TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

25 maio 2006

Antonieta II

Como o filme ante-estreia no Festival de Cannes, já existe um site oficial francês online com o primeiro trailer à séria (o anterior era o teaser). O site está bastante completo, incluindo uma entrevista com Sofia Coppola por Eleanor Coppola, sua mãe.

Gosto particularmente muito desta foto, porque acho que exprime bem o que Sofia Coppola diz que quer mostrar na sua Marie Antoinette: inocência, atrevimento, sensualidade e juventude.

Nós vamos tendo de nos contentar em não perder a cabeça até que o filme estreie por cá em Outubro.

Marie Antoinette [FR]

É do metal!

Desde que comecei este blog, tenho tido algumas sugestões de programas a comentar, talvez o único de que recebi mais que uma recomendação, desde o início e em anos diferentes, tenha sido o Festival Eurovisão da Canção e eu, como me desinteressei do Festival já há algum tempo, fui dispensando a sugestão.

Este ano é-me impossível não comentar, nem que seja pelo resultado! Não vi o Festival todo e, pelo que percebi, agora funciona por eliminatórias que se estendem por alguns dias. Mas fiz algum zapping e, da primeira vez, reparei na banda Finlandesa que era, no mínimo, sui generis e a minha reacção foi: "Força, Finlândia!". Mais por acaso que de propósito, quando voltei a fazer zapping pelo Festival da Canção acabei por ver a revelação do vencedor, e não é que foi a Finlândia? Nunca pensei que tivessem alguma hipótese de vencer!

O triste foi perceber que a canção portuguesa, para variar, não valia nada e que o grupo que a cantava era uma imitação mesmo muito pobre das Doce!

Não há dúvida que o mundo televisivo está muito diferente: há bem pouco tempo quem imaginaria que um rap cheio de palavrões venceria a melhor canção dos Oscars e, menos ainda, uma banda metal, cujos elementos se caracterizam de monstros, saídos directamente de um filme de terror de George A. Romero, venceria o Festival Eurovisão da Canção!

Isto este ano anda estraaaanho...

Eurovision Song Contest

24 maio 2006

Campeões

Num país como o nosso, onde uma das maiores causas de morte são os acidentes rodoviários, haver um concurso para encontrar o Pior condutor de sempre... nisso devemos ser os campeões!

Realmente! Não tinham nada de mais original para inventar? Só espero que o prémio seja algo de construtivo como aulas de condução, ou então não deixarem o vencedor conduzir mais na vida...

SIC Online - Pior condutor de sempre

SIC
sáb. 19:00

23 maio 2006

Bom português

Este fim-de-semana tive oportunidade de ver um bocadinho de Cabovisão e do Canal MGM. Ainda por cima, neste momento, a Cabovisão apresenta um pacote de canais bem mais interessante que a TV Cabo, agora que nos roubaram o GNT, que era um dos melhores canais (depois da "queda" das RAIs, do Arte, do Travel, do Fashion TV, etc...).

O MGM tem uma escolha simpática de filmes, mas tem um defeito que se torna numa qualidade: os filmes são legendados em brasilês, e pior, às vezes são dobrados em brasilês! As dobragens não consigo ver (lembro-me sempre de: "Kitchi ámigão: vem mi buscá!" ou "Vérrsão brásileirá: Herrbertchi Richardchis."), mas as legendagens, se conseguirmos ignorar eles tratarem-se por "você" e algumas outras palavras demasiado brasileiras, são muito melhor traduzidas e mais cuidadas que as portuguesas.

Infelizmente é um facto que as nossas legendagens, principalmente as da televisão e mais ainda ultimamente com a profusão de empresas anónimas, que não colocam sequer o nome de quem fez a tradução e legendagem, cada vez são piores e cada vez mais quem as faz sabe menos o que tem à sua frente. OK, as pessoas são provávelmente mal pagas, têm um tempo demasiado limitado para fazer o seu trabalho, mas então que se responsabilizem as empresas que fazem o trabalho ou as cadeias de televisão que encomendam e pagam o trabalho. Se não se exigir profissionalismo de lado nenhum, nem as legendagens e traduções melhoram, nem os funcionários passarão a ter o seu trabalho mais respeitado e eventualmente a terem uma remuneração mais justa.

Cabovisão
THE MGM Channel - Portugal

22 maio 2006

Guias ConVida

Ando a desviar-ma algumas vezes do meu assunto preferido daqui, a TV, mas nunca o fiz muitas vezes, acho que ando a aproveitar os 10% retroactivos deste ano e meio.

É-me impossível resistir, como Lisboeta que sou, a comentar as lindíssimas capas dos Guias Lisboa ConVida de Maio e Junho, que, ao que parece também têm saído com o jornal Público de sábado (ainda só saíram três). Só arranjei o da Baixa, ainda vou ver se consigo arranjar os outros quatro, do Bairro Alto, Chiado, Liberdade e Príncipe Real & São Bento.

As ditas capas têm um aspecto muito Art-déco, mas no caso do da Baixa, com uns pormenores fantásticos! O seu padrão geométrico central é formado por sardinhas e ondas de água. A escolha dos tipos de letra, muito anos 20-30, é linda e as cores e os pormenores a prateado, muito bem pensados.

No dito guia não diz quem é o autor ou autora das capas, mas o design gráfico está a cargo de Kahn, atelier de design (cujo site não tem - ainda - nenhum exemplo) de onde parto do princípio vieram também as ilustrações das capas. No site dos Guias ConVida vêm outras capas, também bonitinhas, mas sem metade da beleza destas.

Se entretanto arranjar imagens das capas, hei de as colocar aqui.

Guias ConVida

20 maio 2006

Anti-herói


Beastie Boys - Body Movin

Recentemente voltei a ver este video, que ainda por cima é uma divertidíssima homenagem a um filme que adoro: Diabolik.

Beastie Boys
Diabolik - IMDB

15 maio 2006

Rir com os erros dos outros

... é uma carcaterística humana. Acabei de passar um bom bocado a ler um blog sobre os erros comuns do uso de caracteres asiáticos no ocidente, Hanzi Smatter, e lembrei-me de uma recente, avistada na cidade de Lisboa.

Dentro do meu modesto conhecimento da cultura nipónica e da sua língua, se há coisa que me anda a enervar nos últimos tempos são os restaurantes chineses reconvertidos em fashionable e caros restaurantes pseudo-japoneses. Para além da enorme possibilidade de se comer comida de má qualidade, ainda por cima os clientes deixam-se aldrabar voluntáriamente em prol de uma moda parva.

Um dos últimos exemplos é um ex-restaurante chinês, na R. da Praia da Vitória, perto do Saldanha, ao lado do Cine 222, hoje-em-dia chamado "Osaka". Como "subtítulo" consta do letreiro que dá para a rua a seguinte frase: スカートが焼く, ou seja: sukaato [skirt] ga yaku. Ora bem, durante alguns dias que passei por ali, esta frase intrigou-me, até duvidei do kanji (caractere chinês) e fui ver ao dicionário, não fosse estar enganada, mas o que esta frase quer dizer, em bom português, é "aqui grelham-se saias".

Em tempos, quando este restaurante ainda era chinês, jantei lá, nos anos de um amigo. Nessa noite o restaurante estava às moscas e, todas as outras vezes que passei lá em frente, continuava às moscas. A mudança de "nacionalidade" da culinária praticada sempre levou lá alguma clientela, já não anda tão vazio. Mas, se antes já não tinha grande vontade de lá comer, agora é que, de certeza, não ponho lá os pés. Saias grelhadas não são uma iguaria da cozinha japonesa!

11 maio 2006

*cores brilhantes

Cores brilhantes é a brilhante tradução para bright colours no programa Changing Rooms da BBC, actualmente a passar no People+Arts.

bright (def. 2)

*beneficiência

Três, três vezes ouvi eu hoje dizer beneficiência, em vez de beneficência, no Jornal da Noite da SIC!

Com esta palavra vou começar aqui um glossário dos erros de português nas televisões nacionais.

A hippie e o yuppie

Na realidade nem ela é bem hippie nem ele bem yuppie, mas soava bem e não estará assim tão longe da verdade. Dharma é filha de hippies e cresceu numa comuna, mas é mais consciente da sociedade capitalista onde vive que os pais e adepta de um modo de vida saudável e natural, mas sem radicalismos fundamentalistas. Greg é filho de uma família rica e tradicional, advogado de formação, mas que, até conhecer Dharma, vivia uma vida cheia de rotinas sem graça e que muda muito as suas perspectivas e modo de ver a vida ao se casar com ela.

Acho que é notório que não sou grande simpatizante do canal SIC-Mulher, tanto pela filosofia como pelos conteúdos. A mim, que sou mulher, parece que reduzem mais ainda as mulheres a um determinado gosto e universo que, decididamente, não é o meu. Felizmente há sempre excepções que confirmam a regra: Dharma & Greg e Oliver's Twist.

