TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

03 Dezembro 2009

Adeus Grissom


Fez algum sentido, quase como o fechar de um ciclo, coincidir na mesma semana em que o TV-Child fez mais um ano (já não sei a quantos anda...) Gil Grissom ter deixado (no AXN) o CSI. É que foi com CSI que dei início a este blog, quando andava completamente entusiasmada com o misto de ciência e história de detectives da série e com o carisma de Grissom, que chegou a dar lugar a William Peterson mais que uma vez no meu top dos 5 Gajos Bons.

O certo, e já o manifestei aqui no blog, é que continuo algo saturada das séries norte-americanas, mas apesar de tudo ainda sigo algumas com uma certa fidelidade, estando o CSI no topo da lista (as outras são NCIS - gosto da dose de parvoíce que esta série acrescenta -, Medium - Patricia Arquette, sem dúvida -, Criminal Minds - geeks em acção! - e, às vezes, Damages - que não ando a conseguir seguir como deve ser a 2ª série).

Apesar de ainda adorar a personagem, não foi com pesar que vi Grissom ir se embora. Não foi pois a série já tinha chegado a um certo nível de saturação, a precisar de uma boa reviravolta ou de sangue fresco, que veio da parte de Laurence Fishburne, uma espécie de Morpheus, versão professor universitário mas novato nestas lides, uma personagem que foi introduzida durante o canto do cisne de Grissom, de forma inteligente e sem ser forçada. Já não sendo fã fervorosa de CSI e grande parte do meu entusiasmo já ter esmorecido, Fishburne tem trazido à série novamente aquelas primeiras impressões de quem não está 100% familiarizado com o universo e as regras dos CSI e portanto renovando ou reavivando alguns dos conceitos iniciais da série.

Vou continuar a ver moderadamente o CSI, a saída de Grissom foi convincente, se bem que nos "livrou" de um certo melodrama que se infiltrou lentamente numa série e numa personagem onde inicialmente isso não tinha lugar. Vamos ver no que dá o CSI renovado, pelo menos o humor negro mantém-se e Laurence Fishburne é mais do que competente para manter a série de pé e em boa saúde!

03 Novembro 2009

*séptico

A palavra séptico existe em português e o erro desta vez não é tão aberrante quanto os que costumo encontrar, mas neste caso as consequências a nível de significado (portanto do domínio da língua portuguesa) são graves.

No episódio de ontem da série Medium, o procurador Manuel Devalos procurava tranquilizar a sua assistente e médium Allison Dubois dizendo que ainda se sentia um pouco séptico em relação às ameaças de que ela era vítima e a sua relação com os seus sonhos premonitórios.

O problema é que séptico não quer dizer incrédulo ou descrente, o significado da palavra céptico, derivada da doutrina chamada cepticismo. Séptico é algo relativo a putrefacção... é preciso explicar mais?

céptico
cepticismo
séptico

17 Outubro 2009

Futilidade

Sim, o anúncio do Pingo Doce é horrível e para além disso uma enorme decepção... volta Rita Blanco, estás perdoada! Quero voltar ao "sítio do costume" e "de Janeiro a Janeiro" apenas se me apetecer...

Mas não é acerca do anúncio do Pingo Doce em concreto que me apetece escrever agora, é acerca do modo como as pessoas agora dão demasiada importância a coisas sem importância e cada vez menos se fala das coisas verdadeiramente importantes. É claro que este é um assunto subjectivo, mas de qualquer forma deveria implicar algum raciocínio e sentido de oportunidade.

A minha irritação vem dos recentes escândalos televisivos/internéticos que começam como pequeníssimos nadas, pequenas parvoíces ou futilidades, mas que rapidamente porque alguém se sente indirectamente ofendido chegam a escândalo nacional. Foi assim com os caroços da Carolina Patrocínio, está a ser com o anúncio do Pingo Doce (se bem que esse é MESMO MAU!) e com o vídeo de Maitê Proença em Portugal.

Carolina Patrocínio não passa de uma menina mimada com uma empregada sobrevalorizada e Maitê Proença não passa de uma actriz brasileira um tanto ignorante, mas mesmo assim com perspicácia suficiente para descobrir alguns dos nossos defeitos nacionais. Só é pena não ter ironia, inteligência ou sentido de humor suficiente para fazer uma critica engraçada que afinal não passou de uma mera parvoíce.

Para muitos a futilidade é gastar rios de dinheiro em compras, jogar conversa fora, fazer um pouco de má-língua inofensiva. Para mim a futilidade é isto, é perder-se tempo e a paciência de algumas pessoas (a minha!) a dissertar por coisas destas sem importância. Ao exagerarem desta forma acerca de futilidades assim, as pessoas que o fazem estão a colocar-se ao mesmo nível dos criticados, ao dar-lhes uma importância e protagonismo que eles não merecem, pois o que apenas merecem é a nossa indiferença. Cada vez mais sinto que a idiotice, a burrice e a ignorância são sobrevalorizados em detrimento do raciocínio, da inteligência e do bom senso... vão cuidar das vossas vidinhas, façam má-língua inofensiva com os vossos amigos, pois sabe muito bem, mas não me encham a paciência com idiotices destas!

Ah sim! O anúncio do Pingo Doce é realmente mau!

09 Outubro 2009

*tinta acrílica

Oh meu Deus! Quando é que esta gente aprende a fazer traduções como deve ser? Ainda por cima enganam-se nas coisas mais simples!

