TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

20 julho 2009

Reclamação

OK, eu sei que a Rebelde Way (e seus congéneres) não são pérolas de argumento nem realização, aliás estão muito longe disso. É mesmo o facto de estas séries/novelas serem tão básicas que me atrai. É um bocado como gostar de música pimba, é pela piada de ser tão previsível e piroso.

Portanto, consciente da ausência de argumentos inteligentes e profundos, não estou à espera de ver em Rebelde Way um True Blood, uma Gossip Girl ou afins, estou à espera de uma novela palerma e exacerbadamente romântica, com tantas reviravoltas que até os argumentistas perdem a coerência e a plausibilidade. Mas uma "qualidade" têm estas novelas, os picos do argumento costumam ser emocionais e engraçados apesar de quase sempre previsíveis. Rebelde Way soube se manter mais ou menos constante, não tendo demasiados episódios para encher e mantendo equilibrada a distribuição desses picos emocionais... excepto no final! Sim, nos finais as conclusões das personagens principais precipitam-se em catadupa, e, nestes casos, quase sempre nos 2 ou 3 últimos episódios. Não faço a mínima ideia do que foi o último episódio, pois a SIC, na última semana, repetia 75% do episódio anterior antes de aparecerem cenas novas, portanto a cena pela qual me sinto na obrigação de pedir o Livro Amarelo foi repetida, que eu tenha dado por isso, três, sim três vezes. A cada vez que a via mais irritada ficava!

A sequência em questão foi a união mais-que-previsível dos dois casalinhos principais: Mia e Manuel e Lisa e Pedro. A primeira união que se deu foi a de Mia e Manuel, que já namoravam mas que a coitadinha da Mia se via frente a frente com o dilema de perder a virgindade em grande estilo (eu já disse coitadinha?). Até aí tudo bem, sem problema. Os dois finalmente lá se decidiram, quando Mia, sabe-se lá como, encontra Manuel à alvorada numa falésia (para uma rapariga que faz questão de usar saltos altos até a dormir, até que o encontrou bem facilmente). Segue-se a cena da reconciliação, sem nenhuns diálogos especiais ou marcantes (sim, por vezes houve uma ou outra deixa interessante durante a série) mas com uma actuação particularmente má, basicamente dois monos a debitar texto, mesmo para os padrões da Rebelde Way. A cena termina com o casal aos grandes beijos a "mergulhar" no enquadramento, ficando a paisagem da falésia e do mar para nos deixar completar a cena.

Eu até engolia esta cena não fosse a união de casalinho desavindo seguinte. A reaproximação de Pedro e Lisa nos episódios anteriores já tinha sido extremamente forçada, não havendo rigorosamente empatia nehuma entre o casal e entre as personagens e o espectador, portanto já não ia ficar natural a união que tinha forçosamente de acontecer entre os dois, pois o cronómetro estava a contar. E não é que a cena da união de Pedro e Lisa é praticamente igual à de Mia e Manuel? Desta vez foi Pedro que, vá se lá saber com que GPS, encontra Lisa à tarde numa falésia. Seguem-se os dois monos a debitar texto, ainda piores que o casal anterior. A cena termina com o casal aos beijos a "mergulhar" no enquadramento, ficando a falésia e o mar para contar a história. Descubra as diferenças!???? Está bem, está bem, era duas rochas para a esquerda.

Desde o início da série que imaginei que Pedro e Lisa iriam ser os primeiros a se entenderem, um ou dois episódios antes de Mia e Manuel, em parte porque os dilemas que os separavam eram bem menores e mais infantis, e com uma cena de sexo (mesmo que apenas implícito) mais ou menos escaldante. Atenção, não é preciso mostrar pele ou acto sexual propriamente dito para fazer uma cena de sexo escaldante, mas também não é preciso esconder tudo atrás de uma falésia! Em Gossip Girl já houve várias e nunca se viu mais que um ombro ou uma coxa, coisa que certamente as meninas de Rebelde Way não têm pudor nenhum em mostrar. Continuando com Pedro e Lisa, imaginava mais qualquer coisa como dentro do vagão abandonado, que lhes serviu tantas vezes de refúgio, ou então nos bastidores do palco onde iriam dar o concerto final. Ou até mesmo qualquer coisa mais soft, mas nunca, nunca mesmo uma repetição da cena do casal Mia e Manuel.

Será que os argumentistas de Rebelde Way baralharam os papéis da sinopse original de Cris Morena e perderam as páginas das cenas finais de Lisa e Pedro? Vendo o resultado, parece que sim!

E aqui termina Rebelde Way, infelizmente não em grande nem com estilo nem fogos de artifício, só muito artifício muito mal amanhado.

12 julho 2009

New New New New New New New New New New New New New New New York

Este é um post sobre um fim e um início. Continuando a minha decisão de deixar de esperar pelas TV's (neste caso a BBC-Prime), ao terminar de ver a 2ª série de Gossip Girl, a série que se segue é a 3ª de Doctor Who.

Não posso deixar de falar aqui do final da 2ª série de Gossip Girl, pois dentro deste tipo de séries de televisão, que muitas vezes acabam num cliff hanger mais ou menos vago, para dar a eventual possibilidade a uma continuação, muitas vezes ainda não assegurada, gostei muito do final quase fechado de Gossip Girl. Quase porque deixa o espaço necessário a uma 3ª série (que espero ansiosamente pela estreia em Setembro) mas sem deixar de rematar as histórias pessoais iniciadas na 1ª série. Sendo esta a série do ano de finalistas e uma mudança de vida para quase todas as personagens, foi inteligente terem agarrado nesse facto para não deixar as mesmas pontas soltas e ainda por cima darem um final feliz a uma série que por vezes é demasiado realista nas inconstâncias e incoerências das suas personagens, fazendo-as mudar de objectivo e direcção tantas vezes quantas por vezes nós fazemos no nosso dia-a-dia.

Na 2ª série de Gossip Girl, concentramo-nos mais no humanismo de todas as personagens, deixando qualquer uma delas os seus traços maniqueístas para trás (um Dan um pouco menos irritante, uma Serena não tão boazinha e redimida, uma Blair mais emocional e insegura, um Chuck com bom coração, um Nate inconstante, uma Jenny ambiciosa mas rebelde e uma Vanessa não tão fiel aos seus princípios como poderíamos crer), tornando a segunda série numa muito agradável surpresa em crescendo, não desvirtuando nem decepcionando. E pronto, não há dúvida que Chuck e Blair se merecem... vamos lá ver até quando.......

Gossip Girl


Como já disse anteriormente, não gosto de ver o Doctor Who com legendas, acho que distraem mais do que ajudam e tiram-me o prazer de me concentrar no british english que tanto adoro. Daí não ter acompanhado a 3ª série de Doctor Who na SIC-Radical, também por causa da ausência dos imprescindíveis Doctor Who Confidential.

Já tinha visto dois episódios com as ditas legendas e ao revê-los agora confirmo a minha convicção de que as legendas distraem. Em séries ou filmes rápidos, mas com bastantes diálogos e ainda por cima cheios de ironia, como em Doctor Who, muita da compreensão esvai-se ao ler, nem que seja por vício, as legendas e descobri que frequentemente me escapam os detalhes mais engraçados, exactamente porque estou distraída a ler. É muito difícil transmitir esse tipo de subtilezas para uma legendagem, mais ainda quando na grande maioria são feitas em cima do joelho e sem esse tipo de cuidados, portanto, volto a apostar em Doctor Who sem legendas e, claro, a adorar cada vez mais.

Claro que sinto imensa falta da Rose, Martha Jones é uma boa personagem, faz um bom par com o Doctor de David Tennant ( desmaia...), mas é demasiado inteligente e educada. Prefiro a corkiness da Rose, é mais terra a terra, mas uma personagem bem mais engraçada e empática! Ai deles se começarem a criar um clima romântico entre Matha e o Doctor!!!! Acho que me zango à séria!

PS - adoro, simplesmente adoro, quando o Doctor diz "New New New New New New New New New New New New New New New York"!!!

Doctor Who

08 julho 2009

Vestido a dobrar

Já aqui tinha mencionado que desisti de esperar pelas cadeias de TV para ver a 2ª temporada de Gossip Girl e também disse no mesmo post que das poucas coisas que ando actualmente a ver na TV é a novela juvenil da SIC (o meu guilty pleasure) Rebelde Way.


Jenny Humphrey em Gossip Girl

Mia Rossi em Rebelde Way

Não é que ao ver Gossip Girl me deparei com Jenny Humphrey (uma aspirante a designer de moda) a vestir o mesmo vestido que Mia Rossi (uma aspirante a socialite fashionista) vestiu no seu aniversário? Pesquisando na net (excusado será dizer nos sites de Gossip Girl, pois os de Rebelde Way não têm informação útil de jeito) descobri que o dito vestido é da H&M. Ora se em Rebelde Way o vestido foi "vendido" como sendo de um designer ascendente, que na realidade seria a costureira de Sónia Valentino (actriz), em Gossip Girl é o vestido que Jenny usa para o seu Guerrilla Fashion Show, dentro do mesmo estilo dos vestidos que desenha, mas sem menção da marca/designer.

O que tem piada no meio disto tudo é que, ao ver Mia envergando o vestido no seu aniversário (com umas meias de ligas pretas com fitas muito engraçadas e um saiote preto bem rodado), situação onde o vi primeiro (nem na loja o tinha visto) pensei: "ora, vá lá que de vez em quando alguém tem ideias de moda arrojadas nesta série!". Mia estava muito coquette, muito a condizer com o lado mais aparente da sua personalidade, o vestido (ao contrário do da Lisa, que era horroroso! - aliás acho que quem veste a Lisa não tem muita noção do que são roupas punk) funcionou às mil maravilhas! Depois disto vê-lo em Gossip Girl, que na minha opinião é uma referência em termos de tendências de moda, e, melhor, numa conjugação semelhante (Jenny usou-o com collants pretas e um penteado semelhante) e numa situação de festa, só me deixou com orgulho nos nossos profissionais, que pelo menos de vez em quando acertam na mouche, pois o vestido é lindo!

Também acredito que muitas vezes as asas criativas de quem trabalha nestes produtos a metro para a televisão por cá sejam cortadas de raiz antes mesmo de as séries, etc. começarem a ser gravadas...

Apesar de cá "oficialmente" o vestido ter aparecido primeiro em Rebelde Way (Gossip Girl está a dar/deu no SET, mas estreou algum tempo depois dos Estados Unidos), em relação à cronologia e a quem "copiou" quem, o episódio de Rebelde Way deu a 29 de Abril deste ano mas o de Gossip Girl, o 9º, There Might Be Blood, estreou a 3 de Novembro do ano passado... acho que não preciso dizer mais nada...