Dharma & Greg é daquelas sitcoms que passou discretamente na defunta RTP2 e que, juntamente com Off Centre, me cativou no primeiro visionamento. Não costumo amar nem odiar sitcoms americanas, mas a grande maioria, se vejo, é porque calha, não é o caso de Dharma & Greg.

O primeiro factor que torna a série fantástica é o fabuloso desempenho de Jenna Elfman, como Dharma, mas a própria permissa de Romeu e Julieta às avessas, da série, não poderia ser melhor. No meio de uma comédia bastante leve, a crítica social originada por este invulgar casal, constantemente em choque cultural é muito engraçada e inteligente.
Claro que sendo uma comédia, a grande maioria das personagens são bem exageradas, mas e daí... talvez nem tanto. Acredito piamente que famílias como os Finkelstein (pais de Dharma e hippies fora de prazo) ou os Montgomery (pais de Greg e WASPs do mais tradicional) existam na realidade. Agora o grau de humor e tolerância com que resolvem os conflitos é que talvez exista só na ficção.

Numa sociedade, como a americana, em que se sobrevaloriza a família, muitas vezes com valores extremamente conservadores, este casal e as suas famílias são uma fresca alternativa e que dão para dar umas boas gargalhadas. Com os constantes desafios que estas duas famílias, tão contrastantes, acabam por se pôr umas às outras é engraçado ver como acabam por ter atitudes que vão muito além de radicalismos ou do preconceito. Dharma e Greg acabam por funcionar como mediadores entre os dois mundos. O que frequentemente acaba por acontecer é ser Greg a tentar amolecer os Finkelsteins e Dharma a tentar amolecer os Montgomery's. Dharma e Greg fazem um casal que se completa e nem parece que se conheceram num dia e casaram no outro (e se mantém casados e felizes).

Como está a repor na SIC-Mulher é de apreoveitar para rever os episódios antigos e ver as "seasons" que não chegaram a ser exibidas pela RTP.

Dharma & Greg - ABC

SIC-Mulher
2ª-6ª: 09:00, 20:30
dom.: 15:00

09 maio 2006

Chair Wars

Segundo o programa da MTV, Barrio 19, é uma actividade alternativa, praticada nas ruas de Londres, com banais cadeiras de escritório. Sim, daquelas de napa, baratas, com rodinhas. O "praticante" lança-se para cima da cadeira, qual prancha de bodyboard e depois... é ir até onde a cadeira os levar...

Ver as imagens foi, no mínimo, para rir à gargalhada! Suponho que o objectivo final é acabar com as cadeiras, pois nas últimas imagens eles estatelavam-se escadadrias abaixo, desfazendo as cadeiras em pedaços.

A actividade urbana alternativa seguinte também tinha o seu charme e também era praticada em Inglaterra: o Brooming. Esta actividade consiste em fazer tudo o que se faz em cima de um skate mas... em cima de uma vassoura!

Com estas cheguei à conclusão que a MTV não piorou assim tanto, Barrio 19 é programama a ver.

MTV.PT

01 maio 2006

Pedro Costa é famoso!

Como tive uma pequena participação no Indie Lisboa, sinto-me no direito de reportar um pouco as minhas impressões do festival.

Achei o festival muito bem organizado, como uma logística impecável e generosa. Senti algumas pequenas falhas técnicas, talvez inevitáveis, pois nem todas as salas onde os filmes foram exibidos têm equipamento muito moderno, as projecções de vídeo foram as que mais sofreram com isso, mas nada da verdadeiramente grave. Todos os filmes foram legendados em português digitalmente e, ao que percebi, as traduções estavam bastante cuidadas (nada dos "azares" que por vezes aparecem tanto na televisão, como em cinemas). Em todos os envolvidos na organização do festival senti um enorme prazer em estar ali, o que se reflectia no caloroso e simpático atendimento.

O bom de estar com um pézinho dentro de um festival de cinema é que, de uma forma muito intensa, se trocam ideias e opiniões com as mais diversas pessoas, das mais diversas origens. Foi curioso constatar que, no meio das escolas de cinema no Japão e Canadá (pelo menos), Pedro Costa é o realizador português mais admirado e respeitado. Por cá, dá a sensação de que as pessoas sabem quem ele é, mas que é mais um realizador de filmes esquisitos e algo deprimentes. Talvez esta informação sirva para tentar olhar para a obra de Pedro Costa com novos e frescos olhos.

Um dos aspectos mais positivos do Indie Lisboa foi a fortíssima presença de filmes portugueses, a começar pelo "herói independente" Edgar Pêra, com uma futurospectiva integral (ou quase) dos seus filmes e uma participação nacional em grande número na competição, tanto de curtas como longas-metragens. Muitos dos participantes portugueses são "ilustres desconhecidos", no sentido em que, os que já têm cinematografia, ela não passa o suficiente em circuitos comerciais (ou mesmo pequenos ciclos) e os outros apresentaram primeiras e segundas obras o que torna o Indie num incentivo a que se produza mais e original cinema português. Infelizmente, não tive possibilidade de ver nenhum dos filmes em competição, devido às minhas tarefas no festival, a não ser alguns dos vencedores.

Também gostei do facto de não haver distinção entre filmes de imagem real, documentário e animação. De não haver categorias mas a competição estar apenas dividida entre longas e curtas-metragens.

Outro aspecto também muito positivo foi o Indie Júnior. Neste país em que, para a grande maioria das crianças (e dos pais também) cinema, ou filmes, para crianças é da Disney para baixo, haver, nem que seja uma vez por ano, filmes de autor para crianças a serem exibidos é, no mínimo, um privilégio a aproveitar por quem tem filhos ou crianças a seu cargo.

Um facto curioso foi constatar que um dos heróis independentes, Nobuhiro Suwa, japonês de origem, tem uma cinematografia com características muito europeias e que Matthew Barney, o marido da Björk, norte-americano, apresenta um filme/performance com um profundo conhecimento de rituais tradicionais japoneses.

Acredito que tenha sido uma aposta e risco bem grande, a ampliação para cerca do dobro dos filmes e número de salas, mas, apesar da indecisão na escolha do que ver e de algumas sobreposições inevitáveis de programação, foi um risco que valeu a pena correr. Todos os filmes que vi, gostando ou não, diziam sempre algo e eram todos muito inteligentes, o que prova que o critério de exibição não é levado de ânimo leve.

Estão todos de parabéns, para o ano há mais! E o Pedro Costa nem sequer tinha um filme no Indie!

Indie Lisboa

24 abril 2006

Tenho saudades do GNT Fashion...

19 abril 2006

Invicta TV

As hipóteses de eu ver este novo canal são remotas, uma vez que me desloco muito pouco ao Porto e arredores, mas fico muito contente por finalmente começar a haver nesta terreola canais de televisão regionais! Já não era sem tempo, e era preciso começar no Porto.

Mas enfim, ainda bem que começou, ainda é pequenino e apenas temático (de informação), mas até já têm site, se bem que ainda não está lá nada.

Boa sorte Invicta TV!

Invicta TV

18 abril 2006

Sugado até ao tutano

... foi o que foi o desgraçado do moço dos Morangos pela TVI e outros media.

Funeral transmitido pela tarde fora? Helicópteros? "James Dino"? Deve andar tudo doido! Deixem a família do rapaz sofrer sossegada!

É verdade que morreu novo, é verdade que ninguém merece morrer tão cedo, é verdade que era um dos jovens actores dos Morangos com Açúcar, e que os Morangos são muito populares entre os adolescentes, mas, francamente, tanta exploração para ganhar audiências é imoral!

Até no funeral do Papa tanta mediatização chateia!

17 abril 2006

Televisão de qualidade vs. cinema da pipoca

Vi hoje no Odisseia um excelente documentário àcerca das novas séries de televisão que, durante os últimos anos, também têm estreado por cá. Foi muito interessante perceber as razões que levaram a surgir produtos tão extremos e diferentes como Os Sopranos, Sete Palmos de Terra, O Sexo e a Cidade, 24, Lost, etc., etc.

Nos Estados Unidos, um pouco como por cá, a televisão divide-se em 3 estratos: a televisão pública, dependente da publicidade, a televisão por cabo, como menos publicidade e dependente de um pagamento e a televisão premium, sem publicidade e mais cara que a tv por cabo. Um dos canais que maior popularidade e volume de negócio tem e tinha é a HBO que, de há uns anos para cá, mudou a sua estratégia. Uma vez que não dependem dos índices de audiência (os seus lucros vêm dos pagamentos e do nº de aderentes) resolveram pesquisar, nas televisões do mundo inteiro, o que fez, ao longo da história, televisão de qualidade: as séries da BBC, a expriência do Canal+, as colaborações dos canais de televisão alemães com realizadores independentes como Wim Wenders, etc.

