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17 janeiro 2026

Ari Aster Não É Para Mim

E quem diz Ari Aster, diz Greta Gerwig ou a recém-descoberta (por mim) Emerald Fennel.

Em relação ao Aster, já tinha visto o Hereditary no MOTELx há pouco tempo e tinha chegado à conclusão que não é para mim. Da Gerwig vi o Barbie e da Fennel vi recentemente o Saltburn.

Acho os três cineastas extremamente pretensiosos e que se escondem por trás de uma estética exótica muito estilizada que chama a atenção sobre si. Mas os filmes, espremidinhos, não deitam grande sumo.

Como disse, cheguei a Ari Aster pela porta do Hereditary e acabei de ver o Midsommar. Já tinha achado o Hereditary muito vazio, salpicado de uns quantos jump scares e algum gore. Já Midsommar é mais limpinho, o gore minimizado ou à distância e o conteúdo: zero. Sim, joga com uma estética solar e poético-pastoril para chocar com o ambiente soturno habitual dos filmes de terror, mas não me cativou o interesse, nem assustou, nem encandeou. Serviu como veículo para a ribalta de Florence Pugh, que é uma excelente actriz, mas de quem já vi performances bem melhores.

Greta Gerwig e o seu feminismo delicodoce irritam-me. Little Women é anacrónico e pouco interessante. Hão-de viver sempre na minha cabeça as adaptações de George Cuckor (com Katherine Hepburn) ou Gillian Armstrong (com Winona Ryder). Ou até mesmo o anime da NHK. Barbie não me aqueceu nem arrefeceu. Nunca fui fã da boneca e quando começou aquele Oscar clip (sic. Wayne's World) feminista final só me apetecia arrancar os olhos... credo, que coisa mais cliché! Para além disso detesto cor-de-rosa!

Cheguei a Emerald Fennel através da adaptação, ainda por estrear, do meu livro preferido, Wuthering Heights. Nesse trailer vejo coisas visualmente interessantes, mas que não remetem, nem remotamente, para o livro, para o Yorkshire lúgubre e muito menos para a época em que se passa a história (séc. XVIII) ou em que viveram as Brontës (séc. XIX - a grande maioria das adaptações oscila por essas épocas). O filme parece uma fantasia estilo fanfiction/Cinquenta Sombras, vagamente inspirada no livro... Nem as idades dos actores batem certo. Recentemente vi Saltburn para ver o que a casa gasta e tirou-me TODA a vontade de ver Wuthering Heights no cinema. Primeiro pensava, enganada, que o título era uma metáfora a como "queimaduras de sal" ardem para caraças. Não, é o nome da propriedade onde se passa a história. E depois a história deixou-me a mesma sensação de vazio que os filmes dos cineastas anteriores, talvez com uma pequena excepção para Gerwig, que gosta de puxar uma lagriminha de vez em quando.

O que me irrita é que todos estes realizadores "vendem" emoções profundas, intensidade de cortar à faca, desejos proibidos, que depois resultam numa linha do coração plana ________

Não vou pagar para ver este novo Wuthering Heights, só vejo num sábado à tarde de ressaca, na TV. Os outros realizadores, vou evitá-los.

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