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19 novembro 2018

Piqueniques 'Down Under'

Vi o filme Picnic at Hanging Rock quando era miúda, pré-adolescente, talvez, e fiquei fascinada. Já nessa altura gostava muito de mistério e suspanse, mas naturalmente faltava-me a maturidade para compreender o subtexto desta história. Revi-o e continuou a ser um filme marcante para mim, mas não é somente a narrativa que me continua a atrair, mas a realização e um belíssimo uso da mise-en-scène, da banda sonora e da montagem. Não revejo o filme há alguns anos, mas com certeza que essas primeiras impressões se repetirão, pois são elas, aliadas à narrativa acerca do preconceito, dos efeitos de uma sociedade repressiva e a falha de adaptação dos colonizadores às culturas nativas que dão ao filme um magnetismo impressionante.

Quando soube da série (através do Frock Flicks) e depois quando soube que iria passar na RTP2, e ainda por cima de uma assentada, fiquei entusiasmada. Não li o livro que deu origem a ambos, mas calculei que a adaptação para série incluísse mais detalhes, eventualmente desvendasse um pouco mais do mistério. Se não tivesse visto o filme, provavelmente teria adorado a série, gostei bastante e até consegui abstrair-me da Natalie "beicinho" Dorman, que me irrita um bocado, mas tendo visto o filme mais que uma vez em fases diferentes da vida, não consigo achar a série muito mais que uma versão colorida da mesma história. Não porque o filme seja a preto e branco, mas porque tem uma estética muito branca, no guarda-roupa das raparigas, na fotografia sobrexposta, que nos fazem pensar no calor abrasador da Austrália e da probabilidade de tudo não passar de um delírio. Numa fase mais analítica, gostaria de saber exactamente o que se passou, mas nesta altura da vida, prefiro que o mistério fique na sugestão, em aberto e que cada um tire de lá o que le pareecer mais interessante.

A série Picnic at Hanging Rock satisfez esse meu lado coca-bichinhos de querer destrinçar o mistério, mas como produto narrativo-fílmico, seguiu o mesmo estilo de contar a história do filme, tirando-lhe a fotografia sobrexposta, o branco encadeante e a sugestão ao desatar os nós quase todos, não o faz de uma forma linear (felizmente!), por isso não é uma má série, mas a informação extra afnal não fazia falta e continuo a preferir o filme na sua forma "incompleta".

Picnic at Hanging Rock (série)
Picnic at Hanging Rock (filme)

07 julho 2018

Alta Costura Mas Não Tanto

Ontem aproveitei a sessão de cinema ao ar livre do Cine Conchas e fui ver o Phantom Thread. Ainda bem que não paguei para ver, não vale o meu dinheirinho suado.

Deixa-me um tanto confusa como este filme teve sucesso e até foi nomeado para Oscars (ganhou o de Melhor Guarda-Roupa?), aliás mal posso crer que tenha sido escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson.
Trata-se de duas personagens desagradáveis, Reynolds Woodcock (Daniel Day Lewis) e Alma (Vicky Krieps), extremamente narcisistas e co-dependentes, que geram zero empatia no espectador. Para cúmulo passa-se no universo da Alta-Costura, universo pouco familiar ao comum mortal. A personagem secundária, Cyril (Lesley Manville), a irmã pragmática de Reynolds, foi a única que me gerou algum tipo de empatia.

Intriga-me os actores parecerem-me muitas vezes forçados, é verdade que trata-se de um ambiente extremamente controlado, cheio de regras e maneirismos, mas mesmo assim, ambos os protagonistas me parceram forçados, tanto nas cenas mais contidas e cheias de etiqueta, como nas cenas mais espontâneas. Daniel Day Lewis prova que é um grande actor nas cenas em que cumpre sozinho os rituais da sua personagem, Vicky Krieps é fotogénica, mas não me convenceu como actriz. Talvez não houvesse empatia entre os actores, não sei, o que acho é que não funcionou.

Gostei de toda a apresentação meticulosa dos rituais da casa, Reynolds a preparar-se, a entrada das funcionárias pela porta das traseiras, a abertura dos salões, o vestir das batas-uniformes, os acessórios, os detalhes, mas depois, para um costureiro tão meticuloso, os vestidos não correspondiam. Para além de não serem particularmente interessantes para a época, anos 50, estavam tão mal cortados! É ver o bico do peito do primeiro vestido feito para Alma, que lhe assenta uns 3cm acima de onde deviam estar. A quantidade de arrepanhados e rugas onde não deviam existir é alarmante! Os anos 50, sobretudo na alta-costura, foram uma década onde os vestidos eram extremamente estruturados, quase uma armadura em tecido no abdómen e peito, onde seria imperdoável assentarem tão mal como assentam no filme. Será que não houve tempo para fazer provas na actriz principal? É a única explicação.

Por fim há a "linha fantasma" do título. Pelo trailer e por tudo o que li e ouvi acerca do filme, supunha que esse traço obsessivo de Reynolds fosse mais presente, mas insistente e por isso mais sinistro e talvez assustador. Mas não, é mostrado umas 3-4 vezes ao longo do filme e de forma bastante discreta, de forma que nem se percebe porque lá está.

Para um filme sobre alta-costura, os vestidos parecem feitos por amadores, para um film sobre gente meticulosa e obsessiva, isso fica estabelecido nos primeiros minutos e a questão das frases bordadas perde-se por ser pouco frisada. Por fim a caracterização das personagens e o desempenho não me convencram, o que torna este num filme bonitinho, com uma realização tecnicamente boa, uma montagem que cumpre, mas que não traz nada de surpreendente, nem na narrativa nem a nível cinéfilo. Parece um desperdício de recursos.

Phantom Thread

15 maio 2018

Um Roubo, um Assassínio e Muitas Falcatruas

Antes que termine, tenho de falar em Pega Pega, provavelmente a novela da Globo com a melhor intriga dos últimos tempos.

À medida que os valores de produção têm melhorado, que claramente mais dinheiro é investido nas telenovelas, a criação de séries de luxo e o aumento de novelas de época, a qualidade dos enredos tem diminuído proporcionalmente. As narrativas são mais do mesmo, inclusive tenho reparado em histórias repetidas, somente com cenários diferentes, ou histórias mal alinhavadas, que apenas se sustentam com uma boa produção e um bom elenco. Apenas as comédias se vão safando, mais pelo entretenimento que proporcionam e um ou outro bons desempenhos, que outra coisa.

*** ESTE POST CONTÉM SPOILERS ***

Pega Pega começa por destacar-se no genérico, ao som de A Hard Day's Night, dos Beatles (interpretado pelos Skunk), numa animação engraçada, algures entre os Monty Python e Wes Anderson, que nos dá o tom. Tudo começa com uma golpada engendrada por bandidos estreantes, os funcionários de um hotel de luxo, que roubam o dinheiro da venda do mesmo. Esse roubo acaba por trazer à tona uma teia de crimes do passado, que acabam por ligar todas as personagens da novela, divididas em três núcleos: o Carioca Palace, a Tijuca e a Esquadra de Polícia.
A maneira gradual como os 4 bandidos vão sendo descobertos, desenrolando cada um, um pedaço dessa teia. Um assassinio, um outro assalto, um rapto, corrupção e uma barriga de aluguer. Tudo temperado com as doses certas de drama, romance e comédia, aliados a um bom e equilibrado elenco, tornam cada episódio cativante, sem tempos mortos nem chouriços a encher.