A tragédia desta vez deu-se nos olhos de uma vítima de make-overs, no programa Tim Gunn's Style Guide na SIC-Mulher. Estava a dita senhora já na fase em que lhe ensinam a pintar os olhos e a maquilhadora a explicar que as cores devem se interligar como aguarelas. Qual foi a tradução de watercolour para português? Tinta acrílica!!! Quem pseudo-traduziu este programa das duas uma:
1. naturalmente não percebe patavina de tintas, mas também não é a isso obrigada;
2. também não percebe inglês: water=água + colour=cor;
3. e também não percebe português: aguarela;
4. não percebe rigorosamente nada de maquilhagem, mas também não é obrigada a saber;
5. não viu o programa para verificar a tradução;
6. não tem um dicionário Inglês-Português;
7. ou nem sequer saber para o que serve um dicionário ou sequer que eles existem!!

Para além de que, se estivesse com atenção, o/a "tradutor/a", bem, e se soubesse ou pesquisasse alguma coisa sobre tintas, que as aguarelas têm tradicionalmente cores pastel, mais claras, e com frequência são feitas aguadas, que são efeitos com o papel molhado que fazem um gradiente de cor sem linhas delimitadoras. E também saberia que tintas acrílicas são tintas mais espessas e opacas,com cores mais vivas e mais eficazes em superfícies lisas de cor. Mas como eu disse antes, ninguém é obrigado a saber estas coisas, mas um tradutor é sim obrigado a, no mínimo, saber usar o dicionário em caso de dúvida! Não me parece que a ideia de estilo e elegância de Tim Gunn nos olhos de uma mulher sejam sombras tipo desenho animado, com cores vivas e sólidas tipo Malvina Cruela (Cruella De Vil, no orginal)!

watercolour
aguarela | aguarela (Wikipedia)
tinta acrílica (Wikipedia)

23 Setembro 2009

Adeus Emília!


Dirce Migliaccio 1933 - 2009

17 Setembro 2009

A grande Dama



Passei praticamente o Verão inteiro numa fase baixa do vício, a televisão. Durante a semana vi cerca de uma hora de televisão por dia e ao fim de semana por vezes nem a ligava! [espanto!] Posto isto parece que essa fase está a passar lentamente e ando a tentar colocar-me a par das novidades, que na maior parte dos casos são as estreias de novas temporadas de séries que já seguia, C.S.I., NCIS, True Blood, Gossip Girl agora na SIC, etc.

Mas não é acerca disso este post. Num zapping recente apanhei um programa Mátria, da famosa e polémica Natália Correia e tive um momento de nostalgia. Mas atenção que não foi uma nostalgia melancólica e saudosista, mas sim porque quando o programa era emitido regularmente eu era uma fiel seguidora, facto que constatei agora com muitas razões bem válidas. Lembro-me de começar a ver o Mátria cerca dos 13 anos e de parar de o ver perto dos 17, quando o programa terminou sem nunca perder as suas qualidades excepcionais.

Mátria era um exemplo raríssimo de televisão progressista e vanguardista, no seu conjugar de todas as artes mais nobres, num ecletismo avant-garde, mantendo sempre um ritmo leve e acessível que captou o meu interesse ainda pré-adolescente. A personagem de Natália Correia impunha respeito e até algum temor, à partida os seus programas pareciam ensaios de uma densidade intelectual inatingível a uma miúda, mas revelavam-se num segundo visionamento o absoluto oposto, eram imensamente cativantes. Nessa conjugação da poesia (o forte de Natália), história (de Portugal), pintura, música, teatro e cinema criava-se, através da televisão numa linguagem acessível e divertida, conteúdos pedagógicos e informativos, transformando assuntos e temas à partida chatos em experiências sensoriais que muito me deram a nível de formação intelectual, artística e histórica, mais que muitas aulas do ensino secundário. Esses sim eram tempos em que a RTP fazia serviço público.

Depois de tudo isto, só tenho pena que Natália Correia já não esteja entre nós. Se o nosso país tivesse pelo menos uma pessoa com uma voz assim, talvez esta embrulhada onde nos encontramos fosse outra, onde a visão das pessoas não andasse tão toldada por peneiras mediáticas.

15 Setembro 2009

Cozinheiro louco



Enquanto que quase todas as mulheres da minha geração estão chorosas de luto por causa de Patrick Swayze, eu fico por Keith Floyd, o primeiro cozinheiro arrojado a diferente que vi na televisão. Uma pessoa como Keith Floyd, apesar de ter entrado numa dolorosa e alcoólica decadência que o levou até à morte, nos últimos anos, abriu as portas da televisão a chefes mediáticos como Jamie Oliver e a uma série de programas culinários que deixaram de se resumir a uma senhora com ar de dona de casa atrás de um balcão de cozinha a enfiar as coisas cruas no forno e a tirar a sua réplica já pronta no momento seguinte.

Os especialistas na matéria hão de discordar do seu eventual interesse culinário, mas para nós, total ignorantes da matéria e completamente necessitados de um refrescamento em matéria de culinária televisiva, os programas de Floyd na BBC Prime, onde grelhava borrego rodeado dos mesmos num grelhador portátil ao ar livre são memoráveis! Era fã de Floyd há muitos anos, não tanto pela comida que cozinhava (nesse aspecto Jamie Oliver acertou na mouche!) mas por ser o primeiro cozinheiro-pop da minha história televisiva.

O que vais cozinhar nas nuvens agora Floyd?