Escusado será dizer que a imagem de Jenny, arranjei no site oficial de Gossip Girl com toda a facilidade (não sem alguma paciência) e que para a de Mia, incomparavelmente de pior qualidade, tive de garimpar imenso e mesmo assim acabei por ter de fazer um print screen do vídeo no site oficial de Rebelde Way, de onde também veio a outra foto apesar de não ter sido nada fácil encontrá-la. Os sites das séries populares nacionais continuam a ser deficientes mentais e físicos, como se explica que um acontecimento tão importante como o duplo aniversário das duas protagonistas não tenha uma galeria decente de imagens??

30 junho 2009

Bailarina é pouco...



Confesso que estava desejosa de postar novamente para "limpar" a aura MJ, mas infelizmente é novamente por um motivo triste: hoje foi a vez de Pina Bausch nos deixar.

Não foi das participações televisivas mais evidentes, mas a RTP2 ainda passou com uma certa regularidade muitos dos seus bailados filmados, que são muito mais que meros bailados, são performances que apelam a todos os sentidos, dignos trabalhos cinematográficos, que felizmente a imortalizam no seu melhor.

Tive o privilégio de ver dois dos seus espectáculos que vieram a Lisboa (um no CCB, outro na Gulbenkian) que até hoje me deixam memórias fortes e vívidas que creio nunca mais vou esquecer. Pina Bausch não era apenas uma bailarina e coreógrafa, ela rompeu barreiras, transformando a sua arte num híbrido extremamente abrangente e universal, em que o melhor de tudo era a sua acessibilidade dentro da abstracção. Os seus espectáculos não eram densos nem pesados, apesar de as suas temáticas muitas vezes o serem, transmitiam-nos emoções com uma facilidade que poucas vezes a dança o fez.

Pina Bausch já não dançava ela própria há uns anos, mas os seus espectáculos continuavam a ser completamente pessoais, diria até "da tripa"! Noutro registo fica-me também para sempre a memória da sua participação no filme E la Nave Va do meu querido Federico Fellini. Espero que ela seja recebida por gente como ele...

26 junho 2009

R.I.P. part II

Pois... é como costumo dizer, uma morte nunca vem só...

Michael Jackson era daquelas celebridades que na minha cabeça são imortais, de certa forma é verdade, mas saber que Michael Jackson morreu (mesmo que ele tivesse 80 anos e não 50) foi e seria sempre um choque!

Nunca fui grande fã de Michael Jackson, excepto da sua fase infantil-Jackson Five que ainda adoro. Na sua fase Thriller, que lhe deu protagonismo nos anos 80, adorei o videoclip, altamente arrojado para a época, mas o pouco que eu possa ter gostado dele passou imediatamente com a moda e também ao descobrir que Michael Jackson no passado fez/cantou música muito mais intressante.

Agora ele é verdadeiramente imortal, era sem dúvida um ícone, e já estou com raiva por estar a escrever mais sobre ele quando gostava muito mais da Farrah Fawcett! GRRRR!

25 junho 2009

Goodbye Angel!



Agora que Os Anjos de Charlie estão a dar novamente na RTP-Memória (actualmente na fase pós-Farrah), o Anjo Farrah Fawcett deixa-nos... Sempre achei que precisava de óculos escuros para ver aquele sorriso Pepsodent.

20 junho 2009

Gossip2

Tenho visto muito pouca televisão... eu tenho destas fases "down" no vício e as razões são várias, mas as principais são que ando a seguir com regularidade muito pouca coisa (Rebelde Way, Três Irmãs - tem de haver sempre uma novela da Globo, Criminal Minds e mal e porcamente Kyle XY). Ainda caí no engano de achar que a 2ª série de True Blood iria estrear esta semana, mas é apenas a reposição da primeira e nem sequer era a estreia...

Entretanto devido à estranha estratégia do AXN, que passou a 1ª season de Gossip Girl mas aparentemente não irá passar a 2ª (e eu não tenho o Sony Entertainment Television) e de a BBC Prime nunca mais se decidir a passar a 3ª série do Doctor Who (perdi os primeiros episódios na SIC-Radical e gosto de ver sem legendas e com o extra Doctor Who Confidential), até eu, fiel devota do aquário~, ando a desistir da TV em prol da internet...

Chegando onde queria, comecei a ver a 2ª série de Gossip Girl e relembrei-me das razões porque me apaixonei por esta série (é fresca, sarcástica, tem deixas magníficas, belas paisagens, excelente guarda-roupa...). Adorei rever aquela gente bonita de novo, ver a Serena mais serena (passe a redundância), a Blair cada vez mais bitchy e cada vez mais bem vestida, o Chuck cada vez mais extravagante, a Jenny a utilizar os seus talentos com mais inteligência e, last but not least, ver o Dan menos pateta e a fazer merda.

Como o 1º episódio se centra nos Hamptons, tem um ambiente e é visualmente diferente, deixando aquele ar quente veranil e menos cosmopolita. Afinal eles também merecem férias! Uma coisa é certa: com a temperatura que está lá fora e o Verão a aproximar-se a passos largos (demasiado largos, até) é engraçado ver este episódio de Gossip Girl.

E, caramba, JÁ TINHA SAUDADES!

Gossip Girl

04 junho 2009

Adeus Grasshopper...

Isto definitivamente dá-lhe em série.

Hoje foi a vez de David Carradine, o eterno Kwai Chan "Grasshopper" Caine da série Kung Fu e também o Bill de Kill Bill.

Carradine era de tal forma uma figura mítica que até custa a crer a forma como morreu.

BBC NEWS

*sequências

Esta foi hilariante: Tyra Banks, no seu Tyra Show, acompanhava a cantora Beyoncé numa reportagem acerca do backstage dos seus concertos e tournées e, naturalmente um dos locais obrigatórios de passagem era o seu guarda-roupa.

Estavam as duas a enumerar os materiais de alguns figurinos e, entre tanta outra retrosaria de luxo, Tyra disse sequins, que foi brilhantemente traduzido por sequências. Lindo! Um disparate destes já não lia desde a Martha Stuart! É verdade que podem ser cosidas em sequência, mas daí a serem chamadas de sequências... Meninos e meninas tradutores: sequins são lantejoulas ou, para aqueles com costela brasileira, paetês.

sequins
sequências

13 maio 2009

Fashion Video


H&M - Summer 2009

Acabei de apanhar isto na TV, que publicidade mais fashion! Faz-me lembrar os gloriosos anos 90, das top-top models, em que ser fashion victim era um estilo de vida!

04 maio 2009

Amiguinho

Se fiquei triste com a morte de J.G. Ballard, fico triste ao cubo com a morte de Vasco Granja.

Vasco Granja foi um dos meus heróis de infância e adolescência, tive o privilégio de me ter cruzado pessoalmente com ele mais que uma vez e é e há de ser para sempre a minha referência máxima para cinema, televisão, cinema de animação e banda-desenhada, artes que fazem parte da minha vida e da minha existência. Se ele não tivesse existido, talvez não me tivesse interessado tão cedo por estas artes que se tornariam determinantes para mim. Ainda guardo (e agora guardarei com mais carinho) muitos dos artigos que publicou para a TV-Guia, que deveriam, junto com outros artigos e textos dele, ser publicados dignamente em livro, pois acho que ele teve muito para nos ensinar e dessa forma poderá continuar a fazê-lo!

Espero que Vasco Granja se tenha juntado ao seu herói Norman McLaren, que foi ele que nos apresentou, num paraíso cheio de animação...

19 abril 2009

Voo...

Há cerca de mais de um ano falei aqui da morte de um dos meus escritores de ficção-científica preferidos: Kurt Vonnegut. Hoje foi a vez de outro grande escritor de ficção-científica partir para outros voos: J. G. Ballard.

Apenas li três livros dele: O Mundo de Cristal, Olá América e Aparelho Voador a Baixa Altitude, mas nunca li, e quero ler há muito, os seus dois livros semi-autobiográficos que deram origem a dois excelentes filmes e alguma notoriedade fora dos círculos da escrita de ficção-científica: O Império do Sol (realizado por Steven Spielberg) e Crash (realizado por David Cronenberg).

É um escritor de que gosto bastante pela sua escrita simples e directa, paixão por aviões e capacidade de transformar situações áridas e catastróficas em histórias envolventes, românticas e cheias de humanidade.

Hoje é um dia triste para o mundo...

jgballard.com

15 abril 2009

um pouquinho de nostalgia (ainda) dos 70s...


Lene Lovich - Bird Song

Lene Lovich, nascida nos Estados Unidos mas que sempre conheci como residente em Inglaterra, de origem sérvia e inglesa, foi a primeira cantora/banda musical de que fui fã na vida. Um amigo recordou-me este vídeo fabuloso que agora coloco aqui!

Ela surgiu com o a decadência do punk e o início da new wave e foi muitas vezes algo injustamente comparada a Nina Hagen (por causa do exotismo e da voz treinada) e a Kate Bush (apenas por causa do exotismo). Infelizmente acabou por ter um papel mais secundário na história da música popular, à sombra destas duas cantoras.

Lene Lovich veio a Portugal pela primeira vez dar um concerto em 1978 e voltou o ano passado. Infelizmente não vi nenhum dos concertos, o primeiro por os meus pais não me deixarem, o último por falta de t€mpo...

Apesar de há bastante tempo já não ser a minha cantora preferida, até porque a sua carreira musical abrandou consideravelmente, ainda me sabe muito bem ouvir as suas canções que, em parte, definiram muito do que eu sou!

Lene Lovich

10 abril 2009

making of - separadores RTP1



Já aqui tinha mostrado e mencionado a originalidade dos novos separadores da RTP1, pois deixo aqui um mini-making of, que me escapou na altura que deu, aparentemente no Telejornal.

*casa verde

Sexta-feira santa, 10 de Abril, tarde de ronha em frente à TV... Na versão dobrada de O Segredo de Terabithia, que me pus a ver por um amigo meu me ter recomendado múltiplas vezes o filme, aparece-me esta pérola da má tradução de filmes para português: a irmã mais nova de Jesse irrompe pela sala com a maravilhosa deixa: "pai, pai, anda ver na casa verde!" Claro que a dita casa verde não era nada mais que uma estufa!

Se já não fosse grave o/a tradutor(a) do filme não saber inglês como deve ser (e não sabe topar false friends), também não tem olhos na cara! E, pior ainda, os actores e director(a) de dobragem também não!!! Ainda por cima greenhouse é uma palavra só, bastava ir ao dicionário... é mesmo triste...

greenhouse

30 março 2009

Gralha

Da primeira vez que ouvi, mal podia acreditar e descartei a ideia pensando que tinha ouvido mal... mas entretanto confirmei: o AXN anda a anunciar o filme Mulherzinhas para o próximo domingo, como sendo adaptado de um romance de Charles Dickens!!!!!

