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18 agosto 2019

Filmes da Madrugada

À noite, antes de ir dormir, tenho tentado ver filmes. Como agora não vejo TV em directo, e se não vejo o anúncio a algum filme que queira ver, seja nos intervalos de séries que esteja a ver ou pelas redes sociais, o meu método de busca é o mais simples de todos: na box, através das listas de filmes a dar "agora", "antes", "ontem", "nos dias anteriores". Na maioria das vezes acabo a rever algum filme que corresponda ao apetite do momento, ou um filme qualquer da treta, em geral uma comédia romântica sem grande intriga, para ajudar-me a adormecer. Mas pelo meio tenho visto alguns filmes que não tive oportunidade de ver em sala ou apanho algumas surpresas. Gravados, para rever com atenção, tenho: A Clockwork Orange, Kaze Tachinu, Tonari no Totoro, Christine, Shining, Les vacances de M. Hulot, três James Bond com Roger Moore, incluindo o meu primeiro Bond: The Spy Who Loved Me e Playtime. O canal que mais me surpreendeu até agora foi a SIC Caras, onde em geral só tenho visto cerimónias de entrega de prémios ou um ou outro biopic, mas onde acabei por ver dois filmes que adorei.

Hidden Figures, deu na SIC Caras, que acabei por não ver em sala, é melhor do que pensava. Estava sempre a lembrar-me do épico The Right Stuff, pois é um outro lado da mesma história, é o lado das mulheres negras programadoras que literalmente fizeram a diferença na NASA.
O elenco principal é forte e muito bem escolhido, isso, aliado a uma narrativa interessante e baseada em factos reais, faz do filme um bom filme. Para além do trio principal, com as maravilhosamente impecáveis (e implacáveis?) Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, gostei imenso do Kevin Costner, que em geral detesto, num papel muito comedido e onde justifica muito do hype à volta dele nos anos 90, de uma Kirsten Dunst amarga e que está longe de ofuscar as protagonistas e de um Jim Parsons, num papel que tinha tudo para ser uma reprise do Sheldon Cooper, mas que é o oposto, de um físico que não quer admitir que há alguém melhor que ele, ainda por cima mulher e, como se não bastasse, negra.
Como disse, o trio principal é forte e o desempenho impecável, as actrizes fizeram o que tinham a fazer: estavam ali três excelentes personagens e agarraram-nas com unhas e dentes. Mas gostei de ver estes três actores brancos, habituados a estar na ribalta e a ser protagonistas, com personagens o oposto do costume e onde conseguem brilhar ao deixar brilhar as protagonistas.
Hidden Figures

Outra surpresa na SIC Caras foi o filme Inkheart. Foi a sinopse que me chamou, acabou por ser uma belíssima surpresa. O elenco é conhecido, Brendan Fraser, Andy Serkis, Helen Mirren, mas o filme nem por isso. Creio que foi pouco promovido, mas é um filme delicioso.
Trata de uma história fantástica que tráz personagens de livros ao mundo real e de certa forma lembrou-me a História Interminável (o livro), mas as semelhanças acabam aqui. Não quero fazer spoilers, não vou contar a história, mas espanta-me que este filme tenha sido ignorado, numa época em que o género fantástico é tão popular. É uma história empolgante, muito original, um filme bem feito, bonito, tem bons desempenhos do elenco principal e até tem animais fofinhos: um furão e um terrier (Toto). Gostei muito da permissa à volta da escrita e da leitura, da família nómada por via das circunstâncias em paisagens lindas, sobretudo do norte de Itália. Gostei mesmo muito!
Inkheart

O terceiro filme surpreendentemente bom que vi numa destas madrugadas foi Dare to be Wild, já não me lembro qual canal, que retrata a história verdadeira de uma designer de jardins visionária irlandesa que consegue vencer um concurso chiquérrimo de jardins em Londres.
É mais uma história do underdog sem dinheiro a tentar vencer num mundo que não é o dele e que tem demasiadas regras cujo objectivo é manter esses underdogs longe desse mundo elitista.
O filme vale a pena pois é lindíssimo, tal como os jardins, a história é menos linear e mais empolgante do que parece e adorei ver um filme sobre um tema diferente.
Dare to be Wild

Apesar da ausência de filmes clássicos, onde a RTP Memória é a nossa única salvação, pois tenho tido vontade de rever musicais, como An American in Paris. Mas tenho visto alguma coisa no computador, apesar do tamanho do ecrã me atrofiar. O último filme que vi foi Daddy-Long-Legs, com Mary Pickford, que é uma muito melhor adaptação do livro de Jean Webster que o filme com Fred Astaire e Leslie Caron, percebi que foi inspiração directa para o anime dos anos 90!