Só espero que este núcleo de produção, incluído o elenco onde estão alguns favoritos meus: Elizabeth Savalla, Mateus Solano, continue a produzir pérolas destas e que não sejam ofuscados pelas imitações foleiras de Game of Thrones, com actores portugueses a fazer um mau sotaque brasileiro.

PS - Cheias de Charme voltou a ser exibida na Globo, Vida de Empreguete em repeat novamente :D

Pega Pega

14 maio 2018

Canções no Gelo

Ui, já não via com alguma regularidade campeonatos de Patinagem Artística há tanto tempo! Tanto que entretanto as regras mudaram imenso, mas a que estranho mais é a possibilidade de usar canções com voz, as quais antes só eram permitidas nas galas de encerramento.

Calhou este ano eu saber dos Jogos Olímpicos de Inverno a tempo e horas e, com a ajuda da box, conseguir ver quase tudo da Patinagem e mais um cheirinho de outras modalidades. Quase tudo pois, para além de o Eurosport 1 já não transmitir tudo do princípio ao fim, ainda por cima há erros na grelha fornecida às operadoras e por vezes em vez de patinagem apanhei com biatlo ou slalom. Não me queixo, até gosto de ver, mas quero poder ver tudinho, de ponta a ponta, da Patinagem! Também não andam a transmitir as entregas de medalhas, só espero que transmitam a cerimónia de encerramento da Patinagem, costuma ser um ponto alto na modalidade.

A cerimónia de abertura apesar de curta foi impressionante com as coreografias de drones e gostei dos figurinos, quais flocos de neve, das porta-estandarte.

Além de se poder usar agora canções (muito Coldplay e musica pop óbvia :P ), há também uma nova categoria na patinagem, a competição por equipas e a pontuação é dada de forma diferente. Mas as técnicas ainda permanecem as mesmas e ainda competem alguns atletas que me são familiares. Outros, os da velha guarda, ou tornaram-se treinadores/coreógrafos, ou vejo-os na assistência. (Olá Katarina Witt!). Eu já sabia destas mudanças, que já se deram pelo menos antes dos Jogos em Sochi (2014), mas esta é a primeira vez que acompanho as competições da modalidade como deve ser desde a mudança.

Quanto à competição em si, é giro ver como as tendências estéticas mudaram, agora a elegância e fluidez são muito favorecidas, enquanto que nos anos 90 era a técnica pura e dura que dava medalhas. Se a nota técnica fosse boa, a artística podia ser má, mas não tirava a medalha, já que ter uma nota artística muito boa não era para todos. Continua a não ser para todos, mas nota-se um esforço maior para além de fazer a cruzinha na caixinha das diversas técnicas, os pontos artísticos, mais subjectivos, agora adicionam a essa nota mais contabilizável, em vez de fazerem parte de uma média. Parece mais justo também e obriga ao tal esforço adicional para ser mais bonitinho. Pelo que percebi, os fatos já não contam para a pontuação, o que a meu ver também é mais justo, não se trata de uma passagem de modelos.

Mas já que falo em fatos, com pontuação ou não, são uma parte importante nos campeonatos de Patinagem e vejo também uma sofisticação que é novidade para mim. OK, ainda há bling de obrigar ao uso de óculos escuros (como se o gelo não fosse branco o suficiente), mas já não é lamber o fato de cola e rebolar o/a patinador(a) numa banheira de lantejoulas e cristais, qual croquete cintilante. Os fatos dos homens andam particularmente interessantes em termos de design, com alguns exemplos bem bonitos. Os das mulheres são mais inconsistentes, variando entre os trapinhos de chiffon pendurados e os fatos com transformações. No meio disto tudo, muitas vezes pergunto-me como certos fatos foram feitos, alta tecnologia!

Mas tenho saudades, imensas saudades dos comentadores ingleses do Eurosport! A minha box oferece a possibilidade de mudar a língua entre o português e o inglês, não fosse o inglês falar espanhol! Por acaso na Patinagem o inglês fala inglês, mas só percebi isso a meio, "absolutely fantastic!", e foi decepcionante perceber que as comentadoras portuguesas ainda são as mesmas que há mais de uma década, no tempo em que o Eurosport era sempre em inglês, quase se pegaram num campeonato de patinagem na RTP2. Tenho de me conformar, mas antes gostaria que, entre outras alarvidades, deixassem de dizer "há (xxx) anos atrás". Minhas senhoras, ou será melhor "damas" (sic), o "há" já estabelece o tempo na frase em português, o "atrás" não está lá a fazer nada!

Houve transmissão da cerimónia de encerramento da Patinagem, mas não a mostraram completa, e a Cerimónia de Encerramento propriamente dita foi igualmente bonita, cheia de videomapping e tal, mas desta vez sem drones, estava demasiado vento.

PyeongChang 2018 Olympics

22 março 2018

Plástico Nacional

É impressionante como os anúncios da Domplex pouco ou nada mudaram em 30 anos! Completamente adequados à RTP Memória! X'D

05 março 2018

90 Oscars - A Vergonha das TVs Nacionais

Por mais que a Giuliana Rancic, do E!, seja detestável, por mais que tenham sido irritantes os comentários ou locuções parvas por cima dos discursos originais, ao longo dos anos na TVI ou RTP1, por mais que fosse exasperante só ter acesso durante anos a versões Readers Digest, na RTP1, nunca, NUNCA as TVs nacionais desceram tão baixo como a vergonhosa parada de monstros que a SIC e a NOS encenaram este ano! Que raio de fantochada foi aquela? Auto promoção descarada, convidados "VIP" que pouco ou nada têm a ver com os Oscars, menos ainda com cinema, até convidados que "não tinham visto nenhum filme nomeado" e o declaram com toda a lata em directo para o país tinham! Para além de me deixar furiosa e extremamente chocada, só me apetecia enfiar a cabeça num buraco! QUE VERGONHA!

Como se não bastasse, o segmento seguinte, supostamente a Passadeira Vermelha, foi completamente boicotada por três comentadores em estúdio, mal moderados por José Carlos Meleira, jornalista e pivô que eu tinha bastante em conta até ontem à noite, estava mal preparado, disseram um monte de trivialidades e passadeira vermelha? Mostraram 3 ou 4 convidados e mesmo assim conseguiram falar por cima deles. Os convidados em estúdio até eram bastante decentes, João Lopes, crítico de cinema dos bons, de quem gosto muito e sei que é um fã sério de cinema, para além de não costumar dizer disparates, o ex-director de moda da VOGUE Portugal, cargo que JCM anunciou mal e não corrigiu, falou pouco, mas não falou mal, sobretudo dos vestidos, mas em termos gerais e Joana (?), jovem actriz da SIC, também não esteve muito mal no pouco que disse. O grande problema deste segmento é que para além de ninguém dizer nada de substancial, de JCM não deixar ninguém desenvolver, ainda teve o desplante de dizer: "estamos aqui a ver a passadeira vermelha", mas a nós, espectadores, que estávamos lá para isso, NÃO MOSTRARAM NADA!

