito bem adaptada, não se notando as costuras e é uma série muito divertida de ver, sem pensar se é portuguesa ou de outra nacionalidade qualquer.

De notar que o site oficial é bastante bom (coisa rara) e até tem os guiões disponíveis, no meio de uma ficha técnica e artística muitíssimo completa.

Conta-me como foi - RTP

RTP1
dom., 22:35

06 maio 2007

*cada vez mais careca

Cada vez mais careca é a tradução da legendagem num episódio de Mentes Criminosas, no AXN, para a expressão getting bolder. Alguém devia explicar a quem traduziu que bold é corajoso e bald é que é careca. Sei que é apenas uma letrinha, mas que faz uma grande diferença!

bold
bald

01 maio 2007

Página 888

Teletexto sempre foi um extra que nunca conheci. Até há pouco só me lembrava que o teletexto existia quando aparece que as novelas são legendadas na página 888.

Recentemente, ao carregar inadvertidamente no respectivo botão da televisão emprestada que tenho usado, resolvi, por curiosidade, experimentar a dita página 888.

É estranho ver a novela Páginas da Vida com teletexto. Até percebo que, por uma questão de espaço e de tempo, por vezes o texto tenha de ser cortado ou reduzido, mas faz-me confusão estarem os actores a falar português do Brasil e as legendas serem em português de Portugal. Se por um lado até faz sentido, uma vez que as legendas supostamente existem para quem não ouve ou ouve mal e porque estamos em Portugal, por outro lado é extremamente confuso até porque às vezes o texto é completamente alterado (como numa má tradução de uma língua estrangeira) ou até letras de canções não são colocadas literalmente, como aconteceu hoje em "Sapo Cururu", uma canção que conheço desde criança, apesar de nunca ter posto os pés em terras brasileiras.

Por outro lado, as pessoas surdas que consigam ler nos lábios devem ter alguma dificuldade em perceber o texto, quando na maioria das vezes não bate certo. Sendo o português do Brasil na mesma português, e algumas das suas expressões, ao longo dos quase 30 anos em que temos contacto com o vocabulário brasileiro através da televisão (e não só), já sido adoptadas pelos portugueses e outras tantas até já constarem nos dicionários portugueses, não vejo o porquê de uma percentagem tão alta de alterações aos diálogos, até porque às vezes alteram o significado das mesmas. Um exemplo que vi hoje foi alguém a dizer "ela é fresca" e as legendas tinham escrito "ela é fraca"... Que eu saiba a dita expressão é tão usada por cá como no Brasil, não percebo a transformação.

Isto tudo para chegar à conclusão que o teletexto, que nunca chegou a todos pois nem todos os aparelhos de televisão têm acesso ao mesmo, não nos serve para nada, nem para ver a programação, pois nem isso é actualizado a tempo e horas. Quem é surdo ou ouve mal vai ter de continuar a contentar-se com pouquíssimos programas de língua portuguesa legendados e os poucos que o são, pelos vistos com uma qualidade ainda mais duvidosa que algumas legendagens de programas estrangeiros. De resto a navegação é algo limitada e muito demorada, portanto é um sistema antiquado que deveria levar uma bela de uma remodelação, tanto a nível tecnológico como de qualidade.

Como ainda só vi as legendas em teletexto da SIC, ainda me resta dar uma olhada aos da RTP e eventualmente da TVI e canais de cabo, mas infelizmente sou um bocado céptica nestas coisas e duvido que haja grandes melhorias.

23 abril 2007

Mais e mais Buffy

Sempre que penso que está mais complicado ser surpreendida por Buffy, the Vampire Slayer sem que a história geral deixe de ser plausível ou se arraste para campos pouco prováveis ou desinteressantes, lá nos brindam os autores com mais uma pérola.

Todas as séries de televisão americanas têm, mais cedo ou mais tarde, episódios de spin off de outros géneros, séries ou filmes. Nos Simpsons há-os aos pontapés, os primeiros que me lembro de ver foram em Moonlighting (excelentes homenagens ao film noir e às primeiras sitcoms americanas, dois géneros presentes na série), mas posso citar muitíssimas mais, sérias ou de comédia, se bem que a comédia se presta mais a estas homenagens.

