TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

03 agosto 2008

Rakelli


Rakelli no Caldeirão do Huck

Só este nome...

Nas novelas brasileiras, mesmo que a novela seja mediana e se veja apenas por puro passatempo, há sempre um núcleo ou personagens cómicas para alegrar as hostes e, de vez em quando nos colocar com atenção os olhos no écran. Em Beleza Pura, uma daquelas novelas da tarde que não fazem grande impressão na memória, o espectáculo e os aplausos vão todos para Rakelli, interpretada por Ísis Valverde.

Ísis é uma rapariga bonitinha, engraçada, muito menina Malhação, que usualmente se costuma dispensar como sendo mais uma carinha laroca para compor o cenário. Mas com Rakelli, uma suburbana burra, ignorante, brega, muito trapalhona e ingénua, ela faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas! Para começar o texto dela é genial, as trocas de palavras que ela faz são hilariantes, o estilo brejeiro mas encantador é daquelas coisas que torna as novelas brasileiras no suucesso que são. Mas quando a Rakelli começa a chorar............................. não há explicação possível, a reacção automática é desatar a rir à gargalhada. Os guinchos que ela faz são inexplicáveis e as bem aproveitadas reacções das personagens que estão à sua volta é imediatamente fazerem-na parar de chorar. Até porque os motivos porque ela chora são sempre completamente parvos, excepto, claro, para ela.

O grande sonho da vida de Rakelli é ser dançarina no programa de variedades Caldeirão do Huck. Para Rakelli, para concretizar esse sonho, ela tem um objectivo: ser famosa. Quando for famosa, Luciano Huck olhará para ela, irá gostar e contratá-la para o programa. É este o tipo de raciocínio de Rakelli, inacreditável! Como se ela já não fosse hilariante, ainda por cima contracena com o bonzão Marcelo Faria, que faz (como sempre) lindamente o bronco pedreiro Robson, a grande paixão de Rakelli e a causa para muitos dos ataques de choro.

Não consigo colocar decentemente para palavras o quanto Rakelli é engraçada, só mesmo vendo!

Beleza Pura - TV Globo

SIC
2ª - 6ª: 18h00

27 julho 2008

Fashion victim

Há uns 6 meses atrás papava tudo quanto eram os ante-e-depois do People & Arts e da SIC-Gaija, mas claro, sendo uma fase, comecei a fartar-me e deixei de ver (até porque eles repetem imenso). Desde há uns tempos para cá os únicos reality shows que vejo com regularidade têm sido o What Not To Wear (o original, versão BBC com a Trinny e a Susannah) e o Project Runway.

Project Runway é feito no mesmo formato que The Apprentice, de Donald Trump: um número de canditados ultrapassa, episódio a episódio, uma série de provas específicas naquela área de trabalho, sendo um deles eliminado a cada prova, ficando apenas um vencedor no final.

O interessante para mim de Project Runway é primeiro que tudo a área profissional onde se enquadra, a moda e o estilismo. Porque gosto muito de moda e roupas, porque também costuro (mas dificilmente conseguiria vencer um concurso destes) e também porque, convenhamos, o mundo da moda oferece mais "sumo" televisivo que o mundo empresarial. É mais colorido, os candidatos são mais ecléticos e visualmente apelativos, têm reacções mais exageradas e portanto mais televisivas e depois há o lado da cusquice, nada como o mundo da moda para ter cusquice a 100, 200, 300%!!!

Mas para além disto tudo, Project Runway revelou-se um programa bastante profissional, sóbrio, pouco alarmista ou exagerado, onde os exageros ficam apenas para alguns dos candidatos. Heidi Klum, a apresentadora, é sempre sóbria sem ser demasiado séria, Tim Gunn, o mentor dos candidatos, é uma bicha elegante com imensos conselhos sensatos para dar e o juri, Nina Garcia (ELLE) e Michael Kors mais um convidado, sendo os mais irritantes de todos, têm sempre algo de construtivo a dizer sem serem demasiado agressivos e brutos. No fim das contas, como as provas são difíceis, muito difíceis, quem se candidata ou é bom ou não entra!

Prova a prova eu imagino o que faria e chego sempre à conclusão, na maioria das vezes, que não seria capaz, ou por falta de tempo ou por falta de capacidades técnicas. Os candidatos, para além de terem de ser criativos e originais, têm de ser bons e rápidos tecnicamente (têm normalmente um a dois dias para criar e construir uma média de três peças!). Duvido que, semana seguida de semana, eu conseguisse sequer inventar mais que um bom conjunto de roupas, quanto mais construí-lo! O que muitas pessoas não sabem, é que muitas vezes os estilistas são muito criativos mas metem pouco as mãos na massa, principalmente para fazer algumas coisas que vejo e bem feitas no programa. Mas também já reparei que às vezes existe alguma aldrabice, há quem, na pressa, use cola para juntar as peças e não a máquina de costura... Mas ainda bem que não sou estilista, já sei disso há muitos anos, mas com este programa confirmei isso.

Project Runway

SIC-Mulher
sab. 22h45
dom. 20h00

19 julho 2008

Eccleston vs. Tennant

Tennant, claro!

Ah! Estou a falar de Doctor Who. Quanto mais vejo Doctor Who, mais apaixonada fico! É uma série com uma permissa muito simples e suficientemente aberta e flexível para que cada episódio seja literalmente uma aventura. Sem dúvida que esta série usufrui todo o excelente know-how da BBC!

É uma série de ficção-científica à antiga e às direitas, sem gore nem efeitos gratuitos, mas com histórias fortes, que não subestimam o espectador, mesmo sendo o público-alvo juvenil. É uma série que, no meio de toda a fantasia, é inteligente, carismática e ultra cativante!

Tenho tido alguma dificuldade em vê-la. Primeiro vi o primeiro episódio, ainda sacado da net, em casa de um amigo, mas não pude ver o resto. Depois começou a dar na BBC-Prime e não sei bem porquê só vi (e sempre) os mesmos episódios. Só quando comecou a dar a segunda série, também na BBC-Prime, é que finalmente me consegui fidelizar e a vi praticamente completa. Recentemente, quase em simultâneo com a estreia de Doctor Who na SIC-Radical, a BBC-Prime, ao acabar a 2ª série, recomeçou a dar a primeira e em pacotes de dois episódios. No meio disto tudo, aparentemente apenas perdi um episódio, o 2º da 1ª série.

Se já gostei de Christopher Eccleston, como o 9º Doctor, por causa do sotaque, da sua ironia britânica, do seu ar desengonçado, a mudança para o 10º Doctor, David Tennant, não podia ser mais feliz. Primeiro, o estratagema arranjado para a mudança de actor foi muito interessante, aproveitou um episódio duplo muito importante e emocionante (Daleks - 2ª volta), e não foi nada gratuito, para além de que o Doctor finalmente beijou a "sua" Rose (se bem que em circunstâncias excepcionais). Mas David Tennant faz um Doctor mais divertido, cheio de charme e sexy, sem perder a ironia e inteligência. A empatia com Rose parece aumentar e, convenhamos, é BEM mais bonito! E bem mais bem vestido, aquele fatinho dá-lhe um ar tãããão british!

Um dos grandes trunfos nesta série é a partenaire do Doctor, Rose, ser um elemento extremamente activo e um love interest muito bem resolvido ficcionalmente. Eles não namoram, não são amantes, marido e mulher, etc. Há uma ligação extremamente forte entre ambos, quiçá eterna, que ninguém parece conseguir romper, mas apesar de, como espectadora, desejar mais, é nesse desejo que está o grande atractivo da relação deles e que torna a série ainda mais empolgante. Rose é uma rapariga simples, até um pouco saloia, mas com uma enorme curiosidade, desejo de aventura e acima do que a vida lhe colocou à frente até ao encontro com o Doctor. O Doctor mudou tudo e ela nunca mais será a mesma. Nem ele!

Vou rever a 2ª série e morrer de curiosidade apra ver a 3ª e a 4ª, pois na 2ª a Rose "morre".

Uma dica: Na BBC-Prime, para quem não se importa com a ausência de legendas, dão dois episódios de cada vez, mais extras. Isto é, Doctor Who Confidential, um making of, episódio a episódio, onde agradavelmente percebemos que ainda se faz boa ficção-científica sem recorrer única e exclusivamente a efeitos digitais ou 3D.

Doctor Who
Doctor Who Confidential

BBC-Prime
sab. 18h00 - 20h00

O episódio-catástrofe

Estava a ver o episódio de hoje de ER, onde acontece um acidente que envolver carros, fogo, muito sangue, feridos muita porcaria e os médicos numa azáfama ainda maior, mas só me conseguia lembrar do hilariante filme HELP!!!, de Johnnie To.

Há uma coisa nas comédias, principalmente quando são críticas: abrem-nos os olhos. HELP!!! é uma paródia às séries de hospitais, se bem que pressuponho que a mesma paródia se dirija mais a séries tipo General Hospital do que propriamente o ER. Mas uma coisa todas têm em comum e isso é usado como o clímax de HELP!!!, o episódio-catástrofe. O episódio-catástrofe serve como catalizador de emoções, pretexto para tomadas de decisão e oportunidade para mostrar os nossos médicos preferidos como verdadeiros heróis. Visto o episódio de ER de uma maneira fria e com estes parâmetros em mente, o interesse perde-se.