1. O livro é escrito por Louisa May Alcott e não se fala mais no assunto!
2. A acção passa-se nos Estados Unidos durante a Guerra da Secessão;
3. Charles Dickens era inglês e que eu saiba nunca escreveu nenhum romance passado nos Estados Unidos;
4. Louisa May Alcott era norte-americana e As Mulherzinhas é semi-autobiográfico;
5. A única coisa que Charles Dickens e Louisa May Alcott tiveram em comum, para além de serem ambos escritores, é que foram contemporâneos. A escrita de um e de outro não tem semelhanças algumas, o 1º escreve grandes épicos, romances intemporais, a 2ª escreve dramas familiares.

Que cada vez menos as pessoas nos media fazem o trabalho de casa, eu sabia, mas dizerem tal enormidade sem, pelo menos olharem para a ficha técnica do filme é TOTAL E COMPLETA INCOMPETÊNCIA!!!!!!

19 março 2009

Blythe a caminho das Índias...


Maria Maya (Inês) com a Frida
foto: Marcelo Cravero


Não tenho acompanhado a novela da Globo, Caminho das Índias, pois apesar da produção impecável como sempre, ao ver os primeiros episódios pareceu-me um clone d'O Clone mas mais folclórico e mais foleiro. Não tenho paciência para tanto berro e tanto maneirismo. Não percebo quase nada da cultura indiana, mas tanto quanto sei devem ser pessoas normais e não passam a vida naqueles histerismos. Aliás saber que esta novela é de Glória Perez ainda desaponta mais, será que as ideias se esgotaram?

Os actores, um verdadeiro rol de vedetas de primeira, foram escolhidos pelo tom mais bronzeado da pele, mas mesmo assim pouco convincentes como indianos. Eles esforçam-se tanto em manter um sotaque da Índia que se transformam em personagens caricatas e ridículas. Assim, tudo quanto é actor mais declaradamente de descendência índia (não indiana) ou de emigrantes líbios, turcos e afins, teve direito a entrada garantida na novela. Mas dificilmente encontramos alguém claramente com traços verdadeiramente indianos. Discordo completamente com a escolha de Márcio Garcia para o papel de Bahuan, pois para um "intocável" o rapaz é demasiado branquinho... Não é suposto as castas mais altas serem mais branquinhas e as mais baixas as mais escuras?

Algumas das coisas que achei apelativas na novela foram Débora Bloch, de quem sou fã, e a personagem rebelde-chique Inês, interpretada por Maria Maya. Inês ouve Pitty, que descobri através das novelas e de que gosto bastante, é toda punk e tem uma colecção de bonecas. Entre essas bonecas, foi introduzida uma Blythe customizada, por uma questão de direitos de imagem, pois um dos directores de arte, Marcelo Cravero, é justamente fã e coleccionador das mesmas. A dita menina chama-se Frida e é customizada pelo Studio Zellig. Eu já tinha aqui mencionado que sou fã destas bonecas e a orgulhosa dona de uma desde Novembro passado, portanto não podia deixar passar em branco este detalhe que tem deixado a comunidade de fãs da Blythe brasileiras em polvorosa!

Caminho das Índias

08 março 2009

5 gajos bons 2009

Continuando o meu costumeiro post do Top 5 de gajos bons em exibição na televisão, para comemorar o Dia da Mulher, aqui está o deste ano.

Desta vez tive dificuldade em escolher, especialmente porque não tenho andado a ver muita televisão (ando um bocado saturada das mesmas séries de sempre) e, pela primeira vez, William Petersen não está no top porque, sim, até do CSI ando um bocado farta... Ainda por cima, do que ando a ver com regularidade, saem poucos gajos bons...

1. David Tennant
O claro vencedor, este não tive dificuldade nenhuma em escolher por variadíssimas razões: é escocês, é o carismático protagonista de uma das minhas actuais séries favoritas, Doctor Who, e é lindo! Não está propriamente no ar, mas ontem vi-o no 4º filme do Harry Potter na RTP1.


2. Patrick Dempsey
Não costumo ver A Anatomia de Grey, mas pelo cantinho do olho lá vou vendo Patrick Dempsey e vou gostando bastante do que vejo. Merece!





3. Hugh Jackman
Só não está no 2º lugar porque até agora só o vi uma vez na televisão, exceptuando, claro está, os filmes onde entra. Mas apesar de não ter feito um trabalho estrondoso, gostei bastante de o ver a apresentar os Oscars e a embalagem (que é disso que falo nestes posts) é tudo menos de se jogar fora!


4. Julian McMahon
É um tipo estranho, nem sempre gosto do que vejo, mas gosto do olhar sedutor e frio (qual frio, gelado!) com que interpreta as suas personagens Dr. Christian Troy em Nip/Tuck (Fox Life) e Cole Turner em Charmed (AXN).




5. ?
A indecisão foi tão grande e de todos os prováveis candidatos (tentar arranjar um brasileiro que se qualificasse...) nenhum atingia todos os requisitos necessários, portanto entre colocar aqui um candidato meio-meio, preferi deixar a 5ª posição em branco este ano... Sou exigente, o que posso eu fazer...

28 fevereiro 2009

*Channel

Já aqui tinha feito um desabafo em relação a este erro ortográfico e de falta de cultura geral (para não dizer cultura fashion) neste post. Mas enquanto que ver esse erro seja na TV Guia, seja no vídeo daquela criatura é mau (sim, é!), é ridículo (sim, é!), é falta de esmero (sem dúvida), é triste (oh sim!), mas, dando o devido desconto, é infelizmente previsível...

Agora só digo: o nome da senhora é CHANEL, com um (sim, 1) N e não channel de "canal" em inglês!

Mas (e desta vez o erro não está na televisão, pois é!) ver na entrevista de rua da revista Time Out (nº 74, 25 de Fevereiro de 2009, tema: "88 Coisas que Você Não Sabe Sobre Lisboa" | rúbrica "De olho na rua", pag. 12, último parágrafo), de que tanto gosto, que leio avidamente todas as semanas desde o primeiro número e que respeito imenso, tamanho erro é bem grave! Juro que dentro do decadente panorama jornalístico português respeito, e muito, os jornalistas da Time Out que não têm papas na língua, escrevem bem, fazem o trabalho de casa, estão em cima do acontecimento e, principalmente, têm um sentido de humor corrosivo sabendo apontar o dedo quando é preciso. Ah se Portugal tivesse mais gente assim!

Mas este erro é mais grave ainda (pois dada a temática da revista os jornalistas da Time Out têm obrigação de saber estas coisas) porque foi escrito não uma, mas duas vezes! Isto leva-me a questionar mais uma vez os critérios de escolha das "figuras" em street fashion que fotografam, pois invariavelmente quase todas as semanas as pessoas têm menos de 25 anos, de original costumam ter pouco e de fashion menos ainda, e são fotografadas na mesma esquina da Baixa. Fazem plantão é? Ainda por cima desta vez a rapariga era realmente gira e estava bem vestida!

23 fevereiro 2009

81 Oscars de (B)ollywood?



Este ano a cerimónia dos Oscars foi diferente em quase tudo, até nas tendências das fatiotas, que neste ano não encontrei nenhuma. Havia de tudo: vestidos sereia, drapeados, vestidos princesa, vestidos tubo, assimétricos, com cauda, sem cauda, rendas, cetins, sedas, chiffons, lantejoulas, plumas... De todos eles, os vestidos acima foram os que mais me chamaram a atenção, por isso este ano não há desenho. O de Viola Davis pelo seu ar clássico de Hollywood anos 30, no corte e no plissado dourado, muito bonito e elegante. O de Sarah Jessica Parker pelo seu ar diáfano (todos os vestidos de princesa deveriam ter este ar diáfano) e pelos maravilhosos acabamentos. Nos homens ainda menos tendência vi, apenas que cada um vai como quer e que o fraque clássico está mais que em desuso. Isso sentiu-se especialmente quando Hugh Jackman, a dada altura da cerimónia, aparece assim vestido (mas já lá vamos). Amei ver o maravilhoso Tim Gunn na passadeira vermelha a fazer os costumeiros comentários acerca dos vestidos e dos fatos. Nada como um verdadeiro conoisseur para o fazer como ninguém! É pena os comentadores portugueses e a TVI ainda acharem esta uma parte menor da cerimónia, não passando o programa Red Carpet na íntegra e comentando SEMPRE em cima do que eles estão a dizer, não deixando ouvir os comentários fúteis sobre a roupa. É para isso que vemos o Red Carpet!

Hugh Jackman não foi o apresentador mais notável ou brilhante de uma cerimónia dos Oscars, mas como este ano a estrutura mudou radicalmente, foi um apresentador à medida. Gostei muito de o ver cantar e dançar no estilo musical clássico e o número de abertura em estilo "Oscar-crise deux mil et neuf" foi engraçado.

Sim, a estrutura mudou muito e, apesar de ter muito menos intervenção do apresentador principal, acabaram com as redundantes apresentações dos apresentadores e se resumiram a três intervenções brilhantes e muito hollywoodescas. Gostei mais deste estilo de cerimónia, foi mais ágil, com mais ritmo, a encenação de cada apresentação foi diferente para cada categoria, sem repetir fórmulas (excepto para os actores), juntaram em blocos categorias da mesma família (mais uma vez com excepção para os actores), não houve discurso do Presidente da Academia. Foi mais aquilo que eu sempre esperei de uma cerimónia dos Oscars (desde há uns 10 ou mais anos que sempre fiquei um pouco insatisfeita), não dependendo tanto das "supresas" ou intensidade com que o público vibra com a escolha dos premiados, e toda a gente se pareceu divertir mais. E a cerimónia não foi mais curta como apregoado, pareceu mais curta porque nos manteve sempre atentos ao ecrã, mas não foi. Nos últimos anos, ao ritmo que as coisas iam, qualquer dia a cerimónia teria apenas uma hora, mas este ano acabou na zona confortável das 5h da manhã (já acabou perto das 4h e já acabou depois das 6h).

Mas o grande clímax e melhor parte da cerimónia foi o fabuloso número de homenagem ao Musical cantado e dançado por Hugh Jackman (de cartola e a começar por Top Hat) e Beyoncé Knowles e coreografado por Baz Luhrman. O número começava ao bom estilo de velha Hollywood, relembrando os números nos filmes de Busby Berkeley ou de Fred Astaire (cá está, Top Hat), transitando para melodias mais modernas sem quebras e sem perder a graça. A-DO-REI!