Na série VI de Buffy, com o pretexto dos variados encantamentos e do sobrenatural possíveis dentro do contexto, aparece-nos Once More, With Feeling, um episódio no estilo de um musical dos anos 70 onde reviravoltas importantes da história nos são reveladas. É, sem dúvida, um episódio para ver com atenção, apesar da aparente frivolidade de termos todos (incluindo Spike) a cantar. Para além disso, todos eram muito afinadinhos, com especial destaque para Sarah Michelle Gellar (Buffy), Amber Benson (Tara) e Michelle Trachtenberg (Dawn). Os moços é que já não se safaram assim tão bem, especialmente Nicholas Brendon (Xander). Mas, conscientes disso, os autores deram-lhe um número onde ele canta muito dentro do estilo de Gene Kelly, onde passa a maior parte do tempo num falar cantado.

Aliás, apesar de a maioria das canções, nas palavras deles mesmos, serem um retro-pastiche, louvo-lhes a capacidade de engendrarem um episódio musical com letras muito bem escritas, rimam e têm coros, como se esperaria de um musical e ao mesmo tempo contam a história, que é bastante sombria e triste. As próprias canções são muito coerentes entre si o que fica comprovado no dueto final entre Buffy e Spike.

Está me a parecer que a sexta série, um pouco como a quarta, é uma série da decadência das relações do Scooby Gang, que já tinha começado há algum tempo a apresentar sinais de cansaço. Os autores também aproveitaram a morte de Buffy para a fazerem renascer incompleta, tornando-a numa personagem bastante mais sombria, madura e, por consequência, fazê-la aproximar-se definitivamente de Spike (um claro objectivo surgido na série anterior).

Está visto que só descanso quando acabar de ver a Buffy, na sétima, próxima e última série.

Buffy, the Vampire Slayer - IMDB

12 abril 2007

Kurt Vonnegut... assim foi

Com imensa pena minha, morreu um dos meus escritores favoritos, Kurt Vonnegut. Felizmente que já morreu velhote, teve tempo para curtir decentemente a vida com o excelente e sarcástico sentido de humor que caracteriza os seus divertidíssimos livros.

O meu preferido é "Galápagos" mas o mais conhecido é o que foi também adaptado ao cinema, "Slaughterhouse Five", ambos publicados em Portugal pela Caminho.

assim foi

08 abril 2007

Tenho uma sensação de...

... que há plágio, senão inspiração directa, nas séries Donas de Casa Desesperadas, Entre Vidas e Betty Feia.

Ora vejamos:
Donas de Casa Desesperadas parece coladinho a imensos elementos do filme The Stepford Wives que, por sua vez, já foi alvo de um remake cinematográfico recente e que deu na SIC há umas semanas. Desperate Housewives

Entre Vidas tem exactamente a mesma ideia inicial que a série Medium, com a diferença que Medium é bem menos cor-de-rosa e Jennifer Love-Hewitt, com o seu visual pseudo-gótico, não chega nem por sombras aos calcanhares de Patricia Arquette. Ghost Whisperer

Betty Feia, sem os exageros, não é nada mais que um desenvolvimento do tema do filme The Devil Wears Prada. Vá lá que tem Vanessa Williams a fazer da cabra-de-serviço e o love interest de Betty está inserido no mundo da moda para que a história possa continuar no mesmo meio. Ugly Betty

Estranho ou não, aparentemente as três séries vêm das mesmas mentes criativas...

23 março 2007

É um artista português...

... de resto dispensa comentários :)

www.couto.pt

21 março 2007

Walk-in closet

Pela primeira vez na minha vida, hoje cliquei de livre vontade num banner de publicidade a partir de um site onde estava, e valeu a pena.

O clique dirigiu-me ao site da loja de roupa H&M, levada pela curiosidade de saber mais da nova colecção desenhada pela Madonna. O site está todo em flash, portanto não posso dar o link específico, mas indo o mais directo possível à dita colecção, desenhada pela Madonna, encontra-se um divertido e bem feito exemplo de site em flash. A colecção da Madonna é-nos mostrada num walk-in closet (perdão pelo estrangeirismo, mas todas as traduções ficam áquem do significado do termo em inglês, que é um armário onde se pode entrar, resumindo, um quarto de vestir) onde uma menina, com ares de Madonna, dá uma chapadinha num manequim a cada vez que clicamos em "next" e que gira, à la Wonder Woman, até se "transformar" no próximo figurino. Se queremos ver os acessórios, é feito um zoom às prateleiras do fundo onde eles se encontram. Encontrei apenas um problema: se abandonamos a colecção de roupas a meio, para voltar ao último fato que vimos temos de voltar a clicar em tudo de novo, e são 27!