ER é daquelas séries cuja ideia base é muito boa, mas que não consigo ver muitos episódios seguidos, é por fases. Neste momento ando numa fase não, calhou ver o episódio.

30 junho 2008

Um bom arrepio

Normalmente o TCM prima por ser aborrecido, passa quase sempre os mesmos filmes, principalmente se forem posteriores à década de 60.

Ontem à noite revi, após quase 20 anos, o meu filme de terror preferido: The Haunting (A casa maldita em português).

The Haunting é um filme muitíssimo simples, com uma história básica, sem um único efeito especial, que assusta o espectador utilizando técnicas básicas do suspense e do cinema: ser filmado a preto e branco, muito contrastado, muitos planos em contra-picado, abuso de grandes angulares para distorcer o espaço, um cenário dramático q.b. e uma banda-sonora excepcional, porque efeitos sonoros tem de sobra! Tudo o que é ameaçador está fora de campo, fora do olhar do espectador e tudo é sugerido.

Mesmo depois destes anos todos é um filme que ainda arrepia e recomenda-se vê-lo às escuras. Pena que desta vez pareceu mais curtinho.

The Haunting (IMDB)

25 junho 2008

Rebelde Way?????? º_º

Há bocado vi, na SIC, a apresentação de um programa/série/novela/o-que-quer-que-seja chamado Rebelde Way. Que raio de nome!!! Não tinham ideias melhores??

É que soa mesmo mal, piroso ou até chunga, como se fossem aquelas pessoas que não sabem falar inglês, mas que enfiam umas palavras em inglês na conversação para parecer que sabem...

Não sei que tipo de programa é, mas isto é talvez o mais baixo que a programação nacional consegue ir em termos de títulos de programas... ai, ai...

02 junho 2008

Tive saudades disto...


The Beloved - Sweet Harmony

27 maio 2008

O horror...

Tenho deixado este blog muito sozinho, mas a verdade é que ultimamente a disponibilidade não tem sido muita e veio seguida de alguma preguiça.

Apesar da falta de timing, não queria deixar de comentar o Festival Eurovisão da Canção. A razão porque nunca comentei aqui um programa, que até ao início das TVs privadas via fervorosamente e até organizava festas para acompanhar, é porque desde aí deixei de ver. E ainda bem!

O ano passado (foi mesmo o ano passado?) já me tinha apercebido de algo estranho com a vitória de um grupo menos ortodoxo (para não usar uma outra expressão qualquer menos digna), mas este ano, que calhou ver 2 programas, fiquei, no mínimo, horrorizada!!!! Só vi efeitos especiais, coreografias de encher o olho, gajas boazonas e lantejoulas! E a qualidade das vozes era inversamente proporcional à quantidade de efeitos que cada país apresentava... O QUE RAIO ERA AQUILO????

O que nos safou, é que no meio de tanto fogo de artifício, Portugal mandou para lá uma canção minimamente decente e uma rapariga com muito boa voz. Só foi pena o figurino da rapariga ser tão gótico, tão pesado... e aquela maquilhagem também não a favorecia minimamente. Queriam uma Amália gótica? Já chega de viver à sombra dela no estrangeiro...

06 abril 2008

Charlton Heston put his vest on...


Stump - Charlton Heston

Morreu hoje...

31 março 2008

Baba2

Se já me tinha babado toda com D.A.N.C.E. dos Justice, os meninos não degeneraram, pois D.V.N.O. é brilhante, utilizando o mesmo estilo de animação da letra da canção com uma estética de ilustração a aerógrafo dos anos 80.


Justice - D.V.N.O.

22 março 2008

Nostalgia


Renault 9 Super Star, 1982

Quando via isto na televisão naquela altura, parecia-me a melhor publicidade do mundo. Agora já não parece, mas ainda impressiona.

21 março 2008

*sala da luz

A TV Cabo não deixa de nos surpreender com as suas fabulosas legendagens. Desta foi na série Charmed, a passar no AXN, onde sunroom é "livremente" traduzido como sala da luz. HAHAHAHA!!! Talvez o tradutor seja do Benfica...

OK, agora a sério: sunroom é solário, de lugar para banhos de sol. Só espero que a velhota que levaram para a sala da luz não tenha ficado encandeada...

sunroom

19 março 2008

Arthur C. Clarke

Infelizmente morreu hoje Arthur C. Clarke, um dos grandes culpados pela minha paixão pela ficção-científica.

A recordação que me ficará para sempre dele foi o programa televisivo Os Mistérios de Arthur C. Clarke, que passou na RTP nos anos 80, muito antes de eu ter finalmente a possibilidade de ver o 2001, Odisseia no Espaço. Uma das duas imagens que me marcou do programa foi a caveira de cristal, tema do próximo e esperado Indiana Jones, do genérico inicial e a outra era vê-lo a passear-se, com um mega guarda-sol, nas praias do Sri Lanka.

08 março 2008

5 gajos bons 2008

Mais uma vez a escolha não foi fácil e há repetentes, dois CSI e dois pecadores... Não ando a ver muitos canais generalistas, nota-se, não?

1. Reynaldo Gianecchini
Está no ar, está no meu top. Se bem que não ando a gostar tanto da sua interpretação na novela Sete Pecados, talvez o seu Dante seja demasiado bonzinho...





2. William Petersen
Ainda dá pica, está no ar na SIC com uma série mais antiga do CSI, mas a intriga das maquetes da 7ª série encheu-me as medidas.






3. Sidney Sampaio
Desde que o comecei a ver nas novelas que achei que tinha uma cara doce e exótica. Em Sete Pecados tem um ar mais maduro, já convence.






4. Gary Sinise
Este homem sempre me intrigou, adoro aquele ar carismático e é um excelente actor! No ar com CSI: NY.






5. Skeet Ulrich
Gosto do ar mais maduro e um bocado porco que tem em Jericho. Parece que sobreviveu, e bem aos filmes de adolescentes!

02 março 2008

Remodelações

Tenho tido uma recaída pelos programas de remodelação/redecoração antes-e-depois e tenho andado a dar em quase todos, incluíndo o Querido, mudei a casa!.

Ultimamente tenho achado que as decorações do programa nacional melhoraram consideravelmente, tornaram-se mais palpáveis, mais habitáveis, mais realistas em relação às "vítimas", apesar de ainda achar que o programa não melhorou muito.

A máquina está bem mais oleada, já não se sente o programa a apalpar terreno, mas este último que vi, a decoração de uma sala em Albufeira, exagerou. O programa era mais uma reportagem sobre o que as Sofias e os queridos andaram a fazer em Albufeira (o que e onde comeram, o hotel onde ficaram, a piscina, etc.) do que sobre a decoração da dita sala. É verdade que num programa destes tem de haver um espaço maior para o product placement, são eles afinal que pagam as decorações, mas não exageremos: o que é que me interessa saber o que eles cozinharam para o lanche? Eu por acaso faço muito bem apple crumble (e não ponho passas, eww!), mas da última vez que verifiquei este era um programa de decoração e não de culinária! Aliás o catálogo final já é mais que suficiente. Existe uma necessidade de justificar tudo, mesmo o que é óbvio, há informação repetida várias vezes sem necessidade. O que gostaria de ver é o trabalho de mãos que eles andaram a fazer, também é engraçado uma piada ou outra lá pelo meio para descomprimir, mas haja sentido de humor! As piadas forçadas e supostas improvizações? Ew, que horror! Espero sinceramente que nenhum deles (Sofia Carvalho incluída) tenha aspirações ao palco... bem, os textos também não ajudam lá grande coisa... mas nem deveria haver texto (ou parecer que não há)!!

Mas enfim, o programa ainda é muito desequilibrado, dando demasiada atenção a temáticas ou assuntos que não são o objectivo do programa. Vá lá que melhorou e já inclui jardinagem e espaços verdes. Gostava um dia de ver o que fariam de uma casa inteira.

Querido, mudei a casa!

25 fevereiro 2008

80 Oscars 08

(não resisti à capicua)



Ah, este ano a cerimónia foi tão aborrecida... Certo, John Stuart é um bom apresentador e manda excelentes bocas politicamente incorrectas, estava tudo muito bem produzido, a média de filmes interessantes era alta, mas... faltava aquele quê, uma barracada qualquer, uma surpresa na entrega do oscar, um número musical mais elaborado, uma montagem em video mais emocionante, um acontecimento inesperado.


O vestido de sereia de Marion Cotillard
Jean-Paul Gaultier

Gostei das fatiotas, eram mais extravagantes mas com pouca cor. Havia muito preto, cores escuras ou neutras, pontuadas com algum vermelho. Achei piada ao vestido de sereia de Marion Cotillard, gostei da cor e da coragem do vestido de Helen Mirren, gostei do arrojo do vestido de Tilda Swinton. Mas este era o ano das grávidas. Nada menos que três (fora aquelas ilustres desconhecidas que ninguém sabe): Cate Blanchett, Jessica Alba e Nicole Kidman!! Até parece o Viagem a Itália de Roberto Rosselini. Os homens foram muito clássicos, até P. Diddy e Johnny Depp estavam clássicos. Havia mais gravatas.
Amei o vestido da figurinista oscarizada Alexandra Byrne (Elisabeth: The Golden Age), odiei o de Anne Hathaway.