Gostei dos discurso de Penelope Cruz, talvez a maior surpresa da noite, adorei ver Eva Marie Saint ainda com excelente aspecto a apresentar, tenho de ver In Bruges, pois quero ver Ralph Fiennes a falar cockney, fiquei triste por os candidatos à Longa de Animação serem todos em animação 3D, fiquei satisfeita por os unicos dois filmes japonese candidatos terem ganho o Oscar na respectiva categoria (La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato e Departures, de Yojiko Takita), adorei a homenagem merecida a Jerry Lewis, se bem que "desviada", ri-me com a gaffe do ano, pois apresentaram Sir Ben Kingsley e esqueceram-se do "Sir" de Anthony Hopkins e gostei da postura de Mickey Rourke e do carinho com que a maioria dos colegas se referiu ao seu regresso.

Então e Bollywood? Pois, é muito curioso pensar que Slumdog Millionaire, um filme inglês filmado na Índia com actores indianos, tenha sido o grande vencedor da noite. Parece que não foi só Barack Obama que mudou nos Estados Unidos, a mentalidade geral também!

Espero que mantenham o estilo da cerimónia para o ano, em termos de espectáculo foi das melhores do últimos tempos, verdadeiramente encenada, sem quebras de ritmo, sem a sensação de partes redundantes ou inúteis focada no principal, no cinema e nos prémios.

OSCAR.com

22 fevereiro 2009

Paris de estúdio



Uma das coisas boas da vizinhança dos Oscars é a programação especial que a RTP, mais até a RTP2, costuma fazer todos os anos com antigos filmes oscarizados.

Ontem à noite apanhei dois dos filmes que constam no meu top 10 de filmes, Um Americano em Paris (já a meio, mas sem perder as minhas cenas favoritas) e Tudo o Vento Levou, em que adormeci (começou à meia noite, tem 4 horas!), mas não faz mal pois já vi o filme centenas de vezes e tenho em DVD.

Para mim Um Americano em Paris, mais do que o muito e devidamente reconhecido Serenata à Chuva, representa o arquétipo do musical de Hollywood: é 100% filmado em estúdio, os actores que o protagonizam estavam entre os melhores actores de musical, o realizador, Vincente Minelli, idem, é comédia, é melodrama, é romântico, tem canções, dança, cenas fantasiadas, cenas memoráveis, deixas imortais, é technicolor, tem uma produção artística entre a pintura moderna de Toulouse Lautrec e Chirico e o clássico multicolorido de Hollywood, tem uma realização minuciosa e tudo embalado num George Gershwin no seu melhor (a Rapsódia em Azul, por exemplo).

Um dos melhores ingredientes de Um Americano em Paris é a ideia de uma Paris romântica, utópica e irreal, mas que nem a própria Paris real, já bem interessante e mágica por si só, não consegue apagar. É uma Paris de sonhadores e amantes, de paisagens belas e imaculadas, de pessoas bonitas e interessantes. Uma Paris da recriação da estética da arte moderna no início do séc.XX, uma Paris onde ser um artista pelintra, como Jerry, a personagem de Gene Kelly, a viver numa caixinha de fósforos não é um problema, vive a sua vida com um sorriso entre vender os seus quadros em Monmartre e beber um cafézinho a por conta com o seu amigo céptico no café em frente.

As personagens também são arquétipos no seu melhor: o protagonista alegre, sonhador, bon vivant e sempre optimista, a heróina doce e romântica envolvida num mistério que a torna carismática, o melhor amigo céptico mas também sonhador, a milionária chique e bela com interesse no protagonista, o outro amigo bem sucedido que também está apaixonado pela menina. Apesar destas características, as personagens não são previsíveis e vivem os seus dilemas com intensidade e honestidade, onde as, por vezes longas, cenas de fantasia ou sonho se integram maravilhosamente bem, sem se tornarem gratuitas ou fastidiosas. Num filme como Um Americano em Paris, que à partida poderia ser o filme mais de plástico entre os filmes de plástico, aceitamos os códigos de imediato e somos "sugados" para aquele universo maravilhoso como se fizesse parte do nosso dia-a-dia.

Ontem à noite emocionei-me. Lembrei-me de como Um Americano em Paris é um excelente filme e de porque gosto tanto dele. Cantei as canções, empatizei com as personagens, deixei-me levar! Já vi este filme tantas vezes, que seria de imaginar que já o saberia de cor. Realmente as partes mais óbvias, as canções, certas deixas, a sequência de eventos, eu sei de cor, mas mais uma vez vi coisas novas e senti este universo maravilhoso desta Paris de estúdio, uma Paris da imaginação, mas que bebe muito do real, dando razão ao mito de cidade dos amantes. Se nada mais valesse este filme, a sequência de dança final vale! É comprida, aparentemente despropositada, mas demonstra os sentimentos de perda e paixão de Jerry como umas linhas de diálogo nunca o fariam e faz a transição perfeita para o remate final.

Agora só falta ter o filme em DVD, de preferência uma edição especial, cheia de extras, no estilo das edições da Criterion!

20 fevereiro 2009

O lado South Park da vitória de Obama

Boas notícias: o site oficial de South Park disponibilizou os episódios e gratuitamente sem restrições de países e afins.

Estive a ver o episódio "About Last Night", a visão South Park da noite da vitória de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos e posso declarar que foi das melhores experiências em vídeo que já tive na net. OK o episódio é super divertido como sempre, não vou contar nada para não fazer spoilers a ninguém, mas recomendo!

O bom da experiência foi:
1. não haver restrições por país, coisa que me tem vindo a acontecer em playlists oficiais do YouTube;
2. o streaming do episódio (cerca de 20min) decorreu sem sobressaltos, engasgos, esperas ou interrupções (excepto para dois ecrãs negros/intervalos, devidamente assinalados na linha de tempo), como também me tem vindo a acontecer com vídeos bem menores no YouTube;
3. a qualidade de som e imagem em full screen é razoável, sem demasiada degradação de jpg nem engasgos de movimento.

Em suma: POSSO VOLTAR A VER SOUTH PARK!

obrigada Lu pela dica!

19 fevereiro 2009

Simpsons HD

Tinha de o pôr aqui...


obrigada Deuxieme!

17 fevereiro 2009

R2-D2 de trazer por casa



Graças ao Twitter cheguei a este R2-D2 em crochet! Dá realmente vontade de pegar nas agulhas e lãs! Adorei!
Para ver mais fotos, é só ir aqui:
Artoo Star Wars Craft: Lovable Crochet R2D2 Plush

Um verdadeiro fã de Star Wars devia ter sempre um a seu lado!

09 fevereiro 2009

*eremita perverso

Nunca ligo muito às legendas de Naruto (na SIC-Radical) pois é daquelas séries de anime em que normalmente estou mais a ouvir e a fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo. Mas como ultimamente a acção tem estado um pouco mais emocionante, os meus olhos viram-se mais para o ecrã e, como consequência, acabo por ler as legendas.

Não podia deixar de reparar que ero sennin, alcunha que Naruto dá a Jiraya, o seu terceiro mestre, está traduzida como eremita perverso. Ora bem, primeiro está ERRADO, segundo é óbvio que foi traduzido do inglês pervert master, terceiro quem traduziu não sabe o significado da palavra pervert em inglês neste contexto!

Passo a explicar: ero sennin em japonês pode-se traduzir como eremita tarado pois sennin quer dizer eremita ou, num sentido mais lato, mestre; ero há de vir do inglês erotic e pode ser traduzido como erótico ou, concretamente neste caso, porque se refere à pessoa do mestre Jiraya, tarado (ele anda SEMPRE atrás de mulheres). Portanto se em inglês estava pervert hermit, a tradução está adequada e mantém o significado.

Agora quem traduziu isto logicamente não percebe patavina de japonês, não vê a série e não sabe o significado da palavra perverso em português ou então nunca ouviu falar de false friends. Perverso em português quer dizer mau ou muito mau, portanto não tem nada a ver com Jiraya, que até é um tipo simpático. Por outro lado pervert em inglês quer dizer tarado, rebarbado, uma pessoa que não consegue deixar de pensar em sexo, o que já tem mais a ver com Jiraya que não resiste a um rabo de saia (passe a expressão).

Eu sei que normalmente as traduções das séries de anime são más, os erros mais que muitos e o cuidado é muito pouco para além do facto de serem sempre traduzidas em segunda mão. Mas neste caso, se as minhas suspeitas estiverem correctas, o erro não está na tradução americana, mas sim na ignorância do/a tradutor/a português(a).

エロ [ero]
せんにん [sennin]
pervert
perverso [escrever a palavra "perverso" no campo de pesquisa]

07 fevereiro 2009

as coisas boas vêm em embalagens pequenas


RTP1 separador JAN 2009

Estou a AMAR♥ os novos separadores da RTP1, especialmente este! Lembra-me o tempo todo o Traffic ou o Playtime de Jacques Tati. A banda-sonora é especialmente feliz e dá o corpo que o separador precisava. Quem quer que for o autor, tem os meus maiores parabéns, isto está brilhante!

19 janeiro 2009

borboleta com bom senso

Será que o meu blog atingiu as altas instâncias da SIC? Tenho sérias dúvidas, mas que o bom senso apareceu para os lados do programa da Lucy, apareceu!

Pois é, este fim de semana, deitei um olhinho ao programa e já vi a moça mais composta (até estava de casaco pelo joelho!!!) e alguns intertítulos em português.

O programa continua a ser um pretexto para colocar Luciana Abreu a cantar em playback, e muito pouco pedagógico ou instrutivo, mas pelo menos está mais adequado ao horário em que passa!

Programa da Lucy | Luciana Abreu | SIC Online

14 janeiro 2009

Sangue pasteurizado

Tenho andado a seguir True Blood e Kyle XY pelo MOV e True Blood é daquelas séries estranhas, que aparentemente tem pouco para eu gostar (fora os vampiros, se bem que isso também não é decisivo), mas pela intensa e estranha sensação que me deixa após cada episódio, não quero perder.

Gostei de Sete Palmos, a anterior série de Alan Ball, mas o excesso de personagens importantes e interessantes era um bocado distractivo. Estava lá a presença de um autor inteligente, que sabe criar excelentes personagens e narrativas inteligentes e que reflectem a realidade de um modo interessante, mas não me conseguia concentrar numa personagem favorita e acabei por não ver a série com atenção.

True Blood muda completamente o universo, deixa de ser uma família branca, classe média alta, mas um pouco excêntrica com um negócio diferente, tudo muito limpo na aparência mas sórdido por baixo dela, para ser uma comunidade "white trash" onde a protagonista serve num bar local num futuro próximo ou alternativo onde os vampiros saíram do armário graças à invenção japonesa de sangue artificial (tru Blood).