Assim, sim, o flash é usado no seu potencial, melhor ainda, é uma loja de roupa (barata) que o faz.

12 março 2007

Eliza Dushku anda na berlinda

Eliza Dushku já tinha impressionado com a sua participação em Buffy, the Vampire Slayer, como Faith a slayer nemesis de Buffy, e na série Tru Calling (2:), mas ultimamente anda na berlinda. Ora vejamos:

No fim de semana passado deu mais uma vez, para preencher uma tarde de sábado o divertidíssimo filme das cheerleaders, Bring it On, também com Kirsten Dunst (é dos poucos filmes teenager que já aguentei ver vezes sem conta e não me fartar), há algum tempo tinha dado True Lies, de James Cameron, ontem à noite deu o muito interessante City by the Sea, também com Robert DeNiro e como se não bastasse também participa em Angel (Fox) e That '70s Show (TVI).

A moça é bonita, carismática, exótica e boa actriz! Só espero que continue a produzir com este patamar de qualidade, e não me importo nada com o spam de participações dela nos nossos canais. De resto é só dar uma olhadela à sua filmografia no IMDB.

08 março 2007

5 gajos BONS 2007

Mantendo a tradição, cá está mais um top dos 5 gajos bons actualmente no ar na TV portuguesa.

Este ano foi difícil, a razão de gajos bons na televisão baixou fortemente e o meu favorito, Reynaldo Gianecchini, infelizmente não está no ar. Ainda pensei nalguns portugueses, mas ainda não me convenceram o suficiente para incluí-los nesta lista. Como a escolha foi complicada, alguns não estariam aqui se a concorrência fosse mais forte. Há anos bons e anos maus...

1. George Clooney
Não está cá tanto pela sua participação em ER, mas mais porque ultimamente ando com uma pequena fixação nele. Mas, convenhamos, a publicidade do Nespresso está muito fixe!





2. William Petersen
O meu maior repetente. CSI continua a dar, com repetições e séries novas e o carisma não desaparece, só passou abaixo do Clooney por que o Clooney é mais giro.






3. Murilo Benício
Queria evitar os brasileiros, mas é difícil. Murilo Benício é, já há bastantes anos um dos meus favoritos dentro do panorama brasileiro, tanto como actor como aspecto físico+charme, mas confesso que gosto mais dele como actor. O seu visual em Pé na Jaca não é dos mais interessantes, mas continua a pontuar.


4. Matthew Fox
Quando vi o primeiro episódio de Lost a minha reacção a Matthew Fox foi: "este é o chato do irmão mais velho de Party of Five, ena, cresceu e ficou muuuuito interessante!". Tendo estreado a 3ª série de Lost na RTP1 e estando, até ao fim do mês a Fox com sinal aberto, acho que merece.



5. Bruno Garcia
É sangue relativamente novo nas novelas brasileiras, se bem que já vai na 3ª, pelas minhas contas, em Portugal. Gostei mais do seu visual cowboy em Bang Bang, mas também é comestível (e bastante) em Pé na Jaca.

26 fevereiro 2007

79 Oscars, olé!

Este ano lá assisti fielmente à cerimónia dos Oscars, mas este ano foi um pouco diferente, contrariando a tendência para piorar, pós 11 de Setembro, a cerimónia foi melhorzinha.

Uma das coisas que tornou a cerimónia mais engraçada foi a nova apresentadora Ellen Degeneres. Ela é divertida, sem sarcasmos exagerados ou um humor demasiado provocador, mas simultâneamente colocando o dedo na ferida e mencionando coisas importantes. Ela consegue ser política sem ser políticamente incorrecta e interagiu com o ilustre público como ninguém antes o fizera. Ofereceu um argumento a Martin Scorcese, pediu a Steven Spielberg para a fotografar com Clint Eastwood, disse que era o grande sonho da vida dela apresentar os Oscars.