Rita Moreno: 2018 - 1962

Felizmente há outras maneiras de ver a passadeira vermelha online e digo já que o melhor momento de moda foi a reciclagem do vestido de 1962, que levara aos Oscars, de Rita Moreno, cujasaia foi feita a partirdeum obi brocado, e ainda por cima ficou-lhe super bem em ambas as vezes! De resto, gostei do vestido espampanante de Whoopi Goldberg e gostei imenso do fato de calças de Emma Stone. Nos homens nada de muito marcante, as mulheres não mostraram nenhuma tendência, excepto talvez mais mangas que o habitual.

A cerimónia felizmente correu sem comentários nenhuns no canal 700 da NOS, fora os loops irritantes nos intervalos, foi óptimo, nem com publicidade apanhámos. Aparentemente os comentadores punham-se a opinar por cima dos discursos na SIC, mas não vi, já tinha tido uma overdose de estupidez.
Em si, gostei do cenário, cada vez com mais bling, mas sempre num estilo Art Déco, que só lhes fica bem, adorei os momentos "parvos", Helen Mirren, qual Preço Certo, a fazer festinhas ao JetSki, prémio para o discurso mais curto, e a ida ao cinema o outro lado da rua, surpreender os espectadores. Foi giro, não foi brilhante. Não acho grande piada ao Jimmy Kimmel. De resto, os prémios foram completamnte previsíveis, Frances McDormand e Gary Oldman pareceram aqueles Oscars de carreira, pois já tardavam, e não especificamente por causa dos filmes, se bem que merecidos e, não achando que Guillermo Del Toro estivesse no seu melhor em The Shape of Water, foi com um certo regozijo que vi um filme de ficção-científica/fantasia ganhar o melhor filme do ano. Será que a Academia está mesmo a mudar? E bom, arriscaram a reprise de Warren Beatty e Faye Dunaway no anúncio final e desta vez sem enganos embaraçosos.

Oscars.com


PS - tenho já um post alinhavado acerca dos Jogos Olímpicos de Inverno, mas ainda não terminei de ver tudo o que tenho gravado, publico logo que tenha visto.

29 janeiro 2018

Ficção-Científica Barroca

Mas não, não é o Flash Gordon, nem o Dune. É o Jupiter Ascending. Primeiro façamos uma pausa para apreciar como o título Jupiter Ascending é bom: tem pelo menos 2 interpretações imediatas: Júpiter em ascenção (astrologia), ascender a Júpiter e uma terceira interpretação após ver o filme: Júpiter a ascender; é fácil de traduzir sem perder os vários significados e é intrigante q.b.

Confesso que quando Jupiter Ascending estreou, não lhe dei muita importância, nem sequer percebi que é das Wachovski, mas passou este fim de semana no AXN, pelo que aproveitei a oportunidade para ver.

Trata-se de um filme bastante engraçado e mais inesperado do que pensava. Só achei uma coisa deveras irritante: a banda-sonora. Para além de a música não ser nada de especial, nem particularmente bonita, nem particularmente marcante, não há um miserável momento de silêncio no filme inteiro! Em cima disso, alguns dos efeitos sonoros, são muito irritantes e estão demasiado em primeiro plano, para não falar num clássico dos dias de hoje: os diálogos muito baixos em relação às cenas de acção, o que faz com que, em casa, tenhamos de estar constantemente a ajustar o volume. Creio que é suposto haver um certo equilíbrio, a não ser que haja alguma justificação estética ou narrativa. Neste caso, como em muitos outros, não se justifica e torna-se demasiado invasivo na experiência de ver o filme.

Mas vamos às coisas boas: gostei muito da história, tem algumas parecenças com o Flash Gordon, pessoa da Terra levada para um universo futurista barroco, com uma intriga política e de poder em curso, seres com asas, híbridos humanos com outros animais reconhecivelmente da Terra. O paralelismo que estabeleci com o Flash Gordon não é inocente, provavelmente se fizessem hoje um remake [vá-de retro, em equipa ganha não se mexe!] e se quisesse optar por uma estética igualmente barroca, provavelmente não seria muito diferente deste filme. Também noto algumas parecenças vagas com o Dune, nas lutas pelo poder e controlo de planetas inteiros.
Gostei como a narrativa toma um curso um pouco de conto de fadas de cabeça para baixo, lembra-me o Stardust nalguns aspectos. A ideia, já presente em The Matrix, de estarmos a ser manipulados por seres algures fora do nosso universo conhecido, não é original, mas é uma temática popular na literatura de ficção-científica, que é das minhas preferidas junto com as viagens no tempo, e é pouco usada em cinema. Obrigada manos/as Wachovski!
Também gosto, e gostei neste filme, da Mila Kunis, foi bem escolhida para este papel,tanto pela figura física, como pelo seu estilo de interpretação, mesmo sendo desejável que fosse um pouco mais que uma princesa em perigo, apesar do twist de uma mulher-a-dias ser a dona da Terra :D

Visualmente gosto de terem optado por um lado mais barroco, mas acho que, mesmo dentro do barroco, não simplificaram e há demasiada informação visual que não está lá a fazer nada. Mas neste caso é mesmo uma questão de gosto pessoal, e dentro do que se faz hoje, apesar de tudo, gosto do que vi, especialmente de alguns figurinos.

Jupiter Ascending passou um bocado despercebido e é pena, não é um filme brilhante, mas é bastante acima da média do que se vê por aí de filmes de acção/efeitos especiais e é muito bom de se ver.

Jupiter Ascending (imdb)

13 janeiro 2018

Portugal de Fachada

Oh, sim, está na hora de cascar!

Por acompanhar outras novelas no canal Globo, tenho apanhado uns rabinhos da novela Tempo de Amar e ando chocada com diversos aspectos desta novela.

Ando chocada, pois a novela passa-se 50 a 60% em Portugal algures nos anos 20-30 e:
- não tem um único actor português para amostra, nem o canastrão do Ricardo Pereira;
- já nem sequer ninguém faz o mínimo esforço de falar com uma pronúncia aportuguesada, nem de usar expressões idiomáticas típicas de cá, naquele registo irritante, cheio de chavões, mesmo que
- os regionalismos, sejam de cenários, nomes ou outros não fossem respeitados, não o são;
- existe um convento claramente nortenho, em pedra escura, com ar de granito, acho que até a vila/aldeia principal é perto do Porto, portanto provavelmente no Douro, contudo alguns nomes e os poucos regionalismos são mais característicos do Sul;
- até perdoaria o clássico preconceito de um estrangeiro a retratar outro país generalizando sem grande preocupação de fazer pesquisa, mas depois continuam a achar que os portugueses se tratam todos por "tu", independentemente da idade ou classe social;
- a vida quotidiana, em tempos árduos num Portugal muito conservador, é excessivamente romantizada onde seria bem mais interessante ampliar o drama da vida dura vigente, face à guerra iminente e a uma mentalidade cinzenta;
- o figurino das portuguesas é demasiado descascado para a nossa mentalidade fechada, quase nenhuma usa chapéu ou algo na cabeça, numa época onde ninguém saía de casa de cabeça descoberta;
- há uma estranha ausência de portugueses bigodudos na melhor oportunidade que tiveram de os ter sem se tornar num cliché cansado;
- foram buscar o Salvador Sobral, claramente uma manobra de mediatismo, pelo menos é português, mesmo que o estilo da canção não encaixe na época da novela, encaixa no lado romântico.

