TV-CHILD É UMA DESIGNAÇÃO QUE SE PODE DAR À MINHA GERAÇÃO, QUE CRESCEU
A VER TV. ESTE BLOG É 90% SOBRE TV, 10% SOBRE OUTRAS COISAS.

13 maio 2009

Fashion Video


H&M - Summer 2009

Acabei de apanhar isto na TV, que publicidade mais fashion! Faz-me lembrar os gloriosos anos 90, das top-top models, em que ser fashion victim era um estilo de vida!

04 maio 2009

Amiguinho

Se fiquei triste com a morte de J.G. Ballard, fico triste ao cubo com a morte de Vasco Granja.

Vasco Granja foi um dos meus heróis de infância e adolescência, tive o privilégio de me ter cruzado pessoalmente com ele mais que uma vez e é e há de ser para sempre a minha referência máxima para cinema, televisão, cinema de animação e banda-desenhada, artes que fazem parte da minha vida e da minha existência. Se ele não tivesse existido, talvez não me tivesse interessado tão cedo por estas artes que se tornariam determinantes para mim. Ainda guardo (e agora guardarei com mais carinho) muitos dos artigos que publicou para a TV-Guia, que deveriam, junto com outros artigos e textos dele, ser publicados dignamente em livro, pois acho que ele teve muito para nos ensinar e dessa forma poderá continuar a fazê-lo!

Espero que Vasco Granja se tenha juntado ao seu herói Norman McLaren, que foi ele que nos apresentou, num paraíso cheio de animação...

19 abril 2009

Voo...

Há cerca de mais de um ano falei aqui da morte de um dos meus escritores de ficção-científica preferidos: Kurt Vonnegut. Hoje foi a vez de outro grande escritor de ficção-científica partir para outros voos: J. G. Ballard.

Apenas li três livros dele: O Mundo de Cristal, Olá América e Aparelho Voador a Baixa Altitude, mas nunca li, e quero ler há muito, os seus dois livros semi-autobiográficos que deram origem a dois excelentes filmes e alguma notoriedade fora dos círculos da escrita de ficção-científica: O Império do Sol (realizado por Steven Spielberg) e Crash (realizado por David Cronenberg).

É um escritor de que gosto bastante pela sua escrita simples e directa, paixão por aviões e capacidade de transformar situações áridas e catastróficas em histórias envolventes, românticas e cheias de humanidade.

Hoje é um dia triste para o mundo...

jgballard.com

15 abril 2009

um pouquinho de nostalgia (ainda) dos 70s...


Lene Lovich - Bird Song

Lene Lovich, nascida nos Estados Unidos mas que sempre conheci como residente em Inglaterra, de origem sérvia e inglesa, foi a primeira cantora/banda musical de que fui fã na vida. Um amigo recordou-me este vídeo fabuloso que agora coloco aqui!

Ela surgiu com o a decadência do punk e o início da new wave e foi muitas vezes algo injustamente comparada a Nina Hagen (por causa do exotismo e da voz treinada) e a Kate Bush (apenas por causa do exotismo). Infelizmente acabou por ter um papel mais secundário na história da música popular, à sombra destas duas cantoras.

Lene Lovich veio a Portugal pela primeira vez dar um concerto em 1978 e voltou o ano passado. Infelizmente não vi nenhum dos concertos, o primeiro por os meus pais não me deixarem, o último por falta de t€mpo...

Apesar de há bastante tempo já não ser a minha cantora preferida, até porque a sua carreira musical abrandou consideravelmente, ainda me sabe muito bem ouvir as suas canções que, em parte, definiram muito do que eu sou!

Lene Lovich

10 abril 2009

making of - separadores RTP1



Já aqui tinha mostrado e mencionado a originalidade dos novos separadores da RTP1, pois deixo aqui um mini-making of, que me escapou na altura que deu, aparentemente no Telejornal.