22 julho 2019

Portais Estrelares - Parte II

Já fechei o círculo, já vi Stargate SG-1 inteira, mas ainda vou rever a 10ª temporada até ao fim, apenas para a ver em linearidade. Mas já posso fazer o meu comentário final.

Gostei bastante de rever a temporada do Parker Lewis, isto é, Corin Nemec, e apesar de achar a introdução da sua personagem, Jonah Quinn, bastante forçada, acabou por trazer alguns elementos para a narrativa, que foram desenvolvidos depois. Também forçado foi o retiro de Daniel Jackson, que volta e meia reaparecia, fosse em memórias, alucinações ou o próprio, sempre quando era mais conveniente. Prefero Corin Nemec como actor, apesar de ter melhorado ao longo da série, continuo a não achar o Michael Shanks grande coisa. Estas mudanças são os primeiros sinais do cansaço que se começava a notar em Stargate SG-1.

A mudança de arco, o retiro quase permanente de Jack O'Neill e do General Hammond, tornaram SG-1 numa versão algo previsível do que fora antes. Os Goa'uld, antes tão temíveis, não são realmente vencidos, tornam-se numa espécie de rivais caricatos dos Tau'ri, ora aliados, ora inimigos, mas nunca mais os inimigos de outrora. Sou só eu que achei o fim de Anubis anticlimático? Os Ori são deveras irritantes, a atitude quase sobranceira da equipa SG-1, que nos dá muito cedo a sensação que "OK, são poderosos, mas nós havemos de vencê-los", faz com que não haja sentido de urgência e que os episódios passem a ser vistos um bocado em piloto automático. Os episódios também se tornaram menos ricos em temática científica e variedade, seguem a fórmula do, "vão a planeta, encontram inimigo, resolvem problema, voltam para a Terra com mais algum dado para vencer os Ori." Apenas vão alternando entre Goa'uld e Ori, entre viajar através do Stargate ou de uma das naves que agora possuem, e perdeu-se aquela sensação de um David engenhoso contra um Golias sedento de poder. A introdução de alguma mitologia cristã, através da lenda do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, parece feita à pressa e esquivando-se o mais possível a comprometer os valores e crenças presbiterianos, a norma nos Estados Unidos. O agnosticismo, quase ateísmo, dos arcos narrativos anteriores perdeu-se e não conseguiram criar um enredo suficientemente inteligente. Será que os argumentistas principais mudaram? As mudanças, sobretudo de estilo, são imensas.

Stargate SG-1 aguentou razoavelmente bem as últimas temporadas, em parte graças ao outro inimigo, os Replicators, esses sim temíveis por serem impiedosos e com objectivos simples que desafiaram o intelecto dos protagonistas. Mas a corda foi sendo esticada, felizmente a série terminou antes dela quebrar. Ainda é uma das "minhas" séries de ficção-científica, a mistura de história e arqueologia com física e astronomia foi uma ideia genial, mas devia ter terminado mais cedo.

Só me falta a série Stargate Universe para terminar as Stargates todas, mas essa aparentemente não vai passar tão cedo no SyFy ou outro canal de cabo. É pena.

Stargate Command

01 julho 2019

O Kino-Pop e o Canal 180

Já tinha reparado naquele canal com um logótipo enigmático, na posição 180, mas por analogia ao antigo canal 18, apenas disponível a partir de certas horas, nunca pensei que fosse tão bom. Se não fosse os Arquivos Kino-Pop, de Edgar Pêra, irem passar nesse canal, nunca teria sequer tentado ver alguma coisa nele. Ainda só estou a começar a explorar, mas parece mesmo muito bom!