Quanto à cerimónia, o cenário era normal, com uma inspiração algo grega ou egípcia, todas as categorias eram antecipadas por videos nostálgicos com os vencedores na respectiva categoria nos 79 anos anteriores, os vencedores nas categorias de interpretação foram todos europeus: Tilda Swinton, inglesa (melhor actriz secundária); Javier Bardem, espanhol (melhor actor secundário); Marion Cotillard, francesa (melhor actriz) e Daniel Day Lewis, inglês (melhor actor). Talvez o acontecimento mais radical tenha sido a vencedora do melhor argumento original (por Juno), a tatuada ex-stripper Diablo Cody.


OSCAR.com

12 fevereiro 2008

Futilidades frescas

Começar a ver Gossip Girl deu-me a mesma sensação que começar a ver Beverly Hills 90210 há valentes anos atrás. Ver uma série que é politicamente incorrecta, baseada nas vidas de gente branca cheia de papel e futilidades, é, no mínimo refrescante. Não que eu seja racista, não me considero uma pessoa racista, mas gosto do lado transgressor e glamouroso da futilidade. Ah, esperem! Há uma negra, uma oriental e uma latina, deve ser para cumprir as exigências da lei... Mas Gossip Girl é melhor que Beverly Hills. É melhor porque não é produzida por Aaron Spelling, é melhor porque dentro de tanta futilidade temos pessoas reais, nem boas nem más, é melhor porque se passa em Nova Iorque e é melhor porque esta é uma verdadeira upperclass e não apenas gente com dinheiro.

O episódio de ontem fez-me relembrar quando vi um dos primeiros episódios de Beverly Hills e passou a música-pop-psicadélico-do-momento:
Betty Boo (não confundir com a personagem do desenho animado Betty Boop). Relembrei-me pois na fabulosa festa clandestina na piscina do colégio, de repente começam a passar LCD Soundsystem e ainda por cima a minha música preferida. Mas até nisso Gossip Girl é melhor, Betty Boo era apenas engraçada, com videos muito kitsch mas LCD Soundsystem é muitíssimo mais do que isso, é uma das melhores bandas do momento e já tem mais do que um êxito.

Para além de tudo isto, ligação de todo o universo ser feita através de um blog de coscuvilhice, que toda a gente envolvida lê e cuja autora permanece incógnita é bem pensada. Permite uma narração externa facilmente integrada na narrativa (há coisas que seria impossível a Gossip Girl saber, mas que são narradas) e usar os telemóveis luxuosos (mais do que a internet) como mais um veículo de comunicação e fonte de mal-entendidos.

Claro que temos ricos-bons, ricos-maus, ricos-mais-ou-menos, menos-ricos-(não se pode dizer que são pobres, só não são assim tão ricos)-bons, menos-ricos-maus, etc. Mas a história é suficientemente bem escrita, episódio a episódio, para nos deixar com aquela pontinha de curiosidade sobre o que mais irá acontecer.

E bem, temos um guarda-roupa cheio de estilo (não há uma única pessoa mal vestida), mansões, apartamentos, o colégio e hotéis fabulosos, para não mencionar o filme-fetiche de Blair (a pobre menina rica) ser um dos meus favoritos: Breakfast at Tiffany's (cuja fachada já vimos na série).

Gossip Girl

09 fevereiro 2008

Ninguém tem nada a ver com isso!


Lancia Musa c/ Carla Bruni

No tempo das Top Models ela era a que ocupava a posição mais baixa na minha lista de preferências, mas de todas as Top Models, Carla Bruni foi a que teve a pós-carreira mais rica, inteligente e interessante, sem seguir pelo caminho fácil de pseudo-actriz num qualquer filme romântico ou de acção que implicasse alguma pele à mostra.

Primeiro saiu elegantemente de circulação, passo estratégico para que se deixasse de associar a sua imagem ao universo mais materialista da moda, depois editou um disco em que convenceu (e bem!) de que sabia cantar e agora toda a sua postura na relação/casamento com Sarkozy, presidente da República Francesa tem sido do mais impecável e pessoal possível. Os dois estão a conseguir convencer o mundo que ninguém tem nada a ver com as vidas privadas das figuras públicas e que o que elas fazem nas suas vidas não implica um mau desempenho nas suas profissões públicas. Ah Sarkozy é presidente da França? Certo, mas o que é que a sua vida amorosa tem a ver com as suas ideias políticas? Ah Carla Bruni é cantora e ex-Top Model? Certo, mas porque raio é que tem de parar de cantar só porque se casou com o presidente de um país? Já só falta implicarem por ela ser italiana...

Acho muito bem que Sarkozy case com quem bem lhe apetecer e que Carla Bruni tenha garantido que não se vai tornar numa primeira-dama dondoca mas sim numa primeira-dama cantora. O que preferem? Uma dona de casa inútil, que oferece chás de caridade ou uma mulher bonita, elegante e activa que ainda por cima é boa cantora. Os tempos de Grace Kelly já lá vão e aqui nem sangue azul existe.

03 fevereiro 2008

e a flor murchou...

Agora que finalmente a Floribella acabou de vez, aqui ficam os pensamento que fui acumulando nestes meses.

A segunda série começou logo coxa: o Frederico, o príncipe e grande amor de Flor, está morto, a série demorou demasiado tempo a estrear (quase 2 meses) e o horário mudou de nobre para vespertino, o que não ajudou nada.

Ao começar a ver a segunda série percebi logo uma série de elementos que passaram a fazer com que não desse nem metade do gozo a ver que a primeira: a empatia que existia entre Luciana Abreu e Diogo Amaral, não existiu entre Luciana e Ricardo Pereira (mesmo até ao fim). A continuação de um vício, que já se tinha notado no fim da primeira série, de aumentar em tamanho e número os subplots rocambolescos, sem grande critério e verosimilhança. A mudança de visual de Flor foi forçada deixando ela de ter o ar fresco que contrabalançava o excesso psicadélico do guarda-roupa e, por fim, a Flor quase não cantou ao vivo, todo o núcleo da banda foi de certa forma abandonado, sendo cantada apenas uma canção nova ocasionalmente e não por Flor. Nunca gostei muito das canções, continuei a não gostar muito das canções da segunda série, se bem que com alguma evolução, mas uma das "promessas" que nos fora dada inicialmente era a da banda, que seria o sonho da vida de Flor, mas isso perdeu-se de tal forma que já nem se tentava arranjar desculpas (na narrativa) para a falta de investimento na banda, no desfilar de peripécias na vida de Flor.

O próprio desempenho dos actores pareceu-me menos naturalista e senti um aumento de maneirismos em Luciana Abreu. Deu-me a impressão que se via um produto popular e colorido, mas sem que os envolvidos acreditassem muito nele. As bruxas, que muito tinham cativado o público na primeira série também ganharam demasiados maneirismos de modo a que já não convenciam ninguém, aos primeiros episódios, de que poderiam fazer algum mal a alguém. É verdade que todos sabíamos que elas nunca poderiam vencer, mas pelo caminho gostamos de achar que talvez até possam, é isso que faz um bom vilão e uma história cheia de picos de emoção.

Por outro lado, a campanha de promoção foi desequilibrada. Se por um lado houve mupis e anúncios de página inteira a anunciar a série e a qualidade do design do merchandising melhorou consideravelmente, por outro foi bastante demorada a sua chegada e muito menos numerosa. As novas peças de roupa marca Floribella eram bem mais vestíveis, engraçadas e bem feitas e o jogo, que saiu muito recentemente, tem muito bom ar.

Ao longo dos meses em que foi exibida a série a SIC demonstrou insegurança no produto através de anúncios contraditórios, mudanças de horário, falhas na exibição, tudo sem pré-aviso, episódios exibidos duas vezes seguidas, montagens em que só 25% do episódio eram cenas novas, a série arrastou-se infindavelmente até que acabou um mês depois do anunciado, sem pompa nem circunstância. Ainda existiram as polémicas cor-de-rosa acerca de uma provável zanga entre a protagonista e a estação, facto que não me parece que tenha beneficiado alguém.

Enfim... continuo cheia de pena que a Floribella tenha, apesar do sucesso, sido tratada acima de tudo como produto de segunda por ser alegre, colorido, excêntrico e para miúdos, mudando este tratamento apenas quando o dinheiro falava mais alto. Ainda acho que poderia ter sido um percurso mais digno, especialmente esta segunda série que ficou bastante aquém da primeira.

Floribella

13 janeiro 2008

Paciência de japonês!

Delicioso, e está a dar na RTP2!!

PythagoraSwitch

ピタゴラスイッチ

RTP2
2ª-6ª: cerca das 9:00h

12 janeiro 2008

*plutão

Esta é deliciosa: na série anime Orphen, a passar no AXN, Orphen e os seus amigos são atacados por um exército defensor das termas onde se querem banhar.