Com isto chegaram à conclusão de que podiam arriscar muito mais, num patamar bem mais alto sem apelar a um público "burro" ou desinteressado, não produzindo popularucho, mas diferente. Por isso, com Os Sopranos, série pioneira nesta filosofia, puderam desenvolver histórias e personagens mais complexas e ricas, mas que se tornaram extremamente populares pois o público identificou-se e não se sentiu mais a ser tratado como um imbecil sem cérebro. Com as séries subsequentes puderam abordar outros temas mais arriscados como a homosexualidade, o sexo, puderam adoptar outras técnicas de filmar, como câmara à mão, imagem descentrada, imagens desfocadas, mudar o uso da banda-sonora e dos sons.

Um pouco para acompanhar, a televisão pública, que perdeu muita popularidade e audiências (das quais depende a publicidade que financia estes canais), mudou também os seus conteúdos passando a ser mais arriscada do que anteriormente.

Por outro lado, o cinema de Hollywood, cada vez mais aposta num público adolescente da pipoca, que vai ao cinema em grupos para se divertir e não pensar. O que exige de uma ida ao cinema é, pelas palavras de uma adolescente ("totally" Beverly Hills), "a grande sala luxuosa, as pipocas, ir com os amigos e gritar excitadamente ao ver um filme num grande écran". Resumindo: não pensar. Infelizmente, como este tipo de objectivo é mais fácil um blockbuster de Hollywood ser concebido a pensar nos patrocínios publicitários que na história ou na densidade de conteúdos.


Para além de isto ter servido de lição às cadeias de televisão americanas, também deveria servir para as nossas (principalmente as de cabo) e servir de incentivo a começar a produzir televisão de qualidade para público que raciocina e sabe escolher. Independentemente das modas, acho que uma série como Os Sopranos não fideliza audiências porque o colega-de-trabalho ou o vizinho-do-lado as vêm, mas porque, no meio de tanta televisão imbecilizante as pessoas anseiam por algo que dê de pensar. É claro que manter as séries num horário constante e não cortar, trocar e/ou editar episódios também ajuda!

Hollywood Televisivo

16 abril 2006

2 pontos para a Vodafone

Já há algum tempo falei aqui da lindíssima publicidade da Efémera da Vodafone NOW. Nessa altura ainda não tinha descoberto o YouTube e não encontrei nada na net sobre isso. Agora que há mais uma publicidade muito boa da Vodafone a passar na TV e como essa ainda não está no YouTube, deixo aqui a Efémera, como recordação.



A dita publicidade de que falo é o spot do passatempo da Vodafone para o Rock In Rio. Uma suposta reportagem numa aula de preparação para os concertos. A disciplina e empenho dos alunos e o ar da professora a falar da experiência valem milhões! Só aquele "não parem!" dá-me sempre vontade de rir! Se entretanto a encontrar hei de colocá-la aqui.


Ah! Não tenho ligação rigorosamente nenhuma com a Vodafone, nem sequer tenho telemóvel, apenas as publicidades costumam ser boas (nem sempre).

11 abril 2006

Um passinho na ficção portuguesa

A ficção televisiva nacional não prima pela originalidade, mas tem havido alguma evolução. Durante muito tempo as novelas/séries portuguesas (fora o Duarte e Cª, claro) ou eram temáticas ou de época, ou umas situações modernas pouco interessantes.

As séries temáticas ou de época têm estes factores em seu benefício, e de alguma forma acabam despertando algum interesse. Nestes casos até parece que o esforço para as fazer com qualidade é maior (veja-se o investimento em Até amanhã camaradas ou Os Távoras).

Nas séries/novelas actuais já o resultado é outro. Costumam ser xaropadas excessivamente dramáticas, em que todas as personagens são pessoas deprimidas e pouco empatizantes ou então destacadas da realidade de quem as poderia ver. Tal como famílias de classe média-baixa a tratarem-se por "você" entre si.

Mas o quadro não é assim tão negro, há sempre excepções e, dentro do género, com Todo o Tempo do Mundo e Jardins Proibidos, a TVI conseguiu, indo buscar miúdos e adolescentes e histórias simples mas emocionantes, mudar um bocadinho o panorama. Certo que as novelas seguintes começaram a ser produzidas a metro e voltei a desinteressar-me. Peço desculpa o preconceito, mas não consigo sequer tentar ver um episódio inteiro dos Morangos com Açúcar.

Entretanto acompanhei os primeiros episódios de Floribella. A série, à partida, já tem um problema: é adaptada de um original, se não me engano, Argentino. Preferia que cabecinhas portuguesas tivessem chegado lá sózinhas. Mas tem bastante potêncial.


A história não é mais que a história da Cinderela readaptada, não vejo mal nenhum nisso. O tom da série é de uma comédia romântica levezinha e bem colorida e fantasista, óptimo! A narrativa de cada episódio está bem desenvolvida e desperta alguma curiosidade, é bom para fidelizar o público.
Pena é que ainda estão todos um bocado perros, actores e a equipa técnica. Nem todos convencem, mas estou a gostar bastante da evolução técnica da Flor e de mais algumas personagens. Ela parecia-me, nos trailers, extremamente artificial, mas dentro do contexto funciona melhor e ela própria melhorou. Para contrastar, o Frederico é horrívelmente mecânico...

Infelizmente já apanhei demasiados chapões de luz na cara dos actores (principalmente em exteriores) que para além de não favorecerem ninguém, fazem uma iluminação de fraca qualidade (e nós temos muito quem saiba fazer melhor). A montagem por vezes não faz sentido nenhum, não usa técnicas de montagem sugestiva, tal como falar-se da suposta filha bastarda dos Rebello de Andrade (que, lógicamente, é a Flor) e cortar para uma cena com Flor. É tão simples e não denuncia nada de forma aberta, mas deixa suspanse no ar.

A música é do piorio, definitivamente não gosto daquele estilo. Quem criou as músicas para uma suposta banda rock devia ver a Malhação (série de 2004) e a Vagabanda. Também não é muito o meu estilo, mas a música tem melhor qualidade e tem mais a ver com o que os adolescentes gostam de ouvir. Francamente, nós temos bons músicos nesta terra!

Gosto de a série não se levar demasiado a sério, de o universo não ser inteiramente realista e ter um colorido próprio e, apesar de as músicas serem más, gosto do facto de ser musical.

Agora outra coisa: a protagonista Flor e uma das cantoras da banda não foram as vencedoras do Ídolos 2?

SIC Online - Floribella
Já agora: porque será que este é mais um péssimo site? Não tem os nomes dos actores, resumos dos episódios, galeria, mesmo pequenina, de fotos ou vídeos, curiosidades sobre a série, equipa técnica... QUALQUER site sobre uma série de TV tem isto tudo. O único extra são wallpapers e uns jogos que não adiantam nada a ninguém.

SIC
2ª-6ª, 21:20 (varia)

08 abril 2006

Onde raio enfiaram a Buffy?

A série ainda não acabou!

Não percebo, a SIC Radical andava a portar-se tão bem, a cumprir horários, a não falhar um episódio, a fazer tudo como manda o figurino e agora descambou...

Desde há cerca de um mês que a programação da Buffy the Vampire Slayer se tem tornado irregular, agora, pelo que posso ler no site da SIC Radical, foi substituida pela Brigada de Homicídios que ainda na semana passada dava noutro horário.

Eu tinha a esperança de que, quando a SIC Radical começou a repor a Buffy que continuasse e, para além de completar a emissão da quarta série, também exibisse, aí em estreia, as três séries que se seguem.

Como já aqui disse, acho Francisco Penim um bom director de programas, mas se, para se concentrar na programação da SIC, a da SIC Radical descamba, é melhor arranjarem outra pessoa.

Buffy the Vampire Slayer

06 abril 2006

Uma loira e outra ruiva


Ontem, ao ver o primeiro episódio da segunda série de Desperate Housewives apercebi-me como já tinha saudades da eficiência desorganizada de Lynette e da organização meticulosa de Bree.


Não sei no que esta série vai dar, já li algures que não é tão boa como a primeira, mas neste primeiro episódio elas as duas provaram, e com alarido, porque são as minhas housewives preferidas. A cena de Lynette a conquistar um difícil e alto posto numa empresa com a filha bebé ao colo foi divertidíssima e o ar chocado de Bree ao ver a gravata cor-de-laranja e verde, que não condizia de modo algum com o casaco com que o marido foi a enterrar... divinal!

Mas também tinha saudades do fabuloso genérico e da música de Danny Elfman, o meu compositor de cinema e televisão preferido.

Mais do que pelos mistérios é por elas que esta é uma série a ver.

Desperate Housewives - ABC

SIC
3ª, 00:30

04 abril 2006

Título a matar

Não consigo perceber o que leva as pessoas a querer participar num reality-show. Quando ainda era novidade, com o Big Brother 1, ainda reflecti sobre o que me motivaria e rápidamente percebi que seria totalmente incapaz de me expor dessa forma.