Enfim, o que ameniza isto tudo é que pelo que percebo pela narrativa, o Brasil também está retratado através desse filtro rosa-sépia e muitas das situações que já pude observar são descabidas e de um romantismo lamechas.

Mesmo assim acho vergonhoso terem a lata de passar esta novela em Portugal, só espero que tenham valores baixos de audiência... por cá.

Tempo de Amar

04 janeiro 2018

Do Politicamente Incorrecto


Comecei o ano a fazer uma mini-maratona de Little Britain enquanto ainda tinha o serviço NOS Play gratuito [acabou hoje - só vi 4 episódios de The Handmaids Tale :'( ]. Quando a série deu na RTP2 cheguei a ver alguns episódios e adorei, mas naquela altura tinha alguma dificuldade em lembrar-me do horário, acho que foi quando a Britcom passou de sábado para domingo, e acabei por não a ver com a fidelidade que gostaria. Infelizmente só consegui ver a 1ª série e metade da 2ª - estava a saber tão bem! - mas agora só quando a NOS der outra abébia destas, ou na candonga - o mais provável...

Enfim, que limpeza de cérebro, até o sinto a cintilar! Actualmente uma série destas geraria TANTOS problemas! Mesmo no Reino Unido!! Nudez frontal, preconceito, rudeza, insolência, racismo descarado, acho que a lista completa do politicamente incorrecto aplica-se! Mas tudo com aquela fleuma inglesa do: "insultas-me de alto abaixo, mas fá-lo tão bem que quero mais, mais!" Quando vi a série a primeira vez, quem me chamou mais a atenção da dulpa foi Matt Lucas, com aquela figura peculiar, principalmente na personagem the-only-gay-in-the-village Daffyd. Mas agora por quem me apaixonei foi por David Walliams, no seu escocês ("iyeeeeesss?"), nos seus travestis ("I am a lady, I do as a lady"), no Sebastian bichona, e todos os outros! É impressionante como ambos se transformam fisicamente, como ambos dão uma variedade tão grande de personagens e, principalmente, mulheres, como conseguem ser hilariantemente imbecis e iconclastas, como em cada episódio dei pelo menos uma bela e sonante gargalhada! Depois temos os convidados especiais, a narração brilhante a rebentar a 4ª parede de Tom Baker (sim, o 4º Doctor), o Ministro de Anthony Head, sim, "the bloke from Buffy", e como toda aquela insolência é tão divertida!

Tenho de deixar aqui a minha admiração embevecida pela qualidade impressionante das inúmeras perucas usadas pela dupla e também pelo guarda-roupa magnificamente pensado ao último detalhe!

Ver esta série com os olhos de hoje mostra como o mundo perdeu o sentido de humor e anda a levar-se demasiado a sério. Houve aqui um tipo qualquer de regressão, apetece dizer: "GROW UP!"

FELIZ 2018!!

28 dezembro 2017

Vermelho Sanguíneo

O desapontamento de 1 de Outubro de 1999 com The Phantom Menace teve um efeito positivo para mim, deu-me o distanciamento para  poder ver os novos filmes de Star Wars com o coração de fã, mas os olhos críticos de cinéfila. The Last Jedi reforça esse distanciamento e faz-me ver estes novos filmes disneificados de Star Wars como uma espécie de fanfiction com qualidade de Star Wars (The Force Awakens e The Last Jedi) que nem precisam de grande contextualização no universo Star Wars e, nos dias de hoje, com tudo o que se tem passado nos bastidores empresariais, considero isso uma qualidade. Há uns miminhos para os fãs da antiga, nas presenças dos "velhos amigos de então", na Millenium Falcon e no fangirling de Kylo Ren ao avô, Darth Vader, mas estes filmes destacam-se do resto e é assim que escolhi vê-los, para poder disfrutar dos mesmos sem os olhos toldados pelo purismo e preconceito de um fã.

** CUIDADO, SPOILERS! ** 

 
A primeira coisa que me chamou a atenção, logo nos trailers, em The Last Jedi foi o minimalismo estético no uso de uma paleta muito reduzida de cores (preto, branco e vermelho sanguíneo), opção nunca tomada nos filmes anteriores, com uma estética mais naturalista, mesmo que com um grande enfoque no preto e no branco. Em ambas as primeiras trilogias notava-se que havia várias mãos a criar o universo visual, mesmo que com coesão, a tendência era mostrar uma diversidade naturalista acima de tudo, principalmente nos episódios I, II e III, o que resulta nalguma salganhada visual no todo dos filmes. The Last Jedi faz o oposto, praticamente não existem mais que aquelas três cores (preto e branco não são cor, mas por uma questão prática chamo-lhes assim neste post), excepto talvez em Skellig Michael (não me lembro do nome da ilha na ficção) e no cabelo lilás de Laura Dern (Holdo). O resultado é uma sala do trono de Snoak, deslumbrante, com o vermelho polido e no planeta  Crait, com uma superfície branca de sal com rochas escarpadas pretas, que escondem um solo de cristais do mesmo vermelho sanguíneo, com um efeito ultra dramático e espantoso!
O curioso é que já tinha havido uma tentativa ténue desse formalismo em The Force Awakens, mas dessa vez com preto, branco e laranja, aliás uma das cores mais presentes em toda a saga. Mas o laranja não é dramático, principalmente nada dramático por comparação com aquele tom específico de vermelho e o tratamento polido, como do preto e do branco, a que foi sujeito. Na trilogia original as cores foram usadas de forma mais básica, branco para a luz, preto para o lado negro, na evolução de Luke, branco-cinzento-preto, e o pontuar de vermelho nos sabres dos Sith e nos Guardas Imperiais.

Mas não é apenas de forma visual que o filme é diferente, para além de John Williams ainda estar em grande forma, "aquele" minuto de silêncio durante a destruição da fortaleza da First Order, é puro génio e muito ousado para um blockbuster, especialmente se pensarmos que agora é Disney. O público da pipoca tem tendência a não aceitar estas opções, o silêncio, numa cena tão forte como essa é muito mais dramático que qualquer música. Quem faz opções destas conhece o material com que trabalha, sabe usar a linguagem cinematofgráfica. Aliás, durante The Last Jedi temos vários exemplos de uma boa realização, Rian Johnson é um nome a fixar, gostei muito do seu desempenho como realizador neste filme.

O argumento, tendo a difícil tarefa de ser o "filho do meio", também é bastante superior a The Force Awakens e surpreende na quase total ausência de previsibilidade. Este é um filme difícil de fazer spoilers. Aliás, a direcção que estes filmes tomaram, com a ausência de um verdadeiro vilão, com heróis cheios de defeitos e não tendo um único fio condutor, é sem dúvida arriscada, desviando do modelo clássico da "Jornada do Herói", de Joseph Campbell.