*casa verde

Sexta-feira santa, 10 de Abril, tarde de ronha em frente à TV... Na versão dobrada de O Segredo de Terabithia, que me pus a ver por um amigo meu me ter recomendado múltiplas vezes o filme, aparece-me esta pérola da má tradução de filmes para português: a irmã mais nova de Jesse irrompe pela sala com a maravilhosa deixa: "pai, pai, anda ver na casa verde!" Claro que a dita casa verde não era nada mais que uma estufa!

Se já não fosse grave o/a tradutor(a) do filme não saber inglês como deve ser (e não sabe topar false friends), também não tem olhos na cara! E, pior ainda, os actores e director(a) de dobragem também não!!! Ainda por cima greenhouse é uma palavra só, bastava ir ao dicionário... é mesmo triste...

greenhouse

30 março 2009

Gralha

Da primeira vez que ouvi, mal podia acreditar e descartei a ideia pensando que tinha ouvido mal... mas entretanto confirmei: o AXN anda a anunciar o filme Mulherzinhas para o próximo domingo, como sendo adaptado de um romance de Charles Dickens!!!!!

1. O livro é escrito por Louisa May Alcott e não se fala mais no assunto!
2. A acção passa-se nos Estados Unidos durante a Guerra da Secessão;
3. Charles Dickens era inglês e que eu saiba nunca escreveu nenhum romance passado nos Estados Unidos;
4. Louisa May Alcott era norte-americana e As Mulherzinhas é semi-autobiográfico;
5. A única coisa que Charles Dickens e Louisa May Alcott tiveram em comum, para além de serem ambos escritores, é que foram contemporâneos. A escrita de um e de outro não tem semelhanças algumas, o 1º escreve grandes épicos, romances intemporais, a 2ª escreve dramas familiares.

Que cada vez menos as pessoas nos media fazem o trabalho de casa, eu sabia, mas dizerem tal enormidade sem, pelo menos olharem para a ficha técnica do filme é TOTAL E COMPLETA INCOMPETÊNCIA!!!!!!

19 março 2009

Blythe a caminho das Índias...


Maria Maya (Inês) com a Frida
foto: Marcelo Cravero


Não tenho acompanhado a novela da Globo, Caminho das Índias, pois apesar da produção impecável como sempre, ao ver os primeiros episódios pareceu-me um clone d'O Clone mas mais folclórico e mais foleiro. Não tenho paciência para tanto berro e tanto maneirismo. Não percebo quase nada da cultura indiana, mas tanto quanto sei devem ser pessoas normais e não passam a vida naqueles histerismos. Aliás saber que esta novela é de Glória Perez ainda desaponta mais, será que as ideias se esgotaram?

Os actores, um verdadeiro rol de vedetas de primeira, foram escolhidos pelo tom mais bronzeado da pele, mas mesmo assim pouco convincentes como indianos. Eles esforçam-se tanto em manter um sotaque da Índia que se transformam em personagens caricatas e ridículas. Assim, tudo quanto é actor mais declaradamente de descendência índia (não indiana) ou de emigrantes líbios, turcos e afins, teve direito a entrada garantida na novela. Mas dificilmente encontramos alguém claramente com traços verdadeiramente indianos. Discordo completamente com a escolha de Márcio Garcia para o papel de Bahuan, pois para um "intocável" o rapaz é demasiado branquinho... Não é suposto as castas mais altas serem mais branquinhas e as mais baixas as mais escuras?

Algumas das coisas que achei apelativas na novela foram Débora Bloch, de quem sou fã, e a personagem rebelde-chique Inês, interpretada por Maria Maya. Inês ouve Pitty, que descobri através das novelas e de que gosto bastante, é toda punk e tem uma colecção de bonecas. Entre essas bonecas, foi introduzida uma Blythe customizada, por uma questão de direitos de imagem, pois um dos directores de arte, Marcelo Cravero, é justamente fã e coleccionador das mesmas. A dita menina chama-se Frida e é customizada pelo Studio Zellig. Eu já tinha aqui mencionado que sou fã destas bonecas e a orgulhosa dona de uma desde Novembro passado, portanto não podia deixar passar em branco este detalhe que tem deixado a comunidade de fãs da Blythe brasileiras em polvorosa!