Outra coisa que normalmente torna a cerimónia mais sustentável é a grande variedade de filmes, sem um "grande" filme, açambarcador de Oscars. Mas o mais surpreendente foi a larga escolha de filmes e atribuição de prémios a latinos, nomeadamente O labirinto do Fauno, onde se nota que para além das ruas de Los Angeles, também já no cinema o castelhano começa a dominar. Foi uma boa cerimónia para desmascarar preconceitos de modo elegante. É bom ver que os americanos estão a mudar.

Dentro da apreciação da cerimónia em si, foram marcantes as apresentações da companhia de dança cujo-nome-não-apanhei-por-ser-demasiado-esquisito, genial nas suas figuras em silhueta, o Oscar honorário a Ennio Morricone, sendo raramente atribuido a um músico (dispensava-se Celine Dion), um clássico das bandas-sonoras de Hollywood, Peter O'Toole ainda estar vivo e recomendar-se, as divertidas imagens do "backstage", George Clooney mais magro, o aproveitar do filme de Al Gore (e a sua presença) para mostrar uma mensagem ecologista sem ser chata, os fantásticos smokings de Ellen, o Oscar de melhor guarda-roupa para Milena Canonero por Marie Antionette, o Oscar para Helen Mirren, o ar desapontado das personagens do filme A casa assombrada quando não ganhou o Oscar, a taxa de negros a vencer Oscars estar a aumentar exponencialmente, a quantidade de japoneses presentes na cerimónia, a quantidade de filmes com conteúdo político.


Foi curioso Martin Scorsese ter recebido o tão esperado primeiro Oscar das mãos dos "amiguinhos" Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Coppola, quando, com Schindler's List, Spielberg recebeu o seu primeiro Oscar das mãos de Martin Scorsese, George Lucas e Francis Ford Coppola.

Nos vestidos das meninas notou-se mais uma vez uma clara tendência para uma determinada silhueta, a dos vestidos assimétricos, com uma só alça e justinhos. O melhor foi o vestido de Sherry Lansing, lindíssimo em chiffon preto e vermelho-sangue, mas também gostei do da miudinha, Abigail Breslin, adequado à idade, sem ser demasiado infantil. Nos meninos, o smoking clássico imperou, se bem que se viu um ou outro dentro do estilo dos de Ellen.

Os meus parabéns aos comentadores nacionais, que apenas comentaram nos intervalos e ainda corrigiram os erros cinéfilos cometidos durante a cerimónia como por exemplo dizerem que The Departed foi uma adaptação de um filme japonês, quando que o filme era de Hong Kong e por apontarem que as imagens supostamente de Amarcord eram de E la Nave Va, ambos de Fellini.

OSCAR.com

18 fevereiro 2007

Puto cozinheiro

Ainda nunca aqui tinha falado de Jamie Oliver, ou dos seus programas de televisão. Há muito que sigo os seus programas, primeiro na BBC-Prime, depois na 2: e agora na SIC-Mulher. Hoje vi um bocadinho do Oliver's Twist na SIC-Mulher e lembrei-me porque fiquei vidrada desde a primeira vez que vi o programa: ele é giro (apesar do ar de puto), tem uma vespa e uma casa linda, é despachado, pragmático e cozinha sempre para um grupo de amigos. Todos estes factores tornam o seu programa de culinária mais acessível e menos formal ou rígido. Para além disso, a comida tem sempre um ar fácil de fazer e apetitoso (mesmo que não o seja).

Durante décadas os programas televisivos de culinária sempre foram grandes secas em que o apresentador/cozinheiro debitava uma receita, que ia fazendo o mais depressa possível e, para isso, já tinha, em diversas fases, o prato feito e escondido no estúdio. Jamie sai de casa a meio do programa para ir comprar ingredientes que lhe faltam, apresenta-nos o seu fiel homem do talho ou o peixeiro, vai a lojas de conveniência ou mesmo buscar uns vídeos de aluguer para ver enquanto os convidados comem. Ele é um rapaz da sua geração (cozinha por prazer e não por obrigação), mais do que cozinheiro de televisão. Dos pratos feitos tiram-se ideias e não receitas rígidas, para isso compram-se os livros dele, e uma abordagem à cozinha mais desprendida e interessante.