Mas nem tudo é fantástico neste filme, as personagens goody-two-shoes de Finn e Rose não fazem lá falta nenhuma, a informação que Finn fornece é mínima e podia vir de outra fonte qualquer, para além disso são ambos irritantes até dizer chega. Confesso que quando Finn se lançou contra o canhão, quis que morresse, e quando Rose se lança sobre Finn para o salvar, ficando ferida, também quis que morresse.  Mesmo todo o capítulo da invasão da fortaleza, mais as cenas à James Bond do casino, mesmo com Benicio Del Toro, não fazem falta nenhuma à história, excepto darem utilidade à Capitão Phasma e introduzirem as criancinhas como uma nova esperança. O uso da palavra "hope" também foi exagerado, à terceira já tinhamos percebido o leitmotiv, que pelos vistos conduz ao último filme. Parece que querem fechar o círculo.

Falando em "new hope", Carrie Fisher teve um último desempenho como Princesa Leia sólido, convincente e, sabendo o que sabemos, comovente. O Luke envelhecido, com um toque de impertinência à Yoda é engraçadíssimo, mas nota-se que Mark Hamill aprendeu muito nestes anos e tornou-se num actor seguro e consolidado. Nunca fui fã de Luke, sempre o achei muito pueril, mas neste filme sou e muito. Rey é uma aprendiz estranha, não aprende grande coisa, no fundo está lá para nos mostrar este Luke, mas por outro lado, quando age sozinha, ou contracena com Kylo Ren, regressa a personagem forte introduzida no filme anterior, mas sem sardas. Adam Driver, e mesmo o modo como a personagem de Kylo/Ben se desenvolve, é intrigante e deixa a curiosidade como será o desenlace desta história. O duelo, luta contra os ninjas vermelhos é um espectáculo, mesmo que eu permaneça fiel ao traje dos Guardas Imperiais originais. Este é terrível! Este filme tem definitivamente personagens a mais, Poe começa em grande, mas a inclusão de Rose a camartelo, dispersa a função da personagem dele, como se o condenassem a um trabalho de secretária. BB-8 está melhor que nunca, mas deu alguma pena ver R2-D2 tratado como um velho cansado, quase sem um papel activo nesta história, largado como um móvel velho, a um canto da Falcon. C3-PO também tem um papel diminuído,sem grande utilidade, mas mesmo assim com mais presença que R2.  As raposinhas de cristal são fixes e os Porgs, nunca mencionados pelo nome, não são irritantes e se forem é só fazer como o Chewie, dar-lhes um safanão.

O filme é bastante divertido, apesar de ter toda uma sequência que não faz falta e de dispersar um bocado, não o acho longo ou dificil de suportar (mas eu sou suspeita, sou conhecida por aguentar filmes de 6 horas), tem uma boa montagem, bem ritmada, e deixa curiosidade suficiente para saber como será o terceiro. E deixou-me com aquela sensação de satisfação, que nos deixa quase encandeados ao sair da sala de cinema. Depois de ver The Last Jedi, The Force Awakens, que achei um filme engraçado, mas nada de especial, melhorou aos meus olhos e percebe-se que há aqui um conceito de conjunto sólido para os três filmes.

Star Wars: The Last Jedi

22 dezembro 2017

"Fuck!"

Queria ler o livro primeiro, tenho-o cá para ler, mas ainda só vou a um terço do Vanity Fair e não sei que conspiração é a da NOS, mas The Handmaid's Tale por enquanto é de graça no NOS Play, portanto já vi os dois primeiros episódios. Só espero que não passe a ser a pagantes a meio da série para eu ter de a deixar pendurada...

É bom, é muito bom! Eu já sabia mais ou menos a permissa, portanto não foi surpresa, mas, para além dos chamativos trajes das Handmaids, gostei da abordagem de inserirem pequenos detalhes num quotidiano aparentemente normal, pessoas vestidas de igual, uma contenção geral, o aparente puritanismo,  o compasso lento que nos obriga a prestar aenção aos detalhes, e depois a narração contrastante com a acção, "Fuck!"

Só não percebi a divergência no grafismo dos nomes, eles dizem Offred, mas nas legendas escrevem "Defred". Será uma tradução? Nem que seja com uma visitinha à Wikipedia, percebe-se o significado de "of[inserir nome masculino]"... enfim, opções "criativas", mas perdem-se os segundos significados que a palavra "offred" implica.

Não posso dizer muito mais sem fazer spoilers (dos dois primeiros episódios), mas The Handmaid's Tale já me apanhou pela sua estranheza singular, e depois, apesar de não haver grandes cliffhangers, opá, quero saber o que acontece a esta gente! Para já é tudo, mas se conseguir ver a série toda, ou quando houver desenvolvimentos chave, provavlmente postarei aqui.

The Handmaid's Tale

12 dezembro 2017

A Tentação do Lado Negro


Seja pela comemoração dos 40 anos de Star Wars, seja pela estreia esta semana em sala de The Last Jedi, o certo é que até 2 de Janeiro a NOS criou um canal, o 700, que passa Star Wars, em contínuo, 24/7. Em vez de ter a TV sintonizada na Rádio Oxigénio em permanência como de costume, agora é Star Wars o dia inteiro!

Como se percebe, sou fã de Star Wars,  muito ferrenha até à adolescência, que esmoreceu um pouco, fiquei desiludida com The Phantom Menace e passei a ver os filmes novos sem grandes expectativas por causa disso. De todos os 7 filmes até à data, a minha trilogia preferida é a primeira (IV, V e VI) e o meu filme preferido é The Empire Strikes Back. Vi todos os três primeiros filmes pelo menos 3 vezes no cinema, em 70mm, 4 o Empire, mais as Special Editions,e pelo menos uma de cada foi no antigo Cinema Monumental (bom o Return of the Jedi não dava, já tinha sido demolido) e as restantes no Cinema Condes, não inteiramente demolido, mas remodelado e já não é cinema (aquela cortina T_T).

Nos primeiros dias não conseguia largar o canal, mas só vi um filme inteirinho: The Empire Strikes Back. Basicamente o 700 está a passar, por esta ordem: Rogue One, A New Hope, The Empire Strikes Back, The Return of the Jedi, infelizmente as Special Editions, The Phantom Menace, The Attack of the Clones, The Revenge of the Sith. Entre cada filme passam featurettes com alguns dealhes dos efeitos especiais ou decisões criativas de cada filme e entre cada ciclo passam 2 documentários, um acerca da mitologia em Star Wars, The Legacy Revealed, e o outro mais estilo making of, Empire of Dreams. Estes documentários também vi completos e com atenção. Infelizmente não passam o The Force Awakens, faz alguma falta, mas provavelmete os direitos de exibição em TV ainda têm de ser a pagantes.

Ver estes filmes que conheço tão bem desta forma fragmentada tem sido uma experiência engraçada e tenho reparado em coisas que de outra forma nunca repararia: as vezes e o modo como James Earl Jones (Vader) diz "dess-tíníii", como a banda-sonora em geral (música+diálogos+efeitos) é coerente e não tem picos desagradáveis e histriónicos, como no primeiro filme Mark Hamill (Luke) e Carrie Fisher (Leia) dizem os diálogos de um modo mais televisivo, como a voz de Natalie Portman muda conforme está em modo Amidala ou ou Padmé, adoro a dicção enrolada dela como Amidala. E a coda musical de The Return of the Jedi é a mais pomposa de todas ou o curto trecho maravilhoso no genérico final de The Empire Strikes Back, samplado pelos Renegade Soundwave, continua a ser o meu trecho favorito das cerca de seis horas de música.