Tenho estado a adorar os Arquivos Kino-Pop, admito que com uma certa dose de nostalgia, pois eu estava lá, acompanhei directa ou indirectamente a maioria dos músicos ou bandas filmados, acho que só mesmo o Rão Kyao e os Delfins é que nunca vi ao vivo. E depois há muita coisa filmada na Catedral, o mítico Rock Rendez-Vous, onde quase toda a música moderna portuguesa e não só passava ao vivo durante os anos 80.

Conheço bem a filmografia do Edgar Pêra, conheço-lhe o estilo iconclasta há muitos anos. Não gostei à primeira, mas crescer é bom e deu-me olhos para apreciar o trabalho dele, que actualmente sigo com atenção e gosto muito. O seu estilo é perfeito para o formato desta série de pequenos registos documentais de vários músicos da praça, muitos deles fundamentais para a história da música pop-rock e experimental portuguesa. Mas os episódios que mais gostei foi onde se notou cumplicidade, como o de Manuel João Vieira, ou onde a música é mais experimental, como Nuno Rebelo, Vítor Rua, Rui Pregal da Cunha ou mesmo Farinha Master. O rock, Edgar filma com algum distanciamento e de forma mais convencional. Parece que algo não encaixa totalmente.
Penso que é muito engraçado acompanhar uma pequena fatia das vidas daqueles músicos, mesmo quem nunca os tenha visto ao vivo, apreciará, sobretudo porque ao contrário de documentários mais convencionais, nos Arquivos Kino-Pop ouve-se muita música!

Sábado passado, dia 29, houve uma maratona de todos os 13 episódios dos Arquivos Kino-Pop, aproveitem para ver e gravar.

Canal 180
Arquivos Kino-Pop (Facebook)

27 junho 2019

Jogo de Cadeiras

Antes de começar este post acerca de Game of Thrones, tenho de declarar que não gosto da narrativa, via a série sobretudo por causa dos valores de produção, design de produção, guarda-roupa, direcção de fotografia, efeitos especiais e por causa do elenco. Ah sim, e do genérico, que era um regalo! Finalmente, este post pode conter spoilers das várias temporadas, incluindo a última, portanto, se não querem ser spoilados, não avancem.

Antecipei esta última temporada de Game of Thrones com um, "vamos lá despachar o assunto", pois para quem, como eu, não faz parte da fandom, houve, sobretudo nas últimas 3 temporadas, quando o hype se multiplicou, um factor externo que só contribuiu para aumentar o meu factor de irritabilidade em relação à serie: os próprios fãs. Os fãs de Game of Thrones são os piores fãs de todos!
Tenho acompanhado a série através do canal SyFy, onde os episódios têm estreado na segunda-feira seguinte à sua estreia nos Estados Unidos, um tempo bastante razoável, tendo em conta que muitas séries populares estreiam uma ou mais semanas depois da sua estreia absoluta, quando não são anos, nos canais nacionais. Acontece que em anos anteriores, durante a exibição do episódio nos EUA, até à sua exibição nacional, uma pessoa tinha de afastar-se das redes sociais, senão ficava-se a saber pontos chave da narrativa, como a 'morte' de Jon Snow, o Hodor e outras que aconteceram comigo. Mesmo bloqueando determinadas páginas, havia sempre algum "amigo" de rede social que não se conseguia conter. Desta vez fiz uma campanha #antispoilers, mas felizmente os episódios estrearam em simultâneo com os EUA e as 2h da manhã estão no meu horário de ver séries/filmes, antes de me deitar. Mesmo assim houve umas quantas belas adormecidas, leia-se em modo snooze, nas minhas redes sociais. O curioso é que essas mesmas belas adormecidas foram os fãs mais aguerridos da série, será que GoT é sinónimo de imaturidade e falta de respeito?