Nas legendas por quatro, sim quatro, vezes o comandante mandou enviar um plutão! Não sei em que dicionário o/a tradutor/a viu esta palavra, mas Plutão (com P maiúsculo) é o nome de um planeta (ex-planeta?) ou deus romano e pelotão é que é um grupo de soldados.

Será que eles foram atacados por um deus ou por um planeta?

É mesmo de rir à gargalhada...

Priberam - dicionário
(por favor inserir 'plutão' e 'pelotão', não dá para fazer um link directo)

02 dezembro 2007

3 x CSI

Esta semana que passou este blog fez três anitos e com o aniversário veio mais vontade de falar do CSI.

CSI: Crime Scene Investigation continua em forma e, das três, é ainda a minha série preferida. O novo plot das miniaturas é intrigante, fascinante e, se bem explorado, dá pano para mangas. Como pessoalmente gosto imenso de miniaturas e maquetes, a mim tem me sabido como mel. Só é pena a recente ausência de Grissom, que, claro terá de voltar em breve para continuar a resolver este mistério. A nova personagem do Keppler é intressante na sua abordagem mais bruta, mais policial, mas o Grissom é que é! Ainda por cima há finalmente uma relação mais íntima entre ele e Sara, a qual ainda não se percebeu bem em que parâmetros se desenvolve, mas que comum é que não é.

CSI: Miami é aborrecida. Estou farta daqueles filtros sépia, há qualquer coisa em Horatio Caine que me começa a enervar imenso e todos os subplots relacionados com os outros elementos da equipa parecem mal alinhavados e mal distribuídos pelos episódios. Só escapa a médica legista Alexx e ainda é viciante. Ainda vejo, mas confesso que, quando ponho a gravar para ver, muitas vezes é em fast forward que o faço.

CSI: NY é que tem vindo a evoluir bem, gosto dos subplots que apareceram: o pânico de Stella com a possibilidade de estar infectada com HIV, a relação de Danny com Lindsay (já tinha mencionado que o romance está no ar em todos os CSI?), Mac ter se tornado menos circunspecto mas mesmo assim ainda misterioso e intrigante. As histórias individuais dos episódios têm aproveitado bem os mitos urbanos de Nova Iorque o que enriquece bastante a série.

Pois é, continuo a "dar" nos CSI, continuam a ser as séries que mais acompanho na tv, quem sabe se não é por eu também ser um bocado coca-bichinhos. Ultimamente quase só tenho visto o canal AXN e, pontualmente a SIC-Radical, a MTV, a RTP1 e a SIC.

No AXN também acompanho Medium, Without a Trace, ER, The Nine e agora Gossip Girl. Na SIC-Radical é a Buffy que me faz carregar no botão do comando, se bem que a sétima série é ligeiramente mais fraca que as anteriores 4ª, 5ª e 6ª. A MTV tenho visto ocasionalmente no meu local de trabalho (não sou eu quem escolhe) mas apenas para chegar à triste conclusão de que se tornou num canal de reality shows estúpidos, pontuados por videoclips quase sempre iguais. Na RTP1 tenho visto os Gatos e o Conta-me como foi, por que são excelentes, e na SIC... ah sim! quando dá no horário, Ugly Betty. Nem sequer novelas da Globo tenho visto, a SIC anda mesmo muito mal......

CSI
CSI:Miami
CSI:NY

23 novembro 2007

Os 50 melhores programas de sempre

Iniciativa das Produções Fictícias, Time Out Lisboa, Diário de Notícias e Sapo, esta é a eleição dos 50 melhores programas de televisão de produção portuguesa, sem incluir formatos adaptados.

Eu já votei e, se der, volto a votar. Por mais que adore os programas, só não concordo com a inclusão da Rua Sésamo e do Contra-Informação porque são, para todos os efeitos, formatos adaptados.

OS MELHORES PROGRAMAS DE SEMPRE
Time Out Lisboa

19 novembro 2007

*gola redonda

No mesmo episódio de Mentes Criminosas de *cada vez mais careca (pelo menos espero que seja o mesmo pois o erro repete-se), topei outro, quase tão bom, que cai na cetegoria de roupa:

Meninos tradutores, turtle neck não é gola redonda mas gola alta... nunca usaram? A analogia até faz sentido, se observarmos com atenção uma gola alta até que faz lembrar o pescoço de uma tartaruga. Ou será que a camisola precisa de ser verde para se perceber?

turtle neck (até tem uma imgem como exemplo)

14 novembro 2007

*gelar o bolo

Mais uma da Martha Stuart! Isto até começa a ser repetitivo, mas quem faz as traduções do programa não percebe pêvas de culinária, principalmente em inglês!

Desta vez Martha estava a pôr a cobertura em queques (cupcakes que, a propósito, eram traduzidos apenas por bolos) e o nosso feliz tradutor disse-nos para gelar os bolos! O que Martha diligentemente nos disse foi frost the cupcakes, o que simplesmente quer dizer para pôr a cobertura nos queques, que de gelada não tinha nada...

frost (v.)
frosting
icing

PS - acrescentei icing ao dicionário para não haver nenhum mal-entendido, continuamos no tema da culinária.

07 novembro 2007

Lête



Para além dos excelentes anúncios televisivos, adoro o logotipo e as embalagens da Agros. Soube se manter fresca e actual sem remodelar um bom logotipo que já tem mais de 30 anos. Isto é que é bom design!

11 outubro 2007

Tipo simpático

Fiquei triste e surpresa quando soube da morte de Raul Durão, na 3ª feira. Para as pessoas da minha geração ele era aquele tipo simpático que preenchia bem o écran, com bom aspecto, que dava vida às coisas, sem chatear ninguém.

Tenho pena que seja mais um daquela geração que agora, a medo, a RTP tenta recuperar, mas de quem se esqueceu durante uns aninhos em que se preocupava mais com audiências e em fazer mais do mesmo, plagiando as privadas, que por si já plagiavam o pior da RTP.

Felizmente que ainda semi-acordaram a tempo, nessa manhã houve uma homenagem, na Praça da Alegria, em que incluíram nos convidados dois outros ícones (menos discretos) dessa mesma geração: Júlio Isidro (Passeio dos Alegres forever!) e Eládio Clímaco.

05 outubro 2007

*casaco sueco

Eu nem queria acreditar quando li, nas legendas do programa Esquadrão da Moda, no People + Arts, casaco sueco para suede jacket. Realmente um swede é um cidadão sueco, mas com U (e não W) quer dizer camurça! Para além disso a lógica e algum poder de observação mostravam-nos logo que o casaco em questão era de camurça!

suede
swede

E as gralhas da TV-Cabo continuam!

12 setembro 2007

Loja das Meias



Ontem apercebi-me (infelizmente tarde demais) que a emblemática Loja das Meias do Rossio tem hoje o seu último dia de vida.

Há coisas que não se percebem, esta loja era a sede da marca, o seu logotipo é a praça do Rossio, tinha mais de 100 anos de actividade no mesmo local, é uma das lojas mais simbólicas da Baixa e de Lisboa, senão também Portugal, aparece no filme On Her Majesty's Secret Service (007 ao serviço de Sua Mejestade) e, aparentemente por razões económicas, os donos resolvem fechá-la para abrir novas lojas no estrangeiro. Por mais que seja defensora de exportar o que é nosso, nunca em detrimento do pouco e muito bom que ainda há cá.

Em notícias que li, os donos alegam que a vida na Baixa foi morrendo depois do incêndio do Chiado (verdade, mas que tem sido revertida) e que já não se justifica manter lá uma loja desta dimensão. Tretas, digo eu! A Loja das Meias do Rossio ainda se manteve mais de 10 anos sem alegar recessão, logo agora que finalmente temos uma Baixa que, a custo, se tenta reerguer é que a loja, símbolo máximo do comércio no local, fecha??? Realmente a Baixa nunca recuperou o bulício de antigamente, mas recuperou algum, nem a Loja das Meias dificilmente voltaria a ser o que me lembro de ser nos anos 70, cujos famosos saldos pareciam tirados de uma cena de banda desenhada, com o mulherio a lutar por uma peça de roupa que tinha de imprescindivelmente ter, mesmo que não lhe servisse. Mas a partir dos anos 90 com a diversificação do comércio e a abertura (finalmente) de marcas de prestígio internacionais justamente na zona, a justificação dos donos da Loja das Meias não faz sentido algum. O volume de vendas de uma loja como esta, naturalmente que decresce, mas também tem a ganhar com a concorrência saudável.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando me apercebi foi: "se até a Loja das Meias fecha, é desta que a Baixa morre de vez!". Ao longo dos últimos 10 anos, tenho vindo a ver as grandes capelinhas da Baixa fechar, entre elas algumas lojas que davam vida e carisma às ruas e comércio local, sem elas outras lojas de ramos semelhantes tiveram e têm dificuldade em sobreviver, apenas lhes resta fechar as portas. A Baixa é o sítio onde ainda se encontram tesouros que tendem a entrar em extinção. E o que vai ser da loja? Uma megastore de chineses?