Jamie Oliver

13 fevereiro 2007

Surpresa das dunas

Ontem à noite, em plena ronha televisiva, zapei para a TVI que tem uma característica, no mínimo engraçada, aos domingos à noite: são filmes, alguns de qualidade algo duvidosa, uns atrás dos outros. Sabendo isso deixei a televisão ficar por lá, sem prestar demasiada atenção ao écran (acontece...). Qual não é o meu espanto quando o 3º filme que passou não era nada mais que Frank Herbert's Children of Dune.

Bem, Children of Dune é mais uma adptação de parte da longa novela/saga Dune, de Frank Herbert, bem mais conhecida pela adaptação de 1984 de David Lynch ao cinema. Já tinha ouvido falar e lido de relance em revistas e sites de cinema e televisão há algum tempo sobre a mini-série. Nunca segui com atenção apesar de ser fã do filme de Lynch e ter lido o primeiro volume dos livros (são muitos e acabei por nunca mais pegar em nenhum outro), sempre tive alguma curiosidade em ver este produto de culto.

Depois de refeita da surpresa (eram cerca das 3h da manhã) e de pensar que "TENHO DE VER ISTO!", felizmente que tive a inteligência de chegar à conclusão de que estava com algum sono, que tinha de acordar cedo no dia seguinte para trabalhar e carreguei no botão de gravar do vídeo. Ainda não vi, mas foi a melhor ideia que poderia ter tido, adormeci cerca de 5 minutos depois...

O que me choca no meio disto tudo é um produto televisivo destes, tão importante e especial, seja recambiado para um domingo às 3h da matina, sem aviso prévio, ensanduíchado em telefilmes de qualidade questionável e TV-Shop. Já não peço que passem este tipo de mini-séries em horário nobre (já desisti há muito), mas pelo menos a começar à meia-noite? Anunciarem com alguma dignidade? Fica a satisfação de pelo menos ter passado e a expectativa de, das duas uma: terem passado a mini-série completa (resta saber que versão, no IMDB há várias hipóteses) ou se passaram apenas um episódio e fica a incógnita de quando passarão os restantes.

Frank Herbert's Children of Dune

TVI
dom., 11.02.07, cerca das 03:00

31 janeiro 2007

Novela blockbuster

Tenho visto muitas capas de revista com a nova novela da Globo a passar na SIC, Páginas de Vida, o que demonstra o seu sucesso. Claro que tenho visto, até porque, para além de viciada em televisão, adoro novelas brasileiras. As novelas de Manoel Carlos costumam ser o tipo de novelas muito melodramáticas que me fazem lembrar sempre os filmes de Douglas Sirk, com Rock Hudson. Apesar de detestar o género, tal como os filmes de Douglas Sirk, costumo gostar das novelas dele pois são mesmo muito bem escritas e, naturalmente, bem feitas.

Mas nem tudo são rosas. Normalmente as novelas, dada a sua longa duração, costumam ser desequilibradas havendo um investimento extra no início e no fim e, eventualmente também numa pequena fase lá pelo meio. As novelas de Manoel Carlos também não são excepção se bem que as fase de fazer render o peixe são mais curtas e menos secantes. Outra característica das novelas blockbuster da Globo são inícios que implicam cenas gravadas num país estrangeiro, as óbvias mortes e casamentos para despoletar a narrativa e finais cheios de efeitos especiais e cenas que impliquem duplos.

O bom de Páginas de Vida é que resolveu muitíssimo bem dois aspectos do programa obrigatório. Os casamentos foram tratados com alguma simplicidade e serviram para introduzir uma personagem secundária bastante interessante, a fotógrafa de casamentos Isabel, e as mortes foram tratadas com sobriedade e uma lógica surpreendente. A de Lalinha foi discreta e no seguimento lógico da vida sem se porlongar em demasia, a de Nanda extremamente dramática mas muito bem pensada uma vez que não se recorreu a expedientes fáceis, como por exemplo ela, depois da discussão com a mãe, atravessar a rua e ser atropelada. O acidente foi isso mesmo, um acidente, e apesar de ela estar perturbada, ela queria viver, portanto não agiria de forma tão irracional. Afinal dizem que uma mulher grávida ou mãe tem os intintos de sobrevivência à flor da pele, não é?