Caminho das Índias

08 março 2009

5 gajos bons 2009

Continuando o meu costumeiro post do Top 5 de gajos bons em exibição na televisão, para comemorar o Dia da Mulher, aqui está o deste ano.

Desta vez tive dificuldade em escolher, especialmente porque não tenho andado a ver muita televisão (ando um bocado saturada das mesmas séries de sempre) e, pela primeira vez, William Petersen não está no top porque, sim, até do CSI ando um bocado farta... Ainda por cima, do que ando a ver com regularidade, saem poucos gajos bons...

1. David Tennant
O claro vencedor, este não tive dificuldade nenhuma em escolher por variadíssimas razões: é escocês, é o carismático protagonista de uma das minhas actuais séries favoritas, Doctor Who, e é lindo! Não está propriamente no ar, mas ontem vi-o no 4º filme do Harry Potter na RTP1.


2. Patrick Dempsey
Não costumo ver A Anatomia de Grey, mas pelo cantinho do olho lá vou vendo Patrick Dempsey e vou gostando bastante do que vejo. Merece!





3. Hugh Jackman
Só não está no 2º lugar porque até agora só o vi uma vez na televisão, exceptuando, claro está, os filmes onde entra. Mas apesar de não ter feito um trabalho estrondoso, gostei bastante de o ver a apresentar os Oscars e a embalagem (que é disso que falo nestes posts) é tudo menos de se jogar fora!


4. Julian McMahon
É um tipo estranho, nem sempre gosto do que vejo, mas gosto do olhar sedutor e frio (qual frio, gelado!) com que interpreta as suas personagens Dr. Christian Troy em Nip/Tuck (Fox Life) e Cole Turner em Charmed (AXN).




5. ?
A indecisão foi tão grande e de todos os prováveis candidatos (tentar arranjar um brasileiro que se qualificasse...) nenhum atingia todos os requisitos necessários, portanto entre colocar aqui um candidato meio-meio, preferi deixar a 5ª posição em branco este ano... Sou exigente, o que posso eu fazer...

28 fevereiro 2009

*Channel

Já aqui tinha feito um desabafo em relação a este erro ortográfico e de falta de cultura geral (para não dizer cultura fashion) neste post. Mas enquanto que ver esse erro seja na TV Guia, seja no vídeo daquela criatura é mau (sim, é!), é ridículo (sim, é!), é falta de esmero (sem dúvida), é triste (oh sim!), mas, dando o devido desconto, é infelizmente previsível...

Agora só digo: o nome da senhora é CHANEL, com um (sim, 1) N e não channel de "canal" em inglês!

Mas (e desta vez o erro não está na televisão, pois é!) ver na entrevista de rua da revista Time Out (nº 74, 25 de Fevereiro de 2009, tema: "88 Coisas que Você Não Sabe Sobre Lisboa" | rúbrica "De olho na rua", pag. 12, último parágrafo), de que tanto gosto, que leio avidamente todas as semanas desde o primeiro número e que respeito imenso, tamanho erro é bem grave! Juro que dentro do decadente panorama jornalístico português respeito, e muito, os jornalistas da Time Out que não têm papas na língua, escrevem bem, fazem o trabalho de casa, estão em cima do acontecimento e, principalmente, têm um sentido de humor corrosivo sabendo apontar o dedo quando é preciso. Ah se Portugal tivesse mais gente assim!

Mas este erro é mais grave ainda (pois dada a temática da revista os jornalistas da Time Out têm obrigação de saber estas coisas) porque foi escrito não uma, mas duas vezes! Isto leva-me a questionar mais uma vez os critérios de escolha das "figuras" em street fashion que fotografam, pois invariavelmente quase todas as semanas as pessoas têm menos de 25 anos, de original costumam ter pouco e de fashion menos ainda, e são fotografadas na mesma esquina da Baixa. Fazem plantão é? Ainda por cima desta vez a rapariga era realmente gira e estava bem vestida!