Visto isto tudo, a mim parece-me que o que falta à Baixa é uma estratégia de animação e comercio, pois à medida que lojas de qualidade e davam boa fama como o Celeiro (não o de dieta), a Loja das Meias, o Castelo Branco, etc. vêm a ser substituídos por comércio de qualidade inferior, a única coisa que sucede é o prestígio da Baixa, ter deixado de existir e dado lugar a um ambiente inseguro e chunga sem lojas diferentes com artigos que não se encontram em mais parte nenhuma. Fala-se muito na defesa do comércio tradicional mas, uma vez que num sábado à tarde até os cafés da baixa estão fechados, como esperam eles fazer negócio? Uma vez que, principalmente no verão, os cafés mais tradicionais e antigos da Baixa já estão fechados uns às 19h outros às 20h, como esperam manter uma dinâmica comercial e sacar dinheiro ao turista ou ao Lisboeta com necessidade de petiscar algo antes de um espectáculo?

Sem o apoio dos grandes antigos comerciantes da Baixa, é claro que os pequeninos não conseguem sobreviver.

08 setembro 2007

MOTELx


Como gosto desde sempre de filmes de terror, o meu realizador e escritor preferidos são ambos especialistas na matéria, lá fui eu testar o MOTELx.

Como em todos os festivais há secções diferentes, a série Masters of Horror, os filmes de Guillermo del Toro, os filmes de Ivan Cardoso, os documentários e as curtas. Apesar de algumas boas escolhas, o festival é, no geral, muito desequilibrado, dependendo, quase na totalidade da série Masters of Horror para preencher a programação menos vista em Portugal. De resto, foi interessante trazer Ivan Cardoso e a sua cinematografia, pois para além de virtualmente desconhecida do grande público é, no mínimo, invulgar.

Aproveitei para ver mais alguns filmes de um dos meus preferidos, Dario Argento, voltei a chegar à conclusão de que detesto Carpenter (acho os filmes dele cheios de clichés, com histórias pouco interessantes e mal desenvolvidas e, o pior de tudo, nem sequer me pregam um sustozinho aqui e ali), ver alguns dos filmes de Guillermo del Toro e o que mais viesse à rede. Senti a falta de alguns grandes como David Cronenberg, Roger Corman, e alguns clássicos, mas em 5 dias não seria fácil, por isso compreendo.

Tenho pena de, mesmo num festival do género, à grande excepção de Ivan Cardoso, os filmes de terror ainda pertencerem a um universo quase exclusivamente norte-americano (os meninos do CTLX já tinham demonstrado na sessão de Dog Soldiers que na Europa também se faz muito bom cinema de terror) ou então a nova moda do cinema oriental, de que of estival apresenta apenas um exemplo do já muito conhecido Takashi Miike. Com o apoio do Cinedie Ásia é mesmo uma pena que não se vejam filmes de outros realizadores menos exibidos em Portugal (como por exemplo Kiyoshi Kurosawa) ou outros menos conhecidos.

Também é pena haver algumas falhas quase imperdoáveis como a, que já se começa a tornar clássica, de projectarem os vídeos no formato errado, ou seja, esticadinhos, trocas de sessões (acontece), falhas na informação ou atrasos sem uma explicação a quem está à espera.

As duas exposições são interessantes, mas sabem a pouco, os objectos exibidos também são interessantes, mas talvez devessem estar identificados (por filme, etc.) e haver uma explicação de que não são originais, mas sim réplicas para venda. Gostei da decoração do espaço (mobília antiga, objectos com sangue, etc.), podiam ter abusado mais.


MOTELx

06 setembro 2007

Tenor de peso

Depois do post sobre a Divine, parece coincidência a mais... (eu sei que a comparação é estranha, mas...)

Lá se foi o Pavarotti, que já andava a ameaçá-las há tempo. Nunca fui grande fã dele, mas a sua importância na divulgação e uma certa popularização da ópera é fundamental. Claro que a sua presença televisiva era muito frequente, seja nos especiais dos 3 Tenores ou seja nos inúmeros programas, recitais, eventos, encenações televisivas de ópera em que participou.

Era presença frequente nas nossas televisões (em especial a RTP2), vai fazer falta.

04 setembro 2007

Divina laca

A propósito da estreia do remake do remake de Hairspray, de John Waters, e de estar a falar de drag queens famosas com um colega de trabalho, lembrei-me de como adorava este clip da minha preferida, mas também a mais sórdida, de todas: Divine.


Divine - Walk Like a Man

Apenas recomendo a quem se entusiasmar com o novo Hairspray, que veja o original, que de blockbuster não tem nada e de subversivo e kitsch tem tudo!

13 agosto 2007

Atrasados mentais

Ao ouvir, como som de fundo, as Chiquititas constato, infelizmente, que a televisão portuguesa, neste caso a SIC, continua a tratar as criancinhas como atrasadinhos mentais. A Chiquitonta (assim parece que lhe chamam os amigos) fala exactamente como as antigas apresentadoras de programas infantis, como a mesma entoação e vocabulário muito bem ar-ti-cu-la-do, como se as crianças não captassem a informação dada de outra forma mais normal...

É triste ter crescido (e protestado) com este tipo de postura preconceituosa e paternalista, mas mais triste ainda é constatar que quem também cresceu com isto não aprendeu com os erros da antiga geração que não sabia fazer melhor!

Chiquititas

PS - vi alguns episódios das Chiquititas brasileiras, quando passaram, se não me engano, na TVI, e mesmo nessa altura achei aquilo sofrível... mas pelo menos as pessoas falavam todas de modo normal.

11 agosto 2007

Refresco

Por causa do calor e porque é bom, hoje, durante o dia, lembrei-me deste clip. É um dos videoclips mais divertidos que já vi.


Bentley Rhythm Ace - Theme From Gutbuster

05 agosto 2007

Séries TV

Pois... enganei-me, mas vou reparar o meu erro.

Fui 'blogdesafiada' pelo Ricardo do
CineArte a fazer um top de séries favoritas. O meu engano é que o fiz como comentário no post dele, mas vou colocar aqui uma cópia para continuar estes posts em cadeia (que ao contrário das cartas até é engraçado).

Respondendo ao desafio e como concordo com o Ricardo em relação aos top's, a minha lista é (salvo algumas excepções - assinaladas*) feita no momento:

SÉRIES TV:

ESPAÇO: 1999* (Space: 1999)
Inquestionavelmente a minha série preferida de sempre! Tem me acompanhado ao longo da minha vida quase toda e, apesar de ter envelhecido um tanto, ainda encontro nela uma imensidão de elementos que me fazem continuar a adorá-la: os ainda excelentes efeitos especiais, os actores, as histórias, a direcção artística, a música.

QUINTA DIMENSÃO* (Twilight Zone)
Acho que o Ricardo já disse quase tudo, só gostava de acrescentar que grande parte dos argumentos da séries foram escritos por alguns dos melhores escritores de ficção-científica dos anos 60, o primeiro que me vem à cabeça é Ray Bradbury.

PALMEIRAS BRAVIAS (Wild Palms)
Concordo com Twin Peaks ter sido groundbreaking, sem TP não existiria Wild Palms. Mesmo assim prefiro a série de Oliver Stone, mais sucinta e bem planeada, em que cada episódio foi realizado por excelentes e conhecidos realizadores de cinema, entre eles uma das minhas preferidas, Kathryn Bigelow.

PRAIA DA CHINA (China Beach)
Quase ninguém se lembra desta excelente série com um ponto de vista invulgar sobre a guerra do Vietname. Era o ponto de vista das enfermeiras, médicos e militares lesionados, acampados num hospital de campanha numa praia da china. Reflexions das Supremes no genérico foi das músicas mais marcantes numa série de televisão e não esquecer Marg Helgenberger no papel da prostituta local.

OS VINGADORES* (The Avengers)
Especialmente as duas séries de Emma Peel (Diana Rigg). Esta série de espionagem fantástica, cheia de intrigas misteriosas e cenários barrocos (para não falar do guarda-roupa de Mrs. Peel), e das deixas tipicamente british, sem as quais eu não veria as séries de TV do mesmo modo. Tenho imensas saudades, bem que poderia passar na SIC-Radical e ser editada em DVD!

As menções honrosas são tantas que não vou mencionar nenhuma. Bem... Duarte & Companhia.

SITCOMS:

OS MALUCOS DO CIRCO* (Monty Phython's Flying Circus)
Não há muito a dizer: "and now, for something completely different"
Por causa desta série, deixei o vício das novelas brasileiras durante mais de um ano! (e já tenho em DVD)

BLACK ADDER
Especialmente a primeira, e mais sádica série, mandam-me ao chão a rir! A participação de Miranda Richardson como "Queen Bess" é verdadeiramente antológica!

ALLO'ALLO!
A quantidade de deixas que ficaram no imaginário das pessoas acho que diz tudo acerca de Allo'Allo! Os erros do Officer Crabtree são os melhores de todos: "I have a guin in my picket"; "The Fullen Madinna with the big bibies"

OFF CENTRE
Passou discretamente mas era hilariante. Uma sátira à vida boémia nova-iorquina, com grande parte do cast de American Pie. O descaramento de Chau, o amigo vietnamita, era simplesmente demais!