Agora que os reality shows não são novidade para ninguém (quem quiser pagar até pode ter um Reality TV - tenho coisas mais interessantes para fazer com o meu dinheiro), a TVI insistiu mais uma vez no assunto, mas desta vez o nome cai que nem ginjas! Circo das Celebridades, sem desrespeito a quem trabalha no circo, é título que fica a matar para o que se passa num tal programa.

Ainda há pouco vi um bocadinho do dito "circo" e percebo que a maioria das pessoas deve ter a mesma opinião que eu acerca de participar num reality show. Os participantes são sempre os mesmos (leia-se: repetentes de reality shows) ou então ilustres desconhecidos que viram celebridades de reality show. Lógicamente não são verdadeiras celebridades, mas, será que existem verdadeiras celebridades em Portugal?

Acerca de reality shows temáticos só posso dizer que, pelo menos, quem participa, não tem umas férias grátis, com direito a bónus e ficar X tempo a engordar que nem uns porcos à custa de outros. Pelo menos mexem-se!

Circo das Celebridades

Continuo é sem preceber como um "site oficial" de um programa de TV não tem os horários a que é exibido...

TVI
todos os dias

01 abril 2006

Más perucas

Alias (A Vingadora) é daquelas séries que tem o condão de me irritar e viciar ao mesmo tempo. Isto tudo porque promete, promete, promete e depois fazem um reset e volta tudo ao mesmo.

Seja a organização SD6, CIA, underground, ou outra qualquer (inventada ou não) há sempre um grande mistério místico, com origens na Itália renascentista, com um nome pomposo em italiano e ligação directa com a protagonista, Sidney Bristow. Ainda há sempre alguém que não é o que parece e que depois é revelado, mas depois afinal também não era o que se supunha que era, continuando num sem fim de levantar camada atrás de camada. Ah sim, já me esquecia, e uma vedeta séria do cinema como convidada, como Lena Olin, Isabella Rosselini e Sônia Braga até agora.

Tudo isto até poderia ser muito interessante e eficaz (foi o que me colou ao écran na primeira série) se não fosse sempre repetindo a fórmula na segunda, terceira e outras séries seguintes. Convenhamos que as probabilidades, mesmo na ficção, de um grupo razoável de pessoas estar sempre ligado a mistérios e enigmas semelhantes são mesmo muito vagas. À segunda série ainda se engolia, afinal, de certa forma, serviu para vermos como seria a vida de Sidney sem ser agente duplo, como uma normal agente da CIA (o que acabou por não acontecer). Mas à terceira... haja paciência! Organização undergound? A credibilidade vai se esvaindo.

Nesta série que estreou agora, se não me engano a quarta, vem mais uma dose: Michael Vaughn afinal não é Michael Vaughn e morre (muito provávelmente ainda volta) e agora o mistério chama-se Profeta Cinco. Acho que não vou ter paciência, como já tive pouca para a anterior...

A propósito de paciência, as perucas de Sidney... francamente! Acho que Hollywood já deu mais que provas de que é capaz de muito melhor. Se os agente secretos são supostos passar despercebidos, porque raio é que Sidney usa sempre umas perucas (para não falar de toilettes) que o que mais fazem é chamar a atenção e pior, são horrorosas!

Nem percebo como Alias e Lost podem vir do mesmo criador... passe a expressão, não tem nada a ver o cú com as calças.

Alias - ABC

SIC
sab. 14:00

Quem dera fosse mentira

Pois é, aparentemente, sem avisar seja quem for, a TV Cabo substituiu o GNT pela TV Record.

É uma pena que os clientes da TV Cabo nunca sejam consultados acerca de mudanças nos canais existentes, mais ainda quando se trata de um canal certamente muito popular.

Só espero que não se lembrem de pôr o GNT naqueles pacotes extra, pelos quais se tem de desembolsar mais ainda, como se não bastasse já ter de pagar para ter TV Cabo.

30 março 2006

Falar de blogues

Na semana passada veio me parar às mãos um folheto de um pequeno ciclo de discussão sobre blogues na Livraria Almedina em Lisboa. Por curiosidade em sair do meu cantinho e saber, ao vivo e a cores, como outros bloguistas olham para a sua experiência, lá fui eu.

Foi muito interessante, o consenso (dos que se manifestaram) era quase geral, o que de certa forma me surpreendeu um pouco. Mais cedo me tornei bloguista que leitora de blogues, e mesmo assim não sou assídua em nenhum. Só recentemente é que, navegando mais ou menos aleatóriamente pela blogosfera, passei a ler alguns (que estão na minha lista).

Do encontro fica o link para um blog, do único convidado que não pode estar presente, que foca o lado mais políticamente correcto da televisão e outros media, tema que não faço questão de abordar aqui, mas que não quer dizer que não pense nisso.
Educação + Media = Educar para os media .

Sem dúvida que os blogues são mais que uma moda, vieram para democratizar a escrita, o que, no meu caso, tem servido para aprender muito.

27 março 2006

Salvem o GNT

Pode parecer piegas, mas o GNT realmente precisa ser salvo. É que, aparentemente a TV Cabo, sem informar a quem de direito, muito menos fazer um estudo de opinião a quem lhes paga o serviço (nós), resolveu, a partir de dia 1 de Abril (esperemos que seja mentira) trocar o GNT pela TV Record.

A falta de notícias na comunicação social em geral (a maioria limita-se a citar o comunicado do GNT) e a total ausência de informação no site da TV Cabo (que, aparentemente só serve para a listagem dos canais e tirar dinheiro aos mais ingénuos através de estratagemas de "apoio ao cliente") faz-me temer que, dia 1, ao tentar acompanhar algum programa do GNT vou ser surpreendida com algo radicalmente diferente.

Não tenho opinião sobre a TV Record, fora uma ou duas novelas que passaram na RTP1 e que mal acompanhei, mas o GNT é um EXCELENTE canal de televisão, talvez um dos melhores na lista de canais da TV Cabo.

A programação do GNT consta de três blocos base de programação:
As novelas e séries, reposições que nem sempre passaram por cá, e que passam com os horários "trocados" (as novelas que originalmente passaram no horário das seis, passam agora às 21h e as das oito, passam às 20h - mais cedo).
Os programas de entretenimento e informação da Globo, como o Mais Você (não gosto, mas é bastante popular e é bem feito), Domingão do Faustão, Caldeirão do Huck, Altas Horas (vejam enquanto é tempo, vale a pena), Programa do Jô (sem palavras, talvez um dos melhores programas de entrevistas que já vi), Video Show, Jornal Nacional, programas de desporto, etc.

E os magazines, feitos especialmente para o GNT (o internacional é um bocado diferente do nosso) como Saia Justa (adoro!), Mesa Pra Dois (o único programa de culinária que alguma vez segui fielmente, aprende-se mesmo!), GNT Fashion (talvez o melhor magazine de moda que já vi), +D (excelente programa de design e arquitectura, que só é pena ter apenas 1/2 hora), Marília Gabriela (isso sim, são entrevistas!), Super Bonita, Alternativa Saúde, Mundo Afora, sem falar nos inúmeros programas sobre desportos radicais, muito populares no Brasil e sempre um olhinho no público português.
Como bónus, uma vez por mês, o canal ainda nos brinda com um filme brasileiro. O Brasil tem uma cinematografia extremamente rica de que muito pouco chega cá.

O canal ainda tem a vantagem de ser 100% em português (brasilês, se quiserem, mas não precisa de legendas nem dobragens) e de os conteúdos serem 90% brasileiros e 10% portugueses feitos no Brasil (o tal olhinho no público português).

Por vezes penso que os profissionais de televisão portuguesa se deviam inspirar na qualidade destes programas: por alguma razão a Globo é uma das maiores e melhores companhias de televisão do mundo!

Por tudo isto e pelos extras, salvem o GNT! Ele merece!

Comunicado do GNT
http://www.gnt.pt

25 março 2006

Martelinhos Flower Power

Aviso: pense bem antes de clicar no "play", o vídeo é ultra-delicodoce e enervante!


Ilona Mitrecey - Un monde parfait

Há cerca de um ano dei por este vídeo a passar no MCM. Mais recentemente multiplicou-se e teve filhos que andam a passar no Canal Panda e até já andam pelo TOP+, na RTP1.

Da música tenho pouco a dizer, excepto que é irritante, e que são todas práticamente iguais.
O vídeo, no meio do cor-de-rosa enjoativo, chega a ser engraçado. Apesar de económico (as sequências de movimentos são várias vezes repetidas), o 3D é bem modelado e bem animado e tem alguns bonecos engraçados, como as vacas.

No meio desta invasão de vídeos 3D, feitos por cromos, em privado, que invadem os nossos computadores via e-mail, etc., é refrescante ver algo no género que, pelo menos é bem feito e é engraçadinho. Só falta agora aprimorar a música. O raio do sapo com tintins é que não!