23 fevereiro 2009

81 Oscars de (B)ollywood?



Este ano a cerimónia dos Oscars foi diferente em quase tudo, até nas tendências das fatiotas, que neste ano não encontrei nenhuma. Havia de tudo: vestidos sereia, drapeados, vestidos princesa, vestidos tubo, assimétricos, com cauda, sem cauda, rendas, cetins, sedas, chiffons, lantejoulas, plumas... De todos eles, os vestidos acima foram os que mais me chamaram a atenção, por isso este ano não há desenho. O de Viola Davis pelo seu ar clássico de Hollywood anos 30, no corte e no plissado dourado, muito bonito e elegante. O de Sarah Jessica Parker pelo seu ar diáfano (todos os vestidos de princesa deveriam ter este ar diáfano) e pelos maravilhosos acabamentos. Nos homens ainda menos tendência vi, apenas que cada um vai como quer e que o fraque clássico está mais que em desuso. Isso sentiu-se especialmente quando Hugh Jackman, a dada altura da cerimónia, aparece assim vestido (mas já lá vamos). Amei ver o maravilhoso Tim Gunn na passadeira vermelha a fazer os costumeiros comentários acerca dos vestidos e dos fatos. Nada como um verdadeiro conoisseur para o fazer como ninguém! É pena os comentadores portugueses e a TVI ainda acharem esta uma parte menor da cerimónia, não passando o programa Red Carpet na íntegra e comentando SEMPRE em cima do que eles estão a dizer, não deixando ouvir os comentários fúteis sobre a roupa. É para isso que vemos o Red Carpet!

Hugh Jackman não foi o apresentador mais notável ou brilhante de uma cerimónia dos Oscars, mas como este ano a estrutura mudou radicalmente, foi um apresentador à medida. Gostei muito de o ver cantar e dançar no estilo musical clássico e o número de abertura em estilo "Oscar-crise deux mil et neuf" foi engraçado.

Sim, a estrutura mudou muito e, apesar de ter muito menos intervenção do apresentador principal, acabaram com as redundantes apresentações dos apresentadores e se resumiram a três intervenções brilhantes e muito hollywoodescas. Gostei mais deste estilo de cerimónia, foi mais ágil, com mais ritmo, a encenação de cada apresentação foi diferente para cada categoria, sem repetir fórmulas (excepto para os actores), juntaram em blocos categorias da mesma família (mais uma vez com excepção para os actores), não houve discurso do Presidente da Academia. Foi mais aquilo que eu sempre esperei de uma cerimónia dos Oscars (desde há uns 10 ou mais anos que sempre fiquei um pouco insatisfeita), não dependendo tanto das "supresas" ou intensidade com que o público vibra com a escolha dos premiados, e toda a gente se pareceu divertir mais. E a cerimónia não foi mais curta como apregoado, pareceu mais curta porque nos manteve sempre atentos ao ecrã, mas não foi. Nos últimos anos, ao ritmo que as coisas iam, qualquer dia a cerimónia teria apenas uma hora, mas este ano acabou na zona confortável das 5h da manhã (já acabou perto das 4h e já acabou depois das 6h).

Mas o grande clímax e melhor parte da cerimónia foi o fabuloso número de homenagem ao Musical cantado e dançado por Hugh Jackman (de cartola e a começar por Top Hat) e Beyoncé Knowles e coreografado por Baz Luhrman. O número começava ao bom estilo de velha Hollywood, relembrando os números nos filmes de Busby Berkeley ou de Fred Astaire (cá está, Top Hat), transitando para melodias mais modernas sem quebras e sem perder a graça. A-DO-REI!

Gostei dos discurso de Penelope Cruz, talvez a maior surpresa da noite, adorei ver Eva Marie Saint ainda com excelente aspecto a apresentar, tenho de ver In Bruges, pois quero ver Ralph Fiennes a falar cockney, fiquei triste por os candidatos à Longa de Animação serem todos em animação 3D, fiquei satisfeita por os unicos dois filmes japonese candidatos terem ganho o Oscar na respectiva categoria (La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato e Departures, de Yojiko Takita), adorei a homenagem merecida a Jerry Lewis, se bem que "desviada", ri-me com a gaffe do ano, pois apresentaram Sir Ben Kingsley e esqueceram-se do "Sir" de Anthony Hopkins e gostei da postura de Mickey Rourke e do carinho com que a maioria dos colegas se referiu ao seu regresso.