Agora é que vou falar da série. Achei as últimas temporadas algo apressadas, mas, mesmo achando que houve preguiça e facilitismo na narrativa, os episódios individuais foram sempre bem estruturados, terminando quase sempre num cliffhanger de maior ou menor grau, e reservando as cenas e efeitos mais espectaculares para o final das temporadas. Infelizmente, com tanta personagem, um dos grandes defeitos que aponto à série - personagens a mais -, o acompanhamento das minhas preferidas, Arya, Bran e Tyrion, nem sempre foi o mais democrático, havendo pelo menos uma temporada inteira sem Bran.
A última temporada, com tanta antecipação gerada, à qual era difícil fugir, mesmo com o desdém a que me reservei, foi uma sucessão de episódios anticlimáticos. O primeiro foi só exposição, uma seca; o segundo, o trailer da série alargado, uma seca; depois veio a Batalha de Winterfell, o "tal" episódio onde pouco ou nada se viu, batalha atrás de batalha, combate atrás de combate, muito minimal repetitivo e muito cansativo. Louvo-lhes a coragem de sequer planear tal episódio e isso fascinou-me! O final, Arya vinda "do nada" a conseguir matar o Night King, não me pareceu nada despropositado, afinal não foi ela que passou umas 3 temporadas a aprender exactamente isso?
Depois lá vem mais um episódio secante, com atitudes e tomadas de decisão dos protagonistas muito desenxabidos, cujo clímax foi o assassinato da aia de Danaerys.
O final, foi coerente com a restante temporada: anticlimático. Não me surpreendeu Danaerys ser uma Targaeryan cruel, desde a primeira temporada ela tem vindo a ter actos cruéis, do estilo afogar cãezinhos, só porque sim, mas há quem só veja carinhas larocas... Achei bem ser o Jon Snow a matá-la de forma tão comedida, adorei que Drogon, um dragão, fosse mais sensato que todos os seres humanos envolvidos e derretesse o pomo da discórdia, ou seja, o Trono, e a tenha levado para parte incerta. O único balde de água fria foi a morte de Cersei. Uma belíssima vilã, que tanto urdiu ao longo da série, não morrer pela mão directa de ninguém? Não ser vítima de vingança? Ah sim, e desde quando Greyworm tem voto na matéria?

No fim das contas Game of Thrones afinal não é uma série emocional, é para ser vista com a frieza de um estratega, assim a decepção é francamente menor. No geral achei uma das séries mais bem produzidas que vi nos últimos anos: cenários diversificados e muito bem escolhidos e depois trabalhados, um guarda-roupa muito bem concebido e muito inteligente e económico, efeitos visuais de primeira e uma banda sonora interessante q.b. O elenco foi lindamente escolhido, entre actores consagrados, Charles Dance, Sean Bean, Diana Rigg, e estreantes que cresceram à nossa frente e foram catapultados para a fama, ninguém falhou ou foi mediano. A narrativa é que podia ser menos dispersa e confiar menos no Deus ex machina.

UFA, FINALMENTE TERMINOU! Até começarem a despontar as sequelas e prequelas! Hahahahahaaha!

A Guerra dos Tronos (HBO Portugal)
Making Game of Thrones

02 abril 2019

Um Bom Corte

Vou fazer aqui uma comparação, talvez injusta, talvez não, entre um filme e uma série, inspirados na mesma pessoa: Christian Dior. O filme é Phantom Thread, de Paul Thomas Anderson, a série, The Collection, produzida pela BBC, entre outros, e passou na RTP2. Curiosamente são ambos do mesmo ano, 2017, e, se não me engano, o ano da grande exposição de Dior em Paris (este ano numa nova versão no V&A, em Londres).

A linha narrativa de ambos é bastante diferente, a do filme está, a meu ver, mal resolvida. Promete-nos um sociopata perfeccionista sinistro e não cumpre, tanto na sociopatia como no perfeccionismo. Mas já lá vou. A série tem uma intriga mais simples, sobre a dualidade ética e moral, uma família disfuncional, com uns crimes pelo meio. O seu final é um tanto em aberto, o que, se não houver uma segunda temporada, é um bocado insatisfatório. Uma coisa ambos têm em comum, a ascenção da pobre costureirinha (ou trabalhadora pobrezinha) a uma classe privilegiada. O filme é muito bem realizado em determinadas partes, a série tem uma realização competente, como costuma ser norma nas séries britânicas. Portanto: Phantom Thread é um filme desequilibrado e insatisfatório, The Collection é uma série competente, com uma narrativa interessante, que segue mais de perto a história de Dior, com intrigas ficcionais paralelas, se bem que não é particularmente original.