Menções honrosas: Absolutely Fabulous, Dharma & Greg, Popular, Freaks & Geeks, etc...

ANIME:

CANDY CANDY*
É shoujo, é comprida, ainda não a vi até ao fim (não passou completa em Portugal) mas não há nada a fazer, foi A série de anime que colocou (juntamente com Conan, o rapaz do futuro) o anime no mapa para mim. Dizem que não há paixão como a primeira.

SAILORMOON*
Esta série foi um marco para mim, fez-me descobrir o anime de outra forma e iniciou-me num percurso sem fim nesta área. Gosto do realismo de adolescentes normais, com defeitos, inseridas numa vida dupla de super-heroínas que me fez imediatamente pensar nas séries sentai que davam antes dos Power Rangers.

BIA A PEQUENA FEITICEIRA* (Majokko Meg-chan)
Esta é uma série invulgar, bem velhinha, que, apesar de ser um anime de magical girls, é muito à frente para a época. A protagonista é mimada, impertinete, mas também boa rapariga e partilha o protagonismo com uma rival egoísta e carente. Dentro dos cenários de inspiração mediterrânica, um dia-a-dia muito japonês e guarda-roupa ultra-fashion anos 70, não há dúvida que é um anime único.

LUM (Urusei Yatsura)
Este foi dos primeiros anime/manga que procurei e conheci. Desde a primeira leitura/visionamento que me apaixonei pela personagem de Lum e me parto a rir com o completo disparate que é a série inteira a começar pelas canções dos genéricos.

COWBOY BEBOP
Deve ter sido um dos primeiros anime de qualidade em que não há um único episódio para encher, de fraca qualidade ou que não faça sentido no todo. Com uma das melhores bandas-sonoras para anime de sempre, personagens tão boas que, até hoje, não me consigo decidir numa favorita, não há dúvida que é um dos melhores anime de sempre!

Menções Honrosas: Shin Seiki Evangelion, Gokinjo Monogatari, Victorian Romance Emma, Shoujo Kakumei Utena, Conan o Rapaz do Futuro, Lupin III, Glass no Kamen, Versailles no Bara, Card Captor Sakura, Antologia da Literatura Japonesa, Saint Seiya, Rurou ni Kenshin, Daddy Longlegs e muitas mais... tantas...

E eu desafio para dizerem as suas 5 séries preferidas de televisão (com ou sem categorias):
O
Kiryu
A
Confissão das Artes
A
Rita
A
Alice
O
Paulo

PS: O excesso de séries novas, inovadoras, de qualidade, etc, etc... chegou a tal ponto que me saturou um bocado. Por agora estou apenas a acompanhar duas ou três, quando tiver paciência para mais lá verei algumas de todas as outras que têm vindo a estrear.

02 agosto 2007

Do rádio

Chamaram-me a atenção para este clip na rádio (Oxigénio) e é fa-bu-lo-so à moda antiga, dos tempos em que a MTV era rainha!

Justice - D.A.N.C.E.

31 julho 2007

Sempre na TV

Pois... ontem foi Ingmar Bergman e hoje foi Michelangelo Antonioni...

Ao contrário de Bergman, nunca vi um único filme de Antonioni em grande écran. Mas com muita pena e alguma frustração minha, pois mais uma vez é um cineasta de filmes para ver em sala.

Antonioni era sublime, os seus filmes mais do que especiais, só me vem à cabeça o cliché: o cinema mundial ficou bastante mais pobre esta semana. O que nos vale (e fica) são os filmes.

Não-televisivo

Nunca vi um filme de Bergman na TV. Nunca vi porque há certos filmes que não são para ver na TV. Eu, que adoro os filmes de Ingmar Bergman, tenho dificuldade em me concentrar de todas as vezes que os tentei ver na TV.

Acho que só vi a adaptação para série televisiva de Fanny e Alexander há muitos anos na RTP2 e, apesar de haver mais cenas e narrativa, sinto que só vi verdadeiramente todos os meticulosos pormenores do filme no cinema.

89 anos é uma boa idade, deixou-nos maravilhosos filmes.

09 julho 2007

Alien girl

Este anúncio à Playstation 2 sempre me intrigou... grandes discussões tive com os meus amigos e colegas de trabalho na dúvida se a cara dela seria mesmo assim ou se fora manipulada... eu sempre defendi que era assim, até ver que o clip é de Chris Cunningham. Definitivamente há algo de Aphex Twin na cara dela.



Aqui fica o texto, afinal o sotaque escocês é cerrado:

"Let me tell you what bugs me of the human endeavor
I've never been a human in question, have you?
Mankind went to the moon
I don't even know where Grimsby is
Forget progress by proxy
Land on your own moon
It's no longer about what they can achieve, out there on your behalf
But what we can experience
Up here and of our own time
It's called mental wealth."

Sony Playstation - Mental Wealth

05 julho 2007

*UNISEF

Esta é tão triste que nem consigo ser sarcástica... por 3, sim TRÊS vezes(!) foi escrito, nas legendagens de Martha Stuart, UNISEF em vez de UNICEF...

Francamente, em que mundo vive a pessoa que faz essas legendas... ou será redoma?

Martha Stuart anda a provar ser uma excelente fonte de erros televisivos.

- 2

Pois... infelizmente, no espaço de sensivelmente uma semana, foram-se dois dos melhores actores portugueses, ambos com excelentes prestações em teatro, cinema e televisão:

Filipe Ferrer e Henrique Viana

Pessoalmente preferia Filipe Ferrer, mas ambos fizeram alguns dos mais memoráveis e convincentes vilões da televisão portuguesa.

27 maio 2007

1968

Por três motivos, o excelente elenco, a época retratada e uma certa dose de bom sentido de humor que há muito que queria ver a série Conta-me como foi e não fiquei nada desiludida.

Eu sabia que actores como Miguel Guilherme, Rita Blanco e Catarina Avelar não envergonham ninguém, muito pelo contrário, e realmente temos excelentes desempenhos nesta série, sem pretensiosismos, nem excessos. O forte elenco sénior apoia e estimula o restante elenco juvenil que tem prestações largamente acima da média sem recorrer a maneirismos ou exageros irritantes.

Talvez pela primeira vez numa produção televisiva nacional (de época mas sem ser de há mais de um século atrás) vejo excelentes cenários, muitíssimo convincentes e históricamente correctos. Pode parecer estranho, mas quanto mais próxima de nós é a época mais dificilmente o lado da direcção artística funciona como deve ser, acabando muitas peças actuais infiltradas onde não devem ou uma paleta de cores ser mal definida. Na casa do Lopes temos a típica mobília de uma classe média baixa (não havia muita escolha de mobília e bibelots, portanto as casas eram quase todas iguais), e o melhor de tudo é, realmente a dita paleta de cores: vejo nas paredes da sala aquele típico verde seco, horroroso, que só entristecia e escurecia as salas, mas que toda a gente usava para pintar as paredes. Não havia salas brancas ou de cores pastel, essa é uma noção demasiado anos 80. Também vejo os adereços certos: o criado-mudo em madeira no quarto, os dois sofás de napa, alinhados em canto com uma mesa de camilha entalada entre eles, os naperons, os quadros de flores, os calendários de gatinhos ou cachorrinhos, a banda-desenhada do Mandrake (se bem que eu escolheria o Tarzan ou o Capitão Marvel), etc.

Todos estes objectos fizeram parte da minha infância, conheci-os bem, apesar de já ter apanhado a fase de transição do 25 de Abril, onde surgiram as mobílias de contraplacado e uma primeira abordagem ao design prático e integrado que resultava em compostos de cama-mesa-de-cabeceira ou armário-roupeiro-secretária.

A integração de um humor leve mas que não se leva demasiado a sério num contexto políticamente complicado é muito bem feita e inteligente. Outra coisa interessante é termos aqui três gerações, com pontos de vista sobre a sociedade e a vida diversos, que partilham o mesmo espaço mas que vivem as novas situações de maneiras muito próprias. As idosas tentam ter uma vidinha descansada entre idas à mercearia e a tagarelice no cabeleireiro. Os de meia-idade preocupam-se em demasia com o futuro deles e dos seus e os mais novos alheiam-se de tudo, sendo sempre o mais importante o que de mais diferente houver: desde a série 'Os Invasores' até à mini-saia da prima que veio da França.

Pena que a ideia original não seja nossa (é espanhola), mas pelo menos foi muito bem adaptada, não se notando as costuras e é uma série muito divertida de ver, sem pensar se é portuguesa ou de outra nacionalidade qualquer.

De notar que o site oficial é bastante bom (coisa rara) e até tem os guiões disponíveis, no meio de uma ficha técnica e artística muitíssimo completa.

Conta-me como foi - RTP

RTP1
dom., 22:35

06 maio 2007

*cada vez mais careca

Cada vez mais careca é a tradução da legendagem num episódio de Mentes Criminosas, no AXN, para a expressão getting bolder. Alguém devia explicar a quem traduziu que bold é corajoso e bald é que é careca. Sei que é apenas uma letrinha, mas que faz uma grande diferença!

bold
bald

01 maio 2007

Página 888

Teletexto sempre foi um extra que nunca conheci. Até há pouco só me lembrava que o teletexto existia quando aparece que as novelas são legendadas na página 888.