Então e Bollywood? Pois, é muito curioso pensar que Slumdog Millionaire, um filme inglês filmado na Índia com actores indianos, tenha sido o grande vencedor da noite. Parece que não foi só Barack Obama que mudou nos Estados Unidos, a mentalidade geral também!

Espero que mantenham o estilo da cerimónia para o ano, em termos de espectáculo foi das melhores do últimos tempos, verdadeiramente encenada, sem quebras de ritmo, sem a sensação de partes redundantes ou inúteis focada no principal, no cinema e nos prémios.

OSCAR.com

22 fevereiro 2009

Paris de estúdio



Uma das coisas boas da vizinhança dos Oscars é a programação especial que a RTP, mais até a RTP2, costuma fazer todos os anos com antigos filmes oscarizados.

Ontem à noite apanhei dois dos filmes que constam no meu top 10 de filmes, Um Americano em Paris (já a meio, mas sem perder as minhas cenas favoritas) e Tudo o Vento Levou, em que adormeci (começou à meia noite, tem 4 horas!), mas não faz mal pois já vi o filme centenas de vezes e tenho em DVD.

Para mim Um Americano em Paris, mais do que o muito e devidamente reconhecido Serenata à Chuva, representa o arquétipo do musical de Hollywood: é 100% filmado em estúdio, os actores que o protagonizam estavam entre os melhores actores de musical, o realizador, Vincente Minelli, idem, é comédia, é melodrama, é romântico, tem canções, dança, cenas fantasiadas, cenas memoráveis, deixas imortais, é technicolor, tem uma produção artística entre a pintura moderna de Toulouse Lautrec e Chirico e o clássico multicolorido de Hollywood, tem uma realização minuciosa e tudo embalado num George Gershwin no seu melhor (a Rapsódia em Azul, por exemplo).

Um dos melhores ingredientes de Um Americano em Paris é a ideia de uma Paris romântica, utópica e irreal, mas que nem a própria Paris real, já bem interessante e mágica por si só, não consegue apagar. É uma Paris de sonhadores e amantes, de paisagens belas e imaculadas, de pessoas bonitas e interessantes. Uma Paris da recriação da estética da arte moderna no início do séc.XX, uma Paris onde ser um artista pelintra, como Jerry, a personagem de Gene Kelly, a viver numa caixinha de fósforos não é um problema, vive a sua vida com um sorriso entre vender os seus quadros em Monmartre e beber um cafézinho a por conta com o seu amigo céptico no café em frente.

As personagens também são arquétipos no seu melhor: o protagonista alegre, sonhador, bon vivant e sempre optimista, a heróina doce e romântica envolvida num mistério que a torna carismática, o melhor amigo céptico mas também sonhador, a milionária chique e bela com interesse no protagonista, o outro amigo bem sucedido que também está apaixonado pela menina. Apesar destas características, as personagens não são previsíveis e vivem os seus dilemas com intensidade e honestidade, onde as, por vezes longas, cenas de fantasia ou sonho se integram maravilhosamente bem, sem se tornarem gratuitas ou fastidiosas. Num filme como Um Americano em Paris, que à partida poderia ser o filme mais de plástico entre os filmes de plástico, aceitamos os códigos de imediato e somos "sugados" para aquele universo maravilhoso como se fizesse parte do nosso dia-a-dia.

Ontem à noite emocionei-me. Lembrei-me de como Um Americano em Paris é um excelente filme e de porque gosto tanto dele. Cantei as canções, empatizei com as personagens, deixei-me levar! Já vi este filme tantas vezes, que seria de imaginar que já o saberia de cor. Realmente as partes mais óbvias, as canções, certas deixas, a sequência de eventos, eu sei de cor, mas mais uma vez vi coisas novas e senti este universo maravilhoso desta Paris de estúdio, uma Paris da imaginação, mas que bebe muito do real, dando razão ao mito de cidade dos amantes. Se nada mais valesse este filme, a sequência de dança final vale! É comprida, aparentemente despropositada, mas demonstra os sentimentos de perda e paixão de Jerry como umas linhas de diálogo nunca o fariam e faz a transição perfeita para o remate final.