PS: ando a abusar um bocado do YouTube, não?

24 março 2006

Trailer insólito

Ando a obcecar um bocado com o trailer do filme Marie Antoinette, de Sofia Coppola (com sorte, a estrear ainda este ano).

Identifico-me bastante com os filmes de Sofia Coppola até agora, talvez porque, embora ela seja americana, temos a mesma idade e algumas das nossas referências de infância e adolescência são as mesmas. Em Virgin Suicides, para além da música dos Air, que já era um dos meus grupos preferidos, toda aquela imagética das irmãs Lisbon, de autocolantes coloridos, posters, discos vinil, as roupas, etc. são-me algo familiares, mesmo sendo Portugal, nos anos 70, bem mais comedido e espartano. Em Lost In Translation, muito mais que o Japão, as minhas referências estão na banda-sonora, mais uma vez com os Air, mas também com os Jesus And Mary Chain, noutras músicas e em referências mais subtis ao cinema europeu dos anos 60 e 70, muitas vezes no modo como ela dirige os filmes.

O trailer de Marie Antoinette é insólito, mas eu gosto. Mais uma vez as referências é que me fazem gostar deste trailer. Sempre gostei imenso da música dos New Order e, estranhamente acho que a sua utilização no trailer dá-nos a ideia de uma Marie Antoinette diferente da raínha fútil e decadente, que levou a França à ruína, mas de uma rapariga alegre, cheia de vontade de viver, que face às circunstâncias, sociais e políticas, difícilmente agiria de outro modo. Normalmente a sua história é vista de um ponto de vista da Revolução Francesa e não do seu próprio ponto de vista.

Por outro lado, quero muito ver este filme, pois algo me fascina na persona de Marie Antoinette, talvez (juntamente com Madame Pompadour) a primeira fashion victim da história.

http://www.sonypictures.com/movies/marieantoinette/index.html

21 março 2006

CUUUUTE!


Capsule - Idol Fancy

Andava pelo YouTube à procura de vídeos dos Pizzicato Five e encontrei isto. Os Pizzicato Five já eram, mas não são os únicos. Felizmente que os japoneses têm um gosto especial pelos anos 60, Bossa Nova e coisas giras e uma maneira muito própria de reinventarem essa estética pop.

20 março 2006

Parabéns!

Já foi o nome de um dos seus programas, hoje está de parabéns e a sua equipe também.

Já fui daquelas fanáticas do Herman que não perdia um segundo de qualquer performance dele (pelo menos na TV, uma vez que nunca o vi ao vivo) e fui seguindo, ao ritmo das gargalhadas o Tony Silva, a Filipa do "Cozinho com o Povo", o Nelito, o Estebes, a Supé Tia, a Drª. Rute Remédios, assisti ao Tal Canal assíduamente, amei o Humor de Perdição (ainda tenho a letra da música), o "C.R.E.D.O." etc., etc.
Com os talk shows e os concursos fui me desinteressando, talvez porque não aprecio muito nenhum dos formatos, apenas prestando atenção aos sketches, que continuavam a marcar. O Herman SIC é um programa a que já assisti fielmente e a que também já me recusei a assistir mas que ultimamente apenas vou ouvindo quando estou no computador, noutra divisão. Cansei-me um bocado.

Hoje fiz questão de assistir ao programa/festa-de-aniversário-surpresa por causa da promessa de que ele não fazia a mínima ideia do que se ia passar, e fiquei bastante satisfeita.

As reacções dele foram boas e honestas, não foi demasiado exibicionista, deixou-se levar, obediente, pelo que fora planeado. Voltei a ver Herman José e Júlio Isidro juntos como deve ser, a relembrar o Passeio dos Alegres (pena que Júlio Isidro tenha sido vergonhosamente afastado da televisão), voltei a ver Herman no seu duo com Nicolau Breyner "Sr. Feliz e Sr. Contente", que foi o primeiro sketch que o vi fazer e que me punha, junto com o meu irmão, a imitá-los, mas vi muito mais:
Vi um excelente trabalho de excelentes profissionais, a prova de que temos muito boa gente a fazer televisão e de que Herman é como a Madonna: rodeia-se dos melhores. A prova maior ainda é de que já não é preciso ser Herman-ó-dependente para fazer humor e boa disposição nesta TV nacional, que apesar da homenagem ser a ele, há muitas e boas cabeças por trás de tudo aquilo.
Também mostrou que sempre tivemos excelentes profissionais na divertida apresentação de Mário Crespo e nalguns depoimentos, como o de Carlos Pinto Coelho, e que talvez não devessem ser esquecidos.

Parabéns especialmente a quem planeou e produziu este programa em particular, por levantar um bocadinho do véu de uma profissão extremamente dura e trabalhosa, que é fazer televisão, cujo lado que passa para cá é só o glamour e pouco mais. O programa foi sóbrio, bem planeado e nada pretensioso, o que é pouco frequente, principalmente na SIC.

http://sic.sapo.pt/online/programas/herman%20sic

SIC
dom. 22:00

18 março 2006

Gato Fedorento 90210

O trailer da nova série do Gato Fedorento (Lopes da Silva) na RTP é simplesmente fe-no-me-nal!

Amei a colagem ao Beverly Hills 90210, a música, as poses, as cores das roupas, o ar feliz! Com um trailer destes, a série promete mesmo!

Os moços já têm a reputação, o sucesso, a fortuna (assim espero) e foram "comprados" pela RTP, o que só adiciona pontos a ambos. A RTP conquista um segmento do público açambarcado pela SIC e o Gato ganha o prestígio da estação.

http://gatofedorento.blogspot.com/

RTP1
estreia dia 24 deste mês (deve ser lá pelas 22:00)

13 março 2006

Light

Eu pensava que com "manteiga light" as modas alimentares tinham chegado ao supra-sumo, mas o que vi hoje num supermercado faz-me rir até agora: AÇÚCAR LIGHT!!!

O mais estúpido é que a composição não era outra senão açúcar, mas nas instruções de uso dizem para "em vez de 100gr, usar 66gr". Como é que raio vou medir 66gr numa balança de cozinha??? E quem não tem balança? E se quiser adoçar um café? Em vez de uma colher, coloco 66% de uma colher?

Enfim, as modas alimentares dietéticas (que provávelmente de dietético têm pouco) já passaram pelo Aloés, Chá Verde, Ginseng, Gingko Biloba, Bifidus, L Casei Imunitass, agora andam um bocado pelos cereais integrais e mais hão de vir, com certeza. O mais grave disto tudo é que na maioria das vezes são tão sintéticos como qualquer Coca-Cola e sabem a tudo menos o nome que está a letras garrafais no rótulo! Ao menos a Coca-Cola sabemos que é sintética, que bem à saúde não há de fazer e sabe a Coca-Cola!

Para contextualizar isto num blog sobre TV, é só olhar com um bocadinho mais atenção os intervalos nos canais generalistas, que são onde mais publicidade a este tipo de produtos passa.

09 março 2006

You Tube

Já não é a primeira vez que lá vou parar, e os vídeos que vi são fantásticos. É um excelente modo de ver TV no computador.
Recebi este por e-mail, é longo mas incrível!


God is a DJ! (Spin - Double Edge)

08 março 2006

5 gajos BONS 2006

O ano passado fiz um top dos 5 gajos BONS a passar na TV portuguesa para assinalar o dia internacional da mulher. Este ano resolvi tornar isso numa tradição e actualizar a tabela.

Os brasileiros continuam em alta, mas há alterações e desta temos mais norte-americanos que no ano passado.

1. Reynaldo Gianecchini
O homem continua lindo e desta vez está no ar na novela Belissima, na SIC, como o mecânico bronco Pascoal. Há qualquer coisa em ver um tipo como o Gianecchini, normalmente a fazer de menino bonito e galã de classe alta, como um bronco. Fica-lhe bem e o tipo tem jeito para a comédia! Pena a novela ser um bocado chatinha...


2. William Petersen
Continua por cá, continua sedutor, o seu Gil Grissom continua interessante. Há pouco tempo revi-o num daqueles thrillers de 2ª em que faz de pai da Alicia Silverstone, também era uma personagem interessante e carismática se bem que nem sempre agradável. Na semana passada deu o(s) episódio(s) (escrito(s) e realizado(s) por Quentin Tarantino) Grave Danger vol.I e vol.II do CSI, que o AXN inteligentemente passou em conjunto, não fosse alguém perder um deles, é capaz de ter sido a primeira vez em que vimos algo parecido com o Grissom a emocionar-se.