Ver de forma fragmentada e não-linear também me faz perceber os plot holes e as coisas inúteis (Jar-Jar Binks, anyone?), ou como Padmé é despachada a dizer "Luke", "Leia", apesar de ter acabado de parir e estar às portas da morte, ou como o R2-D2 e o C3-PO são enfiados a camartelo nas prequelas. Mas as falhas não são assim tantas e a grande maioria está na segunda trilogia (I, II e III). Outra coisa que percebi é que as coisas que não gosto, continuo a não gostar, como o erro de casting que foi Aiden Christensen e o miúdo que faz de Anakin. A falta completa de empatia entre Aiden e Natalie agrava ainda mais a falta de talento dele, as deixas românticas dele soam ainda mais patéticas do que já são, como a explicação excessiva não faz falta para a compreensão do todo, ou as músicas novas nas Special Editions destoam face ao resto, e assim sucssivamente.

Páro para ver as minhas cenas favoritas, a entrada de Darth Vader na nave de Leia, basicamente todo o Empire Strikes Back, adoro o cenário da ponte de comando do Star Destroyer de Darth Vader e o seu capacete mais reluzente que nunca; toda a cena de Jabba the Hutt, o guarda-roupa magnífico de Pamé Amidala, as naves espelhadas, as explosões sonic boom de Obi-Wan, Darth Maul a lutar como ninguém, etc.

Ainda quero rever Rogue One como deve ser, gostei bastante do filme o ano passado, quero ver como amadureceu na minha memória.

Canal NOS

14 junho 2017

À Moda do Império... Ou Não

A época do Império está na moda no Brasil, mas a moda Império não parece conseguir vingar nas produções da Globo. Depois da interpretação altamente fantasiosa de Liberdade, Liberdade, agora chega Novo Mundo, ambos passados nas primeiras décadas do séc. XIX, e a sensação de um trabalho desleixado pervalece, ainda mais que na sua antecessora. É uma pena.

Vou falar primeiro do que gosto. O trabalho de actores, principalmente o esforço de alguns actores brasileiros para falarem em português de Portugal é de louvar, principalmente o de Caio Castro, que desempenha o papel de D. Pedro I. Juro que estou impressionada! Menos impressionada estou com o esforço dos argumentistas em usar o vocabulário correcto, bastava ler Gil Vicente ou Camilo Castelo Branco, não estaria muito longe disso. Até há bem pouco tempo, principalmente nas camadas da nobresa portuguesa, absolutamente ninguém se tratava por "tu". Não precisava de ser um texto vicentino, mas uma adaptação, até porque é bastante parecido com o actual português do Brasil. Mas como os brasileiros adoram reduzir os portugueses a um punhado de clichés, não é de admirar. Impressionada também estou com o trabalho de Letícia Colin, como Princesa Maria Leopoldina da Áustria, que soube adoptar lindamente todos os tiques de uma nativa da língua alemã a falar português.

Numa novela com tanta personagem portuguesa, é triste averiguar que a grande maioria dos actores portugueses envolvidos na produção tenham papéis tão secundários ou curtos. A pobre Joana Solnado mal aqueceu o lugar! Já não vejo o Ricardo Pereira há que tempos e a coitada da Maria João Bastos já morreu. Mesmo Paulo Rocha tem um papel secundário em toda a trama, apesar de ser o grande antagonista político de D. Pedro. Enfim, mais uma vez somos reduzidos a um punhado de padeiros de bigode...

Agora os aspectos verdadeiramente negativos, o design de produção, em particular o guarda-roupa. Alega o director artístico da novela, Vinícius Coimbra, que pesquisou e inspirou-se nas gravuras da época do francês Jean Baptiste Debret, estive a ver uma série de gravuras dele, disponíveis online aqui, e pouca coisa corresponde ao que se vê na novela. Há consideravelmente menos porcaria, as ruas das cidades são na grande maioria calcetadas (dá menos trabalho desenhar um chão de pedra que de terra), os escravos não têm um ar maltrapilho, mas vestem um traje muito semelhante ao típico das baianas, e as senhoras mais abastadas estavam completamente na moda. Creio que as gravuras sejam bastante realistas, os índios são apresentados praticamente nus, órgãos sexuais à mostra. O seu intuito foi claramente o de uma documentação mais científica que artística, e não me parecem ter sofrido grande censura, seja ela de uma moral puritana ou da parte do artista. O que me surpreendeu foi o comprimento das saias, em geral um palmo mais curto do que o que se vê nas gravuras de moda da época (francesas, inglesas ou americanas).

Também temos que ver que, ao contrário de Liberdade, Liberdade, Novo Mundo não é uma novela realista, mas uma adaptação algo leve e satírica de factos históricos, aliados a uma narrativa principal de ficção. Portanto uma certa estilização seria bem aceite e deixar a porcaria na pocilga.

Já o director artístico insiste num aspecto maltrapilho e porcalhão da população em geral e até mesmo da nobreza. Apesar de usar um figurino historicamente correcto em Maria Leopoldina, o ar desleixado da combinação sempre à mostra, do cinto torto, o vestido mal ajustado, são muito pouco plausíveis numa dama da nobreza, de origem austríaca, mesmo que num Brasil quente ou falido. Até porque falamos numa epoca em que a moda eram vestidinhos leves de cambraia de algodão, o mais indicado para aquele clima. A personagem fictícia de Anna Millman, desempenhada por Isabelle Drummond, usa uma silhueta mais ou menos adequada, mas tecidos demasiado modernos, longe do que era a moda, e os cabelos sempre soltos, nem um carrapito ou uma trança para fazer figura. E como é que Anna está sempre impecavelmente ensaboada no meio daquele desleixo e imundície? Ah e as cinturas descaídas nos homens, um detalhe completamente moderno, do séc. XX-XXI, enquanto que a moda eram calças com a cintura quase no pescoço?

Eu aceito personagens fantasiosas, como os piratas, eu aceito personagens claramente grotescas como os donos da tasca, aceito fatos repetidos, pois a corte estava falida, aceito uma certa simplificação do guarda-roupa, pelas mesmas razões, até aceito certas liberdades nos figurinos, como as de Anna, não fosse o desleixo transversal e sem uma justificativa nem na cartacterização das personagens, nem na narrativa. A Princesa manteve uma criada pessoal mesmo depois do corte nas despesas, isto na narrativa da novela. Não há razão para andar mal arranjada. Para um bom guarda-roupa da época Império, vejam Pride and Prejudice, de 1995, da BBC!

O que mais me surpreende é que o Brasil, país produtor de algodão, com um leque rico em artesanato de rendas, crochets e bordados, não os usa a seu favor e cria um guarda-roupa que provavelmente até lhes saíria mais barato, uma boa montra do que se faz no país, para além de genuíno? Dizem que fizeram pesquisa, até caem na asneira em citar a fonte principal de inspiração e depois o resultado está bem longe da mesma... intrigante, ou falta de brio? Rigor histórico ou caprichos da vaidade? História ou caricatura? Se a caracterização física estivesse mais correcta e fosse mais subtil, menos grotesca, a narrativa sobressairia mais e a novela resultaria mais sofisticada.