Apesar de ser um tipo de vida e gente que não quero conhecer na realidade, gosto muito mais deste universo mais "porco" e menos linear, que me tem surpreendido a cada episódio. Começando por Sookie Stackhouse, a protagonista, uma rapariga aparentemente pateta mas com uma personalidade forte e inteligente e que consegue ler os pensamentos das pessoas. Sookie, maravilhosamente interpretada por Anna Paquin, parece parva mas é uma força da natureza e sabe se defender muito bem apesar de se colocar constantemente em situações de risco, um bocado por um apelo do desconhecido. Bill, o vampiro, parece um tipo banal, calmo, circunspecto e pouco falador, mas luta o tempo todo contra a sua natureza apesar de claramente gostar de Sookie e não lhe ir fazer mal. Os dois iniciam uma relação na base dessa atracção pelo desconhecido, Sookie porque não consegue ler os pensamentos de Bill e sempre teve curiosidade em relação aos vampiros e Bill porque Sookie já lhe salvou a vida umas vezes, não o julga e quer conhecê-lo.

A relação de ambos vive de uma tensão sexual brutal, parece que sempre que estão juntos os dois têm de se estar a tocar, é de um magnetismo irresistível que tem pouca comparação com outras séries onde tensão semelhante existia, mas que alimentava-se do facto de o casal não se poder unir (Maddie e David - Moonlighting, Mulder e Scully - X-Files). Aqui eles vão poder unir-se pois não é com sexo que o mistério será desvelado, mas claro que Alan Ball faz render essa sensação, senão também não tinha piada.

Depois os dois têm de lidar com o preconceito numa terra pequena onde quando alguém espirra, toda a gente fica a saber, no sul dos Estados Unidos e o facto de os vampiros não se quererem verdadeiramente integrar, a luta deles não é uma luta pela justiça, mas sim de sobrevivência. Os humanos representam um lado bruto e ignorante e os vampiros um lado selvagem e irresponsável. Ninguém é verdadeiramente bom ou verdadeiramente mau, mas os vampiros são perigosos num modo mais físico e os humanos num modo mais psicológico de maquinações e intriga. E depois há sexo... como Sookie muito bem disse no episódio de ontem (o 4º, se não me engano) "está toda a gente a pensar em sexo!" ao que Bill respondeu "não é preciso ler mentes para perceber isso".

Seja onde for que Sookie e Bill forem, não vão encontrar o paraíso e o sossego, mas mais uma vez citando Bill a Sookie: "os vampiros estão sempre a correr riscos, prefiro corrê-los contigo.". É da união deles que vive a série, uma união e pêras!

Sendo séries com universos opostos, o cunho de Alan Ball sente-se na coerência da escrita e em personagens ricas, cheias de personalidade, mesmo que essa se manifeste pouco. Cada episódio introduz uma nova peça ao puzzle e deixa-nos a pensar em que mais poderá acontecer.

HBO: True Blood

MOV
3ª: 22:00

10 janeiro 2009

Lumières


não... não é a Av. da Liberdade, são os Champs Elysées

Sempre tive uma relação de amor-ódio com as luzes de Natal. Acho que na grande maioria são um desperdício de electricidade, mas por outro lado até gosto de as ver em zonas seleccionadas das cidade, principalmente quando são bonitas. Portanto gosto de ver as iluminações de Natal na Baixa, no Chiado, no Terreiro do Paço, na Av. da Liberdade, na Av. de Roma e no eixo entre o Marquês de Pombal e o Campo Pequeno e, vá lá, talvez também em Entrecampos.

Mas nos últimos anos cada vez gosto menos das iluminações de Natal, andam a ficar cada vez mais feias e a espalhar-se, qual praga, a zonas da cidade, como por exemplo a minha rua, onde não faz rigorosamente sentido nenhum haver luzes de Natal, pois o único comércio existente são sapateiros, mercearias, tascas e um videoclube. Sim, a minha lógica diz que as iluminações de Natal são um atractivo turístico, portanto devem centrar-se nas veias principais da cidade, em particular nas de comércio.

Este ano foi a grande desilusão, praticamente todas as iluminações de Natal da zona da Baixa eram particularmente feias, sem mencionar o HORROR que estava no Rossio! Escapavam algumas transversais da Baixa, a zona da Av. de Roma e a Av. da Liberdade, da qual gostei particularmente. Qual não é o meu espanto e desilusão quando, no fim-de-ano, naquelas mini-reportagens na TV dos fins-de-ano pelo mundo fora, vejo que os Champs Elysées em Paris tinham iluminações exactamente igiais às da Av. da Liberdade! E verdade que a Av. da Liberdade já é uma espécie de cópia dos Champs Elysées, mas não precisavam de levar isso tanto à letra copiando as iluminações da Natal!!

O único aspecto positivo das iluminações de Natal deste ano foi que pelo menos não foram pagas pela Câmara Municipal, isto é, pelos seus habitantes/contribuintes, mas por patrocínio de empresas privadas. Mas a Câmara ainda tem uma enorme responsabilidade pelo aspecto visual da cidade e não devia ter aprovado certo tipo de manifestações em que a publicidade se sobrepunha ao bom gosto da decoração. No primeiro ano em que tal foi visto, a Av. da Liberdade tinha uma decoração com bolas da Volks Wagen, mas, apesar da publicidade inerente, era uma decoração agradável e bonita, que não feria a sensibilidade natalícia dos transeuntes. Para além disso continuo com sérias dúvidas de onde vem o dinheiro das iluminações de Natal de freguesias mais residenciais como a minha, onde continuo a achar que as iluminações de Natal são um disparate! Pelo menos não votei em quem lá está, portanto a minha consciência está tranquila, apesar de a carteira não estar.

Ao contrário dos anos anteriores, achei que a horrorosa maior árvore de Natal da Europa até ficava bem no alto do Parque Eduardo VII. Não parecia tão açambarcadora...

30 dezembro 2008

Branca de Neve sexy


Fui ver o espectáculo de bailado Branca de Neve, muitíssimo anunciado pelas ruas da cidade e não só, mas cujo cartaz sempre me agradou. Sempre achei que as maminhas da menina se parecem com duas maçãs no negativo. Depois quando vi imagens e soube que os figurinos são de Jean-Paul Gaultier, sendo eu fã do estilista, em particular do seu trabalho mais criativo para espectáculos, e há muito que não via nada dele, visto que perdeu algum protagonismo na cena da moda internacional, entusiasmei-me!

Já não ia há que tempos ao grande auditório do CCB e, portanto, já não me lembrava do quão disparatada era a sala. Acho que depois deste tempo todo ainda vejo mais defeitos na sala, o primeiro de todos é não fazer rigorosamente sentido nenhum uma sala de espectáculos moderna, supostamente num edifício que deveria ter sido o último grito dessa mesma modernidade na época em que foi construído, ter uma planta à séc.XVIII onde se construíam as salas para o público se mirar a si próprio (nem as luzes eram totalmente apagadas) e não para olharem para o palco onde os espectáculos eram o pretexto para a sociedade se reunir e dar largas às intrigas, escândalos e encontros menos próprios, e mostrar a última moda nos vestidos das senhoras mais proeminentes. Era uma espécie de televisão portuguesa moderna das pseudo-vedetas e socialites. Depois a sala do CCB não tem uma acústica famosa e não se vê o palco como deve ser sem ser na plateia, e mesmo assim bem, bem só nos lugares centrais. As filas são demasiado próximas, eu que tenho 1,75m fico com os joelhos encostados à cadeira da fente e os acabamentos são frios e não particularmente bonitos. E ainda resta a questão das saídas de emergência, que são poucas e mal distribuídas...

Em geral gostei do espectáculo. Visualmente era muito bonito, o guarda-roupa ecléctico e sensual contrastava lindamente com cenários sóbrios mas eficazes, as luzes estavam maravilhosas e, apesar de não ser a maior fã de Mahler, gostei da escolha das músicas, só sentindo a falta de uma orquestra ao vivo, até porque a acústica das gravações não tinha nada a ver com a sala onde vi o ballet. A coreografia era uma espécie de reinterpretação do clássico, tornando-se mesmo assim bastante acessível a um público pouco conhecedor não sendo demasiado densa ou abstracta. Notou-se claramente que todo o espectáculo foi criado em redor do pas-de-deux entre a Branca de Neve e o Príncipe, quando ele a encontra no bosque desmaiada, uma lindíssima peça coreográfica, muito bem executada, claro está. Só não gostei da distribuição da narrativa, que se esticou demasiado ao início, assemelhando-se às coreografias tradicionais dos sécs. XVIII e XIX, onde o importante era mostrar dança, distorcendo a narrativa em função dela.

Em suma, Branca de Neve, do Ballet Preljocaj, é um bom espectáculo, mas, com tanta publicidade e marketing, estava à espera de algo mais moderno e arrojado, talvez tão arrojado como os figurinos, onde a Rainha Má era uma espécie de reinterpretação da Rainha Má da Disney, versão S/M Gaultier, a Branca de Neve de uma sensualidade e erotismo quase pueril, o Príncipe um toureiro e os Sete Anões uns mineiros sexy. Aliás nunca os Sete Anões foram tão sexy!!!

BALLET PRELJOCAJ - PAVILLON NOIR - CENTRE CHOREGRAPHIQUE NATIONAL

27 dezembro 2008

Velho clássico

Para variar o Natal deste ano foi pouco televisivo, à parte algum zapping, um episódio excelente do Futurama na FOX (Bender torna-se Deus e encontra Deus) e o 007 Casino Royale dia 25 à noite, pouco mais vislumbrei do aquário...

Infelizmente o 007 Casino Royale, que é em widescreen originalmente, tinha, na emissão da SIC, os lados cortados para evitar as barras negras . QUANDO É QUE APRENDEM???

Quando cheguei a casa, na tarde de dia 26, apanhei já o finzinho d'A Música no Coração, que me soube muito bem. A Música no Coração era daqueles filmes de que gosto mas que, juntamente com It's A Wonderful Life e Sozinho em Casa, já enjoava de tanto passar no Natal. Mas como já há uns bons anos que não o via, fiquei com pena de não o ter visto todo. Também a programação nas revistas (não tive grande oportunidade de a verificar online) estava tudo menos actualizada, pelo menos na Time Out... Mas não me compreendam mal, ainda não tenho saudades de It's A Wonderful Life e o Sozinho em Casa... provavelmente nunca mais vou querer vê-lo!

07 dezembro 2008

Redenção


Desde que o canal MOV passou a sinal aberto na TV-Cabo (ou ZON) que de vez em quando vou lá parar no zapping para me deparar com uma programação esquisita, comparável às antigas sessões de madrugada da TVI, mas sem o "espírito família". A únca coisa reconhecível eram um filme ou outro e a série Star Trek Enterprise.

Ontem, em parte na ausência de outra coisa de interessante em tantos outros canais, acabei por passar mais tempo no MOV que o habitual. Para além de ter visto grande parte do filme Transamerica, que infelizmente acabei por não ver no cinema (e de que gostei bastante), de madrugada vi grande parte de outro filme que há muito queria ver: Casshern.