Recentemente, ao carregar inadvertidamente no respectivo botão da televisão emprestada que tenho usado, resolvi, por curiosidade, experimentar a dita página 888.

É estranho ver a novela Páginas da Vida com teletexto. Até percebo que, por uma questão de espaço e de tempo, por vezes o texto tenha de ser cortado ou reduzido, mas faz-me confusão estarem os actores a falar português do Brasil e as legendas serem em português de Portugal. Se por um lado até faz sentido, uma vez que as legendas supostamente existem para quem não ouve ou ouve mal e porque estamos em Portugal, por outro lado é extremamente confuso até porque às vezes o texto é completamente alterado (como numa má tradução de uma língua estrangeira) ou até letras de canções não são colocadas literalmente, como aconteceu hoje em "Sapo Cururu", uma canção que conheço desde criança, apesar de nunca ter posto os pés em terras brasileiras.

Por outro lado, as pessoas surdas que consigam ler nos lábios devem ter alguma dificuldade em perceber o texto, quando na maioria das vezes não bate certo. Sendo o português do Brasil na mesma português, e algumas das suas expressões, ao longo dos quase 30 anos em que temos contacto com o vocabulário brasileiro através da televisão (e não só), já sido adoptadas pelos portugueses e outras tantas até já constarem nos dicionários portugueses, não vejo o porquê de uma percentagem tão alta de alterações aos diálogos, até porque às vezes alteram o significado das mesmas. Um exemplo que vi hoje foi alguém a dizer "ela é fresca" e as legendas tinham escrito "ela é fraca"... Que eu saiba a dita expressão é tão usada por cá como no Brasil, não percebo a transformação.

Isto tudo para chegar à conclusão que o teletexto, que nunca chegou a todos pois nem todos os aparelhos de televisão têm acesso ao mesmo, não nos serve para nada, nem para ver a programação, pois nem isso é actualizado a tempo e horas. Quem é surdo ou ouve mal vai ter de continuar a contentar-se com pouquíssimos programas de língua portuguesa legendados e os poucos que o são, pelos vistos com uma qualidade ainda mais duvidosa que algumas legendagens de programas estrangeiros. De resto a navegação é algo limitada e muito demorada, portanto é um sistema antiquado que deveria levar uma bela de uma remodelação, tanto a nível tecnológico como de qualidade.

Como ainda só vi as legendas em teletexto da SIC, ainda me resta dar uma olhada aos da RTP e eventualmente da TVI e canais de cabo, mas infelizmente sou um bocado céptica nestas coisas e duvido que haja grandes melhorias.

23 abril 2007

Mais e mais Buffy

Sempre que penso que está mais complicado ser surpreendida por Buffy, the Vampire Slayer sem que a história geral deixe de ser plausível ou se arraste para campos pouco prováveis ou desinteressantes, lá nos brindam os autores com mais uma pérola.

Todas as séries de televisão americanas têm, mais cedo ou mais tarde, episódios de spin off de outros géneros, séries ou filmes. Nos Simpsons há-os aos pontapés, os primeiros que me lembro de ver foram em Moonlighting (excelentes homenagens ao film noir e às primeiras sitcoms americanas, dois géneros presentes na série), mas posso citar muitíssimas mais, sérias ou de comédia, se bem que a comédia se presta mais a estas homenagens.

Na série VI de Buffy, com o pretexto dos variados encantamentos e do sobrenatural possíveis dentro do contexto, aparece-nos Once More, With Feeling, um episódio no estilo de um musical dos anos 70 onde reviravoltas importantes da história nos são reveladas. É, sem dúvida, um episódio para ver com atenção, apesar da aparente frivolidade de termos todos (incluindo Spike) a cantar. Para além disso, todos eram muito afinadinhos, com especial destaque para Sarah Michelle Gellar (Buffy), Amber Benson (Tara) e Michelle Trachtenberg (Dawn). Os moços é que já não se safaram assim tão bem, especialmente Nicholas Brendon (Xander). Mas, conscientes disso, os autores deram-lhe um número onde ele canta muito dentro do estilo de Gene Kelly, onde passa a maior parte do tempo num falar cantado.

Aliás, apesar de a maioria das canções, nas palavras deles mesmos, serem um retro-pastiche, louvo-lhes a capacidade de engendrarem um episódio musical com letras muito bem escritas, rimam e têm coros, como se esperaria de um musical e ao mesmo tempo contam a história, que é bastante sombria e triste. As próprias canções são muito coerentes entre si o que fica comprovado no dueto final entre Buffy e Spike.

Está me a parecer que a sexta série, um pouco como a quarta, é uma série da decadência das relações do Scooby Gang, que já tinha começado há algum tempo a apresentar sinais de cansaço. Os autores também aproveitaram a morte de Buffy para a fazerem renascer incompleta, tornando-a numa personagem bastante mais sombria, madura e, por consequência, fazê-la aproximar-se definitivamente de Spike (um claro objectivo surgido na série anterior).

Está visto que só descanso quando acabar de ver a Buffy, na sétima, próxima e última série.

Buffy, the Vampire Slayer - IMDB

12 abril 2007

Kurt Vonnegut... assim foi

Com imensa pena minha, morreu um dos meus escritores favoritos, Kurt Vonnegut. Felizmente que já morreu velhote, teve tempo para curtir decentemente a vida com o excelente e sarcástico sentido de humor que caracteriza os seus divertidíssimos livros.

O meu preferido é "Galápagos" mas o mais conhecido é o que foi também adaptado ao cinema, "Slaughterhouse Five", ambos publicados em Portugal pela Caminho.

assim foi

08 abril 2007

Tenho uma sensação de...

... que há plágio, senão inspiração directa, nas séries Donas de Casa Desesperadas, Entre Vidas e Betty Feia.

Ora vejamos:
Donas de Casa Desesperadas parece coladinho a imensos elementos do filme The Stepford Wives que, por sua vez, já foi alvo de um remake cinematográfico recente e que deu na SIC há umas semanas. Desperate Housewives

Entre Vidas tem exactamente a mesma ideia inicial que a série Medium, com a diferença que Medium é bem menos cor-de-rosa e Jennifer Love-Hewitt, com o seu visual pseudo-gótico, não chega nem por sombras aos calcanhares de Patricia Arquette. Ghost Whisperer

Betty Feia, sem os exageros, não é nada mais que um desenvolvimento do tema do filme The Devil Wears Prada. Vá lá que tem Vanessa Williams a fazer da cabra-de-serviço e o love interest de Betty está inserido no mundo da moda para que a história possa continuar no mesmo meio. Ugly Betty

Estranho ou não, aparentemente as três séries vêm das mesmas mentes criativas...

23 março 2007

É um artista português...

... de resto dispensa comentários :)

www.couto.pt

21 março 2007

Walk-in closet

Pela primeira vez na minha vida, hoje cliquei de livre vontade num banner de publicidade a partir de um site onde estava, e valeu a pena.

O clique dirigiu-me ao site da loja de roupa H&M, levada pela curiosidade de saber mais da nova colecção desenhada pela Madonna. O site está todo em flash, portanto não posso dar o link específico, mas indo o mais directo possível à dita colecção, desenhada pela Madonna, encontra-se um divertido e bem feito exemplo de site em flash. A colecção da Madonna é-nos mostrada num walk-in closet (perdão pelo estrangeirismo, mas todas as traduções ficam áquem do significado do termo em inglês, que é um armário onde se pode entrar, resumindo, um quarto de vestir) onde uma menina, com ares de Madonna, dá uma chapadinha num manequim a cada vez que clicamos em "next" e que gira, à la Wonder Woman, até se "transformar" no próximo figurino. Se queremos ver os acessórios, é feito um zoom às prateleiras do fundo onde eles se encontram. Encontrei apenas um problema: se abandonamos a colecção de roupas a meio, para voltar ao último fato que vimos temos de voltar a clicar em tudo de novo, e são 27!

Assim, sim, o flash é usado no seu potencial, melhor ainda, é uma loja de roupa (barata) que o faz.

12 março 2007

Eliza Dushku anda na berlinda

Eliza Dushku já tinha impressionado com a sua participação em Buffy, the Vampire Slayer, como Faith a slayer nemesis de Buffy, e na série Tru Calling (2:), mas ultimamente anda na berlinda. Ora vejamos:

No fim de semana passado deu mais uma vez, para preencher uma tarde de sábado o divertidíssimo filme das cheerleaders, Bring it On, também com Kirsten Dunst (é dos poucos filmes teenager que já aguentei ver vezes sem conta e não me fartar), há algum tempo tinha dado True Lies, de James Cameron, ontem à noite deu o muito interessante City by the Sea, também com Robert DeNiro e como se não bastasse também participa em Angel (Fox) e That '70s Show (TVI).

A moça é bonita, carismática, exótica e boa actriz! Só espero que continue a produzir com este patamar de qualidade, e não me importo nada com o spam de participações dela nos nossos canais. De resto é só dar uma olhadela à sua filmografia no IMDB.

