Antes de escrever aqui sobre os Oscars (vai ser curto desta vez) queria falar de um detalhe que reparei quando fui ver o Kill Bill: The Whole Bloody Affair.
Reparei no genérico inicial um agradecimento, mais que válido, a Kinji Fukusaku. Fukusaku, cujo filme Battle Royale lhe trouxe uma fama internacional tardia, numa longa carreira, é uma clara influência para Tarantino, não só em Kill Bill, mas sobretudo em Kill Bill. O que faltou foi a Tarantino agradecer também a influência de Seijun Suzuki, outro realizador japonês contemporâneo de Fukusaku, mais obscuro no Ocidente, a cuja estética muito deve Kill Bill e Tarantino. Ambos ainda eram vivos quando Tarantino filmou ambos os volumes de Kill Bill, portanto, é um bocadinho imperdoável. Ou será que ele quis os louros para si mesmo?
Passados estes anos todos, só tenho pena que a sequência animada da história de O-Ren Ishii não tenha sido co-criada e realizada por Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop, Golden Boy, etc.), cuja estética, ritmo, realização e sentido de humor encaixam muito melhor com a estética de Tarantino. A sequência anime mais realista criada para o filme lembra muito Blood: The Last Vampire, que é um excelente filme. Não sei se foi a mesma equipa, esta sequência foi produzida pela Production I.G., não me apeteceu ir verificar, mas é dentro do mesmo estilo.
Fui ver esta remontagem poucos meses depois de rever os dois filmes originais, o que serviu para perceber mais facilmente alguns dos pormenores que foram acrescentados ou alterados. Fez-me um bocadinho de confusão a imagem tão cristalina da cópia (obviamente digital), mas foram mais de quatro horas que se passaram mesmo muito bem (e seriam melhores não fora o cinema UCI El Corte Inglés desligar o ar-condicionado antes do meio do filme...). Não há dúvidas quanto a Tarantino saber manter os espectadores entretidos. Ah, e, se forem ver, fiquem meeesmo até ao finzinho, finzinho, depois do genérico. E mais não digo.







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