Sendo fã atenta de anime, este filme chamou-me a atenção, na época do seu lançamento (2004), mas como ainda tinha alguma dificuldade em ter acesso a determinadas produções, acabou por se tornar mais um na minha longa lista de coisas que quero ver. Infelizmente também não foi desta que vi o filme em condições. Começou de madrugada, cerca das 4h da manhã, o que fez com que visse o filme, apesar dos esforços, com um olho aberto e outro fechado, o que não é lá grande coisa. Para além disso nem sequer vi o filme exactamente do início...

Casshern é um tokusatsu (filme de efeitos especiais) adaptado de um anime dos anos 70, que este ano está a ter em exibição no Japão um remake, novamente em anime, Casshern Sins. Como já disse, vi mal o filme, o que me ficou foi um trabalho artístico barroco e elaborado, com cenérios e guarda-roupa exuberantes e exóticos, mas também muito impressionantes. Dos efeitos especiais já não posso dizer o mesmo, faziam lembrar os maus efeitos da série Buck Rogers dos anos 80. Da história lembro-me pouco, apenas que, para um filme de ficção-científica e acção era particularmente palavroso e com poucas cenas de acção. Acho que infelizmente foi mais uma razão para me fazer adormecer, pois ao tentar concentrar-me nos diálogos em japonês, sem estar de cabeça fresca, tenho a óbvia tendência a adormecer. Aliás essa é uma das razões porque não gosto de ver filmes japoneses na TV.

Retiro todos os meus maus pensamentos acerca do MOV, a noite de ontem comprovou por A+B que é um canal actualizado e alternativo, que não passa apenas filmes baratos de 5ª intercalados com um ou outro filme ou série de melhor qualidade, que se perdem no meio do resto. Aliás segundo parece, a nova série de vampiros, criada por Alan Ball (Sete Palmos de Terra), True Blood, vai estrear em breve neste canal.

Vamos lá ficar atentos à programação do MOV (que, para variar, não tem site próprio)!

24 novembro 2008

4º Bloganiversário



Esqueci-me do aniversário do Anime-comic, mas do TV-Child não me esqueci!! Este ano o aniversário coincidiu com a chegada desta menina, a minha primeira Blythe, que baptizei Strawberry Fields como a última bondgirl de Quantum of Solace (elas são parecidas ) e ela até me fez um bolo!

Ontem foi com imenso agrado que constatei que a ficção portuguesa está de boa saúde apesar de por vezes não o aparentar, com a estreia da série Um Mundo Catita, que no geral agradou bastante.

Eu e a Strawberry vamos ver TV!

Um Mundo Catita

20 novembro 2008

*Holly Leveza

Esta é de rir à gargalhada! Por incrível que pareca esta é uma tradução(?) de Holly Golightly!!!! Já agora Azevinho Leveza, não? Já que holly quer dizer azevinho em inglês...

Esta gaffe monumental aconteceu num episódio de Project Runway [que já não via há demasiado tempo] onde o estilista e juiz do programa, Michael Kors, descreve um vestido como uma "Holly Golightly enlouquecida" ou coisa semelhante, já estava demasiado distraída a rir para fixar o adjectivo.

O mais engraçado disto tudo, como se já não fosse engraçado o suficiente o Holly Leveza, é que colocaram o nome com maiúscula, portanto quem traduziu até teve descernimento suficiente para perceber que se tratava de um nome, só não percebeu que se tratava de uma personagem emblemática para Nova Iorque. Holly é a protagonista do livro Breakfast at Tiffany's (Boneca de Luxo) de Truman Capote, que por sua vez teve uma inesquecível adaptação ao cinema com Audrey Hepburn a interpretar o papel de Holly, que ficou para todo o sempre ligado à actriz!

Para uma fã, como eu, do filme (confesso que nunca li o livro) o erro é chocante mas também extremamente divertido! Uma coisa é certa: quem traduz programas destes deveria ter um pouco mais de cultura de moda e de Nova Iorque, já que o programa é sobre moda e se passa em Nova Iorque...

A melhor casa de todas

Como já disse aqui várias vezes, não tenho muito o hábito de ver a TCM, principalmente por causa das repetições. Mas ultimamente tenho apanhado de vez em quando um ou outro filmes invulgares e bem interessantes.

Hoje foi um desses dias, apanhei, provavelmente a cerca de 2/3, uma daquelas maravilhosas comédias inglesas dos anos 60, actualmente caídas no esquecimento, mas muito picantes e engraçadas. O filme chama-se The Best House in London e é acerca da fundação de um bordel de luxo e comércio de jovens raparigas na Londres Victoriana.

O que me atrai nestes filmes é uma combinação de pequenos factores que no seu conjunto dão um resultado kitsch e ao mesmo tempo retro-chic, e extremamente divertido! O que salta primeiro à vista são os cenários exuberantes, barrocos, com uma paleta de cores psicadélicas que, apesar de serem de época, o que se nota logo ali é o ambiente sixties, e logo a seguir o guarda-roupa, as maquilhagens e os cabelos (extremamente bem penteados sem um único fora do lugar, nem nos homens!). A segunda coisa em que reparei foi no sotaque extremamente british, por vezes até cockney, como hoje-em-dia nem os ingleses mais ingleses falam. E por fim David Hemmings e George Sanders. Estes dois, principalmente David Hemmings, são sinónimo de sixties e da swinging London. Parece que todos os filmes que fizeram encaixam na perfeição neste universo camp, culminando Hemmings em Blow Up.

E depois o filme propriamente dito é uma estranha combinação de variados factores históricos, personagens descabidas e uma comédia desbragada, bastante picante com muitas meninas nuas, naquele misto de erotismo e ingenuidade que caracteriza imensos filmes ingleses dos anos 60. Não dá para não rir com o estranho dirigível do Conde Pandolfo nem com as cenas finais no bordel, em que cada quarto é uma encenação de uma situação potencialmente erótica: harém, sala de aula, pastorinha, selva, banhos romanos, etc.

Enfim... um filme divertido, sem subterfúgios, que é o que aparenta sem grandes pretensões a não ser apenas divertir.

17 novembro 2008

Daddy Longlegs

Há algum tempo que não comentava os rebeldes, hehee, vem aí mais! Na realidade este comentário é bem mais "leve" que os meus outros. A história tem decorrido, sem grandes surpresas mas com algumas emoções, nada digno de nota mas...

Ultimamente tem sido mais desenvolvida a história da Elsa (a rebelde desportiva), que supostamente sendo órfã só teria meios para estudar no colégio sendo bolseira, mas não, arranjaram-lhe um tutor misterioso, tem um estatuto protegido no colégio e recebe prendas caras, mas úteis (PC portátil, etc.). Pouco tempo após o foco cair sobre Elsa o colégio recebeu uma nova adição ao corpo docente, um "protegido" dos donos, jovem, bonzão, mas cretino e rígido como tudo que implica em particular com quem, com quem? Com a Elsa!

Tudo isto me faz lembrar uma história de que gosto muito, que conheço há muitos anos e que encaixa na perfeição no contexto: Daddy Longlegs, de Jean Webster. Conheci esta história através da sua adaptação para cinema dos anos 50, o filme Daddy Longlegs com Fred Astaire e Leslie Caron, uma adaptação livre do livro. Mais tarde vi e vibrei com a adaptação da Nippon Animation para série de anime, Watashi no Ashinaga Ojisan e só há pouco é que li ambos os livros. A adaptação do anime é mais fiel ao livro que, sendo pequenino, lhe acrescenta umas partes, algumas delas inspiradas no livro seguinte da autora, Dear Enemy.

Vamos lá ver como a história se desenvolve, mas pela minha experiência com as novelas de Cris Morena, não me espantaria rigorosamente nada se a história se desenvolvesse de forma semelhante. Se por um lado quero que a inspiração venha daí, pois a base é muito boa e o desenvolvimento emocionante e consistente, pelo outro acho muito descaramento se assim acontecer. Qualquer que seja o desfecho da história da Elsa, só espero é que não seja nem cansativo nem anticlimático.

05 novembro 2008

FOI DESTA!!!

Estou estupefacta! Por mais que tenha torcido por Barack Obama, tinha sempre uma sombra de resignação ao meu lado a dizer: "nã... não será desta." MAS FOI!!!

Quando era miúda, lembro-me de haver eleições nos Estados Unidos, Jimmy Carter, e de perguntar a um adulto porque nós não podíamos votar nas eleições norte-americanas, já que essa decisão nos influênciava também a nós. Nessa altura a NATO estava em grande em Portugal no auge da sua actividade militar, e ainda não tinha havido Ronald Reagan nem os Bushes...

Apesar de continuar a concordar com essa dúvida que tinha em miúda, confesso que nas últimas semanas me andava a começar a irritar dar-se mais atenção às eleições norte-americanas nos nossos media (não só na televisão) que às eleições portuguesas! Mas tudo está bem quando acaba bem, só espero que não vá funcionar como o Lula no Brasil.

01 novembro 2008

Chanel (ou: o que a alforreca gostava de ser mas não chega nem perto)

Se havia coisa que me enervava quando comprava a TV-Guia há uns anos, era a pessoa que escrevia a suposta coluna social, insistir em escrever a marca Chanel com dois "N". Uma pessoa que percebe de socialite é suposta também perceber minimamente de moda e Chanel pertence à crème de la crème dos criadores de moda ao longo da história. Para além disso as prateleiras das perfumarias (nem que seja) estão recheadas de frascos dos diversos perfumes da casa, muitos deles envergando o nome Chanel. Não é difícil!

Não sei se vi mal (muito sinceramente espero que sim - mas os portugueses não são rápidos no gatilho no que toca ao YouTube e a SIC também não tem nada), mas estava a fazer zapping e fui parar ao novo programa de apanhados da SIC (Não Há Crise ?) na altura em que começaram a dar um videoclip da alforreca chamada José Castelo Branco. Não sei se vi mal, porque no início do clip ele diz/canta(?) qualquer coisa "...Chanel" e no fundo animado pareceu-me ver escrito "channel". A letra era num cursivo onde posso muito bem ter confundido o "N" e ter me parecido que eram dois. Mas se não me enganei é muito grave. Como é que a dita criatura, que apregoa aos quatro ventos "Chanel" a toda a hora, deixa que escrevam mal o nome da sua "amada" marca no seu próprio videoclip? Só se ele mesmo não sabe como se escreve, o que é bem provável...