3. George Clooney
George Clooney está na berra, George Clooney ganhou o Oscar para melhor actor secundário. Para mim é daqueles gajos bons que foi sempre ficando ali, ao canto do olho, mas sem proeminência. Como simpatizo com ele, acho que mereceu o Oscar e talvez merecesse mais, continua no E.R. no AXN e também simpatizo com a sua postura política (não há de ser fácil para um galã de Hollywood), este ano entra para a tabela.

4. Alex Atala
Está ou esteve recentemente em Portugal e continua na minha galeria pois continua a provar por A+B que é inteligente. E é ruivo!






5. Martin Landau
Não é o Martin Landau de agora (se bem que continua interessante e bom actor), mas sim o Martin Landau do Espaço: 1999. Está aqui porque o Espaço: 1999 é a minha série de TV favorita e está no ar na SIC-Radical, mas também porque me relembrei da imagem que me ficou dele dos tempos em que vi a série pela primeira vez: um tipo moreno, com feições invulgares e interessantes, com aquele ar de inatingível...

É só charme!

06 março 2006

Oscar, o cenário

A foto não lhe faz justiça, na maioria das vezes as linhas eram mais geométricas, foi o que se pode arranjar. Para quem não viu, é imaginar o cenário que vivia na imaginação dos cenógrafos dos musicais dos anos 30 com Fred Astaire (a preto e branco).

Oscar ao som de rap?

Já acabou a cerimónia dos Oscars... Depois de alguma ansiedade provocada pelos nomeados, com mensagem política forte (e de esquerda!) ou gay, a Academia conseguiu fugir com o rabo à seringa e atribuir o menos possível Oscars aos nomeados mais polémicos. Não posso ser muito crítica com esta atitude, perante o estado normal conservador da Academia, já é um brinde as nomeações terem sido como foram e houve algumas surpresas bem agradáveis:
Wallace & Gromit, uns velhos favoritos meus, venceram e muito bem na categoria de longa de animação (por mais que goste de Miyazaki, Howls Moving Castle ficou muito aquém dos seus trabalhos mais medianos), George Clooney como actor secundário (como ele próprio disse: pena não ser para melhor realizador), Philip Seymour Hoffman (não é um galã, interpretou uma personagem estranha quase extraterrestre, pouco acessível ao americano comum) e o rap It's Hard Out Here for a Pimp (título excelente!) que para além de ser um rap a vencer melhor canção (já é bem esquisito) tem um título mais políticamente incorrecto que qualquer dos filmes nomeados!

Infelizmente eu tinha alguma razão em achar que Memoirs of a Geisha é filme para americano ver. Apesar de os nomeados nas categorias em que venceu o Oscar serem até talvez melhores ou mais interessantes (não os vi a todos), o hype que tem assolado o ocidente e os Estados Unidos de que tudo o que é nipónico é interessante, exótico, eventualmente inatingível, e , claro, fashion, fez com que vencesse em todas as categorias visuais: melhor guarda-roupa, melhor design de produção e melhor direcção de fotografia. É pena, é um caso claro de filme-postal-ilustrado (para enviar para Hollywood).

Gostei do apresentador, Jon Stewart, foi competente, teve bom timing, piada e sem exageros cansativos. A cerimónia, continua em fast forward mas teve um pouco mais de glamour que o ano passado e, felizmente, abandonaram algumas regras extravagantes, tal como atribuir Oscars na plateia, que quebravam o ritmo da cerimónia apesar de a acelerarem no cronómetro. As montagens de video tanto as iniciais ou mais sérias, homenagem aos filmes em excelentes efeitos 3D e digitais, ou a dos apresentadores a recusar apresentar a cerimónia, como as irónicas, a gozar com os lobbies aos filmes, actores, etc., estavam todas melhores que nas últimas edições. Ben Stiller a gozar com os écrans verdes... tava demais!!!
Last but not least: AMEI o cenário! Talvez pela primeira vez o cenário é verdadeiramente bom e bonito, inspirou-se directamente no cinema e nas salas de cinema dos anos 20-30. Utilizou de forma inteligente um écran de video a fazer de letreiro de sala de cinema, para legendar os nomes dos apresentadores e nomeados. Toda a decoração tinha um estilo Art Déco lindíssimo que lhe ficou muito bem. Se entretanto encontrar alguma fotografia do cenário, vou tentar colocá-la aqui.

http://www.oscar.com/

05 março 2006

Anne com E no fim

E eu a pensar que não me ia manifestar aqui antes dos Oscars...

Já tinha reparado que no M6 (que raramente vejo) estava a dar, infelizmente dobrada em francês, a série Anne of Green Gables.

Confesso-me uma fanática desta série: li e tenho os livros, devorei a série de anime e devorei mais ávidamente ainda a excelente série de TV. O que vi hoje foi um dos episódios da série, que não é verdadeiramente uma série (apesar de ter sido transmitida assim na RTP2) mas sim uma série de três filmes que contam as diversas fases da vida da órfã ruiva, Anne Shirley. O primeiro conta a sua infância e adolescência em Avonlea e Green Gables (mais ou menos a fase retratada no anime Ana dos Cabelos Ruivos), o segundo o seu percurso como estudante e jovem professora e o terceiro (aqui um pouco diferente dos livros) a sua vida adulta e familiar depois de casada com Gilbert Blythe.

Apesar da (bastante boa) dobragem em francês, o magnetismo e as saudades desta excelente série levaram-me a ver o que restava do episódio (acho que é o mesmo formato transmitido por cá), onde Anne volta para Avonlea, depois de uma fase como professora em Kingsport, para um Gilbert gravemente doente, com quem se reconcilia. Sem dúvida que esta série é excelente, a história é muito romântica e comovente, não sendo de modo algum lamechas, e com humor. Anne é uma personagem bastante rica e positiva, e apesar das poucas perspectivas iniciais de vida (orfã rejeitada) e de uma tendência para exagerar e dramatizar nas reacções, ela luta pelo que quer e nunca deixa que a tratem como uma coitadinha.

São três experiências diferentes com a mesma história (os livros, o anime e a série de TV/filmes), acho que todas se complementam e enriquecem uma obra muito cativante. O que valoriza e muito a série, para além de uma excelente e cuidada produção, é o desempenho dos actores principais, começando pela carismática Megan Follows que faz de Anne.

http://www.anne3.com/

M6
[não percebi quando é suposto dar... acho que o canal era o M6]

03 março 2006

British english!

Apesar de andar a ver mesmo muito pouco a TVI (será que é porque já não dão os X-Files e outras séries de culto?), tenho "esbarrado" de madrugada com um magazine de cinema, o Cinebox.

Do Cinebox não tenho nada a dizer, é mais um magazine de trailers de filmes maioritáriamente americanos. O meu comentário e parabéns vão para a apresentadora e jovem actriz, Daniela Ruah, que, talvez seja a primeira apresentadora portuguesa de um magazine que diz correctamente os nomes em inglês sem acrescentar "H" onde não os há e eliminá-los onde deveriam ser lidos (leia-se: aspirados).

Este talento não é gratuito, como o apelido da rapariga o indica, ela tem uma ligação com algum país estrangeiro (acho que li algures, em tempos que viveu na adolescência em terras de Sua Majestade) que justifica a sua pronúncia perfeita. Já me tinha deixado muito boa impressão como actriz na novela da TVI, Jardins Proibidos, espero que continue assim, talentosa e sóbria.

http://www.imdb.com/name/nm2079733/

TVI
[o site da TVI é deficiente físico e mental, não tem informação sobre o programa, somente que é semanal]

23 fevereiro 2006

Kitsch no gelo


Tal como o ballet, a patinagem artística faz parte do imaginário infantil feminino e eu não fugi à regra. Sempre gostei de patinagem artística apesar de, dissecando bem as coisas, ter imensos factores para achar piroso: os fatos na maioria bastante pirosos, com excesso de lantejoulas ou desenhos rebuscados, a escolha musical que, quando não é de música clássica vai demasiado em modas e é, normalmente, antiquada abusando de Vangelis ou Vanessa Mae, etc., etc.

Mas também há muitos factores para gostar: nem sempre os fatos são assim tão maus, por vezes a música é bem montada e escolhida para o programa feito pelo(s) patinador(es), a parte atlética, técnica e artística costuma ser espectacular e sempre gostei de andar de patins e, sempre que tenho oportunidade, faço-o no gelo onde é particularmente interessante mas mais arriscado (atrito zero).

Apesar de já acompanhar o melhor que podia os campeonatos (em particular os pares e individuais femininos e masculinos), foram os Jogos Olímpicos de Sarajevo, em 1984, que pude ver na íntegra, pois não vivia em Portugal, e o auge do sucesso da fantástica Katarina Witt que me fidelizaram de vez!