Entretanto Páginas da Vida já entrou na clássica "2ª fase", outra característica das novelas blockbuster, e as coisas ainda andam ao rubro. A transição foi um pouco longa mas bem feita: em vez do típico texto a dizer "5 anos depois" foram mostrando as variadas passagens do ano, para marcar os anos, pontuadas pelo meio com os acontecimentos mais importantes na vida das personagens da história, não se concentrando apenas nos protagonistas.

Apesar de gostar muito de Regina Duarte, a personagem reincidente "Helena" é enervante de tão boazinha, simpática e humana. O que nos vale são os conflitos que sempre surgem em volta de uma personagem assim...

Apesar de já estar colada à novela, gostava de, pelo menos uma vez, ser surpreendida não apenas na qualidade da escrita, da realização ou no desempenho excepcional de alguns actores mas também que a estrutura não fosse tão previsível. Agora não me lembro de qual, mas já ouve novelas com 1ª, 2ª e/ou 3ª fase que não as desenrolavam cronológicamente, que as iam expondo em paralelo, à medida da necessidade dos acontecimentos. Esta é uma maneira de escrever novelas mais arriscada, implica, até certo ponto ter uma narrativa fechada, para não haver incoerências na história, o que não permite a flexibilidade do público poder influenciar os destinos das personagens. Com a prática e notoriedade que já têm alguns dos autores de novelas da Globo, Manoel Carlos, Glória Perez, etc. bem que podiam arriscar.

Páginas de Vida

SIC
2ª-sab. cerca das 22:00

28 janeiro 2007

Nem tudo são flores

Passado quase um ano e apesar de eu assumidamente gostar deste tipo de produto televisivo, Floribella tem, na grande maioria das vezes, uma qualidade bastante duvidosa.

Para além de uma iluminação e fotografia sem criatividade e muito pouco cuidada (chapões de luz, cenas nocturnas que parecem diurnas, etc.), o pior é mesmo a montagem. Duas cenas com personagens diferentes ou mesmo antagonistas, se passarem no mesmo cenário e serem montadas de forma a parecer que se passam ao mesmo tempo, acontecem com demasiada frequência. Este tipo de falhas gigantes de raccord (situações em que a continuidade cronológica ou espacial da acção é rompida) demonstram que depressa e bem, não há quem. Mas a montagem de Floribella, para além de extremamente básica não utiliza os truques mais simples e académicos de montagem, quando os tem frequentemente à mão de semear. Dou um exemplo: Magda e Delfina estarem a conspirar contra Flor por ela também ser herdeira da família (cena muito frequente) e a montagem nos levar na cena seguinte para uma cena no café com personagens que não têm nada a ver com o que se estava a falar. O lógico e académico neste tipo de cena é, por exemplo, aproveitar para passar para uma cena (também muito frequente) em que Flor tem dúvidas existenciais acerca do pai desconhecido.

Mas a cereja em cima do bolo foi uma cena/plano que deu há alguns dias: sem que as cenas anteriores ou posteriores a este plano tivessem alguma relação remota com esta, resolvem mostrar-nos um plano fixo do ramo da árvore no quarto de Flor, com um efeito especial, de pelo menos um minuto de duração, sem nenhum outro tipo de acção/interacção com personagens. Com algum esforço posso tentar interpretar este plano, mas que não tem rigorosamente lógica nenhuma dentro da narrativa estabelecida pela montagem, ah isso não tem!

Digo e redigo: a SIC tem na Floribella um tesouro a explorar comercialmente, mas não soube fazer as coisas. A promoção e merchandising veio tarde e a más horas (quase seis meses depois do lançamento da série) e não é grande coisa, exageram no tempo de antena Floribella, são demasiadas horas no ar, e tudo quanto é produto SIC tem de ter Floribella. Com tanto exagero o público farta-se demasiado depressa e acontece o mesmo que aconteceu à TVI e ao Big Brother, o segundo teve metade das audiências do primeiro e assim sucessivamente. Por mais que Floribella continue a ser popular, anda a arrastar-se em demasia, as diversas peripécias começam a ser repetitivas e já se anseia há demasiado tempo por uma conclusão.

Floribella

SIC
2ª - sab.: 21h15
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