Quanto ao videoclip em si, José Castelo Branco deve pensar que é Ru Paul nos anos 90! Mas nem lhe chega aos calcanhares... Ru Paul é uma das drag queens mais famosas e reconhecidas da cena nova-iorquina, a música do seu videoclip, Supermodel, era bem divertida, a letra era boa, pertinente para a época (das supermodels Linda Evangelista, Christy Turlington, Naomi Campbell, Claudia Schiffer e Cindy Crawford, entre outras) e era mesmo muito cool e superfashion, pois a produção do video foi cinco estrelas, como seria de esperar de um performer como ele. O da alforreca, acho que fica à escala do que ela tem andado a fazer nas televisões portuguesas nos últimos anos: medíocre.

Ru Paul - Supermodel (You Better Work)

31 outubro 2008

*Nova York

Quem lê o título deste post à primeira poderá pensar: "onde está o erro?" Bem o erro está em misturar o português e o inglês no mesmo nome de uma cidade. Das duas uma: ou escreviam Nova Iorque (nome português dado à metrópole norte-americana), ou escreviam New York, o nome original da mesma cidade em inglês. Agora Nova York nunca! E se queriam optar, a versão mais correcta seria a portuguesa, uma vez que estamos em Portugal e somos portugueses.

Até pode não parecer um erro grave, mas isto aconteceu n'A Roda da Sorte, programa apresentado por Herman José, declarado fã de Nova Iorque e uma pessoa que costuma ter certos cuidados com a língua portuguesa.

Até se podia declarar que a versão portuguesa é mais longa, leva mais letras e que não cabia no painel, que já estava bastante cheio com a restante expressão: "Fim de ano em Nova York", mas são só mais duas letras, ficava à conta nos espaços disponíveis, mas cabia! Num passatempo onde cada letra conta, os erros ortográficos não podem ser admitidos.

Daytime TV

Infelizmente até eu fui atacada pelo frio e estou de molho. Ontem e anteontem fiz o que uma pessoa de molho faz, passar o dia a dormitar no sofá com a TV ligada. Já há bastante tempo que não via televisão durante o dia, excepto algumas novelas, e deparei-me com um panorama deprimente.

Não fiz muito zapping, fiquei-me pelos canais nacionais. A RTP1 continua com o Portugal no Coração que, apesar de tudo, até é um programa sóbrio e decente, mas às vezes demasiado aborrecido. A RTP2 passa desenhos animados, o que não é mau, pensando bem até é muito bom! A SIC, fora as novelas, é uma desgraça... já não via o Contacto à vontade há mais de um ano, nunca gostei particularmente do programa, sempre achei um bocado inútil, mas esta nova versão é para lá de inútil, é mesmo muito má! Tão má, tão má, tão má que até o excesso de anúncios do Nenuco no Canal Panda é melhor que o programa!

Nem sequer passei pela TVI, pus-me a ver um episódio de My Melody que tinha gravado no Panda e depois passei para o Discovery, História ou Biography Channel (já não me lembro qual) pois aí sabia que na pior das hipóteses via algum documentário repetido mas que dá bem para adormecer, que no fundo era o que eu queria.

03 outubro 2008

Auscultadores personalizados


Ando a amar os auscultadores da campanha Nokia Music Almighty. O design é fantástico, de uma senhora chamada Ida Gronblom, e os vídeos foram feitos pela mais fantástica ainda Tokyoplastic e podem ser vistos no site deles com excelente qualidade (cliquem em "work"). Aliás recomendo os restantes conteúdos do site, eles são muito bons!

Só tenho pena que ainda não encontrei todos os cartazes que andam nos mupis cá em Portugal, porque até encontrei outros que cá ainda não vi. O telemóvel é que é um bocado sem graça ao lado dos auscultadores. Fica o dos auscultadores barrocos (Lips) para ilustrar o post apesar de gostar mais dos Pop Princess e DJ.

A Nokia devia mandar construir uns protótipos de todos os auscultadores e fazer uma exposição/promoção ao vivo!

27 setembro 2008

Menos um belo homem

Morreu Paul Newman.

Nunca fui das suas maiores fãs, aliás até vi poucos dos seus filmes, mas era uma figura marcante do cinema norte-americano e um excelente actor.

Apesar de já velhote e muito doente há algum tempo, esta continua a ser uma grande perda como artista e como ser humano solidário...

O mundo fica concerteza mais pobre sem um homem como ele, felizmente deixou-nos os seus filmes.

26 setembro 2008

Uma bela actriz!

A minha querida Fátima Belo!!!! Foi com imenso, mesmo imenso prazer que vi a Fátima entrar nem Rebelde Way nesta semana, ainda por cima com uma personagem que aparentemente promete ser polémica!

Fátima Belo é provavelmente uma das nossas melhores actrizes, seja para televisão ou cinema, que felizmente não se dá ao disfrute de se expor na imprensa cor-de-rosa, mantendo uma sólida, coerente e discreta carreira ao longo dos anos.

Apesar de seguir trabalhos mais sérios de alguns actores portugueses (quando digo sérios, talvez queira dizer menos mediáticos), a grande maioria não trabalha em televisão, seja pela exposição a que são sujeitos, seja pelas enormes desvantagens criativas inerentes a trabalhar num meio que em geral é pouco estimulante, e demasiado formatado à partida, só mesmo para a carteira é que vale a pena. A Fátima é uma das excepções à regra, continuando a fazer com uma certa regularidade televisão, certamente que essencialmente para pagar as contas, mas mantendo sempre um profissionalismo e uma dignidade surpreendentes e nunca se desleixando, apenas porque, neste caso em concreto, é uma novela para adolescentes.

Agora a Fátima deu-me mais uma razão para continuar a ver esta novela em que me ando a viciar, estou em pulgas para ver como a personagem dela evolui!

Rebelde Way

10 setembro 2008

E andá roda!

Não gosto de concursos, ponto. Costumo dizer que não nasci com o gene do jogador, talvez seja essa uma das razões. Mas um dos pouquíssimos concursos que assisti com regularidade na TV foi a primeira versão (RTP) da Roda da Sorte. O outro foi o 123. Por isso mesmo estava com alguma curiosidade em ver a nova Roda da Sorte na SIC.

A roda é tão pequenina!!! Parece metade do tamanho da anterior! De resto é a Roda da Sorte na era digital, o concurso sofreu poucas alterações de base. Acho mais piada à "assistente" Vanessa Palma que à anterior Ruth Rita. É verdade que a Ruth Rita, com aquele ar de parvinha, se predispunha mais ao gozo de Herman José, mas Vanessa, a quem já achava piada no QTT, que vi algumas vezes por razões profissionais (infelizmente!), é espevitada, atrevida e bubbly, que condiz muito mais com o tipo de programa que a nova Roda da Sorte poderá vir a ser. Herman José está muito comedido, mas felizmente não está chato, nem arrogante, nem com as parvoíces que infelizmente o têm caracterizado nos últimos anos. Vamos lá ver no que isto vai dar... Ah sim, as camisas são, de dia para dia, cada vez mais horrorosas! Em contrapartida gosto da vestimenta de Vanessa, condiz com a personalidade dela.

Nestes poucos dias em que vi a Roda da Sorte perguntei-me várias vezes porque não me aborreço de morte com este concurso como com os outros. Uma das razões está no próprio concurso: mesmo que uma pessoa não participe on camera ou pelo telefone, é o tipo de concurso que entretém sempre porque os passatempos podem facilmente ser respondidos em casa, até dá a oportunidade de famílias tentarem competir entre si e com o que vão acompanhando pelo écran. Outra razão é porque gosto de jogos de palavras (sou viciada em palavras cruzadas) e este concurso vai, de alguma forma, ao encontro desse gosto. Outra razão está em Herman José. Já não sou fã dele como outrora já fui, não digo as frases que ele tornou moda (talvez alguma das mais antigas...), desde há pelo menos 6 ou 7 anos que não sigo com atenção o seu trabalho. Mas mesmo a maneira comedida com que tem apresentado esta Roda da Sorte é totalmente diferente do habitual nos apresentadores de concursos e, de certa forma, menos popularucha ou imbecilizante. Também não é agressivo ou deliberadamente matreiro. Só uma coisa ainda não me convenceu nesta nova versão, parece que ele está a falar para si próprio com as piadas (nem sempre engraçadas) que vai contando por cima do jogo dos concorrentes. Mesmo assim, e talvez seja também a escolha dos concorrentes um factor, ainda não apareceram aquelas bocas completamente fora de propósito ou o excesso de bimbalhice (leia-se histerismo) que outros concursos populares despoletam. Ah! E Herman felizmente já não tem o cabelo naquele amarelo-mijo horroroso (apesar de continuar loiro).

Mas gostava, como provavelmente muitos dos fãs da antiga Roda da Sorte, que Herman conseguisse atingir de novo aquele difícil equilíbrio entre o disparate desbragado mas cheio de humor leve, descomprometido e ao mesmo tempo ligeiramente arriscado.

Roda da Sorte

07 setembro 2008

A 3ª metamorfose

Vi, claro, os primeiros programas da Lucy e digo desde já que a única coisa de que gosto mesmo é o logótipo, muito disco.

O programa é um simples programa de variedades com Luciana Abreu numa apresentadora mediana, que oscila entre a berraria e uma calma pouco natural, por vezes com falta de ritmo e forçada, coadjuvada por uma personagem supostamente cómica, o Professor Wannabe, que fora ensinar os putos a fazer coisas fáceis com as mãos, não se percebe bem o que anda ali a fazer, porque piada não tem. As canções são interpretações em mau playback (apenas comparáveis aos do programa de Luís Pereira de Sousa nos anos 80) de canções pop portuguesas e internacionais. A escolha das canções não é lá grande coisa, mas isso sou eu que não aprecio este tipo de músicas e isso sei que os miúdos costumam apreciar.

O cenário é colorido e engraçado, mas sem grande novidade, o guarda-roupa de Lucy e dos bailarinos é sempre branco, variando o figurino de Lucy que, vá se lá saber porquê, utiliza aqueles tecidos baratos do Vidal, cheios de lurex e falsas lantejoulas, que dão um ar chunga de traveca ao que ela veste. Nem nos tempos do Buéréré a vaca Malhoa parecia tão foleira! O que safa a Lucy é o facto de ser tudo branco e os figurinos estão muitíssimo bem executados, os meus parabéns às costureiras! Muito sinceramente o excesso de silicone das mamas de Luciana Abreu ofende-me, parece que anda por ali a exibi-las! A SIC censura o beijo casual e contrariado entre Naruto e Sasuke, mas as mamas de Luciana Abreu (que ainda por cima dá mais tarde) não... E ainda se queixam da violência e sexo nos anime! Vai lá vai...

Depois os grafismos. Enquanto que o logótipo está muito giro e bem concebido, os grafismos são um bocado fraquinhos e gostava de saber porque num programa para crianças (que se prefere que vejam os desenhos animados dobrados em português para poderem compreender) os nomes das rubricas e do sidekick são todos em inglês! Aliás nunca sequer acertam como deve ser na ortografia da palavra wannabe (que, já agora, é uma aglutinação da expressão want to be = querer ser)...