Novo Mundo

24 abril 2017

Do Legado de um Rei





Todas as séries com intriga política e palaciana têm de ser seguidas com atenção, Versailles, na RTP1, merece-o. Para além da dita intriga, que obriga a essa atenção, a série é mesmo muito boa a todos os níveis: um elenco muito competente e de babar, um guarda-roupa e cenários deslumbrantes, uma fotografia quase mágica, uma banda-sonora inebriante e uma realização inteligente.

A narrativa e a acção em Versailles fluem sem solavancos, montadas na intriga, sem quebras apbrutas, num encadeamento quase estonteante, mas mostrando muito mais. Tudo aqui é justificado e mostra-nos, usando brilhantemente a ficção e a História, para mostrar-nos como Luís XIV se tornou o Rei-Sol e como o palácio ficou como testemunho disso. Na primeira série já tinha começado a introduzir-se os vários conceitos vanguardistas introduzidos por Luís e a sua corte, o ballet, o fogo-de-artifício, a culinária, a arquitectura, os jardins, a etiqueta, a comparação ao Sol, o Iluminismo, mas é agora na 2ª série que isso é levado a 100%, tendo o momento do eclipse solar (no GIF acima) um excelente exemplo de como a realização aproveitou muitíssimo bem esses elementos. Mal posso esperar pelo resto da série, pois promete ser tão gloriosa como decadente! Venha!!

Versailles, la série

27 fevereiro 2017

89 Oscars... que deram barracada!

Para variar vi muito poucos filmes nomeados, alguns por opção, La La Land, que graças à cerimónia dos Oscars descobri que o título português é o incompreensível La La Landa (???) [acho que já está na hora do IGAC empregar alguém que saiba português para dar títulos aos filmes], outros que vi porque tinha de ser, Rogue One, mas a grande maioria nem me despertou a atenção.

O Red Carpet começa a tornar-se repetitivo, principalmente agora que os vejo quase todos, e, no caso dos Oscars, demasiado conservador, com um ou dois vestidos interessantes. Já não tenho grande paciência para comentar, excepto a tendência para smokings de veludo nos homens, eu sou sempre a favor de veludo.

Este ano o cenário foi menos interessante, mais uma vez com inspiração Art Déco, mas, digamos, mais piroso. Gostei dos Oscars cortina de cristais, calculo eu, Swarovsky, funcionaram lindamente em televisão.

A cerimónia dos Oscars começou morna, continuou morna e terminou morna, só que não. Um engano, uma troca de envelopes, anunciando erradamente La La Land como melhor filme do ano, o Oscar era para Moonlight, foi o auge da excitação dos Oscars 2017. Sim, houve momentos engraçados, os doces de páraquedas, o miúdo de Lion, a visita guiada, uma ou outra apresentação mais espirituosa, mas pouco discurso político, ficando nas mãos dos directamente afectados, o realizador iraniano ausente de The Salesman, Gael Garcia Bernal, mexicano, declarando que muros dividem, etc. etc. etc. Nem me lembro de ouvir a musiquinha nos discursos mais longos. Houve discursos mais longos? A piada recorrente foi como Meryl Streep é sobrevalorizada e pouco mais. Gostei dos "mean tweets". Gostei dos emparelhamentos de actores mais novos com os que os inspiraram.

Enfim, viu-se, mas não foi muito divertido. Tragam a Ellen de volta!

Oscars

14 fevereiro 2017

Primeiras Impressões

É raro, muito raro, eu blogar apenas depois de ver um episódio de uma série, mas Legion, na FOX, deixou-me impressionada!

Para começar esteticamente a série é brutal! Todos os cenários são escolhidos a dedo, numa arquitectura modernista de meados do séc. XX, filmados de acordo, com muitos planos simétricos onde se proporciona, ou a aproveitar muito bem os volumes arquitectónicos, lembrando muito os filmes de Jacques Tati. O guarda-roupa e a banda-sonora correspondem à arquitectura, o guarda roupa muito mod anos 60 para 70, a banda-sonora jazzy moderna, com electrónica à mistura. Este formalismo dá-nos uma sensação de insólito e irreal, que reforçam e apoiam muito bem a narrativa.

E depois vem a história. Muito intrigante, a jogar com o que pode ou não ser real e com a esquizofrenia do protagonista, colando-nos ao ecrã e ao mesmo tempo põe-nos a sofrer de angústia por não se perceber inteiramente o que se está a passar.

Passei o episódio inteiro: "eu conheço este tipo!", é Dan Stevens, o Cousin Matthew de Downton Abbey, mas o contexto completamente oposto e o sotaque americano impecável desnortearam-me. Claro que conheço o Dan Stevens! Eu fui uma das que fez luto por Matthew em Downton.

Bom, agora resta-me esperar ansiosamente pela próxima semana. Espero que o nível de qualidade se mantenha. Desde Heroes que não ficava tão entusiasmada com uma série do género, ficção-científica/super heróis, mas mesmo Heroes não me encheu tanto as medidas à partida.

Legion

04 fevereiro 2017

As Manas dos Moors

Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais) é o meu livro preferido. Quando estive em Haworth e visitei o Brontë Parsonage Museum, achei que a vida das irmãs Brontë dava um filme tão bom como qualquer dos seus livros. Eis que a BBC, para o 200º aniversário de Charlotte Brontë, produziu To Walk Invisible, que conta parte dessa história.

Primeiro gostaria de afirmar que os cenários, guarda-roupa, recriações da aldeia, etc. estão impecáveis e quem tenha visitado os mesmos dificilmente separa os locais reais da sua respectiva recriação, indispensáveis devido a alterações sofridas ao longo do tempo nos locais reais. Isto é particularmente importante no que toca aos cenários principais, a Parsonage e o cemitério ao lado, que estão bastante diferentes do que eram no tempo das Brontës, o cemitério está cheio de árvores frondosas, a casa teve um grande acrescento e actualmente inclui equipamento próprio da casa-museu que é. A grande maioria da mobilia e objectos pessoais, recolhidos pela Brontë Society, pode ser vista na casa-museu.

O filme conta o pedaço das suas vidas de adultas, entre decidirem ser publicadas até à morte de Branwell, o irmão. Logo de início é estabelecida uma atmosfera fantasmagórica, digna dos seus livros, com a primeira cena das crianças a brincar em Gondal, o mundo criado pelos quatro, ainda presente nos minúsculos livrinhos feitos à mão, no museu. Apesar de o resto da história ter pouco de sobrenatural, não é muito mais que biográfica, essa atmosfera mantém-se na fotografia, no clima húmido do Yorkshire e na banda-sonora. O secretismo a que elas se obrigaram, devido às dificuldades em serem reconhecidas pela sua obra e não pelo seu sexo, é o tema principal da história, e o grande dilema das irmãs, que escreviam compulsivamente. A decadência de Branwell serve como catalisador, primeiro para o secretismo e depois para a grande revelação ao mundo, que os autores daqueles livros escândalosos afinal eram mulheres!