08 março 2007

5 gajos BONS 2007

Mantendo a tradição, cá está mais um top dos 5 gajos bons actualmente no ar na TV portuguesa.

Este ano foi difícil, a razão de gajos bons na televisão baixou fortemente e o meu favorito, Reynaldo Gianecchini, infelizmente não está no ar. Ainda pensei nalguns portugueses, mas ainda não me convenceram o suficiente para incluí-los nesta lista. Como a escolha foi complicada, alguns não estariam aqui se a concorrência fosse mais forte. Há anos bons e anos maus...

1. George Clooney
Não está cá tanto pela sua participação em ER, mas mais porque ultimamente ando com uma pequena fixação nele. Mas, convenhamos, a publicidade do Nespresso está muito fixe!





2. William Petersen
O meu maior repetente. CSI continua a dar, com repetições e séries novas e o carisma não desaparece, só passou abaixo do Clooney por que o Clooney é mais giro.






3. Murilo Benício
Queria evitar os brasileiros, mas é difícil. Murilo Benício é, já há bastantes anos um dos meus favoritos dentro do panorama brasileiro, tanto como actor como aspecto físico+charme, mas confesso que gosto mais dele como actor. O seu visual em Pé na Jaca não é dos mais interessantes, mas continua a pontuar.


4. Matthew Fox
Quando vi o primeiro episódio de Lost a minha reacção a Matthew Fox foi: "este é o chato do irmão mais velho de Party of Five, ena, cresceu e ficou muuuuito interessante!". Tendo estreado a 3ª série de Lost na RTP1 e estando, até ao fim do mês a Fox com sinal aberto, acho que merece.



5. Bruno Garcia
É sangue relativamente novo nas novelas brasileiras, se bem que já vai na 3ª, pelas minhas contas, em Portugal. Gostei mais do seu visual cowboy em Bang Bang, mas também é comestível (e bastante) em Pé na Jaca.

26 fevereiro 2007

79 Oscars, olé!

Este ano lá assisti fielmente à cerimónia dos Oscars, mas este ano foi um pouco diferente, contrariando a tendência para piorar, pós 11 de Setembro, a cerimónia foi melhorzinha.

Uma das coisas que tornou a cerimónia mais engraçada foi a nova apresentadora Ellen Degeneres. Ela é divertida, sem sarcasmos exagerados ou um humor demasiado provocador, mas simultâneamente colocando o dedo na ferida e mencionando coisas importantes. Ela consegue ser política sem ser políticamente incorrecta e interagiu com o ilustre público como ninguém antes o fizera. Ofereceu um argumento a Martin Scorcese, pediu a Steven Spielberg para a fotografar com Clint Eastwood, disse que era o grande sonho da vida dela apresentar os Oscars.

Outra coisa que normalmente torna a cerimónia mais sustentável é a grande variedade de filmes, sem um "grande" filme, açambarcador de Oscars. Mas o mais surpreendente foi a larga escolha de filmes e atribuição de prémios a latinos, nomeadamente O labirinto do Fauno, onde se nota que para além das ruas de Los Angeles, também já no cinema o castelhano começa a dominar. Foi uma boa cerimónia para desmascarar preconceitos de modo elegante. É bom ver que os americanos estão a mudar.

Dentro da apreciação da cerimónia em si, foram marcantes as apresentações da companhia de dança cujo-nome-não-apanhei-por-ser-demasiado-esquisito, genial nas suas figuras em silhueta, o Oscar honorário a Ennio Morricone, sendo raramente atribuido a um músico (dispensava-se Celine Dion), um clássico das bandas-sonoras de Hollywood, Peter O'Toole ainda estar vivo e recomendar-se, as divertidas imagens do "backstage", George Clooney mais magro, o aproveitar do filme de Al Gore (e a sua presença) para mostrar uma mensagem ecologista sem ser chata, os fantásticos smokings de Ellen, o Oscar de melhor guarda-roupa para Milena Canonero por Marie Antionette, o Oscar para Helen Mirren, o ar desapontado das personagens do filme A casa assombrada quando não ganhou o Oscar, a taxa de negros a vencer Oscars estar a aumentar exponencialmente, a quantidade de japoneses presentes na cerimónia, a quantidade de filmes com conteúdo político.


Foi curioso Martin Scorsese ter recebido o tão esperado primeiro Oscar das mãos dos "amiguinhos" Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Coppola, quando, com Schindler's List, Spielberg recebeu o seu primeiro Oscar das mãos de Martin Scorsese, George Lucas e Francis Ford Coppola.

Nos vestidos das meninas notou-se mais uma vez uma clara tendência para uma determinada silhueta, a dos vestidos assimétricos, com uma só alça e justinhos. O melhor foi o vestido de Sherry Lansing, lindíssimo em chiffon preto e vermelho-sangue, mas também gostei do da miudinha, Abigail Breslin, adequado à idade, sem ser demasiado infantil. Nos meninos, o smoking clássico imperou, se bem que se viu um ou outro dentro do estilo dos de Ellen.

Os meus parabéns aos comentadores nacionais, que apenas comentaram nos intervalos e ainda corrigiram os erros cinéfilos cometidos durante a cerimónia como por exemplo dizerem que The Departed foi uma adaptação de um filme japonês, quando que o filme era de Hong Kong e por apontarem que as imagens supostamente de Amarcord eram de E la Nave Va, ambos de Fellini.

OSCAR.com

18 fevereiro 2007

Puto cozinheiro

Ainda nunca aqui tinha falado de Jamie Oliver, ou dos seus programas de televisão. Há muito que sigo os seus programas, primeiro na BBC-Prime, depois na 2: e agora na SIC-Mulher. Hoje vi um bocadinho do Oliver's Twist na SIC-Mulher e lembrei-me porque fiquei vidrada desde a primeira vez que vi o programa: ele é giro (apesar do ar de puto), tem uma vespa e uma casa linda, é despachado, pragmático e cozinha sempre para um grupo de amigos. Todos estes factores tornam o seu programa de culinária mais acessível e menos formal ou rígido. Para além disso, a comida tem sempre um ar fácil de fazer e apetitoso (mesmo que não o seja).

Durante décadas os programas televisivos de culinária sempre foram grandes secas em que o apresentador/cozinheiro debitava uma receita, que ia fazendo o mais depressa possível e, para isso, já tinha, em diversas fases, o prato feito e escondido no estúdio. Jamie sai de casa a meio do programa para ir comprar ingredientes que lhe faltam, apresenta-nos o seu fiel homem do talho ou o peixeiro, vai a lojas de conveniência ou mesmo buscar uns vídeos de aluguer para ver enquanto os convidados comem. Ele é um rapaz da sua geração (cozinha por prazer e não por obrigação), mais do que cozinheiro de televisão. Dos pratos feitos tiram-se ideias e não receitas rígidas, para isso compram-se os livros dele, e uma abordagem à cozinha mais desprendida e interessante.

Jamie Oliver

13 fevereiro 2007

Surpresa das dunas

Ontem à noite, em plena ronha televisiva, zapei para a TVI que tem uma característica, no mínimo engraçada, aos domingos à noite: são filmes, alguns de qualidade algo duvidosa, uns atrás dos outros. Sabendo isso deixei a televisão ficar por lá, sem prestar demasiada atenção ao écran (acontece...). Qual não é o meu espanto quando o 3º filme que passou não era nada mais que Frank Herbert's Children of Dune.

Bem, Children of Dune é mais uma adptação de parte da longa novela/saga Dune, de Frank Herbert, bem mais conhecida pela adaptação de 1984 de David Lynch ao cinema. Já tinha ouvido falar e lido de relance em revistas e sites de cinema e televisão há algum tempo sobre a mini-série. Nunca segui com atenção apesar de ser fã do filme de Lynch e ter lido o primeiro volume dos livros (são muitos e acabei por nunca mais pegar em nenhum outro), sempre tive alguma curiosidade em ver este produto de culto.

Depois de refeita da surpresa (eram cerca das 3h da manhã) e de pensar que "TENHO DE VER ISTO!", felizmente que tive a inteligência de chegar à conclusão de que estava com algum sono, que tinha de acordar cedo no dia seguinte para trabalhar e carreguei no botão de gravar do vídeo. Ainda não vi, mas foi a melhor ideia que poderia ter tido, adormeci cerca de 5 minutos depois...

O que me choca no meio disto tudo é um produto televisivo destes, tão importante e especial, seja recambiado para um domingo às 3h da matina, sem aviso prévio, ensanduíchado em telefilmes de qualidade questionável e TV-Shop. Já não peço que passem este tipo de mini-séries em horário nobre (já desisti há muito), mas pelo menos a começar à meia-noite? Anunciarem com alguma dignidade? Fica a satisfação de pelo menos ter passado e a expectativa de, das duas uma: terem passado a mini-série completa (resta saber que versão, no IMDB há várias hipóteses) ou se passaram apenas um episódio e fica a incógnita de quando passarão os restantes.

Frank Herbert's Children of Dune

TVI
dom., 11.02.07, cerca das 03:00
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