Em resumo, com a fama que Luciana Abreu conquistou graças à Floribella com os miúdos, dava-lhe imenso potencial para fazer um programa giro, divertido e decente para eles. É uma pena que os programas infantis nacionais continuem a não arriscar, a ser tão pouco interessantes e de uma pedagogia de chacha.

Programa da Lucy

02 setembro 2008

Japonesa falsificada


achei que a rapariga merecia uma foto neste post dedicado a ela
Serve este post para apontar as razões porque a personagem Hoshi Kyoko, de Rebelde Way, poderia ser tudo menos japonesa.

1. O nome
Kyoko é um nome próprio de rapariga em japonês, portanto não pode ser apelido como na novela.
Hoshi até pode ser o seu nome próprio, mas como quer dizer estrela, é apelar um bocadinho.
2. A actriz
É chinesa e para isso já bastou o péssimo Memórias de uma Gueixa.
3. A viagem
A rapariga vinha no mesmo comboio que o sem posses Manuel. Uma japonesa, ainda para mais com dinheiro, NUNCA que viajaria de Paris para Lisboa (ou arredores) de comboio. E se porventura viajasse de comboio, nunca seria uma carruagem como aquela, mas sim em primeira classe ou num compartimento, de preferência particular.
4. A canção
A canção que puseram com a chegada da rapariga ao colégio é tudo menos japonesa! Francamente, com tanto fã de J-Pop ao virar da esquina na internet, não teria sido difícil encontrar umas músicas engraçadas para ela (por exemplo: Tommy february6 ou o outro projecto dela, The Brilliant Green) ou alguém que aconselhasse decentemente. EDIT: vim a saber entretanto que a canção é realmente em chinês (se mandarim ou cantonense, não sei), mas é cantada por um português.
5. O dicionário [10.09.08]
Por enquanto ainda não apanhei nenhum erro, mas as traduções estão longe de ser as mais adequadas (em japonês, claro). O que mais acontece no dicionário electrónico de Hoshi é a tradução aparecer em katakana (alfabeto fonético silábico, utilizado para palavras estrangeiras) no seu equivalente em inglês, o que nem sempre é o seu significado mais usado, existindo um equivalente em japonês de uso comum. Mas esta razão não é das piores desta lista, uma vez que apesar de tudo o dicionário dá traduções em japonês verdadeiro e os significados são mais ou menos correspondentes. É daquelas coisas em que poderiam ter optado por inventar e não o fizeram, e isso é de louvar!
[actualização: 16.09.08] Entretanto encontrei uma ou duas palavras que não estavam muito correctas, mas como pouca gente percebe e se vê mal, continua a não ser grave.
6. O aparelho [16.09.08]
OK, é plausível, pode ser realista e eu estar a ser picuinhas (mas este post É picuinhas!), mas se há coisa que infelizmente caracteriza as japonesas são os maus dentes. Isto tem algumas explicações culturais: aparentemente os japoneses têm tendência a ter os dentes tortos mas esteticamente (e completamente incompreensível aos olhos de um ocidental), vá se lá saber porquê, as raparigas com os dentes tortos, em especial com os caninos proeminentes, são consideradas bonitas. Também, na Era de Edo (séc.XVII) e para trás, era comum as mulheres pintarem os dentes de preto e ainda é considerado inestético mostrar os dentes, tanto que quando as mulheres japonesas se riem, colocam a mão à frente da boca. Ao contrário do Brasil (nos antípodas do Japão) os japoneses têm uma má assistência médica dentária o que faz com que seja menos comum encontrar pessoas de aparelho, e ainda com a alteração dos hábitos alimentares, os japoneses deixaram de consumir tanto cálcio do peixe e legumes e como também não consomem lacticínios com frequência, têm muita tendência a ter cáries.
7. O uniforme (e adereços) [26.09.08]
Ela ainda apareceu pouco à civil, pelo que, até agora, da roupa tenho pouco a dizer, não houve nada a apontar fora alguma ausência de cor-de-rosa que, vá se lá saber porquê, é uma constante no guarda-roupa de qualquer japonesa e de alguns japoneses também. Mas quando ela está de uniforme existem algumas tentativas mais ou menos forçadas de lhe dar um toque diferente. Uma coisa temos sempre que ter em conta: os japoneses usam obrigatoriamente uniforme na escola secundária, seja ela pública ou privada. Como eles têm regras bastante rígidas em relação a "prevaricações" do uniforme, as raparigas extravazam em pequenos detalhes: nos cabelos com penteados que incluem com frequência totós e tranças (coisa que ainda não vi Hoshi usar), nas meias e nos acessórios. As meias são as já clássicas meias extra-longas brancas enrugadas, que não fariam sentido no uniforme do Prestige. Os acessórios costumam ser acessórios de cabelo (com algum peso e medida, como a Mia usa estaria bem), um ou outro adereço, tipo pregador ou colar e, aí sim, excesso de penduricalhos seja no telemóvel (o tradutor de Hoshi não tem rigorosamente nada) na mala da escola ou outro tipo de gadgets não incluídos directamente no uniforme. As luvas (sem dedos) é que me parecem estranhas no meio daquilo tudo.
Portanto, gostava de ver Hoshi a variar mais o cabelo, usar ganchos coloridos, etc. e com phone straps, outras pequenas peças de merchandise e algum material escolar mais nipónico. Em lojas de chineses encontra-se algum bem convincente! Ah! As unhas coloridas estão fixes!
8. A pronúncia e o vocabulário japonês [26.09.08]
Desta já estava à espera e até demorou, o que não é nada mau. A pronúncia e entoação dela e até mesmo os erros de português não estão muito bem ensaiados, mas calculo que a consultoria de língua japonesa não seja das melhores (vai na volta é só um site de internet...). No vocabulário às vezes ela acerta, outras vezes não. Uma vez ela quis chamar "mau" a um dos colegas e traduziram para a palavra "aku". "Aku" realmente quer dizer mau, mas neste caso usar-se-ia a palavra "warui", que também quer dizer "mau". Mas, se formos mais adiante, ela nem sequer a palavra "warui" utilizaria, o mais provável seria a palavra "hidoi" (=cruel), pois não é comum usar "aku" ou "warui" nas circunstâncias em que ela a usou. Este é apenas um pequeno exemplo. Faltam lá também uns "suteki"s (=bestial), uns "sugoi"s (=fantástico) e uns "kawaii"s (=querido, giro, amoroso) para dar o ar nipónico que é suposto.
9. O Fim de Ano/Ano Novo (Shougatsu) [31.12.08]
Não sei porquê os argumentistas da novela resolveram cair na asneira de mostrar Hoshi numa festa de Fim de Ano com os pais sem saberem rigorosamente nada acerca do Ano Novo japonês.
O Ano Novo é simplesmente a época festiva mais importante no Japão e tem uma série de rituais que a grande maioria dos japoneses seguem à risca. Tudo começa na véspera com a oo-souji (a grande limpeza) onde as famílias limpam a casa para acolher o novo ano. Depois existem uma série de rituais tais como comida específica, que em geral é fria, tal como o sushi ou mochi (pasta de arroz em bolas), para poder ser cozinhada antecipadamente e não dar trabalho na altura em que as pessoas estão mais ocupadas com outros afazeres. No Japão a noite passa-se em família para depois se ir ao templo (em geral em kimono) fazer votos de bom ano e rezar. As casas são decoradas com altares com kadomatsu e ou kagami-mochi, símbolos de longevidade e prosperidade. No dia um é suposto dar sorte enviar os nengajou (postais de Ano Novo) e cada pessoa envia e recebe bastantes. Para saber mais sugiro uma vista de olhos pela Wikipedia.
Ora para além dos pais de Hoshi parecerem ainda mais chineses do que ela (e que roupas mais pirosas tinha a mãe dela!) não se vislumbrou uma migalha de comida japonesa e muito menos da decoração! Para além disso os pais dela foram demasiado carinhosos e despediram-se dela com beijinhos à portuguesa. Os japoneses são mais distantes no que se refere a manifestações de carinho e é muito raro assistir a esse tipo de comportamentos em público. Também é algo estranho a Hoshi achar o Fim de Ano aborrecido, quendo se trata de uma festividade bem rica e exótica para mostrar à amiga, que segue as tradições espanholas (mas tão internacionais que nós estamos!).
Mais valia terem ficado quietos, pois a introdução do ambiente familiar de Hoshi era totalmente desnecessária, criou contradições no perfil da personagem e não adiantou rigorosamente nada à história. Se era para fazerem uma coisa do género era melhor que tivessem um bom motivo e fizessem a pesquisa como deve ser, pois de todos os povos que poderiam ser escolhidos para mostrar no Ano Novo, os japoneses são dos que mais particularidades têm!
10. O Evento Japonês [01.04.09]
Esta semana o grupinho da Hoshi organizou uma apresentação/evento acerca do Japão como trabalho de história. Era o que eu mais temia!!!! Já o Ano Novo foi o que foi, depois disso não pensei que se fossem aventurar (e tão mal) pelos terrenos-perigosos-que-implicam-pesquisa da cultura nipónica.
Vamos por partes (como diz o homem do talho):
Os kimonos eram tão maus, tão maus, tão maus que até os das lojas de carnaval parecem originais ao pé deles.
A maquilhagem das meninas (e nem vou mencionar os trajes dos rapazes, senão nunca mais daqui saio) era exagerada, um cliché mal feito e preconceituosa, dos cabelos nem se fala!
Na comida apresentada não reconheci nada de japonês excepto um sushi, logo de lula e polvo, que são as variantes menos comuns e não são verdadeiramente cruas. Sei que não sou especialista na matéria, mas gosto de pensar que conheço um pouco mais que a maioria, e, que eu saiba, cartilagem de galinha frita NÃO É uma iguaria japonesa! Pelo menos nunca de tal ouvi falar... aliás os japoneses comem praticamente as mesmas coisas que nós, fora os lacticínios e alguns animais como coelho ou patos brancos, não existem ingredientes esquisitos como cão, insectos e afins na dieta japonesa.
A demonstração de sumo foi uma fantochada...
Ah! Havia uma bandeira japonesa!
Em conclusão, mais valia terem perdido algumas semanas e pedido um apoio à Embaixada do Japão. Eles têm montes de material para situações semelhantes e com certeza não desperdiçariam a oportunidade de divulgar a cultura japonesa num novela juvenil com alguma popularidade. Aliás, acredito que muito fã de anime com menos de 18 anos saiba mais que quem "montou" aquele estaminé!

Para já são estas as razões, se aparecerem mais, vou simplesmente actualizar este post, porque não me apetece estar a fazer mais que um post sobre isto e com quase toda a certeza que vão aparecer mais...

Rebelde Way
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