Desde aí, sempre que posso (agora, graças ao Eurosport, é bem mais fácil) vou acompanhando os Europeus, Mundiais e, claro, Jogos Olímpicos de Inverno. Não é só patinagem que tento ver nos Jogos Olímpicos, mas é a minha modalidade preferida. Sempre que dá, vejo as arriscadas corridas de tobogã, saltos na neve, slalom, corrida em patins e até os triatlos e afins. Este ano reparei em duas, novas para mim, modalidades: algo parecido com snowboard (que gostava de experimentar um dia) e uma modalidade estranhíssima, que provávelmente é bem antiga e tem tradição, o curling.

Na patinagem fui acompanhando ao longo dos anos a carreira da já mencionada Katarina Witt, os sucessos do muito parodiado pelo South Park, Brian Boitano, e vários casais de pares na maioria canadianos. Este ano as regras mudaram, a pontuação é de certa forma secreta (não sabemos quem vota quanto em quem, só os totais) e finalmente são permitidas calças, ou bodys, às mulheres em individuais femininos. O escândalo que foi Katarina Witt, num programa curto, ter usado bermudas pois a música utilizada era Mozart. Por incrível que pareça os fatos também pontuam e ela foi, nessa altura, penalizada por isso! É bom ver que as regras estão menos conservadoras.

Este ano gostei da italiana Carolina Kostner, estava bem vestida, teve uma boa performance, com uma coreografia bem interessante e criativa, a música era o Inverno de Vivaldi (nada mais adequado) e, apesar de uns desequilíbrios e faltas de cálculo, para quem é novata e estava a competir em casa, portou-se muito bem. Também gostei da campeã, a japonesa Shizuka Arakawa, foi muito sóbria, comedida, certinha, mas também impecável e segura. Longe vão os tempos que o Japão apresentava excelentes patinadoras na parte técnica, mas que deixavam muito a desejar na parte artística. Midori Ito, a primeira a fazer história, era muito forte, uma máquina, mas muito feinha e atarracada. Arakawa é bonita elegante e muito suave. Gostei do modo como reagiu ao saber que tinha vencido o ouro.

Pena nisto tudo é agora o Eurosport ser em português. Não tenho absolutamente nada contra os comentários em português, mas as duas comentadoras da patinagem (também o fazem para a 2:) até podem perceber muito do assunto, mas não têm piada nenhuma, enganam-se nos nomes, nas músicas, nomes de técnicas e sei lá que mais, e há um ou dois anos até discutiram de microfone ligado, lamentável... Tenho saudades dos dois comentadores ingleses de patinagem. Os dois eram extremamente exfusiantes e quando gostavam, gostavam mesmo, era tudo fantastic e fabulous!

Ainda falta ver a Gala dos campeões onde todos estão mais calmos e tranquilos e aproveitam para mostrar habilidades que nas competições não podem.

http://www.torino2006.org/

Eurosport
Gala
24.02.2006: 19:30
25.02.2006: 13:00

21 fevereiro 2006

Os anos 60 (e 70) produziram filmes muito estranhos...

Hoje vi um filme mesmo muito estranho, no Canal Hollywood, de 1970: Brewster McCloud, de Robert Altman.

Nunca gostei muito do estilo de Robert Altman mas este filme sai completamente fora do seu estilo mais comum. É um filme estranho sobre um rapaz obcecado em voar como um pássaro, que não olha a meios para concretizar o seu sonho, inclusive roubar ou matar.
Como os obstáculos se vão colocando à sua frente, os assasínios também se vão multiplicando o que origina a que um grupo de polícias, mais ou menos cépticos e broncos, liderados por um investigador quase tão obcecado como Brewster, ande atrás dele. Apesar do tema de obcessão e crime, o filme é nos contado num tom irónico e de comédia surrealista descomprometidos, bem ao estilo dos filmes europeus do final dos anos 60, como o seu exemplo máximo, Blow Up, de Antonioni ou mesmo os filmes de Peter Sellers.
Também, como bom filme dessa época, a sua direcção artística e fotografia são cinco estrelas, sem mácula, com um cuidado gráfico particularmente interessante. A camisola que Brewster usa é às riscas horizontais vermelhas e brancas, os cenários têm cores fortes sobre fundos mais neutros, como cinzentos e azuis metálicos, a maquiagem de uma novíssima Shelley Duvall é de fazer inveja a Malcolm McDowell na Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.

Claro que este filme não se compara em qualidade a nenhum dos acima mencionados, mas é estranhamente divertido e tem um final, de certa forma, aberto, desmontando qualquer aspecto realista que o espectador quisesse encontrar na história.

http://www.imdb.com/title/tt0065492/

Este mês, no Canal Hollywood

16 fevereiro 2006

Verdadeiro Japão?

Finalmente consegui ver o Memoirs of a Geisha, parecia que estava fadado que não visse o filme, mas consegui contornar o destino.

Vou desde já dizendo que sou uma das puristas que encarava este filme com o olhar mais céptico possível. Mas também não me posso esquecer que o livro do qual o filme é adaptado não é nada mais que um romance. Um romance empolgante, mas assim mesmo um romance e escrito por um americano, não um japonês. Apesar de não parecer por estas palavras, eu gostei do livro, mas sou mais exigente ainda com o que leio e acho que sei distinguir entre uma obra-prima ou um clássico e uma leitura mais acessível e popular. Para deixar muito claro: o livro, para mim, não é nenhuma maravilha da literatura, mas é muito interessante, envolvente e lê-se de ponta-a-ponta num instantinho, mergulhando-nos lindamente naquele universo intrigante e misterioso.

Sómente ao ver as fotografias do filme e com o que li e pesquisei sobre o tema já havia duas ou três coisas que me punham a desconfiar:
A primeira são os penteados. Não faço a mínima ideia onde os foram buscar, mas em nenhum postal ou fotografia, seja de geisha, seja de outras mulheres, nos anos 20-30 no Japão (e há muitos, documentação não falta), nunca vi penteados semelhantes, de certa forma até tive pena de não ver o clássico penteado que associamos às damas japonesas e às geishas, aquele em forma de meia-lua.
A segunda coisa é o facto de terem escolhido actrizes chinesas e não japonesas. Aqui entra um factor BEM concreto: vestir kimono (e andar nele) não é nada fácil, limita os movimentos e obriga a uma postura específica. Sendo as geisha (juntamente com os actores de kabuki) as grandes especialistas em vestir kimono de forma elegante e sensual, difícilmente alguém de outro país que não o Japão, que não tenha crescido minimamente dentro desse universo cultural, consegue, num curto espaço de tempo, aprender devidamente a mexer-se dentro de um.
A terceira foram as fotos das ruas de Quioto. Quioto tem a chamada "planta urbanística chinesa" que significa que o seu urbanismo se desenvolve em quadrícula a partir de uma avenida, eixo central, que levava ao Palácio Imperial. Por isso mesmo, a grande maioria das suas ruas (principalmente as mais largas) são rectilíneas e muito pouco labirínticas, como nos são mostradas no filme, em que parecem uma chinatown "vestida" de arquitectura japonesa. Gostei do cartaz.

O livro está relativamente bem adaptado, na sua história, ao formato de filme, perdendo muito (é claro) nos detalhes e subtilezas, tão bem descritos por Arthur Golden. Como a compreensão daquele universo por quem faz o filme é bem menor e envolveu, de certo, muito menos pesquisa, a magia e fascínio que transparece no livro, é inexistente no filme. As actrizes são realmente muito boas actrizes e provam-no diversas vezes neste filme, mas não são bem dirigidas nem bem informadas sobre as subtilezas inerentes a terem de representar geisha. Ao tentar fazer deste filme um espectáculo visual e não lendo bem nas entrelinhas deste universo tão subtil, Rob Marshall esticou o filme até mais não, perdendo-se na suposta exuberância, tornando o filme demasiado longo e lá para o fim, mesmo secante. É tudo muito bonitinho, mas pouco envolvente, acho que é daqueles filmes que, se marcar, vai marcar apenas pelo seu exotismo e pouco por ser um bom filme (não o é).