Agora só falta ter o filme em DVD, de preferência uma edição especial, cheia de extras, no estilo das edições da Criterion!

20 fevereiro 2009

O lado South Park da vitória de Obama

Boas notícias: o site oficial de South Park disponibilizou os episódios e gratuitamente sem restrições de países e afins.

Estive a ver o episódio "About Last Night", a visão South Park da noite da vitória de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos e posso declarar que foi das melhores experiências em vídeo que já tive na net. OK o episódio é super divertido como sempre, não vou contar nada para não fazer spoilers a ninguém, mas recomendo!

O bom da experiência foi:
1. não haver restrições por país, coisa que me tem vindo a acontecer em playlists oficiais do YouTube;
2. o streaming do episódio (cerca de 20min) decorreu sem sobressaltos, engasgos, esperas ou interrupções (excepto para dois ecrãs negros/intervalos, devidamente assinalados na linha de tempo), como também me tem vindo a acontecer com vídeos bem menores no YouTube;
3. a qualidade de som e imagem em full screen é razoável, sem demasiada degradação de jpg nem engasgos de movimento.

Em suma: POSSO VOLTAR A VER SOUTH PARK!

obrigada Lu pela dica!

19 fevereiro 2009

Simpsons HD

Tinha de o pôr aqui...


obrigada Deuxieme!

17 fevereiro 2009

R2-D2 de trazer por casa



Graças ao Twitter cheguei a este R2-D2 em crochet! Dá realmente vontade de pegar nas agulhas e lãs! Adorei!
Para ver mais fotos, é só ir aqui:
Artoo Star Wars Craft: Lovable Crochet R2D2 Plush

Um verdadeiro fã de Star Wars devia ter sempre um a seu lado!

09 fevereiro 2009

*eremita perverso

Nunca ligo muito às legendas de Naruto (na SIC-Radical) pois é daquelas séries de anime em que normalmente estou mais a ouvir e a fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo. Mas como ultimamente a acção tem estado um pouco mais emocionante, os meus olhos viram-se mais para o ecrã e, como consequência, acabo por ler as legendas.

Não podia deixar de reparar que ero sennin, alcunha que Naruto dá a Jiraya, o seu terceiro mestre, está traduzida como eremita perverso. Ora bem, primeiro está ERRADO, segundo é óbvio que foi traduzido do inglês pervert master, terceiro quem traduziu não sabe o significado da palavra pervert em inglês neste contexto!

Passo a explicar: ero sennin em japonês pode-se traduzir como eremita tarado pois sennin quer dizer eremita ou, num sentido mais lato, mestre; ero há de vir do inglês erotic e pode ser traduzido como erótico ou, concretamente neste caso, porque se refere à pessoa do mestre Jiraya, tarado (ele anda SEMPRE atrás de mulheres). Portanto se em inglês estava pervert hermit, a tradução está adequada e mantém o significado.

Agora quem traduziu isto logicamente não percebe patavina de japonês, não vê a série e não sabe o significado da palavra perverso em português ou então nunca ouviu falar de false friends. Perverso em português quer dizer mau ou muito mau, portanto não tem nada a ver com Jiraya, que até é um tipo simpático. Por outro lado pervert em inglês quer dizer tarado, rebarbado, uma pessoa que não consegue deixar de pensar em sexo, o que já tem mais a ver com Jiraya que não resiste a um rabo de saia (passe a expressão).

Eu sei que normalmente as traduções das séries de anime são más, os erros mais que muitos e o cuidado é muito pouco para além do facto de serem sempre traduzidas em segunda mão. Mas neste caso, se as minhas suspeitas estiverem correctas, o erro não está na tradução americana, mas sim na ignorância do/a tradutor/a português(a).