Outra coisa que quero despachar já é o elenco. Daniel Day Lewis (Phantom Thread) consegue ser mais meticuloso na composição da personagem que a própria personagem, mas não gostei da falta de empatia entre ele e a sua companheira de elenco, que aliás não me convenceu. Os restantes actores estão bastante marcantes, mas com personagens demasiado secundárias. A série tem um elenco mais homogéneo e circula à volta de várias personagens. Uma das razões que me fez ver a série foi Richard Coyle e Frances De La Tour, mas não há grandes diferenças no desmpenho de nenhum dos actores, sejam eles ingleses ou norte americanos (Mamie Gummer, filha de Meryl Streep, está no elenco), estamos a falar da máquina bem oleada da BBC.

Onde está afinal a comparação? No guarda-roupa.
Quando vi Phantom Thread fiquei chocada com todo o hype em redor do guarda-roupa, ganhou um Oscar? Deixa consultar o IMDB. Yap, ganhou um Oscar para Melhor Guarda-Roupa. COMO??? Nunca no filme nenhum vestido assenta bem à protagonista, nem na primeira cena da prova, fundamental para a narrativa, o vestido lhe fica a assentar bem. Para um tipo meticulosamente sinistro, o resultado do seu trabalho é trapalhão. Não é preciso perceber de costura para ver que quase todos os vestidos tinham costuras arrepanhadas (o que significa um mau corte), o primeiro vestido tinha os bicos do peito quase no pescoço da rapariga e parece que ninguém ouviu falar em ferro de engomar naquele atelier. Vi vestidos a assentar muitíssimo melhor em personagens secundárias. Por exemplo o vestido de noiva, demasiado parecido com o de Grace Kelly. Isso, aliado a designs pouco interessantes, fez com que passasse o filme todo a reparar nos defeitos, um bom guarda.roupa não pode fazer isso. Um bom guarda-roupa, para além de uma boa execução, deve sobretudo servir as personagens e a narrativa, não distrair o espectador. A partir do momento que os figurinos de Phantom Thread me chamaram a atenção, ainda por cima pelas razões erradas, falhou. Por isso não percebo o Oscar, não me lembro quais eram os outros nomeados, mas deviam ser uma porcaria. Dito isto, guarda-roupa à parte, foi o filme de PTA de que menos gostei, sempre gostei dos filmes dele por terem argumentos muito bem escritos, serem muito coesos e interessantes, o que me faz crer que o tema da alta-costura não é adequado para ele, pois o fetiche que dá nome ao filme não é cumprido e o conhecimento dele acerca desse universo é claramente limitado. Achei tudo muito morno. Mas a primeira cena com Daniel Day Lewis a vestir-se vale o resto do filme. Quando acaba, podem sair da sala
The Collection, não sendo uma série brilhante e com certeza com um orçamento bem mais baixo que Phantom Thread, tem um guarda-roupa maravilhosamente bem feito, desde a roupa interior aos enfeites nos chapéus, desde a chungaria nas espeluncas em Paris até à dama da alta-sociedade americana pirosa, não há um botão fora de sítio. De facto até uma decoração num vestido da dita colecção é a chave para uma das intrigas, mas aí é onde acho que a série falha, esse ícone aparece de modo forçado e a sua ligação a um crime pode ser lógica, mas num panorama geral não seria conclusiva. A série vive dessa dualidade, todas as personagens têm algo a esconder, que por vezes afecta todos os outros em seu redor. Os figurinos e a história da colecção, estão lá como pano de fundo para outras histórias, essas sim que fazem avançar a narrativa.

No filme, onde os figurinos têm um papel fundamental, falha na execução. Na série, onde os figurinos servem apenas de contexto, está tudo impecável. Chattoune e Fab, os figurinistas creditados no IMDB, e a sua equipa estão de parabéns, Mark Bridges, apesar do Oscar, não está.