Agora às picuinhices da preciosista que sou eu:
Irritaram-me: as pestanas postiças (demasiado encaracoladas e visíveis) de Zang Ziyi, o erro magistral de porem Hatsumomo, uma manhã, com o kimono traçado ao contrário. Num universo tão supersticioso, como é este das geisha, é um erro mesmo muito grave. O kimono ata-se SEMPRE a parte esquerda sobre a direita, se porventura for atado ao contrário significa que a pessoa ou está morta ou é um fantasma. Como atar um kimono, para quem o veste como especialista e todos os dias há de ser um acto reflexo, é de todo impossível que tal pudesse acontecer na realidade, por mais desleixada que fosse a geisha. Depois ainda há a maquiagem (já não falo mais dos cabelos) que não é a maquiagem normalmente usada pelas Maiko (aprendizes de geisha). Todos os elementos decorativos (maquiagem, penteados, ganchos, pentes, kimonos, obis, etc.) têm um significado e razão de ser, no filme só o desenho na nuca foi respeitado, à frente o eyeliner dos olhos não fazia sentido absolutamente nenhum (nem sequer se usava assim no mundo ocidental, naquela época), faltava o toque de carmesim nos olhos, o rosa nas maçãs do rosto e os lábios pintados parcialmente como numa boneca (basta "googlar" maiko ou geisha nas imagens e ver o resultado). "Last but not least" os kimonos. Os kimonos eram todos lindíssimos e verdadeiros (vinham de colecções privadas) mas quem os vestiu não o sabia fazer como deve ser ou então foi-lhe pedido para o fazer assim. Os ombros de Zang Ziyi eram sempre demasiado proeminentes e virados para a frente, Mameha (Michelle Yeoh), apesar de geisha, é mais velha e portanto não mostraria tanto as costas (aquilo já não é só a nuca, que é o que é suposto mostrar, porque é sensual), que aliás nem geisha nem maiko nenhuma a mostra daquela forma. Na grande maioria das vezes os kimonos foram vestidos de forma muito (demasiado) desleixada e elas, definitivamente, não se sabiam mexer dentro deles, mostrando demasiado os braços (nem os pulsos é suposto mostrar) e por vezes até as pernas. O culminar deste desleixo ocidental é a dança de Sayuri, muito elogiada pela crítica, mas que de dança tradicional japonesa não tem rigorosamente nada, se tiver algo de japonês talvez tenha mais a ver com kabuki, e e... Os especialistas que me desmintam, mas acho que estou a dizer a verdade. Aqueles movimentos largos, rodopiantes, de braços estendidos e a pose final, qual ginasta acrobática, nem sequer têm um ar japonês não fosse ela estar vestida de kimono e ter cara de oriental.
Rob Marshall e a sua equipa "desculparam-se" variadas vezes a dizer que quiseram fazer a "sua" versão daquele livro e daquele universo. Ao menos Arthur Golden passou anos a fazer pesquisa...

Há uma semana e qualquer coisa, deu na RTP1, uma adaptação ao cinema da ópera de Puccini Madama Butterfly, simplesmente fa-bu-lo-sa! Tal como em Memoirs of a Geisha lá tudo era falsificado, as cantoras principais eram todas chinesas, os cenários eram (vejam só!) na Tunísia, o realizador é francês (Frédéric Miterrand), mas com a enorme diferença de que lá tudo parecia mais que verdadeiro. Elas pareciam japonesas de gema, todo o guarda-roupa era muito bem usado e vestido, as casas eram mais que convincentes e, melhor que tudo, numa ópera que resvala fácilmente o melodrama de lagriminha ao canto do olho, o filme era de uma tal sobriedade e excelente interpretação (as cantoras são muito premiadas) que saiu um resultado mesmomesmo muito bom!

http://www.sonypictures.com/movies/memoirsofageisha/
http://www.imdb.com/title/tt0113731/ (Madame Butterfly)

04 fevereiro 2006

O perfeito disparate

Hoje à tarde vi mais um episódio do Monty Phthon's Flying Circus... Foi mais uma sessão de riso non-stop.

É só para dizer que nem as Britcoms mais brilhantes (das mais recentes) resvalam o puro divertimento, com piadas que são verdadeiros disparates sem pretensiosismo algum, como eles!
A falta de linearidade com que os sketches aparecem nos episódios é simplesmente brilhante!

Enfim, NUNCA me canso de dizer bem dos Monty Python!

http://www.pythonline.com/

RTP-Memória
algures num sábado qualquer (à tarde)

29 janeiro 2006

Plágio ou remake? Seja como for...

Comecei há bocado a ver o filme Mitos urbanos II na SIC, mas de repente tive uma vaga sensação de déja-vu, lembrei-me do filme de Alejandro Alménabar, Tesis.

Olhando para as datas... Urban Legends é posterior, deixa muito que pensar...

Apesar de a história não ser exactamente a mesma (não é um remake assumido) há semelhanças demasiado flagrantes:
Ambos os filmes começam do mesmo modo, com uma reunião geral num auditório em que os alunos de uma escola de cinema comentam no gozo o que se está a passar e uma rapariga, a protagonista, protesta com o alarido.
Ambas as protagonistas fazem, para o filme da tese final, um projecto baseado em histórias de terror que correm pela escola. Ambas se baseiam em conceitos de psicologia para investigar, ao início, os temas. etc., etc., etc.....

Enfim, a lista há de ser longa, já vi o Tesis há um tempo e não prestei muita atenção a este filme a partir do momento que tive a dita sensação de déja-vu.

O que quero afirmar é que tenho pena que os americanos tentem colmatar a flagrante falta de inspiração crónica com remakes ou plágios abaixo de cão, mal feitos e cheios dos preconceitos, moral conservadora e idiotices, que tornam os filmes americanos mais populares medíocres. Pena realmente, principalmente porque estes remakes medíocres são mais vistos e mais vezes repetidos nas televisões do que filmes de muito melhor qualidade, falados em línguas que normalmente não são o inglês e de longe muito menos conhecidos. Pena que o mérito de bons filmes fique por tão fracas mãos alheias...

Para acrescentar ao Tesis e Abre los ojos (também de Almenábar), que deu num fracote Vanilla Sky e deveu a sua fama a Tom Cruise, ainda há os variados filmes japoneses de terror como The Ring, The Ring 2, Ju-on, etc... A lista parece crescer cada vez mais e a cada vez os americanos são mais óbvios na fotocópia, até os realizadores originais vão buscar!

http://www.imdb.com/title/tt0117883/ [Tesis]
http://www.johnottman.com/projects/directed/urbanlegend2/ [Urban Legends: Final Cut]

23 janeiro 2006

Dr. Quem??

Pois é, está a dar, no People + Arts, a nova série do clássico britânico Dr. Who.

Os portugueses não viram esta série, se bem que eu tenho uma lembrança muito vaga de vislumbrar um Dalek na RTP, algures nos anos 70. Alguma imagética que me chegou aos olhos nos anos 70 e 80 despertou-me uma pequena curiosidade. Nos anos 90, quando visitei o MoMI (Museum of Moving Image) em Londres finalmente vi um Dalek (e um manequim do Dr. Who) ao vivo! Também me ficou no ouvido a versão da música da série, dos KLF.

Mais recentemente vi o primeiro episódio da nova série em casa de um amigo e, para além de me ter divertido bastante, a sensação que me deixou foi que era perfeitamente passável algures ao fim da tarde ou ao fim de semana num qualquer canal generalista (e não por cabo) português, e ainda uma certa nostalgia desse ambiente britânico-londrino, sarcástico e muito cockney. Quis ver mais!

Não é uma série muito adulta, mas também não é própriamente juvenil. Talvez possa ser assistida por todas as idades, mas, quem gostar das séries inglesas, sejam elas britcom, adaptações de clássicos ou séries infantis, acho que vai se divertir a ver este Dr. Who.

A série começou esta semana, já lá vai o primeiro episódio, mas como o People + Arts não se inibe em repetir os seus programas até à exaustão, é bem provável que volte a dar.

http://www.bbc.co.uk/doctorwho/ [série nova]
http://www.bbc.co.uk/doctorwho/classic/ [série clássica]

People + Arts
6ª, 02:30, 06:30, 15:00
sáb. 06:00, 14:00, 21:30

19 janeiro 2006

Respeitinho é bom e agradece-se!

Retiro o que disse, no post anterior, sobre a série Espaço:1999 ser finalmente, após 30 anos, passada na TV com o devido e merecido respeito.

Apercebi-me, nesta segunda semana de transmissão que NÃO ESTÃO A DAR OS EPISÓDIOS NA ORDEM CORRECTA!! "Force of Life" é o episódio 9 e não o 2!!

Tratem disso, SIC-Radical, ok??

12 janeiro 2006

Moonbase Alpha


Aconteceu! Aconteceu! Sabia, que desde que a SIC-Radical começou, que Francisco Penim, fã da série, queria transmitir o Espaço:1999! Tinha 'inside information' e também pelo Águia que aparece no bloco TV de Culto.

Já escrevi aqui sobre a minha série de TV favorita, e, como disse, tenho em DVD, com extras, posso vê-la, até com melhor qualidade, quando quiser. Mas há qualquer coisa de fascinante em não termos o controle de quando vêmos as coisas na TV, é como quando se vê, pela não-sei-quantésima vez, um filme de que gostamos, simplesmente porque está a dar. Mas o melhor de tudo é a série ser de novo reposta, com um outro tipo de critério e respeito, há muito merecidos, que só teve da primeira emissão em 76, quando a TV portuguesa ainda era a preto e branco.

É fascinante ver que os efeitos especiais são tal forma bons que teimam em não envelhecer e as histórias, apesar do ritmo bem diferente, continuarem a ser tão boas!

A não perder, ainda esta semana o primeiro episódio, só falta domingo!


http://www.space1999.net/

SIC-Radical
3ª, 10:00
5ª, 14:30
dom. 15:00

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