エロ [ero]
せんにん [sennin]
pervert
perverso [escrever a palavra "perverso" no campo de pesquisa]

07 fevereiro 2009

as coisas boas vêm em embalagens pequenas


RTP1 separador JAN 2009

Estou a AMAR♥ os novos separadores da RTP1, especialmente este! Lembra-me o tempo todo o Traffic ou o Playtime de Jacques Tati. A banda-sonora é especialmente feliz e dá o corpo que o separador precisava. Quem quer que for o autor, tem os meus maiores parabéns, isto está brilhante!

19 janeiro 2009

borboleta com bom senso

Será que o meu blog atingiu as altas instâncias da SIC? Tenho sérias dúvidas, mas que o bom senso apareceu para os lados do programa da Lucy, apareceu!

Pois é, este fim de semana, deitei um olhinho ao programa e já vi a moça mais composta (até estava de casaco pelo joelho!!!) e alguns intertítulos em português.

O programa continua a ser um pretexto para colocar Luciana Abreu a cantar em playback, e muito pouco pedagógico ou instrutivo, mas pelo menos está mais adequado ao horário em que passa!

Programa da Lucy | Luciana Abreu | SIC Online

14 janeiro 2009

Sangue pasteurizado

Tenho andado a seguir True Blood e Kyle XY pelo MOV e True Blood é daquelas séries estranhas, que aparentemente tem pouco para eu gostar (fora os vampiros, se bem que isso também não é decisivo), mas pela intensa e estranha sensação que me deixa após cada episódio, não quero perder.

Gostei de Sete Palmos, a anterior série de Alan Ball, mas o excesso de personagens importantes e interessantes era um bocado distractivo. Estava lá a presença de um autor inteligente, que sabe criar excelentes personagens e narrativas inteligentes e que reflectem a realidade de um modo interessante, mas não me conseguia concentrar numa personagem favorita e acabei por não ver a série com atenção.

True Blood muda completamente o universo, deixa de ser uma família branca, classe média alta, mas um pouco excêntrica com um negócio diferente, tudo muito limpo na aparência mas sórdido por baixo dela, para ser uma comunidade "white trash" onde a protagonista serve num bar local num futuro próximo ou alternativo onde os vampiros saíram do armário graças à invenção japonesa de sangue artificial (tru Blood).

Apesar de ser um tipo de vida e gente que não quero conhecer na realidade, gosto muito mais deste universo mais "porco" e menos linear, que me tem surpreendido a cada episódio. Começando por Sookie Stackhouse, a protagonista, uma rapariga aparentemente pateta mas com uma personalidade forte e inteligente e que consegue ler os pensamentos das pessoas. Sookie, maravilhosamente interpretada por Anna Paquin, parece parva mas é uma força da natureza e sabe se defender muito bem apesar de se colocar constantemente em situações de risco, um bocado por um apelo do desconhecido. Bill, o vampiro, parece um tipo banal, calmo, circunspecto e pouco falador, mas luta o tempo todo contra a sua natureza apesar de claramente gostar de Sookie e não lhe ir fazer mal. Os dois iniciam uma relação na base dessa atracção pelo desconhecido, Sookie porque não consegue ler os pensamentos de Bill e sempre teve curiosidade em relação aos vampiros e Bill porque Sookie já lhe salvou a vida umas vezes, não o julga e quer conhecê-lo.

A relação de ambos vive de uma tensão sexual brutal, parece que sempre que estão juntos os dois têm de se estar a tocar, é de um magnetismo irresistível que tem pouca comparação com outras séries onde tensão semelhante existia, mas que alimentava-se do facto de o casal não se poder unir (Maddie e David - Moonlighting, Mulder e Scully - X-Files). Aqui eles vão poder unir-se pois não é com sexo que o mistério será desvelado, mas claro que Alan Ball faz render essa sensação, senão também não tinha piada.