Phantom Thread
The Collection

11 março 2019

Portais Estrelares - Parte I

No seguimento da reposição de Stargate Atlantis, o SY FY está a repor desde o início a série Stargate SG-1. Na altura em que vi a série pela primeira vez, no AXN aos fins de semana, por razões várias não vi a série a eito, apesar de a querer ver, portanto agora estou a aproveitar a nova oportunidade.

Pensava que tinha visto episódios aleatórios de todas as temporadas menos as últimas, mas afinal tinha visto o primeirissimo episódio, mais um ou outro da primeira temporada, não vi nenhum da segunda, vi mais um ou outro da terceira e agora que cheguei à quarta percebi que foi a partir daqui que consegui acompanhar com alguma regularidade, lembrando-me de quase todos os episódios.

Stargate SG-1 foi uma série muito bem estruturada, que conseguiu suplantar o filme que lhe deu origem. Fora o facto de todo o extraterrestre falar inglês, no início não era tão flagrante, mas até isso foi bem feito ao ser gradual, ainda me faz alguma comichão. Nas suas primeiras temporadas, a série conseguiu não cair na rotina: equipa visita um novo planeta; equipa depara-se com um conflito no planeta, em geral provocado pelo seu grande inimigo, os Goa'uld; equipa resolve o problema, não sem algum tipo de perda; equipa volta à SGC (Stargate Command) relativamente ilesa. Esta fórmula, embora sempre presente, é intercalada com episódios divergentes a vários níveis, seja com saltos temporais, a problemática da implementação de novas tecnologias, relações diplomáticas com outros planetas, o conflito das boas intenções da SG-1 e do General Hammond contra a burocracia e os interesses menos éticos militares, espionagem industrial e até conflitos pessoais das personagens principais. Portanto não temos apenas uma narrativa aborrecida de um David (a SG-1) contra um Golias (os Goa'uld), o que explica facilmente a durabilidade da série.

O que gosto mais? O pseudo-ateísmo da série, onde a grande maioria dos deuses das culturas pagãs da Terra teriam sido invasores extraterrestres com intenções menos boas. Pena que, sendo americanos, não conseguiram confrontar a sua cultura judaico-cristã-presbitana e essa acaba por ser a única religião menos posta em causa por esse ateísmo, daí o "pseudo". Mais tarde virão os Ori, mas quando lá chegar hei-de pronunciar-me em relação ao modo como lidaram com a coisa. Lembro-me razoavelmente bem dessas temporadas, mas prefiro manifestar-me depois de ver tudo como deve ser, sem soluços.

Tenho de falar dos protagonistas, que não seguem os clássicos cânones maniqueístas de elencos de grupo à risca:
Coronel O'Neill de Richard Dean Anderson, é um militar algo insolente, bastante distante do rígido e traumatizado O'Neill de Kurt Russel, contorna frequentemente as regras em prol da equipa e dos amigos.
Daniel Jackson peca por Michael Shanks não ser tão bom actor como James Spader, portanto não sustenta tão bem a personagem, e rapidamente passou de um arqueólogo trapalhão a um homem de acção que até fica com o papel de pegar em armas, em detrimento da Major Carter, ela sim, militar.
Major Carter, militar disciplinada e cientista (essencialmente astrofísica), que começa um bocado deslumbrada, mas é quem resolve a grande maioria dos problemas com a sua inteligência.
Teal'C, o extraterrestre obrigatório, rebelde no seu povo, muitas vezes irritante, a força bruta, mas que tem um sentido de humor interessante.
General Hammond, o mentor e paizinho da equipa SG-1, um general bonzinho.
Acrescento o homem que provavelmente entrou em quase todos os episódios da série, sem dúvida em todas as temporadas e até nalguns episódios de Atlantis, o técnico do Stargate, que basicamente não é mais que um telefonista espacial, mas que parece o cãozinho do Dune, está sempre presente X'D