Gostava que tivessem dado um pouco menos de protagonismo a Branwell, e mais aos moors [a tradução portuguesa é "charneca", mas como a nossa charneca é muito diferente dos moors, prefiro deixar no original] e a cada irmã individualmente. Quem tenha visitado a região e, naturalmente, tenha lido algum livro das Brontës, percebe facilmente de onde vem tanta paixão contida, aquela paisagem é avassaladora. Para variar, quase só dão voz a uma Charlotte mandona, Emily é caracterizada como bicho do mato e Anne como a boazinha. Duvido que qualquer uma delas pudesse ser reduzida a tão pouco. Gostei como Emily estava sempre atarefada com os afazeres da casa, apesar de não ser necessário, devido à criada que trabalhava para a família. Era o seu modo de descarregar energia. Isso e caminhadas nos moors. Ah, o cão, o cão retratado por Emily em movimento, num desenho exposto no museu.

Quem goste e admire as Brontës, com certeza apreciará este filme, quem apenas goste de dramas de época, talvez o ache um pouco singelo, não há um grande romance e a tragédia é mais caseira, mas continua a valer a pena, é mais uma prova que a BBC ainda dá cartas em produções de época.

BBC One - To Walk Invisible

03 fevereiro 2017

Debaixo dos Saiotes

Já percebi para que serviam as cenas de sexo (gratuitas) na primeira série de Outlander, era para desviar a nossa atenção de uma narrativa fraca e que se arrasta. A segunda temporada de Outlander leva-nos até Paris e Versalhes e para uma grande abstinência de sexo. Os níveis de violência gratuita também são consideravelmente mais baixos.

Para mim o problema de Outlander é que é uma série que promete ser de aventura com um toque de fantástico, na viagem no tempo, e romance mas acaba por ser intriga política pouco excitante, com uns toques de romance e pouca aventura. Na segunda série, como a narrativa se desenrola de forma menos emocionante, vêm à tona todas as falhas, que são essencialmente a nível da escrita de ficção. É no que dá deixarem este tipo de série em mãos norte-americanas.

É uma pena. Visualmente a série é muito boa, com ou sem liberdades criativas, bons e impressionantes cenários, naturais e de estúdio, um guarda-roupa bem pensado, uma fotografia bem iluminada, uma realização competente, actores convincentes, mas uma história que podia ser contada em metade dos episódios ou com reviravoltas mais excitantes. Ao 9º episódio, às vésperas da Batalha de Culloden, o suposto clímax da segunda temporada, dei por mim a ver a série por obrigação, para terminar de a ver e passar para o seguinte na lista (que é longa). Na primeira série a história também era mais estruturada, mas coesa, focada nos seus objectivos principais: Claire voltar à sua época e depois de se apaixonar, tentar evitar o massacre. Apesar de em Paris haver esse único objectivo, impedir a Batalha de Culloden, somos constantemente distraídos com subterfúgios e narrativas secundárias, inclusive no final na Escócia. Mas louvo o excelente cliffhanger com que termina, que vai com certeza levar-me a ver a terceira temporada, apesar da desilusão geral com Outlander.

Outlander

26 janeiro 2017

Debaixo dos Kilts

Quem me conhece sabe que sou parcial quanto à Escócia, que tenho um fetiche por tartan e kilts e que tenho um fraquinho pelo séc. XVIII. Portanto, mal saiu a série Outlander foi daquelas que foi logo para o topo das séries a ver. Infelizmente a vida real não me tem dado muita disponibilidade para ver grande coisa para além do habitual na TV, e como esta série não passou em nenhum canal em Portugal, só agora vi a primeira temporada. A segunda segue-se em breve, já que não são muito longas.

Até começar a vê-la, tinha muito boa impressão da série, ao contrário do meu hábito (odeio spoilers) já sabia toda a história e conhecia o lado visual principalmente através de um dos meus blogs preferidos actualmente, o Frock Flicks. Contudo as expectativas não eram exageradamente altas, portanto foi com alguma surpresa que dei por mim a não adorar a série, pois tinha quase tudo para eu adorar.

Visualmente Outlander cumpre todas as minhas expectativas, gosto do elenco, é um regalo ver as Highlands numa belíssima fotografia que não abusa dos filtros, a banda-sonora é agradável q.b. e a realização não é nada má. Gosto do compasso mais lento com que a história se desenrola, sem andar a encher chouriços, de terminar quase todos os episódios com algum tipo de cliffhanger, ou da narrativa não-linear do episódio do casamento. Mas, aqui é que vem o grande MAS, é uma 'série de gajas' e como maria-rapaz ferrenha que sou, tenho fraca tolerância a 'séries de gajas'. Não consegui gostar de Sex in the City apesar de gostar da temática, a Grey's Anatomy enjoa-me, aborreci-me com Desperate Housewives depois do entusiasmo incial e, mesmo tendo visto quase todo o E.R., nunca me encheu completamente as medidas. A primeira coisa que me enervou foi a narração ocasional, que é demasiado explicativa e que não faz falta nenhuma, principalmente nesta época de Wikipedia. Por mais que goste de sexo ou erotismo numa série de TV, goste de filmes de terror e seja pouco impressionável, acho parte do sexo na série demasiado sádico, violento e gratuito, mesmo entre a Claire e o Jamie. Principalmente gratuito e demasiado estilizado. Apesar de não ter visto (nem querer ver - acho que vou odiar) acho que essas cenas são dirigidas ao mesmo público de 50 Shades of Grey e eu definitivamente não faço parte desse público.

A decepção é mais a surpresa pela decepção que outra coisa, não estava mesmo nada à espera, achei que me estavam a impingir fan service e não gosto disso. De resto, a permissa e o modo como se desenvolve a narrativa são interessantes, deixaram-me curiosa e nem esta decepção me demove de continuar a ver e de ficar satisfeita ao saber que estão aprovadas a terceira e quarta temporadas. Mas os livros é que muito provavelmente ninguém me apanha a ler!

Outlander

25 janeiro 2017

Mudança de Paradigma

A minha última TV de cinescópio avariou há uns meses, mas felizmente o Pai (Mãe) Natal demorou mas foi generoso. Tenho uma TV LED/LCD, 32 polegadas, novinha em folha!

Durante o período em que estive sem TV, fui vendo as séries e outros programas no NOS TV, no computador, e isso foi a revelação da mudança de paradigma para mim como espectadora. Já via a grande maioria dos programas em diferido, através das gravações da box, mas com as limitações de ver no computador praticamente não vi nada em directo, nem os "filmes de ressaca de sábado à tarde". Esta mudança também tem mudado muito o que gostava mais na TV, a espontaneidade de não ter de escolher ou procurar, se bem que nunca fui muito de zapping, mas como agora há uma maior escolha, o que vou vendo reflecte-se mais nas minhas preferências e gosto pessoal.

A mudança passa por a partir de agora não me limitar a comentar neste blog programas vistos na TV, mas também séries ou outros que de alguma forma me chamaram a atenção, mas que por alguma razão não passam nos inúmeros canais a que temos acesso por cabo.

Portanto: TV nova, vida nova.
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