Depois os dois têm de lidar com o preconceito numa terra pequena onde quando alguém espirra, toda a gente fica a saber, no sul dos Estados Unidos e o facto de os vampiros não se quererem verdadeiramente integrar, a luta deles não é uma luta pela justiça, mas sim de sobrevivência. Os humanos representam um lado bruto e ignorante e os vampiros um lado selvagem e irresponsável. Ninguém é verdadeiramente bom ou verdadeiramente mau, mas os vampiros são perigosos num modo mais físico e os humanos num modo mais psicológico de maquinações e intriga. E depois há sexo... como Sookie muito bem disse no episódio de ontem (o 4º, se não me engano) "está toda a gente a pensar em sexo!" ao que Bill respondeu "não é preciso ler mentes para perceber isso".

Seja onde for que Sookie e Bill forem, não vão encontrar o paraíso e o sossego, mas mais uma vez citando Bill a Sookie: "os vampiros estão sempre a correr riscos, prefiro corrê-los contigo.". É da união deles que vive a série, uma união e pêras!

Sendo séries com universos opostos, o cunho de Alan Ball sente-se na coerência da escrita e em personagens ricas, cheias de personalidade, mesmo que essa se manifeste pouco. Cada episódio introduz uma nova peça ao puzzle e deixa-nos a pensar em que mais poderá acontecer.

HBO: True Blood

MOV
3ª: 22:00

10 janeiro 2009

Lumières


não... não é a Av. da Liberdade, são os Champs Elysées

Sempre tive uma relação de amor-ódio com as luzes de Natal. Acho que na grande maioria são um desperdício de electricidade, mas por outro lado até gosto de as ver em zonas seleccionadas das cidade, principalmente quando são bonitas. Portanto gosto de ver as iluminações de Natal na Baixa, no Chiado, no Terreiro do Paço, na Av. da Liberdade, na Av. de Roma e no eixo entre o Marquês de Pombal e o Campo Pequeno e, vá lá, talvez também em Entrecampos.

Mas nos últimos anos cada vez gosto menos das iluminações de Natal, andam a ficar cada vez mais feias e a espalhar-se, qual praga, a zonas da cidade, como por exemplo a minha rua, onde não faz rigorosamente sentido nenhum haver luzes de Natal, pois o único comércio existente são sapateiros, mercearias, tascas e um videoclube. Sim, a minha lógica diz que as iluminações de Natal são um atractivo turístico, portanto devem centrar-se nas veias principais da cidade, em particular nas de comércio.

Este ano foi a grande desilusão, praticamente todas as iluminações de Natal da zona da Baixa eram particularmente feias, sem mencionar o HORROR que estava no Rossio! Escapavam algumas transversais da Baixa, a zona da Av. de Roma e a Av. da Liberdade, da qual gostei particularmente. Qual não é o meu espanto e desilusão quando, no fim-de-ano, naquelas mini-reportagens na TV dos fins-de-ano pelo mundo fora, vejo que os Champs Elysées em Paris tinham iluminações exactamente igiais às da Av. da Liberdade! E verdade que a Av. da Liberdade já é uma espécie de cópia dos Champs Elysées, mas não precisavam de levar isso tanto à letra copiando as iluminações da Natal!!

O único aspecto positivo das iluminações de Natal deste ano foi que pelo menos não foram pagas pela Câmara Municipal, isto é, pelos seus habitantes/contribuintes, mas por patrocínio de empresas privadas. Mas a Câmara ainda tem uma enorme responsabilidade pelo aspecto visual da cidade e não devia ter aprovado certo tipo de manifestações em que a publicidade se sobrepunha ao bom gosto da decoração. No primeiro ano em que tal foi visto, a Av. da Liberdade tinha uma decoração com bolas da Volks Wagen, mas, apesar da publicidade inerente, era uma decoração agradável e bonita, que não feria a sensibilidade natalícia dos transeuntes. Para além disso continuo com sérias dúvidas de onde vem o dinheiro das iluminações de Natal de freguesias mais residenciais como a minha, onde continuo a achar que as iluminações de Natal são um disparate! Pelo menos não votei em quem lá está, portanto a minha consciência está tranquila, apesar de a carteira não estar.

Ao contrário dos anos anteriores, achei que a horrorosa maior árvore de Natal da Europa até ficava bem no alto do Parque Eduardo VII. Não parecia tão açambarcadora...
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