Voltando atrás, a boa estruturação da série, uma grande maioria de episódios bem escritos, o aliar de uma estrutura militar com equipas que são sobretudo de exploradores e por vezes diplomatas, e um elenco principal bastante carismático, fazem desta serie uma das melhores séries de ficção-cientifica que já vi, contextualizando os alienígenas no nosso mundo terrestre de uma forma bastante original e criativa. Eu sei, havia já muitas teorias da conspiração semelhantes antes da criação do filme, mas o modo como a coisa foi resolvida, no filme e depois esticada na série, é sem dúvida uma qualidade na escrita de argumento. Talvez a sua longevidade tenha sido demasiada, mas uma pessoa envolve-se com aquelas personagens e não quer deixar de conviver com elas.

Stargate Command

04 março 2019

To Boldly Go...


Com os banhos de Star Wars nos últimos anos, mesmo com 3 novos filmes nos cinemas, Star Trek tem andado um bocado esquecido. Por isso, sem grande razão aparente, o ciclo dedicado aos filmes pelo AXN Black no mês de Fevereiro foi muito bem-vindo.

Sou daquelas pessoas que não pertence a nenhuma das facções: Star Wars x Star Trek. A minha primeira série de ficção-científica, e ainda a minha preferida, é o Space: 1999! Vi Star Trek mais ou menos na mesma altura em que estreou Star Wars e o Mr. Spock foi e será sempre uma das minhas paixonites televisivas. Portanto aproveitei para ver os filmes de Star Trek que não tinha visto, pois eram realmente poucos: os 3 primeiros (noutra vida) e os 2 primeiros do reboot.

Fiquei um pouco chocada (já não me lembrava) com a fraquíssima qualidade do primeiro filme. Claramente tinha um bom orçamento, mas falhou nas coisas mais evidentes. Os establishing shots de 5 minutos sempre que aparece a Enterprise são chaaaatos! Pior, por serem tão longos, percebem-se todas as falhas, sendo a mais flagrante a diferença de escala entre o shuttle e a Enterprise, que me fez perguntar onde estavam os bons técnicos de efeitos com miniaturas da época. Provavelmente todos recrutados para outros projectos. A história é tão boa que já me esqueci e a maioria dos actores principais parece que também se tinham esquecido de encarnar as personagens. William Shatner, sim, falo de ti, mas não só. Mas, por mais fraquinho que seja o primeiro filme, nada bate o erro que é a personagem do Khan nos segundos filmes. Aqueles peitorais do Ricardo Montalbán fazem-me sempre pensar se não terá passado demasiado tempo na Fantasy Island e, por muito que goste de Benedict Cumberbatch e se tenham esforçado em fazer um upgrade à personagem, o Khan também no reboot foi um erro.

Dos três filmes novos, gostei muito do primeiro (que vi no cinema) e do terceiro. Aliás gostei muito da história do terceiro. Mas obviamente no geral é o melhor pacote dos 3 pacotes de Star Trek, 1, a equipa original; 2, The Next Generation, com uma participaçãozinha de Kirk e outra de Janeway e o reboot. As histórias são todas bastante sólidas, os filmes bem produzidos, as interpretações ágeis.

Dos outros filmes com a equipa original e depois The Next Generation, achei sempre as histórias boazinhas, mas muito datadas, um pouco melhores nos TNG, não me lembrava do Picard tão severo dos 2 primeiros filmes. Ah, os Borg são Cybermen que se enganaram na série! Bem que podiam ser um bocadinho mais originais... Mas uma coisa achei um exagero: se não me engano, de todos os 13 filmes, só num a Enterprise não é completamente destruída... Uma, duas, talvez três vezes ainda se aceita, mas quase sempre? Parece "Oh my God, I killed Kenny!", mas em vez disso seria: "Oh my God, I destroyed the Enterprise!" E ninguém da Starfleet manda a factura a Kirk, o responsável pela destruição em quase todos os casos?

O que era giro agora, era um desses canais de cabo passar todas as séries de Star Trek de fio a pavio, a começar do início e por ordem cronológica. Mas esperem um pouquinho, agora estou a rever Stargate SG-1 e com esperança de darem SG Universe, que nunca vi.

Star Trek Movies (Wikipedia)
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